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Milei retoma críticas a Lula e aumenta tensão entre Argentina e Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou a crise diplomática ao retomar suas críticas contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo. O aliado de Flávio Bolsonaro chamou o petista de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista à emissora local LN+.
— Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico — afirmou Milei, questionando a anulação das condenações do petista na Operação Lava-Jato.
Milei manteve o tom das suas declarações anteriores e rejeitou as críticas vindas do governo brasileiro.
— O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar.
Essa fala acontece em meio a uma crescente tensão entre as autoridades dos dois países, que se agravou após a participação de Milei na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto no mês passado.
Entenda a escalada da tensão
Durante um evento, Milei mencionou as condições econômicas da Argentina ao assumir o cargo, relacionando-as ao socialismo. Ele criticou o Foro de São Paulo, que afirmou ter sido “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional fundamental para a propagação do comunismo na América Latina”.
— O que quero dizer é que o Brasil ainda não enfrentou as consequências mais negativas e profundas desse modelo, mas pode enfrentá-las se não mudar o rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir barrar o socialismo — declarou.
O presidente argentino ainda chamou Lula de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de “lixo careca”, após a negativa do pedido de visita a Jair Bolsonaro.
No dia seguinte, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, recebeu o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar a insatisfação do governo com as declarações do presidente argentino.
Na reunião, o chanceler transmitiu a rejeição do governo às críticas dirigidas a Lula, às instituições brasileiras e a Moraes.
A reunião ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores convocar formalmente o representante argentino para prestar esclarecimentos sobre o comportamento de Milei em solo brasileiro. Segundo o MRE, o governo considerou sem precedentes que um chefe de Estado estrangeiro use uma visita ao Brasil para atacar o presidente da República, as instituições democráticas e o povo brasileiro.
“Não há precedente de um presidente estrangeiro que, em território nacional, faça agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que este episódio vergonhoso envolva o presidente de uma nação que tem com o Brasil 203 anos de amizade e cooperação e que é seu principal parceiro comercial”, afirmou o MRE.
Brasil
Concursos públicos são permitidos durante período eleitoral
O calendário eleitoral começou a ser cumprido no Brasil com a oficialização dos primeiros candidatos em convenções partidárias. Mesmo em ano de eleições, a legislação do país permite a realização de concursos públicos. Até o fim de 2026, há dois certames com edital publicado e outros cinco com banca definida.
O concurso da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) está com inscrições abertas até o dia 6 de agosto no site da Fundação Getulio Vargas.
Os interessados em pleitear uma vaga para a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores (ABGF) podem se inscrever até 6 de agosto no site da Fundação Carlos Chagas.
Existem também concursos com banca definida, porém sem edital publicado, para Petrobras, Indústrias Nucleares do Brasil, Conselho Federal de Enfermagem, Conselho Federal de Contabilidade e Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).
Legislação
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a realização de concursos públicos em ano eleitoral é autorizada. As restrições legais são aplicáveis apenas às nomeações e ao provimento de cargos durante o período eleitoral.
“A execução de concursos públicos em ano eleitoral é totalmente permitida e não sofre nenhuma limitação. Entretanto, a legislação impõe restrições ao provimento de cargos dentro do período de campanha eleitoral”, explica o TSE em seu site.
“Nos três meses que antecedem as eleições até a posse dos eleitos, com algumas exceções, os governantes não poderão convocar aprovados em concursos para ocupar cargos públicos”, complementa o tribunal.
Estudos
Portanto, o ano eleitoral ou o período das campanhas políticas não devem desencorajar aqueles que desejam ingressar no serviço público.
“A necessidade está clara, existe previsão orçamentária e já há uma estrutura preparada para efetivar esses processos. Assim, não pode haver desânimo. Este é justamente o momento oportuno”, avalia Eduardo Cambuy, coordenador do Gran Concursos.
Ele sugere que os estudos comecem pelas disciplinas básicas, que são fundamentais para diversos concursos e possuem maior relevância em cada área. “Por isso, essas matérias precisam ser valorizadas para que o candidato otimize seu tempo.”
Notícias
Pesquisa BTG/Nexus mostra empate técnico entre Lula e Flávio no 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro em uma possível disputa de segundo turno nas eleições presidenciais de outubro, conforme pesquisa realizada pelo BTG/Nexus e divulgada na segunda-feira, dia 3.
Segundo o levantamento, Lula tem 46% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 45%. Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou nenhum dos candidatos somam 8%, e 2% disseram não saber em quem votar. Na pesquisa anterior, feita em 27 de julho, Lula tinha 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro, também com empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No cenário contra Ronaldo Caiado (PSD), o empate técnico permanece, com Lula alcançando 46% e o ex-governador de Goiás marcando 42%. Os votos brancos, nulos ou nenhum totalizam 10% e 3% dos eleitores não sabem em quem votar. Em 27 de julho, na mesma simulação, o presidente liderava com 45% contra 43% de Caiado.
Contra o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) em um eventual segundo turno, Lula venceria por 46% a 40%. Os votos brancos, nulos ou nenhum somam 10%, e 3% dos entrevistados estão indecisos. Na pesquisa anterior, os números foram 46% para Lula e 42% para Zema.
Se o opositor for o ativista Renan Santos (Missão), Lula seria reeleito com 47% dos votos contra 37% do adversário. Brancos, nulos ou nenhum totalizam 13%, com 3% de indecisos. Na pesquisa passada, Lula liderava por 47% a 39%.
A pesquisa, realizada pela Nexus, entrevistou 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, por telefone, entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-02874/2026.
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Flávio Bolsonaro promete aceitar resultado da eleição e pede mais transparência nas urnas
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, declarou que respeitará o resultado da eleição deste ano. A afirmação foi feita em entrevista ao programa “Canal Livre”, transmitido neste domingo pela TV Band.
Ele afirmou: “Eu vou aceitar o resultado da eleição. Vou participar seguindo essas regras, e estou confiante que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), diferente do que foi em 2022, será imparcial e tomará todas as medidas para garantir uma eleição mais segura e transparente, pois o maior interessado na normalidade do processo eleitoral é o próprio TSE.”
No mês anterior, Flávio mencionou informações incorretas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, solicitando a diplomatas estrangeiros que enviem o máximo possível de observadores para o pleito de outubro. O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível devido a encontros em que criticou o sistema eleitoral, citou dados falsos vinculados a uma empresa venezuelana aparecida em documentos da CIA divulgados pela administração Trump recentemente.
Durante a entrevista, Flávio pediu maior transparência ao TSE em relação aos equipamentos utilizados para votação.
Ele explicou: “Tenho solicitado que o TSE implemente mais camadas de transparência” após ser informado que a empresa venezuelana nunca fabricou urnas usadas no Brasil. O senador complementou: “Apenas peço mais níveis de segurança para as urnas eletrônicas.”
Flávio Bolsonaro considerou sua candidatura como uma forma de protesto contra o que classificou como perseguição ao seu pai. Ele também falou sobre a indefinição da candidata a vice em sua chapa.
Ele comentou: “Continuamos conversando. Temos até 5 de agosto para definir. Todos sabem da minha preferência por escolher uma mulher capaz e que contribua positivamente para a chapa.”
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