Mundo
Conflitos crescem na França com greve e protestos de estudantes
A França enfrenta uma intensa mobilização nesta terça-feira (29), com paralisações de servidores públicos e confrontos entre estudantes e forças policiais, a poucos dias da divulgação do orçamento e meses antes das eleições presidenciais, onde a extrema direita surge como favorita.
A prefeitura de Paris registrou aproximadamente 30.000 manifestantes nas ruas, enquanto mais de 170 eventos foram organizados por todo o país para demandar aumento salarial aos servidores públicos, que tiveram seus ganhos corroídos pela inflação, além de recursos adequados para a administração pública.
De acordo com o sindicato CGT, mais de 300.000 pessoas participaram das manifestações em todo o território nacional, incluindo 70.000 na capital.
As reivindicações dos servidores abrangem desde a perda do poder de compra, insuficiência de pessoal, condições de trabalho precárias, até cortes orçamentários que afetam a prestação de serviços.
Movimentos estudantis do ensino médio também estão em protesto desde a semana anterior, solicitando melhorias nas condições do setor educacional. Hoje, enfrentamentos violentos ocorreram, envolvendo jovens que incendiaram lixeiras e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com cassetetes e gás lacrimogêneo.
Os confrontos resultaram em 40 detenções e 10 feridos entre estudantes e funcionários públicos.
Tensão social elevada
Mathilde Bourgain, professora de física de 47 anos em um colégio de ensino médio, participou da manifestação em Paris acompanhada por um grupo de professores e pais.
“Estamos exaustos, sentimos que o sistema público de ensino é mais afetado que o privado”, declarou à AFP.
Na escola onde atua, como em várias outras pelo país, turmas do primeiro ano do ensino médio foram removidas e professores precisam trabalhar em múltiplas unidades.
Nadia M’Dahoma, mediadora de alunos com deficiência de 45 anos, destaca que recebe cerca de 1.000 euros (5.924 reais) por mês para 24 horas semanais de trabalho. Ela ressalta que muitas vezes são solicitados para assumir papéis além da formação, como psicólogos, assistentes sociais e até figuras maternas.
Os estudantes mantêm bloqueios e manifestações em centenas de escolas de ensino médio por todo o país.
Segundo o Ministério da Educação, 338 instituições foram afetadas por protestos ou perturbações durante a manhã, 40 totalmente bloqueadas e outras 44 tentando evitar o acesso.
Desde 2017, os salários dos servidores públicos tiveram reajuste de pouco mais de 5%. Entretanto, a inflação acumulada desde então deve alcançar 24,17% até o final de 2026, conforme o instituto oficial de estatísticas Insee.
Mundo
Protestos e paralisações aumentam tensão na França
A França enfrentou nesta terça-feira (29) um dia marcado por manifestações, com greve de servidores públicos e confrontos entre estudantes e policiais, a poucos dias da divulgação do orçamento e a poucos meses das eleições presidenciais, onde a extrema direita aparece como favorita.
Mais de 200.000 pessoas foram às ruas em todo o país, incluindo quase 30.000 em Paris, conforme dados do Ministério do Interior.
Foram realizadas mais de 170 passeatas para pedir aumento salarial aos servidores, cujos salários foram corroídos pela inflação, e a alocação de recursos orçamentários adequados às necessidades do setor público.
De acordo com o sindicato CGT, mais de 300.000 manifestantes participaram em todo o país, sendo 70.000 somente em Paris.
Um cartaz na marcha realizada em Lyon dizia: “Mesmo com 40°C, nossos salários permanecem congelados”, refletindo a insatisfação após um verão muito quente que testou a resistência de bombeiros e do sistema de saúde.
Nicolas March, bombeiro de 52 anos, afirmou que eles estão protestando para serem ouvidos pelo ministro, enquanto marchavam na Praça da Bastilha, em Paris, recebendo aplausos dos demais manifestantes.
As demandas incluem a perda do poder de compra, número insuficiente de servidores, deterioração das condições de trabalho e situações precárias causadas por cortes orçamentários.
Com a dívida pública em níveis elevados, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros no próximo orçamento.
Perto do meio-dia, quase 10% dos servidores estavam em greve, com 13,71% dos professores aderindo à paralisação.
Mathilde Bourgain, professora de física de 47 anos em Paris, protestava com colegas e pais, segurando um cartaz que dizia “Fartos!”. Ela explicou que enfrentam fechamentos de turmas e sentem que a rede pública é mais prejudicada que a privada.
Em muitas escolas, turmas do primeiro ano do ensino médio foram eliminadas, e professores trabalham em múltiplas escolas. Nadia M’Dahoma, que acompanha alunos com deficiência, destacou que recebe cerca de 1.000 euros mensais por 24 horas semanais.
Conflitos estudantis
Estudantes do ensino médio, que vêm protestando desde a semana passada por melhores condições educacionais, protagonizaram confrontos violentos.
Adolescentes incendiaram contêineres e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com cassetetes e gás lacrimogêneo.
Houve 440 detenções, além de feridos, incluindo funcionários e alunos. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou ações judiciais relativas à violência.
Ele alertou que legitimar essa violência ou pedir ampliação dos bloqueios coloca em risco alunos e servidores.
Os estudantes mantêm bloqueios em centenas de escolas, reivindicando melhorias na organização dos horários, redução do tamanho das turmas, mais professores e salas com temperatura adequada.
Alta tensão social
Desde 2017, o índice salarial dos servidores aumentou apenas duas vezes, totalizando pouco mais de 5%, enquanto a inflação acumulada deve atingir 24,17% até o fim de 2026, segundo o instituto Insee.
Segundo a líder da CGT, Sophie Binet, o congelamento salarial representa uma queda real para milhões de funcionários.
O clima social está tenso a meses das eleições presidenciais de 2027, nas quais a segunda maior economia da União Europeia escolherá um novo presidente após quase uma década do governo de centro-direita do presidente Emmanuel Macron.
A candidata de extrema direita, Marine Le Pen, lidera as pesquisas recentes. Seu principal adversário seria o ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe, caso o centrista Gabriel Attal não se candidate. Caso contrário, a disputa seria contra o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.
Mundo
Primeira mulher lidera Governo do Marrocos
O rei Mohammed VI do Marrocos anunciou nesta terça-feira (29) a nomeação de Fátima Ezzahra El Mansouri como chefe do Governo, após a vitória do seu partido nas recentes eleições parlamentares.
Fátima El Mansouri, líder nacional do Partido Autenticidade e Modernidade (PAM), foi incumbida de formar o novo governo durante audiência no palácio real em Rabat, conforme comunicado oficial do gabinete real.
O PAM, partido de centro-direita que participou da coalizão anterior, obteve 97 das 395 cadeiras no parlamento em uma eleição com participação de 38%, a menor em quase duas décadas.
Sem ter uma maioria absoluta, El Mansouri precisará dialogar com outras forças políticas para montar uma coalizão governamental que atuará nos próximos cinco anos. Entretanto, decisões estratégicas importantes continuarão sob a alçada do rei.
Com 50 anos, esta advogada entrou para o PAM em 2008, quando o partido foi criado pelo atual conselheiro real Fouad Ali El Himma, que deixou a sigla em 2011.
Ela fez história em Marrakech ao se tornar, aos 33 anos, a primeira mulher prefeita da cidade turística em 2009 e foi reeleita para um novo mandato em 2021.
El Mansouri também ocupou o cargo de ministra da Habitação no governo anterior liderado por Aziz Akhanouch e foi eleita deputada nas eleições de setembro.
As eleições ocorreram num cenário de desconfiança política e elevado desemprego, além do aumento das desigualdades, especialmente para os jovens.
Estes desafios socioeconômicos se tornaram evidentes, por exemplo, com o aumento da imigração para Ceuta, território espanhol próximo ao Marrocos, no fim de julho.
Agora, El Mansouri enfrentará a tarefa de promover o desenvolvimento econômico e social, restaurando a confiança no governo.
Durante a campanha, seu partido prometeu impulsionar um crescimento anual médio de 5%, controlar a inflação em 2% para proteger o poder de compra dos cidadãos e gerar pelo menos um milhão de empregos no período de seu mandato.
Mundo
Malásia inicia retorno de milhares de migrantes de Mianmar
A Malásia começou nesta terça-feira (29) o processo de retorno para casa de aproximadamente 1.500 cidadãos de Mianmar, em um programa que, segundo o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, pode expor esses migrantes a riscos ao enviá-los de volta a uma nação destruída pelo conflito.
Este grupo representa a primeira leva de um total de 5 mil moradores de Mianmar que, conforme a capital da Malásia, Kuala Lumpur, concordaram com a repatriação “voluntária” a partir de centros de detenção, em meio a um aumento significativo de atitudes contrárias aos migrantes no país.
Entretanto, organizações que defendem os direitos humanos indicam que as condições severas nesses centros podem ter influenciado essas decisões, colocando essas pessoas diante do perigo de um retorno a Mianmar, onde os confrontos internos se agravaram após o golpe de Estado de 2021.
Em Genebra, Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, declarou que os migrantes não deveriam ser expulsos para Mianmar devido às atuais circunstâncias no território.
Na segunda-feira, um grupo rebelde local informou que 33 pessoas morreram e 36 ficaram feridas em um ataque aéreo do Exército a um mercado na região oeste do país.
No mesmo dia, equipes de resgate relataram que chuvas intensas, inundações e deslizamentos resultaram em oito mortes, 30 desaparecidos e grande destruição no sul de Mianmar.
“Este não é o momento de forçar a saída de ninguém para um país marcado por graves violações dos direitos humanos e abusos, onde muitos podem ser novamente vítimas de violência ao retornar”, afirmou em comunicado.
Nem a Malásia nem Mianmar divulgaram oficialmente o número de pessoas da minoria muçulmana rohingya incluídas no primeiro grupo, com preocupações de que possam ser enviadas a uma nação onde enfrentam perseguição que ativistas qualifiquem como genocídio.
Diversos ônibus chegaram nesta terça-feira ao estádio Majlis Perbandaran Manjung, próximo à base naval de Lumut, no noroeste da Malásia, protegidos por policiamento, onde os migrantes estão sendo processados.
Uma fonte de segurança de Mianmar, que preferiu manter o anonimato, informou que os navios designados para transportá-los devem chegar ao país ainda esta semana.
Os rohingyas correspondem a cerca de dois terços dos 190 mil refugiados e solicitantes de asilo de Mianmar atualmente residentes na Malásia, conforme dados da ONU.
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