Mundo
Polícia britânica investiga incidente grave próximo a base dos EUA
A polícia antiterrorista britânica está conduzindo uma investigação sobre um incidente grave ocorrido neste domingo (27) nas proximidades de uma base militar usada pela Força Aérea dos Estados Unidos no oeste da Inglaterra, conforme reportado pela imprensa local, após a prisão de vários suspeitos relacionados a crimes com explosivos.
Especialistas estão atualmente examinando diversos veículos próximos à base da Força Aérea Real britânica (RAF) em Fairford, enquanto várias casas nas redondezas foram evacuadas, conforme comunicado da polícia de Gloucestershire.
Informações da agência britânica PA e da BBC indicam que a polícia antiterrorismo assumiu a condução da investigação.
Anteriormente, as autoridades de Gloucestershire haviam informado sobre a prisão de vários homens por suspeita de violação das leis sobre explosivos.
O Ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, agradeceu as equipes de emergência e declarou no X que a situação está controlada e que a população pode ficar tranquila.
Fairford é a base da 501ª Ala de Apoio de Combate da Força Aérea americana no Reino Unido.
Essa unidade emitiu um comunicado afirmando que nenhum de seus membros esteve envolvido no ocorrido.
Em março, o ex-primeiro-ministro Keir Starmer autorizou ações defensivas dos Estados Unidos contra instalações de mísseis iranianos a partir de duas bases britânicas, incluindo Fairford.
Após o incidente, uma evacuação foi realizada em residências próximas na cidade de Whelford, conforme informado pela polícia.
A Ministra do Interior, Shabana Mahmood, acusou o Irã e a Rússia de utilizarem agentes terceiros para realizar atividades criminosas no Reino Unido.
De acordo com dados de setembro divulgados pelo jornal The Independent, instalações militares britânicas foram alvo de mais de 300 ataques com drones nos últimos 12 meses.
Mundo
Despejo de idosa de 87 anos causa protestos por moradia na Espanha
Manifestantes revoltados com o despejo de uma senhora de 87 anos passaram a noite acampados na histórica praça Puerta del Sol, em Madri. Mais pessoas, incluindo várias gerações de uma mesma família, juntaram-se a eles no domingo (27) e nesta segunda-feira (28) para continuar os protestos contra a crise imobiliária na Espanha.
Dezenas de milhares marcharam por Madri no sábado (26) para protestar contra o despejo de Maricarmen Abascal de seu apartamento no bairro nobre do Retiro, onde ela vivia há mais de sete décadas. Alguns manifestantes permaneceram acampados no domingo e nesta segunda.
Na segunda-feira, os advogados de Maricarmen anunciaram um acordo com a empresa proprietária do imóvel, permitindo que ela volte a morar no apartamento.
Os manifestantes pedem maiores proteções aos inquilinos, medidas contra fraudes e a proibição de despejos sem oferta de alternativa habitacional. Muitos recusaram-se a sair após a marcha e montaram barracas na Puerta del Sol para passar a noite.
Natalia Navarro, atriz de 27 anos entre os acampados, declarou: “A situação de moradia está insustentável. Estamos nas ruas porque estamos cansados”.
Alicia del Río, porta-voz do Sindicato dos Inquilinos de Madri e líder dos protestos, disse: “A onda de indignação e raiva que surgiu é imparável. Vamos ficar aqui até o governo aprovar novas leis, incluindo contratos de aluguel por tempo indeterminado, e acabar com despejos como o de Abascal“.
Espera-se que o governo socialista da Espanha anuncie novas medidas em sua reunião semanal nesta terça-feira (29).
Despejo que gerou mobilização social
Em 23 de setembro, Abascal foi removida de seu apartamento em uma maca, enquanto seus apoiadores tentavam impedir sua saída gritando seu nome.
Em vídeo gravado no hospital após o despejo, Abascal afirmou: “Não consegui defender minha casa, mas lutei para que outros aprendam a lutar pelo que é deles”.
Imagens do despejo se espalharam pela Espanha, alimentando críticas às autoridades e empresas de investimento imobiliário acusadas de forçar moradores a deixarem suas casas devido aos altos preços. Tais empresas são frequentemente chamadas de “fundos abutres”.
Segundo Simón de la Riva, professor de 43 anos participante dos protestos, Maricarmen foi a gota d’água que desencadeou essa mobilização social.
Durante um comício do Partido Socialista em Madri, o primeiro-ministro Pedro Sánchez se dirigiu a Abascal: “O governo está trabalhando para apresentar um Decreto Real sobre habitação na próxima terça-feira. Peço a todos os grupos parlamentares um esforço para sua aprovação por causa da Maricarmen.”
Abascal criticou o premiê durante entrevista na emissora estatal RTVE, perguntando se ele percebe quantos despejos ocorrem diariamente.
Uma casa por sete décadas
A mídia espanhola informou que o pai de Abascal alugou o imóvel pela primeira vez em 1956, e ela permaneceu inquilina sob controle de aluguéis após a morte dos pais.
O prédio mudou de dono em 2018, e Abascal recebeu proposta para comprar o apartamento, mas não tinha condições financeiras. O fundo de investimento Urbagestión, que adquiriu o imóvel, aumentou o aluguel de 500 para 2.650 euros mensais, depois reduzido para 1.650 euros, valor ainda inacessível para Abascal.
Aumento dos custos e escassez de moradias
O crescimento dos custos e a falta de moradias excluem muitos espanhóis do mercado, mesmo com forte crescimento econômico na Espanha. A renda não acompanhou o aumento dos preços, e o turismo e a imigração pressionam ainda mais a oferta limitada de moradias.
O Banco da Espanha estimou déficit de 550 mil moradias no ano passado, concentradas em cidades como Madri, Barcelona e Valência.
As manifestações na Puerta del Sol lembram o movimento dos indignados de 2011, que começou com acampamentos contra despejos, desemprego e corrupção. A Espanha tem uma das menores porcentagens de moradias públicas para aluguel na OCDE, com menos de 2%, contra uma média de 8% na União Europeia.
Novas demandas e o decreto prometido
Após duas noites acampados, os manifestantes prometem continuar pressionando o governo de Pedro Sánchez por uma lei que proteja os cidadãos contra o aumento dos preços imobiliários. O texto ainda não tem garantia de aprovação no Parlamento.
Os protestos chegaram a Barcelona, onde manifestantes bloquearam a Avenida Diagonal durante evento com Sánchez.
Faixas com mensagens como “Decreto Maricarmen já” e “os investidores são os invasores” alertam para as dificuldades de acesso à moradia.
Em uma década, o aluguel médio por metro quadrado dobrou, chegando a 15,1 euros em agosto. O preço para compra subiu mais de 50%, para 2.355 euros por metro quadrado, segundo dados oficiais.
*Informações de agências internacionais.
Mundo
Chefe da ONU cobra Israel para parar a expansão gradual na Cisjordânia
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, fez um novo apelo nesta segunda-feira (28) para que Israel interrompa a expansão gradual dos assentamentos na Cisjordânia ocupada. Ele alertou sobre o preocupante aumento da violência na região.
Conforme relatado por Ramiz Alakbarov, representante adjunto da ONU para o Oriente Médio, em declaração ao Conselho de Segurança, Guterres condenou firmemente a contínua construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia, enfatizando que essa anexação gradual é ilegal e sem validade jurídica, e deve ser parada imediatamente.
Alakbarov apresentou ao Conselho o relatório mais recente do secretário-geral sobre a implementação da Resolução 2334 do Conselho de Segurança, aprovada em 2016, que exige que Israel interrompa completamente todas as atividades de expansão nos territórios palestinos ocupados. O relatório cobre o período entre 13 de junho e 18 de setembro.
Guterres destacou os ataques frequentes e crescentes promovidos por colonos, as demolições ilegais de propriedades palestinas e a rápida expansão dos assentamentos, considerando esses atos como violações do direito internacional que aprofundam a ocupação ilegal e comprometem o direito do povo palestino à autodeterminação.
Ele também ressaltou que os ataques palestinos contra israelenses precisam cessar, pedindo que todos os responsáveis sejam responsabilizados. Além disso, criticou as provocações e retóricas inflamadas de políticos de todos os lados do conflito.
O recente conflito teve início em 7 de outubro com o ataque de militantes do Hamas em território israelense, que resultou em 1.221 mortos, conforme dados oficiais israelenses compilados pela AFP. Desde então, a resposta militar de Israel causou mais de 74 mil mortos e 175 mil feridos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde palestino, considerado confiável pela ONU.
Mundo
Manifestantes acampados em Madri prometem continuar pressão sobre Sánchez pela crise da moradia
Após dois dias acampados no coração de Madri, grupos que protestam contra a crise habitacional afirmaram nesta segunda-feira (28) que irão persistir na cobrança ao governo de Pedro Sánchez. Eles solicitam uma legislação que garanta proteção diante do aumento dos custos dos imóveis.
O governo socialista de Sánchez tem sido alvo de críticas, inclusive de aliados, por não conseguir conter a alta nos preços de compra e aluguel de residências. A administração planeja apresentar um novo decreto na terça-feira, embora sua aprovação no Parlamento, onde não possui maioria, não esteja garantida.
“Reclamamos a publicação de um decreto-lei que proteja o direito à moradia e impeça despejos”, afirmou à AFP Carlota, manifestante de 29 anos que passou a noite entre cerca de cem barracas na famosa praça Puerta del Sol.
A artista descreveu a situação na Espanha como “grave” e pediu uma legislação que não priorize capital e fundos de investimento em detrimento das pessoas. Assim como sua amiga Violeta, ela dormiu cerca de cinco horas no acampamento, que reuniu dezenas de jovens ativistas e manifestantes.
O descontentamento com os valores elevados da habitação vem crescendo na Espanha, mas a revolta aumentou na semana passada após o despejo de Maricarmen Abascal, idosa de 87 anos de Madri. Ela teve de sair do apartamento onde morava há sete décadas devido à compra do imóvel por uma empresa de investimentos.
A cena de Maricarmen sendo retirada em uma maca por agentes da Justiça, enquanto manifestantes a apoiavam, gerou uma onda de comoção no país, pouco antes das eleições legislativas de 2027.
“Não conseguimos pagar as contas”
Os protestos seguiram o governo até Barcelona, onde manifestantes bloquearam parte da avenida Diagonal durante uma cerimônia que contou com a presença do premiê.
Com cartazes pedindo “Decreto Maricarmen já” e gritos como “os investidores são os invasores”, os manifestantes relataram as dificuldades para conseguir moradia.
Laura Requena, professora de 32 anos, disse ser impossível sair da casa dos pais sem dividir apartamento. “Estamos apertados e não conseguimos pagar o aluguel ao fim do mês”, lamentou.
Neus Llop, educadora de 37 anos, disse viver com o medo constante de ficar sem moradia. “Os preços só aumentam e as condições se deterioram, com mais pessoas vivendo em espaços pequenos”, afirmou.
Sánchez declarou que seu governo trabalha intensamente para apresentar ações na reunião ministerial de terça-feira.
Reação da cidade
O acampamento começou no sábado na simbólica Puerta del Sol, local histórico de protestos recentes, e ocorreu sob olhares atentos de turistas, sem interferência policial.
Ativistas distribuíram alimentos durante a manhã, com um clima de solidariedade e determinação. O slogan “Nenhuma Maricarmen a mais” refletiu a causa dos manifestantes.
Maricarmen, hospitalizada após o despejo, fez um apelo em vídeo para que todos tenham coragem e defendam seus direitos.
Nos últimos dez anos, o preço médio do aluguel na Espanha dobrou, chegando a valores altos por metro quadrado. Para compra, os valores subiram mais de 50%, segundo dados recentes.
Miriam Bue, porta-voz do sindicato de inquilinos, destacou a necessidade de uma mensagem firme e criticou a política habitacional da região de Madri, sob controle do Partido Popular.
Ela espera que o governo central adote contratos de aluguel por prazo indeterminado, substituindo os atuais de cinco anos. A dirigente avisou que o movimento vai crescer se não houver mudanças.
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