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Novo relatório do Enamed cria inscrição para reprovados e aumenta poder do CFM

O novo relatório sobre a medida provisória que estabelece o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como requisito para a obtenção do registro profissional de médico amplia a participação do Conselho Federal de Medicina (CFM) na supervisão da prova e altera os critérios para abrir processos contra faculdades com desempenho insuficiente. A MP precisa ser votada até sexta-feira (16) para manter sua validade, senão perderá efeito sem virar lei.

Proposto pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), o parecer apresentado na comissão mista que analisa a MP sugere mudanças no modelo original enviado pelo governo, que atribuía ao Ministério da Educação (MEC) a condução do exame e previa apenas uma comissão consultiva. Agora, a proposta transforma essa comissão em deliberativa e amplia a influência do CFM na definição das regras do exame.

O texto também substitui as duas provas previstas inicialmente por três avaliações ao final do 2º, 4º e 6º anos do curso de Medicina, além de criar uma inscrição específica para quem concluir a graduação sem alcançar a proficiência necessária para o registro profissional. As informações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas posteriormente.

Essas mudanças ainda dependem de aprovação pelo Congresso. A reunião para a comissão mista marcada para quarta-feira (14) não ocorreu por falta de quórum, e o prazo final da MP expira na sexta-feira (16). Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela comissão, Câmara dos Deputados e Senado.

Ampliação do papel do CFM na governança do Enamed

Uma mudança central do relatório acontece na governança do Enamed. Conforme o parecer, o CFM indicaria quatro dos seis membros da subcomissão técnica responsável pela elaboração da avaliação final. Originalmente, o exame ficaria sob responsabilidade do MEC, com uma comissão apenas consultiva para acompanhamento.

A proposta também cria uma comissão deliberativa com oito membros, divididos igualmente entre indicações do CFM e dos ministérios da Educação e da Saúde, compartilhando a presidência de forma alternada. Logo, o conselho teria participação maior nas decisões, incluindo direito a voto de desempate.

Três avaliações ao longo da graduação

Segundo a sugestão, os estudantes seriam avaliados em três momentos distintos durante a graduação, ao invés de duas etapas previstas inicialmente. Esse modelo permite acompanhar o desenvolvimento dos alunos e identificar dificuldades antes do término do curso.

A aprovação para obtenção do registro dependeria da média ponderada dessas três provas, com peso maior para a última etapa. Caso o estudante não atinja a proficiência, poderá refazer a terceira prova em edições futuras.

Inscrição especial para egresso não aprovado

Uma das novidades é a criação da Inscrição de Egresso de Medicina (IEM), destinada a quem concluir o curso, mas não alcançar a proficiência exigida para o registro profissional. Essa inscrição teria validade limitada, com finalidade técnico-científica, e não equivaleria à habilitação profissional para exercer a Medicina.

Profissionais com essa inscrição não poderiam atender pacientes, realizar atos exclusivos de médicos nem ocupar cargos dedicados a médicos, inclusive em funções administrativas em instituições de saúde. A responsabilidade pela concessão, renovação e fiscalização caberia ao CFM.

Critérios para supervisão de faculdades

O relatório altera o critério para abertura de processos de supervisão contra faculdades que apresentem resultados insatisfatórios. Agora são exigidas duas avaliações consecutivas negativas para iniciar a supervisão, enquanto a medida provisória original considerava apenas uma avaliação negativa.

Essa definição pode alterar o momento em que instituições de ensino recebem fiscalização, após a primeira edição do Enamed revelar que 107 dos 305 cursos avaliados tiveram notas insuficientes. O governo já iniciou processos punitivos contra algumas dessas instituições.

O relator sustenta que resultados reiteradamente negativos sinalizam necessidade de melhorias curriculares, maior prática, qualificação dos professores e revisão nos métodos de ensino.

Publicação de resultados e prazo da MP

O texto determina que o MEC divulgue anualmente os resultados consolidados de cada instituição, preservando a identidade dos estudantes. As faculdades também devem publicar publicamente os resultados das três últimas edições do exame.

A comissão mista responsável pela MP não conseguiu reunir quórum para votar na última quarta-feira. O prazo da medida expira nesta sexta-feira (16). Caso não avance, a MP perderá validade sem virar lei.

Além da obrigatoriedade de aprovação no Enamed para obtenção do registro profissional, a proposta trata do uso dos resultados do exame na seleção para residência médica e prevê que a prova final substitua a etapa teórica do exame de revalidação para médicos formados no exterior (Revalida).

O relator recomenda a aprovação da MP convertida em projeto de lei, com algumas emendas. No entanto, as mudanças ainda dependem de deliberação pelo Congresso Nacional.

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Ministro quer votar PEC da segurança na próxima semana e discutir maioridade penal em paralelo

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O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que o governo está empenhado para aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança já na próxima semana, antes das eleições.

Guimarães explicou que a intenção é tratar a questão da maioridade penal em uma PEC distinta, de forma paralela. Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves, mas enfatizou que a prioridade deve ser a aprovação da PEC da Segurança.

— Vamos tentar a aprovação da PEC da segurança na próxima semana. Estamos nos esforçando muito para proporcionar estas três importantes conquistas ao povo brasileiro. Precisamos votar a PEC principal e alocar as emendas relativas à maioridade em uma PEC separada — afirmou Guimarães, após a promulgação do fim da escala 6×1 e da aposentadoria especial para agentes de saúde.

Guimarães acrescentou que a discussão sobre a maioridade penal pode ocorrer, por exemplo, na comissão que foi criada na Câmara para este tema.

O ministro também minimizou a relevância da emenda apresentada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), referente à redução da maioridade, que gerou divisão dentro do partido na Casa.

— Não há problema em discutir, não existe divergência. Essa questão precisa ser tratada em uma PEC separada — comentou. — Apresentar emenda não é problema, ninguém é proibido de fazer isso no PT.

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Enem 2026: escolha da língua estrangeira acaba neste domingo

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O prazo para os inscritos automaticamente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 escolherem o idioma da prova de língua estrangeira termina neste domingo (18). As opções disponíveis são inglês ou espanhol.

Pela primeira vez, a inscrição automática no Enem 2026 incluiu os estudantes que concluirão o ensino médio na rede pública em 2026, visando ampliar a participação desse grupo no exame.

Segundo a retificação do Edital nº 64/2026 do Enem, caso o participante não escolha um idioma até o prazo final, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aplicará a prova de inglês automaticamente, sem possibilidade de alteração.

A prova de língua estrangeira tem cinco questões de múltipla escolha, focando na interpretação e compreensão de textos.

Para auxiliar nos estudos e no aumento do vocabulário, o Ministério da Educação (MEC) oferece gratuitamente a plataforma MEC Idiomas, que disponibiliza aulas gratuitas de inglês e espanhol dos níveis básico ao avançado.

Questionário socioeconômico

Os participantes inscritos automaticamente também precisam preencher o Questionário Socioeconômico. Para isso, devem acessar a Página do Participante do Enem usando a senha da plataforma Gov.br.

O formulário online contém entre 23 e 25 perguntas obrigatórias que mapeiam a situação social, econômica e educacional dos candidatos. Essas informações não podem ser modificadas depois do preenchimento.

Somente após o preenchimento do questionário o participante terá acesso às informações sobre o local onde realizará a prova.

Datas das provas

As provas do Enem 2026 ocorrerão em dois domingos de novembro, nos dias 8 e 15, no período da tarde.

No primeiro domingo, a duração será de 5 horas e 30 minutos, com aplicação da redação e provas de linguagens (língua portuguesa, literatura, língua estrangeira, artes, educação física e tecnologias da informação), códigos e suas tecnologias e ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e suas tecnologias.

No segundo domingo, os candidatos farão as provas de ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física) e matemática, com tempo de 5 horas para realização.

Informações adicionais

O Ministério da Educação (MEC) registrou mais de 5 milhões de inscrições para o Enem 2026.

Além de facilitar o acesso ao ensino superior, o exame terá a nova função de avaliar as competências e habilidades esperadas ao final do ensino médio, tornando-se parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

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Incêndios no Amazonas caem após trabalho conjunto

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Equipes especializadas apagaram mais de 300 focos de incêndio no Amazonas nos últimos cinco dias, enfrentando diretamente as chamas que ameaçavam a região.

Após atingir um pico com 494 novos focos no dia 10 de outubro, o número diminuiu para 188 nesta sexta-feira (16), conforme dados do painel Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que 330 brigadistas atuam na operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Além disso, foram mobilizadas 11 aeronaves, 32 veículos terrestres e 8 embarcações para auxiliar no combate às chamas.

De acordo com o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, os incêndios são consequência de ações humanas deliberadas e as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas já investigam as causas.

Entendendo o contexto

A diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, explica que a maior parte dos incêndios na Amazônia são provocados por atividade humana. A ignição natural por raios é rara, pois geralmente ocorre durante períodos de chuva quando a vegetação está úmida, dificultando a propagação do fogo.

O uso do fogo na vegetação é proibido por lei, exceto em casos específicos aprovados pela Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que exige autorizações legais.

O período de estiagem, de agosto a novembro, torna a vegetação mais suscetível ao fogo, o que historicamente aumenta os incêndios na região. Este ano, o aumento dos focos é notável, porém a comparação com 2025, que teve menos incêndios, pode influenciar essa percepção.

Influência do El Niño

O fenômeno climático conhecido como super El Niño, que aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, contribui para chuvas irregulares que agravam a situação dos incêndios na Amazônia.

Ane Alencar destaca que este fator, aliado à estação seca, tem favorecido a propagação do fogo. Ela também menciona um aumento no uso do fogo depois das eleições, o que pode não ser coincidência.

Questões de grilagem

Imagens de satélite revelam que muitos focos estão localizados em áreas de floresta próximas a Manaus, em terras públicas sem destinação socioambiental, sugerindo possível grilagem incentivando a ocorrência dos incêndios.

Ane Alencar alerta para a necessidade de intensificar o controle de novos focos nas próximas semanas, especialmente com a região ficando mais seca e os efeitos do El Niño se intensificando, afetando áreas como Manaus, Santarém, nordeste do Pará, norte do Maranhão, Amapá e Roraima.

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