Economia
Correios continuam com plano de fechar agências após pressão dos funcionários
Depois de interromper parcialmente seu plano de reestruturação no mês anterior para evitar uma paralisação, a administração dos Correios decidiu nesta semana seguir com as medidas para redução de despesas.
Dentre essas providências estão o encerramento de algumas unidades, a suspensão do pagamento de adicional para funções de caixa e a implementação de um sistema para acompanhar as entregas realizadas pelos carteiros.
Em comunicado oficial, a empresa informou ter iniciado um diálogo permanente com os sindicatos da categoria para discutir o andamento do plano de reestruturação.
Na primeira reunião, foram apresentados estudos técnicos que justificam as ações propostas.
“As reuniões também serviram para que as federações apresentassem suas análises, preocupações e sugestões referentes aos impactos das medidas nas condições de trabalho e no serviço prestado. Essas contribuições fazem parte do diálogo e serão avaliadas pelas áreas responsáveis”, afirmou a nota.
O plano inclui o fechamento de cerca de mil unidades, entre agências e centros de tratamento de cargas. Essa ação está associada à abertura de um plano de demissão voluntária (PDV) direcionado aos funcionários dessas unidades, com prazo para adesão até o final do ano. Este é o segundo PDV promovido pela empresa para reduzir o número de empregados.
Esse processo de reestruturação integra as condições para obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, concedido no fim de 2025, para quitar o passivo da estatal.
Os Correios fecharam o ano de 2025 com prejuízo histórico de R$ 8,5 bilhões e esperam repetir a perda neste ano. No primeiro semestre, registraram um déficit de R$ 3,1 bilhões.
Economia
Itaú lança inscrições para programa de trainee 2027 com bolsa de R$ 9.350
Estão abertas as inscrições para o programa de trainee do Itaú Unibanco, edição 2027. O processo é direcionado para estudantes de bacharelado ou licenciatura, de qualquer curso, com previsão de formatura entre dezembro de 2024 e dezembro de 2027. Alunos de cursos tecnólogos não podem participar. O prazo para inscrição termina em 1º de setembro. A bolsa oferecida é de R$ 9.350.
O programa possui duração de 18 meses e inclui diversas trilhas para o desenvolvimento de habilidades, através de treinamentos, rotações e imersões em diferentes áreas do banco. Os trainees atuam em projetos reais da instituição.
Trilhas disponíveis:
- Crédito e Analytics
- Estratégia de Negócios
- Finanças
- Pessoas
- Produtos Digitais
- Riscos
Além do período de formação, é obrigatório que os participantes estejam disponíveis para trabalhar em São Paulo, cumprindo jornada de oito horas diárias. O modelo de trabalho é híbrido, com três dias presenciais na semana.
Os candidatos que não residirem no estado de São Paulo ou que estiverem a mais de 100 quilômetros da capital receberão uma ajuda de custo equivalente a um salário para auxiliar na mudança no primeiro mês.
Para quem escolher a trilha de Finanças, é obrigatório ter inglês avançado; nas demais, o conhecimento do idioma não é exigido.
Benefícios
Além da bolsa de R$ 9.350, o programa oferece vale-refeição diário de R$ 53,33, vale-alimentação mensal de R$ 924,47, vale-transporte, incentivo para cursos de idiomas, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), descontos em produtos financeiros e plano de previdência privada.
O programa também disponibiliza assistência médica e odontológica, convênio com academias (TotalPass e Wellhub), entre outros benefícios.
Fases do processo seletivo
- Inscrições e testes até 1º de setembro: No ato da inscrição, o candidato deve escolher até duas trilhas e realizar a avaliação de raciocínio lógico.
- Entrevista em outubro: Os selecionados terão entrevista individual com a equipe de Pessoas para apresentar sua trajetória, experiências, motivações e conexão com o programa.
- Desafio em grupo em outubro: Os participantes farão um trabalho em grupo com líderes da área de Negócios para avaliar capacidade analítica, colaboração e resolução de problemas. Candidatos das trilhas de Finanças e que possuam inglês avançado também passarão por teste de proficiência no idioma.
- Entrevista final em novembro: O candidato conversará com lideranças executivas do banco. A entrevista pode ser realizada de forma híbrida. Caso a presença seja presencial, o Itaú custeará deslocamento para candidatos que estiverem a mais de 100 quilômetros de São Paulo.
- Início do programa em janeiro: Esta é a etapa da admissão, quando o candidato inicia sua trajetória no Itaú.
Economia
Aluguel residencial sobe 0,66% em julho, após alta em junho
Os preços dos aluguéis residenciais tiveram um aumento de 0,66% em julho de 2026, após uma leve alta de 0,10% em junho. Essas informações são do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) nesta quinta-feira, 6.
Nos últimos 12 meses, o índice acumulou um crescimento de 5,08%, acima dos 4,46% registrados em junho.
Matheus Dias, economista do FGV IBRE, comenta que a atual dinâmica decorre principalmente das condições de oferta e demanda. Do lado da demanda, a manutenção dos juros elevados mantém o crédito imobiliário restrito. Simultaneamente, os reajustes dos contratos começam a refletir gradualmente as condições locais do mercado.
O IVAR foi desenvolvido para acompanhar a evolução mensal dos valores de aluguéis residenciais no Brasil, utilizando dados obtidos diretamente de contratos firmados entre proprietários e locatários, mediados por empresas administradoras de imóveis. Anteriormente, a FGV baseava seus dados em anúncios, e não nos valores realmente negociados.
Nas quatro capitais que compõem o índice da FGV, os aluguéis residenciais tiveram alta em todas em julho. Porto Alegre registrou a maior variação, com aumento de 1,14%. Em Belo Horizonte, o crescimento médio foi de 0,62%. No Rio de Janeiro, os preços subiram 0,49%. Em São Paulo, após queda de 0,19% em junho, o aluguel apresentou um aumento de 0,45% em julho, indicando uma recuperação moderada.
Matheus Dias acrescenta que a desaceleração da inflação e a moderação dos principais indexadores desde 2024 ajudam a diminuir a intensidade dos reajustes, ainda que a procura por locação continue forte em diversas capitais.
No acumulado do ano, o preço do aluguel subiu 2,98%. Nos últimos 12 meses, o crescimento acelerou em todas as capitais. Porto Alegre liderou essa aceleração, passando de 3,06% em junho para 4,12% em julho. Belo Horizonte variou de 7,07% para 7,77%. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 5,87% para 6,40%. Em São Paulo, houve um incremento de 0,38 ponto percentual na taxa acumulada em 12 meses em julho, na comparação com junho.
Matheus Dias explica que, apesar dos fundamentos atuais reduzirem a chance de queda nos aluguéis em curto prazo, também indicam menor possibilidade de altas expressivas no IVAR.
Do lado da oferta, observa-se um crescimento significativo da oferta habitacional associada ao programa Minha Casa, Minha Vida, que aumentou em 20,6% nos últimos 12 meses. Como muitas dessas unidades são destinadas à ocupação pelos próprios compradores, o impacto na oferta para locação tradicional é limitado.
Além disso, parte do estoque residencial está sendo destinada a locações temporárias em mercados específicos, o que reduz a disponibilidade de imóveis para aluguel convencional.
Economia
Terras-raras vão impulsionar PIB do Brasil em R$ 192 bilhões e gerar 750 mil empregos
A ampliação dos investimentos na cadeia de minerais essenciais e terras-raras tem potencial para acrescentar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, além de criar 750 mil novas vagas de emprego até o ano de 2050. Essa é a conclusão de uma análise realizada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
O estudo apresenta duas projeções para o avanço da cadeia de minerais críticos e terras-raras no país. No primeiro cenário, a maior parte dos investimentos provém de capital nacional e a produção continua direcionada para exportação. Nesse caso, o impacto total sobre o PIB chega a R$ 128,7 bilhões e a criação estimada é de 304 mil empregos.
Já o segundo cenário leva em conta uma maior participação do capital estrangeiro, expansão do processamento dos minerais dentro do Brasil e aumento do uso desses recursos pela indústria local. Nesta hipótese, os aportes sobem para R$ 120,9 bilhões, com efeito acumulado de R$ 192,1 bilhões no PIB e geração estimada de 750 mil empregos.
A comparação mostra que a entrada de investimento internacional e o fortalecimento das cadeias produtivas nacionais podem agregar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões a investimentos e criar 446 mil empregos adicionais, somados aos benefícios já gerados pela expansão da mineração.
O estudo da Amcham Brasil baseia-se em projeções anteriores, nacionais e internacionais, para estimar a demanda destes minerais e terras-raras, incluindo cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e os elementos das terras-raras.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destaca a posição estratégica do Brasil, que possui algumas das maiores reservas desses minerais no mundo, afirmando que o país tem total capacidade para se tornar um protagonista global nesse setor.
“Quanto maior for a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor agregado, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”, enfatiza Abrão Neto.
O estudo aponta ainda que os maiores ganhos no PIB se concentram nos estados produtores, com destaque para Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%).
Além disso, o fortalecimento do processamento local amplia os benefícios para os estados com forte atividade industrial, como Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor estende os impactos econômicos para além das regiões extrativistas.
Abrão Neto complementa que “a maior atração de recursos e o incremento do valor agregado no Brasil promovem a expansão dos benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a integração do país nas cadeias globais de tecnologia e na transição energética”.
Em termos setoriais, a pesquisa mostra que a indústria de transformação terá crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, quase três vezes maior que no primeiro. Destacam-se também o setor da construção civil, com 4,5%, e a indústria extrativa, com 4,2%.
Nos segmentos industriais, os impactos mais significativos ocorrem em máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), equipamentos para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
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