Economia
Queda nos preços de batata, alface e cebola, tomate sobe 18,13%
Os valores das principais hortaliças vendidas nos centros de distribuição mostraram, em agosto, uma tendência geral de redução, especialmente para alface e cebola, conforme o 9º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira, 22. Exceto pelo tomate, que teve aumento de 18,13%. Entre as frutas, a maioria teve queda, com destaque para o mamão, que baixou 10,9% na média ponderada.
A pesquisa da Conab engloba as cinco frutas (laranja, banana, mamão, maçã e melancia) e as cinco hortaliças (batata, cenoura, cebola, tomate e alface) com maior participação nas vendas nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do Brasil, que contribuem para o cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o levantamento, os preços da batata caíram em todas as Ceasas monitoradas em agosto. Na média ponderada, o tubérculo ficou 11,6% mais barato no atacado, custando em torno de R$ 2,63 por quilo. Essa redução após meses de alta reflete o aumento da oferta, ainda que menor que em julho.
Entre as hortaliças, cebola e alface também registraram diminuições em grande parte das capitais pesquisadas, com quedas de 13,8% e 14,8%, respectivamente.
Depois de alta desde março, a cebola teve preços mais baixos em nove das dez Ceasas avaliadas. A oferta permaneceu estável em relação a julho, com aumento do volume das regiões produtoras principais, como Minas Gerais e São Paulo, que juntas representam metade do volume negociado nas centrais.
Para a alface, apesar da oferta ter reduzido 4,3% em comparação a julho, a produção da safra de inverno foi suficiente para atender à demanda. Além disso, as chuvas em algumas áreas produtoras não impactaram significativamente a produção e colheita.
Os preços da cenoura ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,88% após queda em julho.
O tomate foi a única hortaliça que apresentou valorização na maioria dos centros atacadistas, com aumento de 18,13% na média ponderada. Isso ocorreu após o pico da safra de inverno em julho, quando a oferta e os volumes vendidos diminuíram devido a condições climáticas influenciando a maturação, segundo a Conab.
Frutas
A venda de frutas nas Ceasas cresceu 4,5% em agosto. O mamão caiu de preço em 70% dos locais monitorados, com média ponderada 10,9% menor. A oferta aumentou das variedades formosa e papaia, refletindo o maior envio das regiões produtoras do sul da Bahia e norte do Espírito Santo, conforme informou a Conab.
A melancia registrou queda de 3,24% na média ponderada, apesar da maior demanda pelo calor, devido ao aumento da oferta, principalmente nas regiões de Goiás e Tocantins, que lideram a produção até outubro. Apesar do aumento dos custos, a alta produtividade tem garantido bons lucros aos produtores.
A laranja teve redução de 0,95% na média dos preços, com aumento de 1,68% na oferta das centrais atacadistas na região citrícola, o que elevou a disponibilidade para o atacado e varejo.
Depois de um período de queda, a maçã valorizou 2,72% na média ponderada. A Conab destacou que isso se deve ao consumo gradual dos estoques em câmaras frias e maior comercialização. A safra 2025/26 teve produtividade superior, aumentando a oferta das variedades Fuji e Gala, principalmente das regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Embora tenha apresentado queda em seis das dez Ceasas, a banana teve a maior valorização entre as frutas, fechando agosto com alta de 4,32%. Variações na oferta e demanda durante o mês e a qualidade das frutas influenciaram os preços.
Economia
Casa Branca vai suspender exportação de diesel dos EUA por 90 dias
A Casa Branca está organizando um plano para interromper as exportações de diesel por um período de 90 dias, buscando diminuir o custo do combustível dentro do país, segundo informações obtidas pelo site americano Politico com cinco fontes.
Essa iniciativa conta com o apoio do presidente Donald Trump, porém não é unânime dentro do governo e enfrenta críticas do setor petrolífero. Se a proibição for implementada, isso poderá impactar o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome.
O processo legal para estabelecer a restrição das vendas de diesel para o mercado externo ainda está sendo elaborado. Recentemente, Trump afirmou que apoiaria a ação, visando atender interesses político-eleitorais.
Senadores que disputarão as eleições de meio de mandato em novembro estão pressionando a aprovação do veto, argumentando que ele contribuiria para a redução do preço do diesel.
De acordo com o Politico, qualquer suspensão nas exportações representaria a primeira restrição desde que o governo de Barack Obama revogou, em 2015, uma proibição que durava décadas sobre a exportação de petróleo.
Economia
Crescer no negócio exige boa gestão e controle
Montar um negócio geralmente vem junto com a ideia de que vender mais sempre leva a ganhar mais dinheiro. Mas aumentar o faturamento nem sempre significa ter mais dinheiro sobrando no caixa. Com o crescimento da empresa, aumentam também os gastos, as decisões se tornam mais complexas e as exigências de gestão crescem, o que faz do crescimento descontrolado um risco para a empresa.
Esse cenário é ainda mais importante no Brasil, onde o empreendedorismo tem crescido bastante. Segundo dados do Sebrae, em 2025 foram abertas 5,1 milhões de empresas no país. Porém, Macário Moraes, empresário e investidor fundador da CSE Growth Capital, diz que vender mais precisa ser acompanhado de organização interna para a empresa ser sustentável.
“Quando o lucro e a gestão não acompanham o crescimento, a empresa acaba trabalhando sob pressão e com pouca previsibilidade. O dono trabalha mais, a equipe fica perdida, as decisões viram urgentes e o negócio pode acabar criando problemas ao invés de valor”, explica Macário.
Macário Moraes reforça que tentar crescer rápido sem planejar bem é um dos principais erros que enfraquecem as finanças. Entre os erros comuns estão confundir faturamento com lucro, ampliar a estrutura sem analisar margens, assumir dívidas sem planejamento e centralizar todas as decisões no dono da empresa.
“Uma empresa saudável precisa de três coisas: lucro, boa gestão e capacidade para executar o que planeja. Sem isso, vender mais pode parecer bom no início, mas logo vira problema financeiro”, destaca o investidor.
Esse alerta acontece no momento em que o endividamento das empresas no Brasil está alto. Um estudo da Serasa mostra que em julho de 2026 havia 9,2 milhões de empresas com dívidas, totalizando R$ 238,6 bilhões, o maior valor registrado.
Macário Moraes afirma que diante desse contexto é fundamental acompanhar os números financeiros e entender claramente os resultados do negócio.
“A primeira medida é conhecer bem os números. Muitos donos sabem quanto vendem, mas não têm clareza do que sobra de lucro. A segunda é separar crescimento real de crescimento apenas para impressionar. Abrir uma nova unidade, contratar mais pessoas ou lançar um produto só faz sentido quando há margem financeira, demanda comprovada, equipe capacitada e capacidade de realizar o que foi planejado”, aconselha.
Outro ponto importante que o especialista destaca é a dependência excessiva do dono da empresa, que limita o crescimento e cria dificuldades operacionais.
“O papel do empresário é fazer com que a empresa cresça dando trabalho aos outros. Funcionário mantém a empresa funcionando, por isso se chama funcionário. O empresário precisa criar rotinas eficientes para cuidar do caixa, margem, equipe, clientes, oportunidades e riscos”, explica.
Macário conclui dizendo que as práticas de gestão e o uso de indicadores não são só para grandes empresas, mas essenciais também para pequenos e médios negócios. “Uma boa empresa não é apenas a que vende muito. É a que sabe por que vende, quanto ganha, como entrega, quem realiza o trabalho e como crescer sem prejudicar as finanças nem a energia de quem lidera”, finaliza.
Economia
CNJ determina devolução de R$ 4,7 bilhões à União por precatórios de usinas
O Corregedor Nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, ordenou o cancelamento de 16 precatórios do setor sucroalcooleiro, somando um total de R$ 4,7 bilhões, com a consequente devolução dos valores aos cofres públicos.
A decisão decorre de uma solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU) e envolve precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido parte de seus créditos ao Banco Master.
Os valores estavam bloqueados em contas judiciais desde dezembro de 2023, em cumprimento a uma determinação da Justiça Federal do Distrito Federal emitida um ano antes.
O cancelamento não alcança os precatórios que o Master transferiu um mês antes de sua liquidação à empresa Entre Investimentos, associada ao banqueiro Daniel Vorcaro e controlada pelo delator Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
A AGU argumentou que os precatórios alvo da decisão do CNJ foram expedidos antes da conclusão integral da ação que buscava a execução dos valores por parte das usinas.
No dia 10 recente, a própria Justiça Federal anulou a expedição dos precatórios, alinhando-se à interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve os valores bloqueados.
Diante disso, a AGU recorreu ao CNJ para que fosse restabelecida a anulação dos precatórios e determinada a devolução dos valores.
Conforme a decisão, o Tribunal dispõem de cinco dias para cancelar os precatórios e restituir os montantes, com seus respectivos rendimentos, ao Tesouro Nacional.
O despacho também proíbe qualquer movimentação, transferência, emissão de alvará ou pagamento de honorários relacionado aos casos até a efetivação da devolução.
O Banco Master contratou os escritórios das advogadas Camilla Ramos e Dalide Corrêa para representá-lo em litígios judiciais relacionados a precatórios. Camilla Ramos foi apontada em investigações da Polícia Federal como parte da “turma do KN”, possível referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques. Já Dalide Corrêa trabalhou com o ministro Gilmar Mendes.
Procurado para comentar, Kassio Nunes Marques negou ter votado a favor de Vorcaro ou do Master, afirmou não ter trocado mensagens com o banqueiro nem solicitado qualquer favorecimento. O ministro também esclareceu que nunca autorizou ninguém a representá-lo em seu nome, classificando como “irresponsáveis” as tentativas de associar sua atuação a serviços prestados por seu filho ou terceiros.
Kassio Nunes Marques ressaltou que seu voto no STF reflete sua posição anterior como desembargador e que a tese aplicada alcança diversas empresas, não se direcionando especificamente ao banco.
O escritório de Camilla Ramos informou ter contrato de quase três anos com o Master para atuar em processos judiciais específicos conforme o contrato, negando ter recebido honorários do banco.
Adicionalmente, a banca afirma que nenhum dos casos sob sua atuação tramita no STF, não tendo vínculo com ministros daquela Corte ou conhecimento de negociações envolvendo precatórios pelo Master com terceiros.
A defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou, mas já declarou estar à disposição das autoridades.
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