Economia
Banco Central avalia integração do Pix com sistema europeu de pagamentos
O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram uma fase para analisar a possibilidade de conectar o Pix ao TIPs, a plataforma instantânea de pagamentos da Europa. O BC informou que serão avaliados aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e comerciais envolvidos na conexão dessas duas infraestruturas públicas de pagamentos.
De acordo com o BC, considerando os fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a zona do euro, essa conexão entre Pix e TIPS pode facilitar transações internacionais mais rápidas, eficientes e com custos reduzidos entre as duas regiões.
“Essa iniciativa faz parte do plano de evolução do Pix e dos esforços do BC para conectar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos a plataformas semelhantes multilaterais e de outras regiões”, destacou o Banco Central em comunicado.
Conforme o BC, essas conexões poderão viabilizar envio de remessas internacionais e compras com a liberação dos fundos na moeda local em poucos segundos.
Mais amplamente, a integração de sistemas de pagamentos instantâneos tem potencial para diminuir custos, aumentar a rapidez, ampliar o acesso e aprimorar a transparência nas transações internacionais, alinhada com as metas do Plano de Ação do G20 para o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços.
O BC explicou que o TIPS é uma infraestrutura europeia destinada à liquidação imediata em moedas emitidas por bancos centrais, atualmente operando com euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa, com planos de expansão para outras moedas dentro do Espaço Econômico Europeu.
Economia
Produção florestal bate recorde de 47,9 bilhões em 2025
As florestas no Brasil geraram uma receita econômica de R$ 47,9 bilhões em 2025, atingindo o maior valor registrado até agora, com um crescimento de 6,7% comparado ao ano anterior.
Esses números englobam florestas tanto nativas quanto cultivadas, segundo a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada na quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo considera a silvicultura, que é a produção oriunda de áreas cultivadas, e o extrativismo, relativo às florestas naturais.
Os valores são em moeda corrente do ano da pesquisa, sem ajuste pela inflação.
Silvicultura em crescimento
A silvicultura teve um aumento de 8,6% de 2024 para 2025, somando R$ 41 bilhões. Por outro lado, a extração vegetal diminuiu 3,1%, alcançando R$ 6,9 bilhões.
Na década de 1990, silvicultura e extrativismo alternavam-se como os principais responsáveis pela produção florestal, mas desde então a produção das áreas plantadas cresceu significativamente, representando 85,6% do valor em 2025, enquanto o extrativismo corresponde a 14,4%.
O IBGE destaca que de 2019 até 2025 o valor econômico da silvicultura aumentou 165%, atribuído ao avanço tecnológico.
Em 2025, as florestas cultivadas cobriram 10,4 milhões de hectares, equivalente quase ao tamanho do estado de Pernambuco.
Eucalipto e celulose
Dessa área, 78,6% é de eucalipto, uma árvore que cresce rápido, usada principalmente na indústria de celulose, matéria-prima para produção de papel.
A alta produtividade coloca o Brasil como maior produtor e exportador mundial de celulose desde 2022, ultrapassando o Canadá.
O IBGE explica que fatores como o clima favorável, solo adequado e práticas sustentáveis contribuem para a competitividade internacional do país.
Em 2025, a produção de celulose chegou a 22,2 milhões de toneladas, 12,7% superior ao ano anterior.
Influência do mercado chinês
Em valores, a celulose gerou US$ 10,2 bilhões, uma redução de 3,9% em doze meses. Por ser uma commodity negociada internacionalmente, o preço da celulose depende do mercado global.
O IBGE aponta que a queda nos preços se deve ao excesso de oferta, desaceleração do consumo na China e variações cambiais, como a valorização do real.
Celulose foi o oitavo produto de exportação do Brasil em 2025, atrás de petróleo, soja e minério de ferro.
Municipalidades em destaque
Quase 4.900 municípios apresentaram produção florestal no ano passado. Dois Lagoas, Município de 145 mil habitantes em Mato Grosso do Sul, lidera com R$ 1,8 bilhão, mais que triplicando em relação a 2024.
Na cidade, operam fábricas das empresas Suzano, líder mundial do setor, e Eldorado.
Em termos regionais, Minas Gerais destaca-se com R$ 9,2 bilhões na silvicultura, representando 22,5% do total nacional e sendo o maior produtor de carvão vegetal com 84,6% de participação nacional.
Produtos alimentícios
A pesquisa indicou que produtos alimentícios geraram R$ 2,2 bilhões na produção.
O açaí representou metade deste valor, com uma produção de 251 mil toneladas, sendo dois terços concentrados no Pará.
A erva-mate obteve a segunda posição entre produtos não madeireiros, com R$ 562,3 milhões em produção, com 88,4% do valor vindo do Paraná.
Economia
Banco Central prevê IPCA de 3,1% em 12 meses até 1º trimestre de 2029
Banco Central atualizou no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, 24, a expectativa para a inflação futura. A instituição projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado em 12 meses, ficará acima da meta central (3%) em 3,1%, pelo menos até o primeiro trimestre de 2029, último período disponível para previsão.
No cenário de referência, a inflação acumulada em 12 meses será de 4,4% no terceiro trimestre de 2026, alcançando 5,2% ao final do ano.
O Banco Central também projeta inflação acumulada em 12 meses de 4,9% no primeiro trimestre de 2027, 4,5% no segundo e terceiro trimestres, encerrando o ano em 3,9%.
Em seguida, a inflação acumulada deve atingir 3,2% no primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, e permanecer em 3,1% no segundo, terceiro trimestres e no final do ano.
Para o primeiro trimestre de 2029, último dado estimado disponível, o IPCA está previsto em 3,1%.
Nas divisões por categorias, o Banco Central espera que a inflação dos preços livres em 12 meses seja de 5,2% no fim de 2026, 4,1% no final de 2027 e 3,0% em 2028. Para preços administrados, a expectativa é de alta de 5,3%, 3,5% e 3,4%, respectivamente, nesses mesmos períodos.
As projeções para os anos completos de 2026, 2027 e para o primeiro trimestre de 2028 já haviam sido apresentadas no comunicado da reunião do Comitê de Política Monetária ocorrido em setembro.
Comparado ao relatório anterior, a previsão para o horizonte relevante manteve-se estável, porém a trajetória geral da inflação foi ajustada para valores mais altos.
Para o horizonte relevante, o Banco Central destacou que pressões altistas vêm da expectativa de um hiato do produto maior e do aumento nas expectativas de inflação.
Por outro lado, elementos que trazem pressões baixistas incluem a persistência das surpresas negativas na inflação entre junho e agosto, além da forte reversão da alta dos preços do petróleo no curto prazo.
Para períodos mais próximos, os fatores de alta já mencionados são somados a impactos mais intensos do clima e à elevação do preço do petróleo no curto prazo.
Economia
Banco Central aponta 90% de chance da inflação ultrapassar teto este ano
O Banco Central (BC) aumentou de 79% para 90% a possibilidade de que a inflação ultrapasse o limite máximo permitido dentro da meta estabelecida no último trimestre do ano. Esta atualização foi incluída no Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado na quinta-feira, o primeiro documento detalhado após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano, nas reuniões dos dias 15 e 16.
A meta de inflação está fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — assim, o teto máximo está em 4,5%. A probabilidade foi calculada com base em intervalos que consideram o cenário de referência definido pelo próprio BC.
“Com base em intervalos probabilísticos construídos em torno do cenário-base, estima-se que a chance de a inflação superar o limite superior da margem de tolerância no último trimestre de 2026 subiu de 79% para 90%”, informa o relatório.
Mesmo com a inflação atual apresentando quedas sucessivas, o banco acredita que essa redução é temporária. O IPCA acumulado nos últimos doze meses caiu de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, ainda dentro da faixa permitida. Entre junho e agosto, o índice ficou abaixo do previsto pelo Copom em 0,90 ponto percentual — no acumulado de 12 meses, essa surpresa de queda chegou a 0,94 ponto, segundo dados do próprio documento.
Segundo as projeções mensais de curto prazo, a inflação acumulada em 12 meses deverá superar o teto em outubro, alcançando 4,61%, subindo para 4,85% em novembro e terminando dezembro em 5,21%.
“As projeções de curto prazo indicam que a inflação acumulada em 12 meses deverá elevar-se e ultrapassar o limite superior da margem de tolerância à meta inflacionária”, destaca o documento.
No cenário principal, a inflação acumulada em quatro trimestres deve recuar para 4,4% no terceiro trimestre deste ano, aumentar para 5,2% no quarto e permanecer acima do limite máximo por dois trimestres consecutivos. A expectativa é que retorne próxima da meta somente no primeiro trimestre de 2028, quando o BC prevê um índice de 3,2% — mantendo o valor do relatório anterior.
O aumento previsto para o curto prazo é justificado por três motivos: o impacto do fenômeno El Niño nos preços dos alimentos in natura, a reversão em setembro do desconto na conta de luz referente à usina de Itaipu e o aumento dos preços do petróleo. Além disso, a projeção considera a manutenção da bandeira tarifária amarela até dezembro, cenário considerado pelo banco mais rigoroso que as hipóteses atuais do setor elétrico.
O BC esclarece que essa porcentagem de 90% não significa descumprimento formal da meta. Com o sistema vigente desde janeiro de 2025, a meta só é considerada descumprida se a inflação em 12 meses ultrapassar o limite por seis meses consecutivos, situação que exigiria uma carta aberta do presidente do BC ao ministro da Fazenda.
Para os anos seguintes, a chance de a inflação passar do teto cai para 33% em 2027 e 16% em 2028. A probabilidade de o índice ficar abaixo do piso é nula neste ano e de 4% em 2027.
Os cálculos assumem uma taxa de câmbio de R$ 5,15 e preço do barril de petróleo Brent em US$ 90 para o terceiro trimestre, com pico no último trimestre e redução até cerca de US$ 84 no segundo trimestre de 2027. A trajetória dos juros baseia-se na pesquisa Focus, com Selic em 13,75% ao final de 2026, 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029 — valores acima da taxa real neutra de 5%, indicando política monetária contracionista ao longo do período.
As expectativas de inflação para os prazos mais longos continuam se distanciando da meta. Na pesquisa Focus, a mediana para 2026 diminuiu de 5,30% para 4,90%, mas subiu para 4,30% em 2027 e 3,80% em 2028. Para 2029, a previsão ficou em 3,5%. O Copom aponta a desancoragem das expectativas como principal risco de alta para a inflação.
No mesmo documento, o BC reduziu a projeção do crescimento do PIB para este ano de 2% para 1,8%, devido à composição do crescimento no segundo trimestre e indicadores mais fracos no terceiro. A previsão para 2027 é de 1,4%. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, após alta de 1,1% no primeiro.
Impacto do aumento do petróleo ainda não se espalhou
O Banco Central avaliou que a alta nos preços do petróleo e derivados provocada pelo conflito no Oriente Médio ainda não afetou significativamente o restante da economia. “As análises indicam que o recente aumento dos preços do petróleo não provocou impactos inflacionários relevantes por meio de efeitos secundários na economia brasileira”, informa o relatório.
Na Pesquisa Firmus do próprio BC, 77% das empresas relataram aumento nos custos com derivados de petróleo e 86% com transporte e logística, mas apenas 43% aumentaram os preços de venda, indicando redução nas margens de lucro.
Quanto aos custos salariais, o reajuste médio nominal caiu de 5,7% em fevereiro para 5,1% em agosto, e o rendimento médio nominal desacelerou de 9,6% para 8,0% na comparação anual.
O BC alerta que as expectativas inflacionárias das empresas subiram em todos os horizontes entre fevereiro e agosto, e a previsão para o aumento dos custos da mão de obra superou o nível projetado para 2025. “Os riscos de propagação desses efeitos não podem ser descartados”, conclui o documento.
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