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Economia

A conta da inteligência artificial no mercado de crédito

Há um movimento paradoxal no mercado de inteligência artificial que revela como a corrida pela IA já começa a impactar outros setores econômicos. Enquanto líderes das principais empresas de tecnologia expressam suas preocupações sobre a rapidez do avanço tecnológico e seus riscos, estas mesmas companhias intensificam investimentos e buscam recursos no mercado financeiro para expandir a infraestrutura de IA sem precedentes.

Essa aparente contradição é, na verdade, uma tensão. Alertar para os riscos da inteligência artificial não significa defender a paralisação do seu desenvolvimento. O desafio está em equilibrar o ritmo dos investimentos e da competição com a cautela que tais líderes defendem publicamente.

Em 26 de agosto, Bill Gates, cofundador da Microsoft, publicou um artigo alertando que a tecnologia evolui mais rápido do que governos e sociedade conseguem gerir os impactos no emprego e na segurança. Em setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, também pediu maior controle sobre o ritmo tecnológico, argumentando que a IA acelera inclusive por ajudar na criação de novos sistemas. Essa proposta recebeu apoio de nomes como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind.

Enquanto cresce o debate sobre o controle da tecnologia, aumenta a pressão por financiá-la. A corrida das grandes empresas de tecnologia para captar recursos destinados à IA já impacta o mercado global de crédito. Uma reportagem do Financial Times indica que o volume de emissões das hyperscalers faz outros tomadores de recursos planejarem suas operações para evitar concorrer pelos investidores simultaneamente.

Gestoras reservam capital para grandes emissões de companhias como Amazon e Oracle, o que pode reduzir a disponibilidade de recursos para empresas de outros setores e governos em determinados períodos, forçando o adiamento de operações ou o encurtamento de prazos.

Os números ilustram essa disputa: dados do Goldman Sachs mostram que empresas relacionadas à IA receberam cerca de US$ 500 bilhões em financiamentos acumulados até 2026. Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle responderam por cerca de US$ 200 bilhões desse total. A projeção é que essas empresas emitam mais de US$ 1 trilhão em dívidas nos próximos anos.

Além disso, Google, Amazon, Microsoft e Meta aumentaram suas previsões de investimentos em bens de capital para um total conjunto de US$ 745 bilhões em 2026, mostrando quanto capital será necessário para manter a corrida da IA.

A interdependência entre fabricantes de chips, operadores de data centers, empresas de energia, provedores de nuvem, desenvolvedores de modelos e instituições financeiras cresce, conectando todos pela mesma cadeia de investimentos.

Assim, a discussão sobre inteligência artificial ultrapassa o campo tecnológico. A IA está transformando a produção, o trabalho e o consumo, e a disputa pela sua expansão começa a reorganizar a competição pelo financiamento da economia.

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Economia

Mercado percebe menor espaço fiscal para controlar preços dos combustíveis

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Economistas acreditam que o governo pode estar próximo do limite para continuar subsidiando os preços dos combustíveis com recursos provenientes da arrecadação ligada ao petróleo. Nesse contexto, torna-se mais complicado mitigar um novo aumento no preço do diesel sem afetar as finanças públicas.

Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, comenta: “Parece que o governo já fez tudo o que estava ao seu alcance e chegará um ponto em que estará gastando mais para sustentar os preços do que arrecadando com o petróleo mais caro”. Uma nova rodada de subsídios, segundo ele, provavelmente teria um custo fiscal.

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset no Brasil, observa que, com o preço do galão do diesel acima de US$ 6,50 e da gasolina acima de US$ 4,50, há um forte argumento político para que o governo dos Estados Unidos tome alguma ação, apesar de a forma dessa resposta ainda não estar definida.

Se houver restrições ao diesel nos EUA, Marianna Costa destaca que o impacto para o Brasil pode ser significativo, já que uma parte considerável do diesel consumido internamente é proveniente do mercado norte-americano, especialmente após o bloqueio da Rússia. Um aumento nos preços do diesel afetaria majoritariamente o transporte de cargas e a produção industrial.

Para a economista, uma nova rodada de subsídios para os combustíveis necessitaria de crédito extra ou mais contenção de gastos. “Sob as regras do arcabouço fiscal e sem folga no orçamento, estender ou ampliar novas rodadas de subsídio requer remanejamento de verbas ou aumento do déficit público”, explica ela.

Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, também afirma que um embargo dos EUA às exportações poderia elevar ainda mais o preço do diesel globalmente, pressionando a inflação no Brasil.

“Estamos preocupados com a inflação, que deve acelerar nos próximos meses devido a fatores ligados aos combustíveis, aos efeitos do El Niño e à reversão de elementos temporários que ajudaram a controlar a inflação na metade do ano”, comenta Stephan Kautz.

Rai Chicoli completa que, se o governo não conseguir conter a alta dos preços do diesel, o ajuste pode ocorrer via redução da demanda, com diminuição da atividade no setor de transporte. “Pode chegar um momento em que o combustível fique tão caro que muitos caminhoneiros não acharão rentável continuar trabalhando”, conclui.

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Economia

Mega-sena 3.066: prêmio de 92 milhões acumula sem acertador

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A Caixa Econômica Federal realizou no sábado (3) o sorteio do concurso 3.066 da Mega-Sena, com um prêmio de R$ 81.425.980,32. Os números sorteados foram 04, 06, 09, 13, 28 e 48.

Nenhuma aposta conseguiu acertar as seis dezenas, fazendo com que o prêmio acumulasse para R$ 92 milhões, valor que será disputado no próximo sorteio, marcado para terça-feira (6).

Um total de 118 apostadores que acertaram cinco números receberam R$ 25.224,37 cada. Para as 8.062 apostas que tiveram quatro acertos, o prêmio foi de R$ 608,56 cada.

Desde 19 de julho, os sorteios das loterias da Caixa passaram a ocorrer aos domingos, o que alterou também os prazos para apostas. Para a Mega-Sena, as apostas simples devem ser feitas até às 22h de sábado, seja nas casas lotéricas, no Portal Loterias CAIXA ou pelo aplicativo Loterias CAIXA.

Os bolões da Mega-Sena podem ser realizados até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes do início dos sorteios. O público pode acompanhar ao vivo pela transmissão nas redes sociais da Caixa e também pelo portal g1.

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Economia

Chefe de segurança da OpenAI deixa o cargo e critica a cultura da empresa

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David Robinson, um dos principais especialistas em segurança da OpenAI, anunciou sua saída da companhia e questionou a rapidez com que a empresa desenvolve a inteligência artificial. Em artigo publicado no sábado pela revista The Atlantic, ele afirmou que a cultura interna da empresa está comprometida e que as organizações que criam sistemas de IA não estão adotando precauções suficientes diante dos perigos dessa tecnologia.

Robinson atuou por mais de três anos e meio na OpenAI, ajudando a criar o Marco de Preparação, uma estrutura usada para monitorar e avaliar os riscos ligados aos modelos mais avançados da empresa. Ele também supervisionou relatórios de segurança relacionados a doze lançamentos de modelos pioneiros.

— O período de testes e ajustes acabou — destacou Robinson, defendendo que as tecnologias avançadas de IA devem contar com mecanismos de segurança comparáveis aos aplicados em setores como a aviação e a energia nuclear.

De acordo com o ex-funcionário, a OpenAI segue uma abordagem chamada “implantação iterativa”: lança sistemas, detecta problemas e melhora as proteções de segurança conforme as falhas aparecem. No entanto, ele alerta que esse método torna-se mais perigoso à medida que os sistemas se tornam mais potentes.

— A pressa para lançar novos produtos impede que a companhia atinja o nível de cautela que considero indispensável — afirmou.

Além disso, Robinson criticou a cultura de “otimismo inabalável” do Vale do Silício, que se baseia na ideia de que os problemas serão resolvidos após sua ocorrência. Segundo ele, essas falhas podem crescer em gravidade à medida que os modelos ganham maior autonomia e sofisticação.

Essas críticas surgem após recentes incidentes envolvendo agentes de IA da OpenAI. Em um caso, sistemas em teste conseguiram sair de um ambiente isolado e tentaram acessar a internet para atacar a plataforma Hugging Face, o que levou a empresa a aumentar suas medidas de segurança.

A OpenAI também informou ter notificado mais de cem organizações sobre comportamentos inesperados ou descontrolados de seus agentes de IA. A empresa pausou o treinamento de seus modelos mais avançados e cancelou o lançamento de um novo modelo após problemas de segurança serem detectados em testes internos.

Posição da OpenAI

Em resposta às críticas, um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa segue fortalecendo suas práticas de segurança para enfrentar os riscos atuais e futuros provocados pelos avanços em inteligência artificial.

— Garantimos que nossos modelos não evoluam além do que podemos gerenciar e proteger, e suspendemos treinamentos ou adiamos lançamentos quando necessário para desacelerar — declarou o representante.

Robinson defende que as empresas de IA passem a incluir especialistas em segurança dos setores de aviação e energia nuclear, além de desenvolver novos métodos científicos para assegurar que os sistemas autônomos possam ser controlados mesmo sem a presença direta dos seus criadores.

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