Mundo
Guerras resolvidas por Donald Trump em 2023
Donald Trump afirma ter encerrado oito conflitos desde que voltou à presidência dos Estados Unidos em janeiro. Contudo, a eficácia real de suas iniciativas de mediação diplomática é questionável.
O conflito na Ucrânia, que ele prometeu resolver rapidamente, permanece intenso, apesar das tentativas de mediação.
Camboja e Tailândia
Donald Trump se apresentou como o principal responsável pelo acordo assinado em 26 de outubro entre os dois países do Sudeste Asiático, que vivem uma longa disputa territorial.
Em julho, ele já havia ajudado a negociar um cessar-fogo após cinco dias de combates que resultaram em dezenas de mortos e deslocamento de centenas de milhares de civis.
Porém, o acordo de outubro durou apenas duas semanas. A Tailândia suspendeu o acordo em 10 de novembro após explosão de mina próxima à fronteira, e novos choques recentes causaram dezenas de mortes, com confrontos mais violentos do que antes e centenas de milhares de pessoas deslocadas.
República Democrática do Congo e Ruanda
O acordo alcançado em 4 de dezembro em Washington, descrito por Trump como “milagroso”, não trouxe mudanças no conflito no leste da República Democrática do Congo, região rica em recursos naturais e marcada por violência há décadas.
O grupo armado M23, apoiado por soldados de Ruanda, avançou na área, evidenciando a fragilidade do acordo e gerando críticas internacionais.
Israel e Hamas
O maior avanço de Donald Trump foi um cessar-fogo frágil que pôs fim à guerra na Faixa de Gaza originada pelo ataque surpresa do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
Esse acordo, firmado com mediação do Catar e do Egito, resultou na retirada parcial das tropas israelenses e na troca de reféns, mas a violência ainda persiste, com muitas mortes de civis de ambos os lados.
A devolução de corpos e cumprimento das etapas do acordo continuam em disputa entre Israel e o Hamas.
Israel e Irã
Em junho, Israel atacou instalações nucleares iranianas para impedir o desenvolvimento de armas atômicas, com apoio dos Estados Unidos.
Após quase duas semanas de conflito, foi anunciado um cessar-fogo, porém a tensão persiste devido à continuidade do programa nuclear iraniano, que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, defende fortemente.
Paquistão e Índia
As duas potências nucleares enfrentaram-se por 40 dias em maio, causando dezenas de mortes.
Surpreendentemente, Donald Trump anunciou um cessar-fogo. Paquistão reconheceu o papel dos EUA, mas a Índia afirmou ter negociado diretamente, negando influência externa nesse acordo.
Egito e Etiópia
Apesar de não estarem em guerra, há forte tensão devido à construção da grande represa no Nilo pela Etiópia.
O Egito, dependente da água do rio, vê a represa como uma ameaça crítica e enfrenta impasse nas negociações com a Etiópia.
Armênia e Azerbaijão
Armênia e Azerbaijão assinaram, na Casa Branca, um projeto de acordo para encerrar conflitos históricos na região do Karabakh. No entanto, a assinatura definitiva do acordo está incerta devido a exigências da parte do Azerbaijão.
Sérvia e Kosovo
Em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, Sérvia e Kosovo firmaram um acordo para melhorar as relações econômicas, mas divergências políticas profundas continuam entre os dois países.
Mundo
Homem com Ela consegue falar de novo com chip que transforma pensamentos em voz
Um homem de Washington, D.C., diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), recuperou a fala graças a um implante cerebral experimental desenvolvido pela empresa Neuralink, que converte pensamentos em palavras audíveis.
Terence “Terry” Mandable, que é o terceiro participante do estudo vocal da empresa, foi capaz de dizer “eu te amo” para sua esposa, Lori, utilizando apenas sua atividade cerebral.
Terry recebeu o diagnóstico de ELA em 2024, e a progressão da doença afetou severamente sua capacidade de se comunicar verbalmente, dificultando a interação com seus entes queridos e colegas. Antes disso, ele havia alcançado uma promoção a sócio na empresa onde trabalhava, mas precisou se afastar devido aos sintomas.
Como Funciona o Implante
O dispositivo é instalado na área do cérebro que controla os movimentos necessários para falar. Eletrodos captam a atividade de milhares de neurônios, enquanto algoritmos de inteligência artificial interpretam os padrões neuronais que refletem a intenção de falar. Após um período de treinamento, o sistema transforma esses sinais em texto e, em seguida, em fala sintetizada.
Em uma demonstração, Mandable pensou nas palavras “eu te amo”, que foram exibidas na tela do sistema e reproduzidas em voz alta para Lori.
“Você está pensando nas palavras? E elas estão surgindo?”, ela comentou, emocionada.
Para Mandable, essa tecnologia representa uma chance de recuperar uma parte vital de sua vida diária.
“Perder a voz me afetou de muitas formas. Espero que isso me permita participar das conversas novamente”, disse ele.
Apesar dos resultados promissores, o implante ainda está em fase experimental e não possui aprovação da FDA, órgão regulador dos Estados Unidos, para uso generalizado. A Neuralink, empresa fundada por Elon Musk, que trabalha com interfaces cérebro-computador, destaca que os resultados de um único participante podem não refletir o que será observado em outros casos.
Mundo
Netanyahu fala na ONU sob pressão internacional
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se encontra isolado na política internacional e enfrenta dificuldades em sua tentativa de se reeleger no país. Nesta quinta-feira (24), ele fará um discurso na Assembleia Geral da ONU, onde deverá abordar tanto seus opositores quanto aliados que, nos últimos meses, tomaram posições contrárias a ele.
Netanyahu pode também mencionar o caso do filho do embaixador israelense em Washington, um soldado que ficou gravemente ferido em um suposto atropelamento intencional ocorrido na Cisjordânia.
Entre os principais adversários de Netanyahu em Nova York está o prefeito socialista da cidade, Zohran Mamdani, defensor da ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o líder israelense. Apesar disso, Mamdani reconheceu não ter autoridade para cumprir tal ordem.
Com sede em Haia, o TPI declarou em 2024 que existem fundamentos razoáveis para responsabilizar Netanyahu por supostos crimes de guerra durante a ofensiva militar de Israel em Gaza, iniciada após o ataque mortal do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Antes do discurso, Netanyahu acusou Mamdani de apoiar o Hamas e, sem apresentar provas, de instigar conflitos contra a comunidade judaica em Nova York.
O presidente palestino Mahmoud Abbas, um dos críticos mais severos de Netanyahu, não estará presente na Assembleia após os Estados Unidos negarem seu visto.
Críticas a antigos aliados
Possíveis críticas do primeiro-ministro também podem atingir antigos aliados como o Reino Unido e a França, que impuseram sanções parciais às exportações israelenses provenientes da Cisjordânia.
Netanyahu tem relações limitadas com o presidente francês Emmanuel Macron, que liderou uma iniciativa para o reconhecimento da Palestina como Estado na Assembleia da ONU no ano passado.
A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, vigente desde fevereiro, deve ser tema do discurso, já que Israel pressiona por uma intervenção militar mais forte para impedir o avanço do programa nuclear iraniano, conflito que elevou os preços dos combustíveis globalmente.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Dannon, afirmou após o discurso do presidente iraniano que Teerã apoia grupos como o Hezbollah no Líbano, os houthis no Iêmen, o Hamas em Gaza e Cisjordânia, além de milícias no Iraque.
Netanyahu pode também criticar as Nações Unidas e o secretário-geral António Guterres, que mencionou medidas do TPI que acusam Israel de genocídio em Gaza.
O governo israelense acusou reiteradamente agências da ONU de dar suporte a militantes do Hamas.
Como em discursos anteriores na Assembleia Geral, Netanyahu deve enfrentar protestos de delegações que deixarão a sessão e de manifestantes do lado de fora da sede da ONU.
Os eleitores em Israel irão às urnas no dia 27 de outubro para definir seu próximo governo.
Mundo
Arábia Saudita emite alerta rápido de possível ataque em Meca
A Arábia Saudita divulgou nesta quinta-feira (24) um aviso de risco potencial para várias áreas do país, incluindo Meca, a cidade mais sagrada do Islã, em meio ao aumento dos confrontos com o grupo houthis, que recebe apoio do Irã.
O aviso também abrangia as regiões de Taif, Jidá, Tabuk e Yanbu, próximas ao Mar Vermelho, mas foi revogado poucos minutos depois.
O grupo houthis realizou múltiplos ataques nas últimas semanas contra a nação vizinha, que apoia o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente.
Recentemente, a Arábia Saudita acusou os houthis de lançar um drone contra Meca, que foi interceptado, porém o grupo negou a autoria do ataque.
Além disso, Riade sofreu um ataque raro nos últimos anos pouco tempo depois.
Os houthis, que já dominavam grande parte do território iemenita, agora controlam a costa do Mar Vermelho no Iêmen, fortalecendo sua influência sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem crucial entre Europa e Ásia.
Esta rota é vital para a Arábia Saudita, principal exportadora de petróleo global, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, do outro lado da Península Arábica. Essa ação foi uma retaliação aos ataques coordenados por Israel e Estados Unidos contra o território iraniano em fevereiro, que desencadearam o conflito no Oriente Médio.
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