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Economia

ANP: Gas Release vai proibir uso do gás produzido pela Petrobras

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) propôs o Programa Gas Release para reduzir a concentração do mercado de gás natural no Brasil. A proposta impede que a Petrobras utilize em seu próprio suprimento o gás natural que a empresa produz, conforme apresentado durante uma reunião da diretoria da agência na sexta-feira, dia 7.

De acordo com a Lei do Gás de 2021, o Gas Release tem sido alvo de críticas severas da Petrobras, que domina o mercado com 59% de participação.

A ANP sugere que serão realizados leilões com o gás natural pertencente à União e com o gás adquirido de fornecedores terceirizados no território nacional, excluindo a Petrobras.

Segundo Mendes, presidente da ANP e ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a Petrobras compra gás natural de terceiros no país a US$ 3,8 por milhão de BTU e revende a US$ 12,4 por milhão de BTU.

A agência abrirá uma consulta pública de 45 dias para discutir as opções que visam diminuir o custo do gás natural e aumentar sua oferta.

“Nosso objetivo é fomentar uma concorrência real no atacado, aumentar a liquidez do mercado e tornar os preços mais transparentes e regulamentados”, afirmou Mendes ao apresentar a proposta.

Ele também ressaltou que as críticas ao Gas Release geralmente acontecem por falta de entendimento detalhado sobre o conteúdo da proposta.

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Economia

Variações rápidas na demanda de energia da IA causam danos em data centers

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As variações rápidas na demanda de energia dos data centers dedicados à inteligência artificial têm causado sobrecarga em equipamentos essenciais, resultando em falhas prematuras de baterias, geradores e sistemas de refrigeração.

Com a expansão acelerada da IA, essas falhas técnicas geram custos adicionais e problemas inesperados de confiabilidade. Mesmo breves períodos de indisponibilidade podem afetar a receita dos operadores desses centros.

Esse cenário ocorre num momento em que investidores e financiadores demonstram preocupação diante dos investimentos bilionários feitos pelas grandes empresas de tecnologia, principalmente devido à possibilidade de que essas instalações sofram um desgaste muito mais rápido do que o previsto.

Além disso, esses problemas representam uma possível instabilidade para as redes de fornecimento de energia, que já enfrentam desafios para assegurar estabilidade no fornecimento.

Amber Villegas-Williamson, consultora líder do Uptime Institute no Reino Unido, destaca que a IA provoca uma demanda energética sem precedentes: “É como acelerar demais o motor de um carro — ele se desgasta mais rápido do que se mantivesse uma velocidade constante.”

Embora data centers existam há décadas consumindo grandes volumes de eletricidade para garantir o funcionamento contínuo de serviços digitais, os centros dedicados à IA apresentam uma demanda muito maior e flutuante.

Oscilações no consumo, equivalentes à demanda de fábricas, cidades ou até metrópoles, podem surgir e desaparecer em segundos, causando choques repetidos que desafiam a durabilidade dos equipamentos.

Um único data center de 1 gigawatt consome energia equiparável a uma cidade como Boston, com até metade dessa demanda podendo ligar e desligar em poucos segundos, conforme explica Shannon Miller, fundador da Mainspring Energy.

Alguns complexos para IA, especialmente no Texas e em outras regiões dos EUA, são cinco vezes maiores, com consumo semelhante ao da cidade de Nova York.

A maior pressão ocorre durante o treinamento de novos modelos de IA, quando milhares de unidades de processamento gráfico (GPUs) operam simultaneamente e rapidamente ligam e desligam, elevando o consumo para até 50% acima da capacidade para a qual o centro foi projetado.

Drew Baglino, ex-executivo da Tesla e fundador da Heron Power Electronics Co., explica que uma instalação de 1 gigawatt pode consumir momentaneamente 1,5 gigawatts, exigindo equipamentos capazes de lidar com essas flutuações.

Entretanto, grande parte dos equipamentos atuais não suporta essas variações bruscas. Jon Parrella, CEO da Terraflow Energy, compara a situação a tentar trocar rapidamente de sexta para primeira marcha em um carro esportivo.

A reportagem baseou-se em entrevistas com mais de trinta especialistas em energia nos EUA e Europa, incluindo fabricantes e operadores de data centers, redes elétricas, reguladores e seguradoras, os quais confirmam os impactos físicos evidentes nas instalações.

Em algumas localidades, motores a gás natural usados para gerar energia apresentaram falhas, como rachaduras em turbinas relatadas em um data center da xAI em Memphis, Tennessee.

Para mitigar os impactos, baterias foram instaladas para suavizar as oscilações de energia, reduzindo a pressão sobre as turbinas. Porém, essas baterias frequentemente exigem substituição após poucas semanas ou meses devido ao alto desgaste.

Andrew Cunningham, CEO da GeoPura, relata incidentes semelhantes no Reino Unido, enquanto Jennifer Scanlon, CEO da UL Solutions, alerta que falhas em equipamentos podem causar arcos elétricos que danificam chips de IA.

Apesar da disponibilidade de tecnologias capazes de estabilizar a energia, sua utilização tem sido insuficiente diante da rápida expansão dos data centers para IA, segundo diversas fontes.

Os problemas causam atrasos nas operações e redução de receita em alguns centros, como evidenciado pelo adiamento do fornecimento de energia de um campus de IA no Texas do ano de 2027 para 2028, conforme relatado por Chris James, CEO da Joulent.

Ele enfatiza que data centers e sistemas de fornecimento energético devem ser projetados em conjunto para garantir operações eficientes e estáveis.

Jason Hoffman, diretor de estratégia da Switch, ressalta que a perda financeira maior não está na substituição de equipamentos, mas na capacidade de computação cara que fica indisponível.

A disponibilidade real de alguns centros tem sido próxima a 80%, abaixo do esperado, o que pode impactar investidores nos próximos anos.

Além dos impactos operacionais, os data centers de IA têm potencial para desestabilizar as redes elétricas, cuja manutenção é complexa devido ao envelhecimento dos equipamentos, aumento da demanda e eventos climáticos extremos.

A crescente geração intermitente de energia eólica e solar já representa um desafio, e a volatilidade provocada pela IA pode agravar ainda mais a situação, aumentando o risco de apagões.

Sreemant Roy, especialista da Schneider Electric, alerta que cargas dinâmicas podem provocar oscilações que danificam equipamentos em toda a rede.

Nos EUA, o órgão regulador NERC identificou os data centers como alto risco para a estabilidade da rede, exigindo medidas corretivas imediatas.

A Nvidia vem colaborando com especialistas para desenvolver GPUs e infraestrutura mais estáveis, conforme explica Dion Harris, diretor da empresa.

Operadores de data centers têm utilizado técnicas para suavizar oscilações, como a execução de cálculos paralelos simulados para manter a estabilidade das GPUs, embora essa prática seja criticada por desperdício de energia.

O National Laboratory of the Rockies, no Colorado, estabeleceu instalações de teste para integrar IA à rede elétrica com segurança, facilitando o desenvolvimento de soluções para mitigar os impactos.

Martha Symko-Davies, gerente do projeto no laboratório, destaca a importância de agir corretamente para garantir a sustentabilidade da infraestrutura energética diante do crescimento da IA.

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Economia

Fabricante Chinesa de Chips de IA se Prepara Para Abrir Capital em Hong Kong

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A empresa chinesa Moore Threads Technology, especializada em chips para inteligência artificial, anunciou planos para abrir seu capital na Bolsa de Valores de Hong Kong em um momento oportuno, após observar um crescimento de mais de 420% no valor de suas ações desde sua estreia na Bolsa de Xangai no ano anterior.

Com sede em Pequim, a companhia busca realizar uma oferta pública de ações para expandir sua estratégia internacional e atrair profissionais altamente qualificados para suas áreas de pesquisa, desenvolvimento e gestão, conforme comunicado publicado no último domingo.

No primeiro semestre, Moore Threads registrou um prejuízo líquido de 11,6 milhões de yuans (equivalente a US$ 1,72 milhão), uma redução significativa em comparação aos 270,9 milhões de yuans do mesmo período do ano anterior. Já a receita da empresa cresceu 147%, alcançando 1,74 bilhão de yuans entre janeiro e junho.

A organização declarou que considerará plenamente os interesses dos atuais acionistas e as condições tanto do mercado financeiro doméstico quanto internacional para escolher o momento ideal para concluir a oferta pública e a listagem.

A Moore Threads iniciou, ao final do ano passado, uma série de ofertas públicas iniciais de empresas chinesas relacionadas à inteligência artificial, arrecadando 8 bilhões de yuans em um processo que teve grande demanda.

As ações da companhia valorizaram 425% logo na estreia em Xangai, representando o maior salto no primeiro dia de negociação de uma empresa relevante desde as reformas chinesas de 2019.

Este desenvolvimento abriu caminho para uma sequência de listagens, incluindo a fabricante de chips de memória CXMT, que levantou 6,6 bilhões de yuans no segundo maior IPO da história do mercado acionário chinês, tornando-se a maior empresa listada na China.

Além disso, empresas chinesas que fazem parte da cadeia de suprimentos da inteligência artificial impulsionaram o crescimento das ofertas de ações em Hong Kong neste ano.

Até agora, as ofertas iniciais nessa cidade movimentaram mais de US$ 42 bilhões em 2026, atingindo o nível mais alto dos últimos seis anos. A Zhongji Innolight, fabricante de transceptores ópticos essenciais para a expansão dos data centers, captou US$ 6,8 bilhões no mês passado, marcando a maior estreia em Hong Kong em sete anos.

A Moore Threads está entre as concorrentes da Cambricon Technologies e da Huawei Technologies na disputa para preencher o espaço deixado pela saída da Nvidia do mercado.

Fundada em 2020 pelo ex-executivo da Nvidia, Zhang Jianzhong, a Moore Threads iniciou suas operações gerando receita com chips gráficos voltados para jogos e renderização visual, antes de direcionar seus esforços para aceleradores de inteligência artificial usados no processamento de grandes modelos de linguagem.

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Economia

S&P Global cria referência de preços para minerais importantes; EUA reconhecem iniciativa

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A S&P Global divulgou cinco relatórios iniciais que apresentam novos padrões de preço e análises das cadeias de suprimento de minerais essenciais, com a finalidade de aumentar a transparência e estabelecer um padrão confiável para que os agentes do mercado possam avaliar a oferta, demanda, custos e necessidades de investimento.

De acordo com a empresa, os documentos foram disponibilizados para iniciar um diálogo com produtores, processadores, consumidores, investidores e formuladores de políticas, visando aprimorar a qualidade das análises e fortalecer a compreensão sobre mercados estratégicos.

Os relatórios independentes apresentam uma visão detalhada dos fundamentos do mercado, desafios, custos e oportunidades para fortalecer a resiliência da oferta e a transparência, especialmente além das fontes concentradas de produção e fornecimento.

Esses cinco estudos abrangem tungstênio, NdPr (neodímio e praseodímio), antimônio, gálio e germânio, com planos de incluir outros minerais futuramente. A S&P Global também reconheceu as contribuições da Rovjok e do Project Blue.

Autoridades dos Estados Unidos destacaram positivamente essa iniciativa. O embaixador Jamieson Greer comentou que os novos padrões de preços são um avanço significativo para promover preços claros e orientados pelo mercado, auxiliando decisões de investimento e contratos de longo prazo, além de combater práticas e políticas que não se baseiam no mercado.

“O empenho e a criatividade do setor privado complementam as ações do governo do presidente Donald Trump para fortalecer as cadeias de suprimento. Estabelecer esses padrões ajudará nas negociações do Acordo sobre Comércio de Minerais Críticos”, afirmou Greer, adicionando que essa medida contribuirá para corrigir distorções e apoiar a criação de preços mínimos ajustados na fronteira.

O Departamento do Tesouro dos EUA também ressaltou que a definição de preços de referência para gálio, germânio, tungstênio, antimônio e neodímio/praseodímio representa um avanço importante para fomentar um sistema de preços mais orientado pelo mercado.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, ressaltou que preços transparentes e baseados no mercado são fundamentais para atrair investimentos privados em cadeias de suprimento seguras, resilientes e diversificadas. Ele afirmou ainda que referências confiáveis podem contribuir para enfrentar distorções e fortalecer as metas econômicas e de segurança nacional.

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