Brasil
Diretora da Cop30 em Belém crítica os EUA por frear ações climáticas globais
Ana Toni, diretora-executiva da COP30 realizada em Belém, afirma que a política comercial dos Estados Unidos tem tido um impacto negativo nas iniciativas climáticas de outras nações. Em entrevista à AFP, poucas semanas antes da conferência climática da ONU em Antalya, Turquia, Ana Toni destacou a falta de solidariedade dos países mais ricos para com as nações em desenvolvimento, que buscam apoio financeiro para se adaptarem às mudanças climáticas.
Ela criticou fortemente os Estados Unidos, que sob o comando do presidente Donald Trump, retiraram-se do Acordo de Paris em 2025. A política americana de tarifas e pressões condiciona o avanço das metas climáticas em outros países. A intervenção dos Estados Unidos tem prejudicado diretamente a capacidade de outras nações implementarem medidas para combater o aquecimento global, evidenciou a CEO da COP30 de Belém.
Ana Toni também mencionou a rivalidade entre os Estados Unidos e a China, que afeta o comércio de produtos de baixo carbono. Muitas nações evitam importar produtos chineses por receio de represálias americanas, o que retarda a implementação de metas ambiciosas de descarbonização. A pressão para adquirir produtos de maior intensidade de carbono fabricados nos EUA dificulta ainda mais esse progresso.
A crise no Estreito de Ormuz, que causou escassez de combustíveis na Ásia e aumentos nos preços de energia, demonstra como a dependência do petróleo pode ser prejudicial para o equilíbrio global. Ana Toni enfatizou que a transição para longe dos combustíveis fósseis não é só necessária para combater as mudanças climáticas, mas também para garantir soberania e segurança energética.
Após o acordo histórico de 2023 em Dubai, que marcou o início do fim dos combustíveis fósseis, o tema sofreu resistência na reunião de Belém devido à pressão dos países produtores. O Brasil se comprometeu a criar um plano global para a saída progressiva e voluntária do petróleo, carvão e gás, com Ana Toni desempenhando papel crucial neste documento, a ser apresentado antes da reunião em Antalya, cujo comando das negociações ficará com a Austrália, grande exportadora de carvão.
O plano não imporá metas numéricas ou prazos, mas estabelecerá diretrizes gerais considerando o nível de dependência de cada país. Ana Toni ressaltou que todas as nações podem avançar na redução do uso de hidrocarbonetos, mesmo partindo de diferentes contextos.
Ela elogiou a Turquia pela iniciativa voluntária de eletrificar setores como transporte, construção e indústria para diminuir emissões, destacando a importância da eletrificação com fontes renováveis ou fósseis para a eficiência energética e a transição climática.
Por outro lado, lamentou a falta de disposição dos países ricos em aumentar o apoio financeiro aos países em desenvolvimento, mesmo diante de eventos graves como o colapso de uma geleira no Nepal, ligado ao aquecimento global.
No contexto político brasileiro, com eleições presidenciais próximas, Ana Toni solicitou que, independentemente do resultado, não se retome a política de desmatamento maciço da gestão anterior, associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela destacou que a redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos tem sido benéfica não só para o meio ambiente, mas também para as relações comerciais e diplomáticas do Brasil, defendendo que o setor agropecuário brasileiro apoie essa continuidade.
Brasil
TCU solicita ao Ministério da Previdência redução de riscos nas projeções previdenciárias
O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Ministério da Previdência Social que implemente diversos ajustes para reduzir a possibilidade de erros no processamento das projeções previdenciárias.
Foi aprovada uma auditoria financeira referente ao exercício de 2025, que identificou inconsistências nos registros contábeis.
O TCU solicitou a realização de testes funcionais e de integração dos dados, além de um procedimento formal para validar e aprovar quaisquer alterações.
Também foram indicadas melhorias nos controles internos e nos processos de governança dos dados.
A Corte de Contas informou ao Ministério da Previdência Social que a falta de transparência sobre a base de cálculo usada para estimar as provisões previdenciárias não está de acordo com os padrões da Estrutura de Relatório Financeiro Aplicável.
De acordo com o relatório, isso causa dificuldades para compreender a verdadeira natureza econômica e o método de valorização dos passivos atuariais, comprometendo a clareza das informações.
Brasil
Cade rejeita pedido da Abrainc para dispensar notificação na compra de imóveis
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, por unanimidade, negar a consulta feita pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que representa mais de 70 das maiores incorporadoras do Brasil. A consulta questionava se a compra de ativos imobiliários, como terrenos e imóveis destinados a projetos imobiliários, por essas incorporadoras, deveria ser comunicada à autoridade responsável pela concorrência.
Essa decisão retoma um tema que gerava expectativa no setor desde o ano anterior, quando uma decisão anterior já havia afastado uma interpretação mais flexível sobre a necessidade de notificação dessas aquisições. O mercado esperava que o Cade pudesse esclarecer e simplificar esse processo, dada a quantidade significativa de operações imobiliárias submetidas ao órgão.
No entanto, o tribunal seguiu o parecer do relator, o conselheiro José Levi Mello do Amaral Júnior, e decidiu que o tema poderá ser regulamentado futuramente por meio de uma resolução específica, evitando assim disputas complexas em avaliações caso a caso.
Por enquanto, o Cade mantém a posição de que a compra de terrenos por incorporadoras que ultrapassam os limites de faturamento previstos na lei continua exigindo notificação obrigatória. O presidente interino, Diogo Thomson, destacou a intenção de ampliar o debate para possivelmente estabelecer uma norma própria sobre o assunto.
Segundo o especialista em direito concorrencial do Cescon Barrieu, Ricardo Gaillard, o Cade mantém uma postura rigorosa na análise de operações entre ativos e negócios imobiliários, incluindo aquisições. “O órgão reforça que prefere analisar cada caso individualmente e acredita que isenções ou critérios mais claros devem ser definidos por resolução. Isso serve como um alerta para o setor, que deve estar atento em compras de terrenos envolvendo grupos que atendem aos critérios legais de faturamento”, comentou.
A Abrainc defendeu que o terreno é um insumo fundamental para a atividade de incorporação, comparável à matéria-prima em outros setores produtivos, e que adquirir terrenos isoladamente, sem transferência de uma atividade empresarial organizada, não constitui a compra de uma parte de empresa. Como exceção, a associação sugeriu que essas operações só deveriam ser notificadas se o imóvel estiver sujeito a restrições regulatórias que o tornem escasso e insubstituível no mercado relevante.
Brasil
Renan Santos critica Flávio Bolsonaro e afirma eleição livre no segundo turno
O presidente do partido Missão, Renan Santos, que não venceu a disputa à presidência da República no último domingo, 7, expressou seu descontentamento com Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que sente ‘repulsa’ pelo candidato que avançou para o segundo turno. Ele descreveu Flávio como alguém que tem uma inclinação para negócios com pessoas de reputação duvidosa, durante uma transmissão ao vivo no canal do Movimento Brasil Livre (MBL) no Youtube.
Durante a live, Santos observou que o candidato do PL é o favorito na corrida presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Contudo, ele deixou claro que não apoia nenhum dos candidatos e fez duras críticas a Flávio: ‘Nós não somos Flávio Bolsonaro, somos o Missão, temos nossa própria identidade. Sinto repulsa por Flávio Bolsonaro e por esse grupo’, declarou. Santos ainda enfatizou que seu eleitorado está ‘livre’ para decidir seu voto na próxima etapa.
Criticando o candidato do PL, Santos afirmou que Flávio acumulou riqueza através de negócios com pessoas problemáticas e que, em um eventual governo dele, essas pessoas teriam ainda mais oportunidades para fazer negócios, possivelmente com o próprio candidato.
Flávio representa alinhamento automático com os Estados Unidos
Renan Santos acredita que, caso Flávio saia vitorioso, isso significaria uma conexão direta e automática com os Estados Unidos, descrevendo-o como uma peça dentro de um mecanismo americano.
Consequências para o país
Nas redes sociais, Renan Santos comentou oficialmente sobre o resultado do primeiro turno. Ele expressou seu amor pelo Brasil, mas lamentou que o país tenha optado por uma postura infantil e exagerada durante as eleições, ressaltando que todos pagarão um preço alto por isso.
Santos destacou dois fatores que marcaram o resultado eleitoral: o medo do PT e do comunismo, e a discussão sobre a presença de pessoas trans em banheiros. Segundo ele, o eleitor brasileiro escolheu políticos que focaram suas campanhas em temas como esse, enquanto questões nacionais muito mais importantes foram deixadas em segundo plano.
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