Mundo
Brasileira presa pelo ICE após aborto espontâneo e crise mental
Iara do Carmo Santana, uma brasileira de 29 anos, foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), após sofrer um aborto espontâneo e enfrentar uma crise de saúde mental.
Ela permaneceu quatro dias em um centro de detenção da agência, sem o devido acesso à medicação necessária, enquanto tratava de uma infecção gerada após um procedimento médico relacionado à perda da gestação.
Em conversa com o The Boston Globe, Iara contou que teve o aborto no final de agosto e precisou passar por cirurgia. Posteriormente, desenvolveu uma infecção que requereu uso de antibióticos e analgésicos.
O noivo dela, Gabriel Lemos, de 31 anos, relatou ao jornal: “Foi muito difícil para ela seguir em frente”. Após a perda, Iara apresentou sinais de depressão, expressando tristeza frequente.
De acordo com registros judiciais, a detenção ocorreu após uma queixa de agressão, na qual Iara teria lesionado Gabriel com um objeto. Ela foi acusada de agressão com uma arma e violência contra membro da família.
Numa audiência em Malden, Massachusetts, o advogado apresentou a situação de fragilidade emocional da detida, destacando que a polícia local a prendeu mesmo sabendo do seu estado debilitado.
Iara foi liberada pela polícia poucas horas depois, mas seus dados foram registrados em um sistema federal acessado pelo ICE, que a deteve imediatamente após sua liberação.
O Departamento de Segurança Interna informou que Iara entrou ilegalmente nos EUA em 2021 via fronteira com o México, foi liberada após pedido de asilo e possui audiência de imigração agendada para 2029. Ela tinha autorização para trabalhar e exercia a função de diarista. O noivo é residente permanente.
Iara declarou ter informado aos agentes do ICE sobre seu estado emocional e recente cirurgia, além da necessidade de medicamentos, mas não recebeu avaliação médica no centro de detenção em Burlington, próximo a Malden.
Ela também relatou condições difíceis na detenção, incluindo falta de intérprete, esquecimento da medicação pelos funcionários e ausência de atendimento à sua dor.
O DHS negou as alegações de maus-tratos no centro, afirmando que os imigrantes são tratados com respeito. Os advogados de Iara protocolaram pedido de habeas corpus alegando violação de direitos e desrespeito às políticas do ICE que protegem grávidas e mulheres no pós-parto.
Detentas em Burlington enfrentam condições precárias como dormir no chão, impossibilidade de banho adequado e alimentação limitada a biscoitos e mingau, além da falta de produtos menstruais.
O ICE pretendia transferir Iara para outra unidade, distante mais de 1.600 km. O juiz que analisou o caso determinou sua liberação, destacando que o centro de detenção não é apropriado para permanência prolongada e que avaliações médicas são imprescindíveis ao receber detentos.
Mundo
ONU aprova medidas firmes contra aumento do nível do mar
A Organização das Nações Unidas decidiu por unanimidade, nesta quinta-feira (24), uma resolução que exige ações mais eficazes para combater o aumento do nível do mar, uma ameaça grave para países insulares devido ao aquecimento dos oceanos e ao derretimento das geleiras.
Em 2024, o nível médio global dos oceanos subiu quase seis milímetros, o maior aumento anual já registrado, e estima-se que possa crescer um metro ou mais até o final deste século, caso não sejam adotadas medidas urgentes.
“O crescimento do nível do mar é medido em milímetros, mas seu impacto é contado em milhões de vidas afetadas, comunidades deslocadas e futuros comprometidos”, afirmou o secretário-geral António Guterres.
“Não podemos deixar que nações e culturas desapareçam sob as águas”, acrescentou. Pequenos estados insulares vêm alertando sobre essa ameaça desde 1989.
A resolução pretende intensificar os esforços para combater o problema, promovendo a redução das emissões de gases que causam efeito estufa e garantindo suporte financeiro para os países mais vulneráveis.
Mesmo elevações mínimas no nível do mar acarretam riscos sérios, explicou Tom Mortlock, analista sênior de pesquisa em desastres da Aon.
Estratégias naturais, como a preservação dos manguezais, “podem diminuir os riscos nas regiões costeiras, além de contribuir para o controle da mudança climática ao capturar e mitigar o carbono”, destacou Mortlock.
Estudos indicam que inundações que hoje ocorrem a cada 50 anos podem se tornar frequentes, ocorrendo a cada três ou quatro anos, se o nível do mar subir cerca de meio metro.
Mundo
EUA Devem Decidir Se Querem Terminar Guerra, Afirma Presidente Do Irã à Fox News
Os Estados Unidos são os responsáveis por decidir se vão encerrar o conflito com o Irã, declarou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian em entrevista transmitida pela Fox News nesta quinta-feira (24).
“Quando podemos resolver problemas por meio do diálogo, não deveríamos recorrer à violência. No entanto, devido a provocações feitas por Israel, essa guerra foi imposta a nós”, explicou ele, em fala traduzida pela emissora.
“Mas não temos interesse em continuar com o conflito”, acrescentou Pezeshkian. “A decisão de encerrar ou não a guerra cabe aos Estados Unidos.”
Mundo
Investigação sobre a morte de centenas de baleias na Patagônia Argentina
Cientistas estão apurando as razões por trás da morte de centenas de filhotes de baleias-francas na Patagônia Argentina desde junho. Muitas dessas baleias foram encontradas recentemente em praias próximas a Puerto Madryn, em Chubut, conforme informado pelo especialista Mariano Coscarella à AFP.
Embora seja comum a morte de filhotes, esta temporada tem apresentado uma taxa significativamente elevada, explicou Coscarella, pesquisador no Laboratório de Mamíferos Marinhos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), localizado em Puerto Madryn.
Os veterinários envolvidos nos estudos suspeitam que um surto de erisipela, uma doença bacteriana que geralmente habita a pele dos cetáceos, possa ser a causa. No entanto, essa hipótese ainda está em análise.
Segundo o especialista, aparentemente, a causa é natural, mas os impactos da atividade humana não podem ser completamente descartados.
O governo de Chubut comunicou que está colaborando estreitamente com a comunidade científica e equipes especializadas para coletar os exemplares encontrados mortos e analisar amostras.
De acordo com as informações até agora, parece tratar-se de uma bactéria marinha comum que pode causar doenças em baleias jovens, sem evidências claras de que fatores humanos sejam responsáveis por essa mortalidade.
Puerto Madryn é mundialmente conhecida por abrigar a maior concentração de reprodução da baleia-franca-austral no Atlântico sudoeste.
O censo de 2025 registrou um número recorde de 2.110 animais, com mais de 800 filhotes nascidos na região, enquanto o levantamento deste ano contou 1.375 indivíduos, incluindo cerca de 400 filhotes, detalhou Coscarella.
Os pesquisadores afirmaram, ao divulgar o último censo, que as variações em relação ao ano anterior estavam dentro do esperado para essa população.
Eventos de mortalidade aguda envolvendo principalmente recém-nascidos, em animais com longa expectativa de vida como a baleia-franca, geralmente não ameaçam a população a médio prazo.
No entanto, Coscarella alertou que será preciso aguardar o fim da temporada para entender melhor o fenômeno e tentar prever o futuro da população.
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