Mundo
Chipotle investiga surto de salmonela associado a jalapeños
A rede americana de restaurantes Chipotle Mexican Grill decidiu remover os jalapeños de alguns de seus estabelecimentos nos Estados Unidos após suspeitas de que esse ingrediente estaria ligado a um surto de salmonela em investigação pelas autoridades sanitárias.
A medida foi anunciada nesta terça-feira em um contexto de crescente preocupação com a segurança alimentar no país, apenas semanas após o maior surto registrado de ciclosporíase nos EUA, relacionado à alface americana servida em restaurantes da rede Taco Bell.
De acordo com a empresa, os jalapeños contaminados faziam parte de um único lote distribuído a restaurantes em vários estados e foram substituídos por ingredientes de outros fornecedores “por precaução”. A Chipotle afirmou que iniciou um processo interno de rastreamento dos ingredientes após receber informações sobre a possível contaminação e continua colaborando com as investigações das autoridades.
O Departamento de Saúde de Minnesota confirmou 110 ocorrências de salmonela no estado. Das 84 pessoas entrevistadas, 75 declararam ter consumido alimentos em restaurantes do Chipotle entre 14 de junho e 14 de julho.
Contudo, as autoridades observaram que o alimento contaminado também foi distribuído a outros restaurantes de culinária mexicana, indicando que a contaminação não é exclusiva da rede Chipotle.
A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) está conduzindo uma investigação para identificar a origem da contaminação e informou que avalia diversos ingredientes, não apenas os jalapeños. Até o momento, a agência não confirmou qual alimento é responsável pelo surto nem divulgou o fornecedor implicado.
As autoridades de Minnesota afirmaram que não há motivo para preocupação com exposição contínua nos restaurantes do Chipotle, devido às medidas preventivas adotadas pela empresa. No entanto, alertam para a possibilidade de novos casos aparecerem caso o ingrediente contaminado tenha sido enviado para outros estabelecimentos.
Casos de ciclosporíase
Este novo episódio acontece em meio a outro grande surto alimentar nos EUA, desta vez causado pelo parasita Cyclospora cayetanensis. A investigação da FDA identificou como principal fonte da contaminação a alface americana fatiada servida em restaurantes do Taco Bell, fornecida por operações da Taylor Farms no centro do México.
Inicialmente concentrado em nove estados, o surto de ciclosporíase foi ampliado nesta terça-feira para 15 estados, conforme informações divulgadas pelo Washington Post. Mais de 6,7 mil pessoas adoeceram e foram contabilizadas duas mortes em Michigan, as primeiras associadas a este surto.
Embora o Chipotle não esteja incluído nas investigações da ciclosporíase, a empresa reconheceu recentemente que o episódio afetou a confiança dos consumidores em redes de fast food e pode impactar suas vendas. Os efeitos já começaram a ser sentidos nas ações da Chipotle Mexican Grill, que caíram quase 10% nesta terça-feira.
A companhia ressaltou que não utiliza alface americana fatiada em seu cardápio e que sua alface-romana e mistura de folhas “Supergreens” não são importadas do México.
O foco atual na salmonela também traz à memória uma série de surtos de doenças transmitidas por alimentos que atingiram o Chipotle entre 2015 e 2018, incluindo infecções por E. coli, salmonela e norovírus. Esses episódios resultaram em significativa queda nas vendas e levaram a empresa a aprimorar seus protocolos de segurança alimentar.
A salmonela pode causar sintomas como diarreia intensa, febre, dores abdominais, vômitos e desidratação. Embora a maioria das pessoas se recupere em torno de uma semana, a infecção pode ser mais grave em crianças pequenas, idosos e indivíduos com sistema imunológico comprometido.
Mundo
Mais de 100 mortos por enchentes e deslizamentos na Índia
Enchentes e deslizamentos causados pelas chuvas da monção resultaram em mais de 100 vítimas fatais desde julho na Índia, conforme dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (5). Muitas pessoas tiveram que deixar suas casas inundadas.
Apesar de as chuvas da monção serem essenciais para os agricultores anualmente, cientistas apontam que as mudanças climáticas estão tornando esse fenômeno mais irregular, imprevisível e letal em toda a região do sul da Ásia.
O estado de Assam, no nordeste, é um dos mais impactados e já contabiliza pelo menos 87 mortos, segundo o líder regional, Himanta Biswa Sarma. Somente no distrito de Sivasagar, cerca de 47 pessoas faleceram, enquanto diversas áreas permanecem alagadas.
No estado de Kerala, o governante V. D. Satheesan relatou que pelo menos 15 pessoas morreram e sete estão desaparecidas após dias seguidos de chuvas intensas. Mais de 300 abrigos acolhem por volta de 10.000 pessoas.
O país vizinho, Sri Lanka, enfrentou também chuvas excepcionalmente fortes, que causaram a morte de pelo menos oito pessoas desde segunda-feira, de acordo com o centro de gerenciamento de desastres local.
Mundo
Trump cancela visto da embaixadora brasileira nos EUA
O governo do Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos como retaliação à decisão do Brasil, tomada no mês anterior, de não conceder vistos a dois diplomatas americanos que planejavam visitar o país antes das eleições, além da demora para aprovar o indicado pelo presidente Donald Trump para o posto de embaixador em Brasília.
O Departamento de Estado declarou que a decisão é uma resposta proporcional às ações brasileiras, e autoridades afirmaram que a medida foi postergada várias vezes para oferecer ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a oportunidade de mudar de posição, o que não ocorreu.
Segundo o Departamento de Estado americano, a embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, não foi declarada persona non-grata, mas caso ela deixe o território dos EUA, precisará solicitar um novo visto, e outras formas de retaliação diplomática ainda podem ser adotadas.
A pasta declarou: “O presidente Trump tem o direito de escolher quem representa os interesses americanos globalmente. Ele está formando uma equipe diplomática de alto nível, baseada na política ‘America First’, sujeita à aprovação do Senado. Rejeitamos tentativas de interferência estrangeira em nossos processos internos”.
Autoridades indicam que a situação pode ser revertida rapidamente se o Brasil tomar as medidas apropriadas e aceitar o representante escolhido por Trump para a embaixada. “Reciprocidade é a regra principal”, disse uma fonte do Departamento de Estado à Associated Press.
A embaixadora Viotti não está sendo expulsa dos EUA; ela poderá retornar às suas funções oficiais se o governo brasileiro aprovar o indicado de Trump, Danny Perez, ex-presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil. A expectativa é que o Brasil não aceite a indicação antes das eleições de outubro.
Além disso, o Brasil negou vistos aos americanos Riley Barnes, secretário adjunto de Estado para democracia, direitos humanos e trabalho, e a um assessor próximo, após reportagens indicando que eles poderiam criticar Lula ou o processo eleitoral nacional. O Departamento de Estado negou essas alegações, afirmando que a visita seria rotina para discutir a integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão.
O governo brasileiro afirmou que a visita era de rotina e que quaisquer acusações de que se tratava de uma tentativa de minar as eleições são infundadas.
Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado — nas próximas eleições. A família Bolsonaro mantém fortes ligações com o governo Trump, que possui divergências com as políticas de esquerda adotadas por Lula.
Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo visitaram representantes americanos em Washington, incluindo o próprio Trump, em maio. Após isso, o governo Trump designou as duas maiores facções criminosas brasileiras, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras, uma medida rejeitada por Lula.
Além disso, o governo Trump implementou um aumento tarifário de até 37,5% sobre diversas exportações brasileiras desde 24 de julho, alegando concorrência desleal e práticas de trabalho forçado, acusações negadas pelo governo brasileiro, que as considera tentativas de influenciar as eleições em favor de Flávio Bolsonaro.
O ex-presidente Jair Bolsonaro tem expressado dúvidas sobre a segurança do sistema de votação eletrônica no Brasil, sem apresentar provas. Atualmente em prisão domiciliar cumprindo pena de 27 anos, ele insiste que as urnas eletrônicas, usadas há décadas, são vulneráveis a fraudes.
Recentemente, seu filho, Flávio Bolsonaro, retomou algumas dessas alegações, embora tenha evitado mencioná-las ao ser confirmado como candidato à presidência pelo Partido Liberal em São Paulo.
Mundo
EUA anunciam embaixador no Brasil sem consulta oficial, diz governo Lula
O governo do Brasil considera que os Estados Unidos desrespeitaram as normas diplomáticas ao revelar que Daniel Perez será o novo representante dos EUA no país antes de realizarem a consulta formal com o Brasil.
Segundo as regras internacionais, o processo para nomear um embaixador começa com o envio de um documento sigiloso chamado agremént ao país que irá recebê-lo.
Após isso, o país anfitrião verifica se há algum impedimento para aceitar o indicado, como declarações públicas contrárias ao país ou seu povo.
Só após receber a aprovação do agremént, o país que nomeia o embaixador pode fazer o anúncio oficial e iniciar as etapas internas de validação, como a aprovação pelo Senado.
No caso de Perez, o anúncio foi feito em 1º de junho, mas o agremént só chegou no fim daquele mês, o que levou integrantes do governo brasileiro a entenderem que não é necessário acelerar a análise do nome.
Uma autoridade do governo dos Estados Unidos afirmou que a revogação do visto da embaixadora do Brasil naquele país, Maria Luiza Viotti, foi uma ação de reciprocidade.
Um porta-voz do Departamento de Estado americano disse que houve contato frequente com autoridades do Brasil nas últimas semanas, ressaltando que o governo brasileiro teve diversas chances de aprovar Daniel Perez, mas teria imposto dificuldades para a aprovação.
Daniel Perez, que é deputado estadual na Flórida, foi indicado para o cargo pelo governo Donald Trump em junho. Seu nome foi aprovado por uma comissão do Senado americano recentemente, mas ainda precisa passar pelo plenário para confirmar a nomeação.
Perez é ligado ao movimento Maga (Make America Great Again) e tem conexão com o secretário de Estado Marco Rubio. Ele vem de uma família cubana e é conhecido por críticas aos regimes comunistas e a governos de esquerda da América Latina. É membro do Partido Republicano e atualmente preside a Câmara dos Representantes da Flórida.
Até o final de 2024, a função de embaixadora dos EUA no Brasil foi ocupada por Elizabeth Bagley, indicada pelo governo do democrata Joe Biden em 2023. Após a saída de Bagley, Trump não nomeou um substituto.
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