Notícias
Organizações propõem políticas para proteger crianças e adolescentes
Diversas organizações da sociedade civil apresentaram propostas aos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais com o objetivo de implementar políticas públicas e definir metas para a proteção de crianças e adolescentes.
O coletivo, denominado Agenda 227, reúne mais de 520 entidades de variadas áreas de atuação.
Foram elaborados dois documentos distintos: um direcionado aos candidatos à presidência e outro para os candidatos aos governos estaduais. As propostas contemplam setores como educação, saúde, primeiros anos de vida, combate à violência e capacitação profissional.
As entidades destacam que jovens de diferentes perfis — incluindo negros, indígenas, imigrantes, moradores das regiões Norte e Nordeste e das periferias urbanas — enfrentam maiores desafios relacionados à pobreza, insegurança alimentar, violência, falta de acesso a serviços públicos e vulnerabilidade a desastres ambientais.
“Essa situação mostra que ainda existe um longo caminho para cumprir plenamente o que estabelece a Constituição Federal, que atribui prioridade total aos direitos de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos”, aponta o documento dirigido aos candidatos à presidência.
A principal meta da Agenda 227 é incentivar políticas que promovam o acesso igualitário à saúde, educação e segurança para todas as crianças e adolescentes do país, além de combater preconceitos baseados em gênero, raça, origem e condição social.
“Experiências recentes indicam que avanços significativos ocorrem quando há colaboração entre diferentes níveis de governo, definição clara de prioridades e fortalecimento institucional”, afirmam as entidades na carta enviada aos candidatos a governador.
Sobre a Agenda 227
O nome da iniciativa faz referência ao Artigo 227 da Constituição Federal, que estabelece o dever da família, da sociedade e do Estado de assegurar a crianças e adolescentes direitos como vida, saúde, educação, lazer, dignidade e respeito.
Entre as organizações participantes estão a Aliança Nacional LGBTI+, Andi – Comunicação e Direitos, Childhood Brasil, Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças, Coalizão pela Socioeducação, Fundação Itaú, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Instituto Alana, Instituto Liberta, RNPI – Rede Nacional Primeira Infância e United Way Brasil.
Economia
Preço do limão segue alto na entressafra
Mesmo durante a entressafra, o preço do limão permanece elevado para os consumidores, acima da média histórica. Isso ocorre principalmente devido à redução na produção, com produtores cobrando valores maiores para compensar as dificuldades enfrentadas na colheita.
Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), explicou à Agência Brasil que “o limão apresenta alta volatilidade nos preços, diferente de outras culturas. Atualmente, enfrentamos um período delicado, com chuvas atípicas que prejudicaram a floração no início do ano”.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que na região do cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço médio pago ao produtor pelo limão tahiti na caixa de 27,2 kg subiu de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho, chegando a R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4%. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o valor em agosto deste ano foi 71% maior.
O preço no atacado, no maior entreposto do país, a Ceagesp em São Paulo, teve um aumento de 374%, saindo de R$ 1,82 por quilo em maio para R$ 8,62 no auge em setembro. Na CeasaMinas, na Grande Belo Horizonte, a alta foi de 240%, de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo período.
Segundo a Conab, a dinâmica do mercado do limão normalmente apresenta pico da safra em janeiro e fevereiro, seguida de uma queda na produção entre março e abril, mantendo-se estável até o início da entressafra no final de maio, que se estende até meados de setembro, quando começa a nova safra.
O aumento nos preços neste ano ocorreu devido à redução da oferta no começo da entressafra, provocada pelo excesso de chuvas que comprometeu a qualidade e quantidade das frutas disponíveis e afetou a formação da próxima safra. A umidade elevada e os dias nublados fizeram com que as frutas fossem mais claras, dificultando a colheita.
Além disso, a demanda interna aumentou com as altas temperaturas em agosto e setembro, em meio à competição pelo limão entre o mercado nacional e externo, que exporta cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa.
A florada principal para a segunda metade do ano, ocorrida em julho, também foi prejudicada pelas chuvas intensas em regiões produtoras como Matão e Bebedouro, onde 68% da produção está concentrada. A produção relevante só deve ocorrer a partir de meados de novembro, segundo a Conab.
O excesso de chuvas afetou ainda o pegamento dos frutos das floradas anteriores, reduzindo a quantidade de limões que normalmente aliviaria a escassez de setembro e outubro.
A previsão é que os preços retornem à normalidade com a chegada da nova safra no final do ano. Na última semana, os valores na Ceagesp começaram a cair, mas ainda é cedo para confirmar essa tendência.
Renato Garcia Ribeiro também comentou que o principal impacto foi na produção e que as condições climáticas continuam desafiadoras, podendo afetar o próximo ano.
Especialistas alertam para o risco que o fenômeno El Niño forte no início de 2027 pode causar, com aumento de calor e déficit hídrico, estressando as plantas e comprometendo a floração da primavera e verão.
Até o momento, a Conab avaliou que o El Niño teve impacto baixo na produção deste ano. Durante julho, quando as chuvas e ventos atípicos afetaram a florada, o fenômeno ainda era de baixa intensidade, não sendo a principal causa das alterações no mercado, mas possivelmente contribuindo para o cenário atual.
Notícias
Urna Eletrônica Faz 30 Anos de Mudança nas Eleições Brasileiras
Os jovens atualmente não conhecem o processo antigo de votação, que incluía ir até a seção eleitoral, receber uma cédula com os nomes dos candidatos, marcar suas escolhas com caneta e deixar o papel dobrado em uma urna de lona. Após o término da votação, a população precisava esperar vários dias para saber quem seriam os eleitos para cargos como deputado, senador, governador e presidente da República. Em 2026, completa-se três décadas desde a maior transformação no processo eleitoral do Brasil: a implantação da urna eletrônica.
Não é exagerado afirmar que a urna eletrônica é motivo de orgulho para o país. Enquanto nações desenvolvidas ainda utilizam votação em papel e aguardam vários dias para divulgar os resultados, o Brasil consegue anunciar seus eleitos poucas horas após o término da votação, no mesmo dia do pleito, utilizando um sistema eletrônico seguro, conforme assegurado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O método tradicional com cédulas apresentava diversas vulnerabilidades. A contagem manual levava dias e facilitava fraudes, como a famosa “urna grávida”, quando cédulas já preenchidas eram inseridas na urna antes mesmo de começar a votação.
A revolução na Justiça Eleitoral teve início em 1995, quando especialistas das Forças Armadas, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério das Comunicações colaboraram no desenvolvimento da urna eletrônica.
A urna eletrônica foi usada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, sendo chamada oficialmente de Coletor Eletrônico de Votos (CEV), nome pouco popular. Naquela ocasião, seu uso foi parcial e experimental. A partir das eleições municipais de 2000, o voto eletrônico passou a ser adotado em todo o país.
Com o passar dos anos, a urna eletrônica recebeu melhorias que aumentaram sua segurança e facilitaram o uso pelos eleitores.
Em 1998, passou a exibir fotos dos candidatos; em 2002, foram criadas cerimônias públicas para lacrar os sistemas e realizar testes de integridade; e em 2004, auditorias nos códigos-fonte foram iniciadas.
Em 2006, a identificação biométrica foi introduzida, sendo implementada em larga escala anos depois. Recentemente, em 2022, o equipamento teve sua capacidade de processamento ampliada em 18 vezes e ganhou uma tela touchscreen para o mesário.
Agora, em 2026, a urna eletrônica segue inovando: seu visor apresentará um intérprete de Libras para indicar votos nulos, em branco, os partidos e uma barra de progresso da votação no topo. Também informará quantos dígitos o eleitor deve digitar para cada cargo e mostrará o andamento da votação.
Segurança
Desde outubro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral abriu o código-fonte para inspeção por instituições como partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público. Essas verificações foram feitas até a lacração dos sistemas, ocorrida em setembro.
O processo de votação é auditado rigorosamente, passando por mais de 40 etapas de auditoria antes, durante e após as eleições.
A fiscalização da urna acontece em diversos momentos, incluindo a abertura do código-fonte, Testes Públicos de Segurança, Testes de Integridade, Registro Digital do Voto (RDV), Boletim de Urna e publicação dos resultados na internet.
A urna eletrônica não se conecta à internet, nem utiliza Bluetooth ou Wi-Fi, o que a torna imune a ataques hackers ou tentativas de fraude online.
Após o fechamento da votação, os dados são gravados em mídia criptografada, protegida por assinatura digital, e um Boletim de Urna é emitido, registrando os resultados locais. Essa mídia é usada para transmitir as informações ao sistema nacional de totalização, que funciona em rede exclusiva da Justiça Federal. Também é possível confirmar a correspondência entre os dados do Boletim de Urna e os resultados finais.
Em 30 anos de uso da urna eletrônica, a Justiça Eleitoral nunca registrou fraude comprovada.
Outros Países
O Brasil não é o único que utiliza tecnologia para computar votos eletronicamente. Pelo menos 34 países já adotaram sistemas eletrônicos de votação, dos quais 17 ainda utilizam urnas eletrônicas, em maior ou menor grau. Nações como França, Bulgária, Índia, Peru, México e alguns estados dos Estados Unidos estão entre esses usuários.
Brasil
Documentos aceitos para votar nas eleições de 2026
Mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar no domingo, dia 4, durante o primeiro turno das Eleições Gerais. Para exercer o direito ao voto, é necessário comparecer a uma das 499 mil seções eleitorais e apresentar um documento oficial com foto.
São considerados válidos os seguintes documentos de identificação, incluindo versões digitais:
- e-Título (aplicativo com foto do eleitor)
- carteira de identidade
- identidade social
- passaporte
- carteira de categoria profissional legalmente reconhecida
- certificado de reservista
- carteira de trabalho física
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
Os documentos oficiais com foto podem ser apresentados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação clara do eleitor.
As certidões de nascimento ou casamento não são aceitas como prova de identidade na hora do voto.
Posso votar sem o título de eleitor?
Sim. É possível votar apenas apresentando documentos oficiais com foto, sejam eles físicos ou digitais.
Para utilizar somente o e-Título, disponível nas plataformas iOS ou Android, é obrigatório que o aplicativo contenha a fotografia do eleitor para confirmação da identidade.
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