Economia
Governo proíbe apostas online antes do primeiro turno
O governo está finalizando a medida provisória (MP) que tem como objetivo impedir as apostas online no Brasil.
Se a MP não entrar em vigor imediatamente, um prazo curto será estabelecido para que as novas regras comecem a valer ainda antes do primeiro turno das eleições.
O texto ainda está sendo ajustado e pode ser alterado antes do anúncio, que está previsto para o início da noite desta sexta-feira.
O intervalo entre a publicação da MP e sua entrada em vigor pode servir para que os usuários retirem eventuais fundos ainda existentes nas plataformas de apostas.
O Planalto percebe um forte apelo popular para o fim das apostas online. Acredita-se que essa iniciativa possa ajudar Lula eleitoralmente, sobretudo junto ao público evangélico e às mulheres, principalmente na região Sudeste, grupos que Lula busca se aproximar.
No entanto, alguns aliados do presidente manifestam dúvidas sobre a medida, preocupados com possíveis inseguranças jurídicas e reações de setores contrários na reta final do primeiro turno.
Embora uma parte do governo tenha sugerido uma proibição gradual, começando pelos cassinos online, a decisão predominante foi de proibir todas as modalidades de apostas por internet.
A MP também deve incluir mecanismos para evitar que os usuários migrem para plataformas ilegais ou não regulamentadas.
Simultaneamente, o governo encerra a elaboração de um programa para renegociação de dívidas, que poderá movimentar até 10 bilhões de reais. A proposta inclui um leilão para compra de débitos com desconto, embora ainda não esteja definido se esses débitos serão cobrados ou cancelados após a aquisição.
O pacote deve ainda buscar melhorar as condições para oferta de crédito e revisar regras de linhas de crédito mais caras e com maior inadimplência, como o cartão de crédito.
Os textos da MP sobre apostas e do programa de renegociação, incluindo medidas relacionadas ao crédito, estão sendo finalizados para serem anunciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da noite.
Economia
China abre mercado para miúdos suínos do Brasil, oportunidade de US$ 100 milhões por ano
O Ministério da Agricultura confirmou oficialmente a liberação do mercado chinês para a importação de miúdos suínos oriundos do Brasil.
O acordo sanitário bilateral foi firmado no último sábado, dia 26, durante uma reunião entre o ministro da Agricultura, André de Paula, e o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, conforme comunicado do ministério.
“Essa medida amplia a lista de produtos brasileiros autorizados a entrar no mercado chinês, criando novas oportunidades comerciais para os estabelecimentos habilitados e promovendo a diversificação das exportações”, declarou o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.
Até então, o Brasil tinha autorização para exportar apenas alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína para a China. A expansão do acesso deve-se ao reconhecimento do País como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Dentre os itens que agora poderão ser exportados estão: músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura; miúdos e coprodutos comestíveis congelados, como banha suína não refinada; línguas suínas; máscara suína; focinho suíno; orelhas suínas; cauda suína; pés suínos inteiros; pele suína; cartilagem suína; estômagos suínos; fígado suíno; coração suíno; rins suínos; diafragma suíno; e ossos suínos.
De acordo com o ministério, as negociações envolveram a definição de requisitos sanitários, certificações e as condições que os estabelecimentos brasileiros devem cumprir para exportar esses produtos.
“Essa abertura representa um marco importante para a suinocultura brasileira, permitindo o acesso a um mercado de mais de US$ 2,5 bilhões anuais, elevando a valorização da produção nacional e promovendo mais emprego e renda no meio rural e industrial”, afirmou André de Paula em nota. Para a China, salientou o ministro, a liberação assegura uma nova fonte de fornecimento com a garantia do sistema sanitário brasileiro.
O ministério ainda estimou que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser enviadas ao mercado chinês, o que deve gerar uma receita superior a US$ 100 milhões ao ano, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
A formalização desse acordo ocorreu após a conclusão da auditoria chinesa em frigoríficos brasileiros, iniciada em 20 de setembro. Durante a auditoria, inspetores chineses visitaram diversos estabelecimentos, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados, avaliando as carnes bovina, suína e de aves.
“Essa assinatura abre novas oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado chinês, sendo um resultado concreto dos esforços conjuntos e uma clara demonstração da vitalidade das cooperações agropecuárias entre Brasil e China”, enfatizou o embaixador chinês.
Ele ainda ressaltou que, desde 2008, a China é o principal destino das exportações agrícolas e pecuárias brasileiras, mantendo-se líder por 18 anos consecutivos.
A China é um dos principais consumidores e importadores mundiais de produtos suínos, realizando importações de miúdos que alcançam cerca de US$ 2,5 bilhões por ano.
“Além dos aspectos comerciais, que envolvem volume e receita, essa abertura aproxima a produção brasileira dos hábitos alimentares chineses, já que o consumo de miúdos é tradicional na culinária local e presente tanto em restaurantes quanto em residências”, destacou o ministério na nota oficial.
As negociações para exportação de miúdos suínos se intensificaram há cerca de um ano, após uma missão presidencial chinesa ao Brasil.
O interesse brasileiro se justifica pelo grande potencial do mercado chinês, que é consumidor e remunerador significativo de subprodutos suínos, os quais possuem baixo valor agregado no mercado interno.
Economia
Associação monitora quase 700 sites ilegais de apostas
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas de jogos e apostas online autorizadas pelo governo federal, alerta que o encerramento das apostas legalizadas, conforme medida provisória (MP) assinada pelo presidente Lula na sexta-feira, pode favorecer a proliferação de sites ilegais, expondo usuários a fraudes e práticas sem as restrições da regulamentação anterior.
Um levantamento da Iron Security, empresa parceira da ANJL especializada em cibersegurança e inteligência artificial, identificou 697 sites de apostas operando sem autorização até este domingo (27).
A coleta dos dados iniciou na segunda-feira (21), quatro dias antes da publicação da MP, com 103 domínios não autorizados registrados. Na sexta-feira, dia do anúncio, esse número subiu para 340, saltando para 633 no dia seguinte, aproximando-se de 700 atualmente.
Durante o período, a quantidade de sites oficiais autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda permaneceu estável, com cerca de 250 domínios.
— Cada operador licenciado podia administrar até três domínios, logo, explorar três marcas. Já os não autorizados não possuem limites, abrindo espaço para múltiplos sites — explica Diego Terrani, CEO e fundador da Iron Security.
A lista é um indicativo de irregularidade, porém não confirma que todos os sites sejam efetivamente ilegais.
— Não podemos afirmar que todos sejam fraudulentos ou com intenções maliciosas. Analisamos os dados comparando os sites autorizados antes da MP com os surgidos nesse período — acrescenta Terrani.
Os dados estão disponíveis no painel público Bet Legal, mantido pela Iron Security em parceria com a ANJL, onde cada site é computado na data da identificação.
Parte desses domínios foi criada antes da medida provisória, e os responsáveis podem solicitar revisão da classificação caso considerem erro.
— Se alguém alegar ser regulamentado, haverá uma revisão. Até o momento, nenhuma contestação foi recebida — completa Terrani.
O painel também acompanha a quantidade de sites bloqueados pela Anatel, que atua mediante solicitação da SPA. Desde o início do monitoramento, 1.999 sites foram bloqueados, sem registro recente de novos bloqueios.
O monitoramento utiliza robôs automatizados combinados com inteligência artificial para identificar os sites, analisando domínios, conteúdos e métodos de pagamento, como pedidos de Pix ou cartões de crédito, para classificar os sites suspeitos.
Domínios autorizados terminam em “.bet.br”, cuja liberação é controlada pela SPA. Sites sem esse domínio são submetidos a uma análise mais detalhada.
Com o término das apostas legais, sistemas de proteção que impediam a atuação de sites ilegais foram desativados, facilitando a entrada de plataformas não autorizadas que alcançam apostadores via anúncios pagos em redes sociais e mecanismos de busca.
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, destaca o impacto da medida provisória:
- Afeta diretamente empresas regularizadas, que pagavam impostos e adotavam medidas para proteger públicos vulneráveis.
- Há movimentações jurídicas para tentar suspender a MP junto ao Supremo Tribunal Federal, alegando insegurança jurídica e prejuízo ao setor.
- A prioridade é retomar as operações antes de buscar compensações financeiras, devido ao risco de perda de clientes para operadores clandestinos.
A medida provisória proíbe apostas e publicidade no setor, com bloqueios programados para 6 de outubro. Usuários poderão sacar seus saldos até 23h59 do dia 5. Os valores não retirados serão devolvidos via instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro.
A MP tem validade inicial de quatro meses e depende de aprovação em comissão mista e nos plenários da Câmara e do Senado para se tornar lei.
Economia
APS fecha acordo para resolver disputa sobre tarifa do Porto de Santos
A Autoridade Portuária de Santos (APS) anunciou que firmou um acordo para solucionar a disputa judicial relativa à cobrança das tarifas de infraestrutura de acesso aquaviário ao Porto de Santos, em São Paulo, com o Centro Nacional de Navegação (Centronave).
Com este acordo, a APS receberá aproximadamente R$ 416,9 milhões, mas o pagamento acontecerá somente após a homologação judicial do acordo.
Além do montante financeiro, o acordo prevê o reajuste tarifário para os associados da entidade na Tabela I – Infraestrutura de Acesso Aquaviário, além da adoção de novos critérios para descontos baseados na frequência de uso e na gestão dos valores depositados judicialmente.
O conflito teve início em 2022, quando armadores e operadores do terminal contestaram judicialmente a cobrança total da tarifa de acesso, argumentando que os investimentos na região, os quais deveriam ser cobertos por tais tarifas, não haviam sido efetivados.
Segundo a APS, a mudança na gestão do terminal em virtude do processo de privatização afetou o planejamento e a realização dos investimentos previstos.
Autoridade Portuária de Santos informou que, atualmente, possui um plano de investimentos bem estruturado, com cronograma definido e previsão de cerca de R$ 12,5 bilhões em investimentos, que inclui recursos federais. Parte dessas melhorias já está em execução, como a expansão da malha ferroviária interna do porto, enquanto outros projetos contam com contratos formalizados.
Durante o processo judicial, os valores referentes às tarifas continuaram sendo depositados judicialmente pelos interessados. Desde 15 de setembro de 2025, a APS passou a conceder um desconto de 34,6% nas tarifas cobradas dos armadores e operadores envolvidos na disputa.
Com a assinatura do acordo, os depósitos judiciais serão encerrados e os pagamentos voltarão a ser realizados diretamente à autoridade portuária. A APS emitirá uma nova portaria para estabelecer regras sobre os descontos tarifários baseadas na frequência e no tipo de navegação.
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