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Economia

China solicita participar de consultas do Brasil na OMC por tarifas dos EUA

A China requisitou nesta segunda-feira (10) seu ingresso nas consultas iniciadas pelo Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), em resposta às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Anunciadas em julho, essas tarifas podem alcançar até 37,5% se somadas. Elas foram impostas após duas investigações conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O pedido de participação feito pela China nessas consultas, relacionadas à disputa entre Brasil e EUA, foi inicialmente noticiado pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Em 27 de julho de 2026, o Brasil solicitou oficialmente as consultas para contestar decisões tomadas pelos EUA a respeito de atos, políticas e práticas brasileiras, incluindo temas como PIX, tarifas preferenciais, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal, embasadas na Seção 301, que resultaram em uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções. Também foram questionadas as medidas da Seção 301 relacionadas ao Trabalho Forçado, que levaram a uma tarifa adicional de 12,5%, também com isenções específicas.

O Brasil argumenta que essas tarifas violam compromissos do comércio internacional.

No documento encaminhado nesta segunda, a China afirma possuir “interesse comercial substancial nessas consultas”. O país asiático adiciona que os EUA podem impor certas medidas sobre produtos chineses, afetando todas as exportações da China para os Estados Unidos, com algumas exceções, especialmente no que tange à competitividade dos produtos chineses no mercado americano devido às tarifas adicionais aplicadas.

Posição do Brasil

Em documento protocolado no fim de julho, o Itamaraty fundamentou seu posicionamento no princípio da nação mais favorecida, alegando que as decisões tomadas durante o governo Trump prejudicam o Brasil, pois o país perde benefícios concedidos a outros parceiros comerciais.

O Ministério das Relações Exteriores reclamou, conforme divulgado pelo Estadão/Broadcast, que as medidas americanas infringem múltiplos artigos do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, como a ultrapassagem das alíquotas concedidas pelos EUA, o que impede o tratamento comercial justo e não discriminatório previsto nas regras.

Também foi criticado que os Estados Unidos agiram unilateralmente, impondo tarifas sem recorrer ao sistema de solução de controvérsias da OMC.

Funcionamento do pedido na OMC

O pedido de consultas corresponde à primeira etapa da disputa na OMC. Os EUA aceitaram a reclamação brasileira, permitindo o avanço das negociações.

Se não for alcançado um consenso dentro de 60 dias, o Brasil poderá solicitar a formação de um painel arbitral em Genebra, etapa seguinte que pode levar anos para conclusão.

Em agosto do ano anterior, o governo do presidente Lula já havia adotado a mesma estratégia contra tarifas de 50% aplicadas anteriormente, as quais foram revogadas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano.

Apesar da abertura do processo, existem dúvidas quanto à eficácia. Atualmente, as instâncias superiores da OMC estão paralisadas e o governo brasileiro tem recorrido ao órgão principalmente para demonstrar apoio à resolução da disputa no âmbito internacional e defesa da instituição multilateral.

Desde 2019, o órgão de apelação da OMC está inoperante devido à resistência do governo de Donald Trump, que bloqueou a nomeação dos integrantes, impedindo seu funcionamento. Esse órgão representa a terceira fase e poderia rever as decisões dos painéis de especialistas.

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Economia

Banco Central quer ligar Pix a sistemas de pagamento internacionais

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O Banco Central (BC) do Brasil está avaliando a possibilidade de conectar o Pix com sistemas de pagamento de outros países e com plataformas multilaterais globais que suportam pagamentos instantâneos.

Essa iniciativa pode reduzir tarifas e ampliar o acesso às transações internacionais, segundo a autoridade monetária.

Discutem-se interligações tanto bilaterais quanto a integração em hubs multilaterais.

Essas conexões permitiriam que remessas internacionais e compras fossem concluídas rapidamente, com os recursos disponíveis na moeda local em poucos segundos, conforme declarou o Banco Central.

A agenda para novos produtos e funcionalidades do Pix foi apresentada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado recentemente. O BC mantém vigilância sobre os modelos de transações internacionais usando o Pix, que estão sendo implementados por empresas nacionais e estrangeiras.

Entre as inovações previstas estão transações por aproximação offline, que funcionariam sem conexão à internet, e o emprego do Pix automático para substituir o débito em conta.

Pix crédito

O Banco Central também estuda integrar o Pix ao mercado de crédito, permitindo que os futuros fluxos do Pix sirvam como garantias para financiamentos.

Essa solução deve aprimorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas que utilizam intensamente o Pix, segundo o documento oficial.

Mensagens de texto via Pix

O BC identificou o uso indevido do campo de mensagens em transações Pix para enviar ofensas, ameaças ou intimidações, muitas vezes associadas a transferências de valores simbólicos.

Inicialmente, o campo de mensagens foi criado para registrar informações sobre as transações. Para enfrentar o uso inadequado, o Banco Central formou um grupo de trabalho para propor alternativas e avaliará medidas regulamentares, caso necessário, para coibir esse comportamento.

Sistema antifraude

O BC planeja implementar oito medidas para reforçar a segurança das operações via Pix. Entre os aprimoramentos, destaca-se a definição de critérios mínimos objetivos para identificar transações com suspeita de fraude, atualmente definidos individualmente por cada instituição, o que gera inconsistências.

O Banco Central pretende desenvolver um indicador de probabilidade de fraude no Pix, calculado em tempo real por meio de inteligência artificial e disponibilizado às instituições para fortalecer seus sistemas antifraude.

Além disso, haverá padronização obrigatória dos alertas de fraude já existentes em algumas instituições e melhorias no fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas.

Um fluxo direto e automatizado entre instituições facilitará a troca rápida e eficiente de dados, aumentando a precisão na detecção de fraudes.

Está prevista também a ampliação das medidas cautelares, como restringir o cadastro de novas chaves Pix para instituições que representem riscos ao funcionamento do sistema de pagamentos.

Pix no radar dos Estados Unidos

O Pix tem sido alvo de críticas do governo dos Estados Unidos, que justifica a recente tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros alegando que o mecanismo representa uma prática desleal no mercado financeiro.

O governo brasileiro rejeita essa acusação.

Especialistas consultados indicam que a ação dos EUA contra o Pix tem como motivação o desafio que o modelo brasileiro representa ao controle financeiro norte-americano sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos no Brasil.

Ao desenvolver sistemas financeiros independentes do controle dos EUA, o Brasil limita a capacidade dos Estados Unidos de aplicar sanções financeiras para pressionar o país a adotar políticas alinhadas exclusivamente aos interesses norte-americanos.

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Economia

Supremo precisa responder rápido sobre reforma tributária

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou na segunda-feira (10) que a Corte deve antecipar sua análise sobre a reforma tributária para evitar que dúvidas e controvérsias surjam durante a transição.

Segundo Mendonça, o STF precisa agir com rapidez para esclarecer pontos da nova legislação, atendendo às demandas da sociedade civil e dos governadores.

“É fundamental que o Supremo ofereça uma resposta rápida. Talvez não seja a melhor resposta, mas precisa ser uma resposta válida para todos, para que as regras sejam conhecidas e aplicadas desde o começo”, afirmou durante o evento “Diálogos com o Judiciário”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O ministro reconhece que haverá questionamentos judiciais inevitáveis durante a transição do sistema atual para o novo modelo, mesmo com a proposta visando simplificação.

“Com certeza, surgirão discussões jurídicas e processos judiciais”, disse, ressaltando que a coexistência dos sistemas antigo e novo pode provocar dúvidas sobre a aplicação das regras recentes.

Mendonça acredita que uma atuação rápida do STF pode uniformizar interpretações e diminuir inseguranças, impedindo que as discussões se prolonguem por várias instâncias e cheguem ao tribunal somente depois de muito tempo.

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EUA estão disponíveis para diálogo com Brasil sobre tarifas

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Os Estados Unidos responderam nesta segunda-feira ao pedido do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros importados.

Em documento oficial, os EUA declararam que aceitam iniciar consultas e se colocam “à disposição para dialogar com representantes brasileiros em data conveniente para ambas as partes”.

Paralelamente, a China expressou interesse em participar das discussões, citando impacto comercial relevante, já que as tarifas também poderiam afetar suas exportações devido à concorrência no mercado americano.

O Brasil encaminhou a queixa formalmente no fim de julho, argumentando que as sobretaxas americanas violam compromissos assumidos dentro do sistema multilateral de comércio e representam medidas unilaterais inadequadas.

A contestação brasileira questiona duas sobretaxas: uma taxa adicional de 25% baseada em investigação sobre práticas comerciais brasileiras e outra de 12,5%, associada a supostas falhas no combate ao uso de trabalho forçado na produção.

Essas tarifas cumulativas elevam os impostos sobre produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos.

Na petição, o Brasil ressalta que os EUA desrespeitaram o princípio da nação mais favorecida ao aplicar tarifas específicas apenas aos produtos do Brasil, sem estender o mesmo tratamento a outros membros da OMC, além de ultrapassar limites tarifários previamente acordados.

Outro ponto da denúncia é o uso de medidas unilaterais para tratar supostas violações comerciais, em desacordo com o mecanismo formal de resolução de disputas na OMC.

Os Estados Unidos agem contrariando o Artigo 23.1 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias ao tentar corrigir supostas infrações por meio de decisões próprias e imposição de tarifas, em vez de seguir as normas e procedimentos estabelecidos”, afirma o documento.

O histórico da controvérsia é recordado no documento, destacando que desde fevereiro de 2025 os EUA vêm impondo várias tarifas adicionais a parceiros comerciais com diferentes justificativas, gerando tensões comerciais.

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