Economia
Brasileiros têm 1,7 bi parados nas apostas proibidas: saiba como sacar
A decisão do presidente Lula de encerrar as apostas online no Brasil, por meio de uma medida provisória (MP), foi motivada pelo risco social associado ao alto endividamento das camadas mais vulneráveis da população. Esta medida suspende imediatamente as operações dos sites de jogos e apostas digitais no país.
O decreto permite que as plataformas permaneçam ativas somente até o dia 5 de outubro, prazo em que os apostadores podem retirar seus créditos acumulados. O Ministério da Fazenda avalia que há cerca de R$ 1,7 bilhão depositados pelos usuários nessas plataformas. A seguir, explicamos a norma e como sacar os valores antes do prazo final.
O que a proibição abrange?
A MP publicada na última sexta-feira proíbe de forma imediata a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de cota fixa, que são aquelas nas quais o prêmio está predeterminado, como em eventos esportivos. Também ficam vedados jogos online de linha, colisão, roletas virtuais, dados, sorteios e jogos de cartas como o Blackjack. Com isso, são anuladas as leis que legalizaram e regulamentaram esses jogos em 2018 e 2023, respectivamente.
Está bloqueado movimentar dinheiro nas apostas?
Desde a publicação da MP, os jogadores não podem mais efetuar depósitos ou transferências para as casas de apostas. O Banco Central bloqueará transferências via Pix e TED para essas empresas. CNPJs voltados para apostas online serão barrados em sistemas de pagamento.
Como sacar os créditos existentes?
Os sites deverão continuar ativos para que os usuários retirem seus saldos até as 23h59 do dia 5 de outubro. As empresas que impedirem ou dificultarem o saque estarão sujeitas a punições.
A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos devem ser retirados do ar. A Anatel poderá bloquear endereços que mantiverem atividades proibidas e retirar apps de circulação no Brasil. A partir desta data, não existirá oferta legal de jogos online no território nacional.
E se o usuário perder o prazo para sacar?
Haverá devolução automática por intermédio dos bancos. Entre 6 e 7 de outubro, as empresas informarão os saldos não resgatados, discriminados por CPF e conta, às instituições bancárias.
Os bancos farão o repasse entre 9 e 14 de outubro. Caso ocorram falhas, a Caixa Econômica Federal irá intermediar os pagamentos finais dos valores bloqueados.
Como ficam publicidades e patrocínios?
A MP proíbe novos contratos publicitários e de marketing relacionados a apostas. Campanhas firmadas antes da proibição poderão ser exibidas até 5 de outubro. A partir do dia 6, qualquer publicidade, física ou online, é ilegal.
Fiscalização pelo governo
O governo ampliou o uso de inteligência artificial para identificar e combater páginas ilegais, colaborando com órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal. Recursos obtidos de operações ilícitas serão confiscados e destinados à segurança pública.
Além disso, foi encaminhado ao Congresso um projeto criminalizando a oferta de apostas de cota fixa, com penas de reclusão de quatro a seis anos, multa, e aumento da pena caso se trate de jogos virtuais.
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e o Ministério da Justiça intensificaram ações para bloquear sites e operações ilegais, usando monitoramento digital e ações conjuntas com outras entidades. Por exemplo, o Laboratório de Operações Cibernéticas retirou 43 canais e grupos ligados à divulgação de apostas ilegais, com mais de 212 mil membros.
Identificação de plataformas irregulares e riscos
Se algum site ou aposta online estiver operando no Brasil após a MP, trata-se de atividade ilegal. Plataformas legítimas usam o domínio “.bet.br”, autorizado pela SPA, enquanto as irregulares usam domínios como “.com” ou “.net”.
Ao apostar em sites clandestinos, o risco é grande, incluindo golpes, não pagamento de prêmios, e exposição de dados pessoais a quem não oferece segurança, além da falta de mecanismos contra o vício.
Possíveis mudanças futuras
As novas regras só se tornam definitivas se aprovadas pelo Congresso em até 120 dias. Os parlamentares podem alterar, aprovar ou rejeitar a medida. Caso não seja apreciada no prazo, a regulamentação anterior volta a valer.
O período de recesso parlamentar e aprovação do Orçamento de 2027 podem estender a decisão ao início de março, quando os novos legisladores assumem.
As associações do setor, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), avaliam recorrer ao Supremo Tribunal Federal para contestar a legalidade da MP. A ANJL busca suspender a medida judicialmente de forma tranquila, respeitando as novas regras impostas.
Economia
Governo estende prazo para adesão ao Simples Nacional até 15 de outubro
O governo decidiu prorrogar o prazo para que micro e pequenas empresas possam aderir ao Simples Nacional até o dia 15 de outubro.
Para as empresas que já estão no regime e desejam optar pelo pagamento separado dos novos tributos da Reforma Tributária, IBS e CBS, o prazo para essa escolha é até 30 de outubro, referente ao primeiro semestre do próximo ano.
Essas alterações foram definidas pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), conforme a resolução nº 194 publicada no Diário Oficial da União.
Segundo o comitê, as mudanças aconteceram após discussões com o Sebrae e o Conselho Federal de Contabilidade.
Adesão ao Simples Nacional
Empresas interessadas em aderir ao Simples Nacional para o ano de 2027 devem solicitar a adesão até 15 de outubro através do Portal do Simples Nacional. A aprovação permite que a empresa ingresse no regime a partir de 1º de janeiro e a escolha não poderá ser revertida durante o ano.
Esse regime unifica diversos impostos em uma única guia, o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Empresas com faturamento entre R$ 3,6 milhões e R$ 4,8 milhões permanecem no DAS apenas para os tributos federais, pagando ICMS ou ISS de forma independente.
Caso haja negativa devido a dívidas ou pendências, a empresa poderá regularizar sua situação até 30 de outubro.
É importante destacar que o prazo é igual para todos, inclusive para aqueles que já solicitaram a adesão antecipadamente. Pedidos feitos no último momento terão prazos reduzidos para regularização.
Quem desejar desistir da adesão pode cancelar entre 3 de novembro e 20 de dezembro.
Como funciona a tributação
Diferente do MEI, cujo valor é fixo mensalmente, o Simples Nacional recolhe imposto de acordo com um percentual do faturamento. Para o comércio, as alíquotas variam entre 4% e 11,9%, enquanto para os serviços a faixa é de 6% a 17,5%, conforme o resultado anual.
Mudanças com a Reforma Tributária
A partir de 2027, a CBS substituirá os tributos federais PIS e Cofins, e o IBS assumirá de forma gradual ICMS e ISS, estaduais e municipais, nos anos seguintes.
Empresas no Simples podem continuar pagando esses impostos através do DAS ou optar pelo modelo regular (híbrido), pagando IBS e CBS separadamente, mantendo o DAS com alíquota reduzida.
Essa escolha referente ao primeiro semestre de 2027 deve ser feita até 30 de outubro, com possibilidade de cancelamento entre 3 de novembro e 20 de dezembro.
Como essa opção é semestral, uma nova janela será aberta em março de 2027 para o segundo semestre.
A decisão depende de fatores como tipo de produto ou serviço, perfil dos clientes e volume de despesas. No modelo regular, quem compra pode abater do imposto o valor pago nas etapas anteriores, o que não ocorre para quem fica no DAS integral.
Conforme Paulo Henrique Pêgas, professor de Contabilidade Tributária do Ibmec RJ, a desvantagem de permanecer no DAS é a impossibilidade de recuperar o imposto pago nas compras, o que pode encarecer produtos vendidos para outras empresas.
Este modelo híbrido é indicado para:
- Comércios varejistas que vendem produtos com alíquota zero de CBS e IBS, como hortifrúti, açougues, minimercados e pequenas mercearias, dependendo do mix de vendas;
- Prestadores de serviços na área da educação com receita mensal superior a R$ 200 mil;
- Empresas cujo principal cliente são outras empresas que utilizam o modelo regular para apurar CBS e IBS.
Pêgas ressalta que é essencial analisar detalhadamente receitas e despesas antes de decidir, já que a opção é semestral e pode variar entre períodos.
Ambos os pedidos são realizados no Portal do Simples Nacional, com código de acesso ou certificado digital.
O comitê recomenda não aguardar o último momento e seguir as informações oficiais da Receita Federal.
Calendário importante
- Até 15 de outubro de 2026: prazo para solicitar adesão ou retorno ao Simples Nacional para 2027;
- Até 30 de outubro de 2026: prazo para regularização de pendências que impeçam a adesão;
- Até 30 de outubro de 2026: prazo para escolher o regime regular de IBS e CBS para o primeiro semestre de 2027;
- De 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026: período para cancelar quaisquer opções feitas;
- 1º de janeiro de 2027: início da validade das opções escolhidas.
Economia
TST encerra greve da Caixa e ordena compensação dos dias parados
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu pelo término da greve e o retorno imediato dos funcionários da Caixa Econômica Federal às suas funções, após julgar o pedido de dissídio apresentado pela instituição bancária nesta terça-feira. Os dias de paralisação deverão ser compensados no prazo máximo de 180 dias.
O movimento grevista, que teve início em 10 de setembro, prejudicava o funcionamento do sistema de compensações, pagamento de benefícios sociais, além dos financiamentos habitacionais e para veículos no programa Mover, que oferece crédito facilitado para trabalhadores de aplicativo adquirirem motos e automóveis.
Na última sexta-feira, o ministro Maurício Godinho, do TST, já havia exigido que o comando da greve mantivesse o trabalho de pelo menos 60% dos empregados, sob risco de aplicação de multa.
A decisão proferida pelo TST nesta terça manteve o aumento salarial de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescido de 0,6%, válido de 1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2027. Tal correção foi fruto de negociação conjunta com a Federação Nacional de Bancos (Fenaban).
Em relação às outras cláusulas, as negociações ocorreram de forma individualizada, porém não houve consenso entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores, especialmente sobre o plano de saúde corporativo.
O relator do processo ressaltou que essa questão é um dos principais pontos de discordância entre a Caixa e os sindicatos.
A Caixa defende que o modelo atual do plano não é viável financeiramente, propondo o aumento das contribuições dos empregados, diante de um déficit previsto para este ano de R$ 740 milhões.
Já as entidades sindicais pediram uma auditoria contábil nas finanças do plano de saúde, solicitação que foi rejeitada pelo TST por entender que tal perícia poderia atrasar o andamento do processo.
Diante disso, o tribunal decidiu manter as regras estabelecidas na convenção coletiva anterior. Os valores do plano deverão ser reajustados pelo mesmo índice salarial, ou seja, INPC mais 0,6%, preservando todas as condições vigentes, inclusive a mensalidade do titular, que corresponde a 3,5% da remuneração, com limite máximo de 7% do salário.
Economia
Telebras fecha contrato de R$ 230 milhões com a União para serviços da Copa do Mundo Feminina
A Telebras firmou um acordo com a União, representada pelo Ministério das Comunicações (MCom), para fornecer serviços de engenharia de telecomunicações destinados à realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027. O valor total previsto para esse contrato é de R$ 230.525.371,93, com duração de um ano.
Conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o acordo inclui o fornecimento de uma solução dedicada de conectividade óptica para apoiar a Broadcast Contribution Network (BCN), além de serviços relacionados de acesso gerenciado à Internet (Local Breakout) para transmissão de áudio, vídeo, sincronismo e dados durante o evento.
A Telebras destacou que os pagamentos serão realizados conforme a execução, medição e aprovação dos serviços pela administração. Os valores estabelecidos são fixos e não sofrerão reajustes durante o período de um ano, a partir da data estimada de orçamento em 28 de julho de 2026, podendo ser reajustados posteriormente com base no Índice de Serviços de Telecomunicações (IST), mantido pela Anatel.
A empresa ressaltou que nem o Ministério das Comunicações, nem seus sócios ou administradores participaram do processo decisório interno da Telebras nem das negociações como representantes da estatal.
O contrato foi oficializado por meio da Dispensa de Licitação nº 90011/2026. O processo de tomada de preços foi conduzido pela parte contratante. Conforme consta no Termo de Referência, a contratação direta está fundamentada no artigo 75, que autoriza a contratação da Telebras para a execução dos serviços vinculados ao evento.
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