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Cultura

Segunda parte de Cem Anos de Solidão estreia na Netflix nesta quarta

O cantor e compositor baiano Gilberto Gil já nos apresentou a ideia de que o tempo é soberano. Contudo, é em Cem Anos de Solidão, obra literária de Gabriel García Márquez publicada em 1967, que o conceito do tempo, com suas nuances e desafios, é explorado de forma definitiva.

Agora, cinquenta e nove anos após o lançamento do clássico do escritor colombiano laureado com o Nobel de Literatura em 1982, a Netflix traz a segunda parte da série inspirada neste livro. A primeira temporada foi disponibilizada em dezembro de 2024. Nesta quarta-feira (5), uma temporada com sete episódios chega à plataforma, junto com um capítulo especial em formato de longa-metragem a ser lançado em 26 de agosto, que encerra a saga da família Buendía.

Adaptar ou não?

A transformação do livro em uma produção audiovisual foi por muito tempo vista como inviável, até pelo próprio autor, que recusou vender os direitos, acreditando que o cinema não conseguiria captar a profundidade de sua narrativa.

No entanto, após o falecimento do autor em abril de 2014, seu filho Rodrigo García assumiu a continuidade do legado e negociou os direitos com a Netflix. A produção foi realizada na Colômbia, com uma equipe majoritariamente local. Após quase seis anos, a primeira temporada de oito episódios foi lançada no streaming.

A roteirista colombiana Camila Brugés esteve entre os responsáveis pela adaptação, trabalhando junto com os compatriotas María Camila Arias, Albatros González e Natalia Santa, além do porto-riquenho José Rivera, indicado ao Oscar por Diários de Motocicleta (2004).

Gerações e perspectivas

A maior expectativa para a segunda temporada é o desfecho desta história que atravessa séculos. O livro permite ao leitor criar suas próprias interpretações além da magia existente, mas uma versão visual pode limitar essa multiplicidade de visões.

Para Joana Cabral, de 21 anos, que leu o livro de 448 páginas em apenas uma semana, a adaptação ainda deixa a desejar em alguns aspectos. “Sinto que faltam algumas coisas, mas nenhuma adaptação cinematográfica consegue ser inteiramente fiel”, comentou.

Já para Marilene Cavalcanti, de 80 anos, que leu o livro três vezes, a série ajuda a esclarecer pontos que passam despercebidos na leitura, que pode ser complexa e, por vezes, cansativa. O livro conta até com um mapa genealógico para auxiliar os leitores na jornada.

Contrariando a ideia de fidelidade absoluta à obra original, Marilene acredita que a série pode alterar o final, que ela não achou satisfatório. “Não compreendo aquele desfecho, é estranho demais… Eu teria preferido um encerramento mais harmonioso, com convivência familiar”, afirmou. Por sua vez, Joana espera que, mesmo com alterações, a adaptação mantenha a essência original. “Espero que seja tão maluca quanto o livro”, opinou.

Amada ou não, a obra é singular e talvez seja essa sua força, atravessando gerações. Assim como o tempo que mencionava Gilberto Gil, Cem Anos de Solidão comprova que certas histórias não desaparecem, apenas se renovam em novas formas de narração.

Buendía e Macondo

Cem Anos de Solidão é uma das narrativas mais emblemáticas da literatura da América Latina. O romance acompanha durante um século a jornada da família Buendía na aldeia fictícia de Macondo, criada por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán.

A história trata de temas como isolamento, amor, poder, memória, violência, destino e a passagem do tempo, sendo a obra mais representativa do realismo mágico, estilo literário característico de García Márquez. No decorrer dos cem anos, o autor mistura fatos históricos, elementos fantásticos e dramas familiares.

O livro narra o surgimento, auge e decadência da família, membros que parecem repetir os mesmos erros, paixões e destinos através das gerações. Em Macondo, o extraordinário convive naturalmente com o cotidiano: personagens vivem décadas, os mortos retornam para dialogar, chuvas podem durar anos e eventos inexplicáveis são tratados com normalidade dentro da vida local.

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Cultura

Empate no Grande Otelo 2026 entre O Agente Secreto e Manas

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O Prêmio Grande Otelo 2026, considerado o maior reconhecimento do cinema nacional, resultou em um empate na noite da última terça-feira, dia 4. As produções O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Manas, dirigida por Marianna Brennand, compartilharam o título de Melhor Filme.

A cerimônia ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com apresentação das atrizes Marieta Severo e Silvia Buarque, e foi transmitida ao vivo pela internet.

O Agente Secreto, que já recebeu indicações ao Oscar e premiações em Cannes, liderava a noite com 18 indicações e conquistou quatro prêmios, incluindo Filme, Direção de Fotografia, Direção de Arte e Efeitos Visuais.

Por outro lado, Manas destacou-se nas categorias de Direção e Roteiro Original, além de garantir o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes e vencer também em Montagem, totalizando cinco vitórias.

Em termos numéricos, o maior vencedor da noite foi Homem com H, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho. A produção levou seis prêmios, incluindo Melhor Filme pelo voto popular, Melhor Ator para Jesuíta Barbosa, Melhor Figurino, Maquiagem, Som e Trilha Sonora.

Ao todo, foram entregues 32 prêmios que contemplam longas, curtas e séries brasileiras, escolhidos por mais de 350 membros da Academia Brasileira de Cinema, além do voto popular para Melhor Filme. A premiação reafirma a diversidade e a qualidade da produção audiovisual brasileira atual.

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Cultura

Influenciador mexicano é baleado durante transmissão ao vivo

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César Gastelum, um influenciador mexicano com mais de 500 mil seguidores no TikTok, foi morto a tiros na noite de terça-feira (4) enquanto fazia uma transmissão ao vivo em frente a um restaurante no estado de Sinaloa, localizado no noroeste do México.

O jovem de cerca de 25 anos estava realizando a live ao lado de dois amigos, todos vestidos como entregadores de comida para um desafio. De repente, uma motocicleta com duas pessoas se aproximou, e o condutor disparou contra ele, atingindo sua cabeça.

A transmissão foi imediatamente interrompida e removida pela plataforma, porém algumas emissoras conservaram parte do vídeo e divulgaram as imagens do ataque.

Inicialmente, as autoridades acreditavam que a vítima fosse um entregador, mas a gravação e depoimentos confirmaram que o morto era César Gastelum, conhecido por criar conteúdo relacionado ao estilo de vida.

O atentado aconteceu em uma praça comercial movimentada próxima à Promotoria de Sinaloa, na capital do estado, Culiacán.

Militares e policiais foram acionados para o local, onde peritos recolheram provas e removeram o corpo da vítima.

Essa região tem sido palco de conflitos internos entre grupos de um poderoso cartel local há cerca de dois anos.

Informações da mídia indicam que mais de dez influenciadores, alguns com supostas conexões criminosas, foram assassinados em Sinaloa nos últimos anos.

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Cultura

Sucesso das Atrações Infantojuvenis Entre Adultos: De Guerreiras do K-pop a Xuxa

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Conhecido nas redes por vídeos em que reage a clipes de artistas como Luísa Sonza, Madonna, Katy Perry e Pabllo Vittar, o cantor e compositor Vinicius Archanjo estranhou ao receber recentemente tantos pedidos de seguidores para produzir um conteúdo sobre “Guerreiras do K-pop”.

A animação musical dirigida ao público infantil e adolescente começou nos cinemas, alcançou sucesso no streaming e agora conquista também o público adulto.

A princípio, a trama sobre cantoras de pop coreano que se transformam em caçadoras de demônios tinha todos os clichês do gênero: vilões estereotipados, heroínas fantásticas, paleta de cores vibrante e figurinos brilhantes.

Embora parecesse distante de seu universo, Archanjo resolveu assistir. Em poucos minutos, compreendeu o fascínio que essa animação exerce sobre adultos que acompanham jovens que usam microfones como espadas mágicas.

“É um trabalho destinado ao público infantil, mas que apresenta um cuidado artístico excepcional em todos os detalhes, desde o roteiro até as técnicas de animação”, afirma o youtuber, de 31 anos.

“Há uma dupla camada: a magia visual das cores e as lições profundas, a criatividade da história e a complexidade do roteiro”.

Com cerca de um bilhão de visualizações no ambiente digital – quase 700 milhões só na Netflix – “Guerreiras do K-pop” exemplifica um produto cultural que ultrapassou seu público-alvo inicial.

O sucesso entre millennials (nascidos entre 1981 e 1996) motivou diversas paródias nas redes sociais e até uma esquete no programa de humor americano Saturday Night Live, em que o cantor Bad Bunny surpreende amigos ao mencionar ter assistido à animação, mesmo não tendo filhos.

Este interesse dos adultos por conteúdos e estéticas infantis, chamado de kidults, tem mostrado que eles são responsáveis por grande parte das vendas no mercado de brinquedos, conforme dados da revista Times.

Na indústria do entretenimento, adultos têm sido peças-chave para o sucesso de produções voltadas à infância e adolescência. Filmes como “Um Filme Minecraft”, que estabeleceu recordes de bilheteria em 2025, cativam o público adulto justamente por sua inocência.

A estética colorida de jogos eletrônicos como “Animal Crossing” e a popularidade dos livros de colorir atravessam gerações.

Um exemplo é a turnê “O Último Voo da Nave”, em que Xuxa Meneghel resgata o universo de seus programas Xou da Xuxa (1986–1992) e Planeta Xuxa (1997–2002). O espetáculo, que reuniu 50 mil pessoas em sua estreia no Nubank Parque, em São Paulo, foi feito para quarentões e cinquentões nostálgicos que cresceram adorando a Rainha dos Baixinhos.

Não é um show infantil, mas sim um espetáculo que apresenta músicas, visuais e figurinos emblemáticos da infância dos brasileiros entre os anos 1980 e 2000.

No entanto, a nostalgia não explica tudo, pois jovens zennials e millennials também são atraídos pela turnê, mesmo não tendo vivenciado o auge da apresentadora.

Rafael Souza, de 30 anos, que não acompanhou o Xou da Xuxa ao vivo, comenta: “Parece que naquela época a magia era diferente. Fica aquele sentimento de ‘quero muito ter vivido isso’”.

“Ao ver a nave sobrevoar nossa cabeça, ao redor havia muitas pessoas emocionadas, chorando de verdade”.

A docente da pós-graduação em Comunicação na UFF e pesquisadora do Núcleo AnimaMídia, Ariane Holzbach, explica que produtos infantis sempre tiveram conexões com adultos desde que os contos de fadas ensinavam lições morais.

Porém, a partir dos anos 2010, o interesse adulto em conteúdos infantis tornou-se mais evidente e difundido no mainstream.

Um exemplo é o fandom masculino “Military bronies”, constituído por membros das forças armadas americanas fãs da franquia “My Little Pony”, inicialmente destinada a meninas.

Holzbach analisa que a expansão desse interesse pode ser atribuída a motivos afetivos e comerciais, além do fato desses produtos dialogarem com ansiedades modernas, oferecendo escapismo e conforto.

As editoras reconhecem os kidults como um importante público. Lara Berruezo, da HarperCollins, relata que os profissionais de marketing já reconhecem o adulto como alvo para obras inicialmente infantis.

Estas produções carregam um aspecto acolhedor (cozy) que oferece calor emocional e uma sensação de retornos às experiências da infância, algo muito valorizado por adultos cansados.

Com a popularização dos livros de colorir e adesivos, o público adulto tem encontrado uma forma de desconectar das telas e exercitar a concentração em atividades lúdicas no mundo real, segundo Virginie Leite, editora da Sextante.

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