Mundo
Irã quer abrir Estreito de Ormuz em uma semana
O Irã encaminhou uma proposta aos Estados Unidos para que o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital e foco do conflito entre as duas nações, seja reaberto no prazo de sete dias, informou o ministro das Relações Exteriores iraniano a várias mídias internacionais.
Abbas Araghchi, presente em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, comunicou as condições iranianas para liberar o estreito ao representante americano Steve Witkoff na terça-feira (22). O tráfego naval na região tem enfrentado inúmeros obstáculos desde o início das tensões no Oriente Médio.
“Se as condições forem cumpridas, o estreito será acessível em até sete dias e as conversas terão início”, explicou Abbas Araghchi a veículos como The New York Times e The Guardian.
A agência japonesa Kyodo foi a primeira a veicular essa proposta vinda de Teerã, citando uma fonte oficial iraniana. Entretanto, a imprensa local desmentiu a divulgação e até o momento não houve posicionamento formal do governo.
O Irã estabeleceu sete pré-requisitos para encerrar o conflito e permitir o trânsito pelo Estreito de Ormuz.
De acordo com Araghchi, citado por The New York Times, as condições incluem um cessar-fogo de sete dias abrangendo toda a região, incluindo o Líbano; o desbloqueio de recursos financeiros iranianos congelados, estimados em cerca de 12 bilhões de dólares (62,1 bilhões de reais); o levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano; e o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA ao Irã.
Na conclusão do sétimo dia, o Irã reabriria o Estreito.
Abbas Araghchi aguarda a resposta de Washington e destaca que a China, cujo presidente está em visita oficial nos Estados Unidos, manifesta apoio à proposta.
Em entrevista exclusiva dada à AFP na terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Mohebi, também indicou o término das hostilidades no Iêmen como uma das condições.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega iraniano, Masoud Pezeshkian, firmaram em junho um protocolo para encerrar o conflito, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar diálogos sobre o programa nuclear da República Islâmica.
Porém, interpretações divergentes levaram à retomada dos confrontos na região.
O Irã insiste na necessidade de autorização para a passagem de embarcações pelo estreito, por motivos de segurança e soberania. Navios que descumprem essa exigência são alvo de ataques, enquanto os Estados Unidos realizam bombardeios ocasionais na costa iraniana.
Mundo
Partido de Putin ganha eleição legislativa na Rússia com grande vantagem
A Rússia divulgou na sexta-feira (25) os resultados finais das eleições legislativas realizadas na semana anterior, confirmando uma vitória expressiva para o partido do presidente Vladimir Putin e a eleição de 46 soldados ou veteranos do conflito na Ucrânia como deputados.
Durante uma coletiva de imprensa, a Comissão Eleitoral Central informou que 349 das 450 cadeiras da Duma, a câmara baixa do Parlamento, pertencem ao partido Rússia Unida, associado a Putin.
Esse é o maior número de cadeiras conquistado pelo partido desde que Putin assumiu o poder no final de 1999. O recorde anterior foi nas eleições de 2016, com 343 cadeiras.
As eleições ocorreram entre os dias 18 e 20 de setembro, incluindo também os territórios ucranianos controlados e anexados pela Rússia.
Somente partidos favoráveis a Putin e ao prosseguimento do conflito na Ucrânia puderam participar. O partido abertamente contrário à guerra, Yabloko, foi proibido.
O jornal investigativo no exílio Novaya Gazeta Europa, banido na Rússia por ser classificado como uma “organização indesejável”, relatou ter entrevistado observadores, candidatos e membros de partidos que apontaram várias fraudes nas eleições.
Entre as irregularidades mencionadas estavam pressão sobre eleitores, problemas nas cédulas, falhas na contagem dos votos e limitações no acesso dos observadores ao processo eleitoral.
De acordo com os dados oficiais, o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF) conquistou 37 cadeiras, o partido nacionalista LDPR, 23, o partido Novo Povo, 19, o partido Rússia Justa, 17, e o partido Rodina (“Pátria”), 1 cadeira.
Além disso, quatro cadeiras foram preenchidas por deputados independentes.
Estas eleições também destacam a entrada no Parlamento de indivíduos que combatiam na Ucrânia.
Conforme a Comissão Eleitoral, 46 deputados eleitos, correspondendo a mais de 10% do total, são participantes ou veteranos da ação militar contra a Ucrânia.
Desses, 41 pertencem ao partido Rússia Unida, conforme informado pela mesma fonte.
Mundo
Moradores de Gaza vivem em prédios que correm risco de cair
Na cidade de Gaza, Heba Arafat caminha com cuidado pelo chão desnivelado de seu apartamento, pois os ataques israelenses danificaram as fundações do edifício, deixando-o perigosamente inclinado.
Como muitos outros habitantes da Faixa de Gaza, essa mulher de 47 anos escolheu voltar para uma residência prejudicada pela guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, conflito durante o qual a região palestina foi fortemente bombardeada.
“Não temos outra opção senão morar aqui; não há para onde ir. Todas as casas foram destruídas, o solo devastado, não restou nada para nós”, lamenta Heba.
Ela, junto com seu esposo e seis filhas, deixou a área no ponto mais crítico da guerra iniciada em outubro de 2023 com o ataque inesperado do Hamas contra Israel.
Depois do cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, que diminuiu, mas não acabou totalmente, os bombardeios israelenses, ela retornou. Encontrou o térreo de seu prédio de quatro andares, onde vivem atualmente 30 pessoas, desabado, dano que ela atribui a uma operação terrestre israelense.
Como acontece na maioria dos edifícios, as explosões destruíram as janelas; lençóis foram usados nas molduras para preservar um pouco de privacidade.
Segundo a ONU, até outubro de 2025, 84% da infraestrutura da Faixa de Gaza tinha sido destruída ou seriamente danificada, e 2.000 edifícios estavam em risco real de desabamento, conforme relatório da Defesa Civil de Gaza, entidade humanitária subordinada ao Hamas.
Recentemente, 21 pessoas, entre elas 12 crianças, perderam a vida na Cidade de Gaza devido ao colapso de um prédio de seis andares. As autoridades locais afirmam que o prédio foi alvo de múltiplos ataques durante o conflito, informação negada por Israel.
“Estamos com muito medo desde que soubemos dos desmoronamentos. O perigo é ainda maior do que pensávamos”, comenta Heba Arafat, manifestando sua preocupação. “Mas para onde poderíamos ir? Tememos que paredes ou telhados possam cair sobre nós, por isso nos encolhemos ainda mais”, acrescenta.
Ameaça à vida
Autoridades municipais na Cidade de Gaza patrulham as ruas para identificar e reportar prédios em situação crítica.
“Esses edifícios representam um risco concreto à segurança de quem está abrigado neles, assim como a vida de moradores próximos e dos deslocados”, ressalta Hosni Muhanna, porta-voz da prefeitura.
Mesmo assim, “milhares de deslocados são obrigados a procurar proteção nesses prédios quase a ponto de ruir”, reconhece, “para escapar das condições precárias dos campos de refugiados, expostos ao calor e frio extremos”.
Grandes acampamentos foram montados para abrigar a maioria da população desalojada, porém, a qualidade de vida nestes locais, incluindo questões de higiene, é muito ruim.
Como a economia local está paralisada, muitos habitantes dependem da ajuda internacional, que enfrenta diversos obstáculos impostos por Israel.
Essas restrições bloqueiam a entrada de equipamentos necessários à reconstrução, sob justificativa de possível uso militar, apesar da clara necessidade apontada pela população e organizações não governamentais.
Máquinas para construção, essenciais para remoção de escombros, peças de reposição e lubrificantes indispensáveis ao funcionamento, estão entre os itens bloqueados, conforme relatado por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.
As negociações para um acordo de paz estão paralisadas há meses, atrasando os esforços de reconstrução previstos.
As necessidades são imensas: uma avaliação conjunta das Nações Unidas, Banco Mundial e União Europeia, publicada em abril, calcula um custo superior a 69 bilhões de dólares (equivalente a 357 bilhões de reais) para os próximos dez anos.
Mundo
Pontos principais da reunião entre Trump e Xi nos EUA
Entre a guerra no Oriente Médio, uma disputa comercial com impacto global e as preocupações sobre a inteligência artificial fora de controle, os desafios na relação entre China e Estados Unidos são grandes.
Esses temas foram discutidos pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping durante a cúpula realizada na quinta-feira (24), embora de maneira superficial. O que mais chamará atenção foi a recepção luxuosa que a Casa Branca ofereceu ao líder chinês.
Exibir poder acima de tudo
Donald e Melania Trump se esforçaram ao máximo para, no mínimo, igualar a hospitalidade do casal Xi Jinping e Peng Liyuan, que foram anfitriões em maio: houve uma recepção pessoal no aeroporto na quarta-feira, uma exibição de trombetas e bandeiras na chegada à Casa Branca na quinta-feira, um jantar de gala com mais de 130 convidados, incluindo grandes nomes da indústria de tecnologia americana e cerca de 20 membros da delegação chinesa; e como destaque, um convite especial para visitar as obras do futuro salão de baile da Casa Branca.
Trump afirmou que ele e Xi mantêm uma “grande amizade verdadeira”.
Xi, com seu estilo reservado, falou mais sobre a “relação pessoal” e destacou a importância de que as duas potências “coexistam pacificamente”, apesar das diferenças.
Ele ainda reafirmou o alerta contra a “armadilha de Tucídides”, uma teoria política que prevê maior chance de conflito quando uma potência emergente como a China compete com uma potência estabelecida como os Estados Unidos.
“A ideia era exibir poder”, comenta Ryan Hass, do think-tank Brookings. “A mensagem era que ambos os líderes conseguem administrar as relações entre China e Estados Unidos dentro de um nível tolerável de competição. Nenhum deles esperava muito do outro”, complementa.
Especificamente, Xi prometeu convidar 100 mil jovens americanos para programas de intercâmbio na China durante cinco anos e ceder dois pandas a um zoológico em Atlanta.
Taiwan, limite sensível
Após as cerimônias, Xi Jinping expressou duas preocupações centrais em sua conversa com Trump.
Ele enviou a mensagem para que os Estados Unidos tratem a questão de Taiwan “com cautela”, segundo informou a agência Xinhua. Xi pediu diretamente que os EUA se oponham à independência de Taiwan, que a China considera parte do seu território.
Bates Gill, pesquisador do Escritório Nacional de Pesquisa Asiática, acredita que os EUA não mudarão sua postura: “O presidente Trump pode fazer declarações contrárias à política americana tradicional, mas isso não indica mudanças reais”.
Xi também manifestou o desejo de que os Estados Unidos e Irã alcancem um acordo “o mais rápido possível” por meio de negociações.
A China, parceira importante do Irã, sempre foi contra a guerra iniciada pelos EUA e Israel, que causa sofrimento na região. Washington espera que Pequim tenha influência para fazer Teerã ceder.
Inteligência artificial
A rivalidade também envolve a questão da inteligência artificial. Ambos os países têm a responsabilidade de garantir que o avanço da IA continue sob controle humano, afirmou Xi.
Trump, por outro lado, declarou em sua rede social Truth Social que prefere que a inteligência artificial permaneça “exatamente como está”, fazendo referência aos pedidos por regulamentação.
“Existe um consenso geral sobre os riscos da IA, mas não sobre como controlá-los”, diz Dylan Loh, da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura. A profunda desconfiança e a crescente competição dificultam avanços na governança da IA, aponta.
Pausa na guerra comercial
Estender a trégua na guerra comercial, que abalou a economia mundial, até 2025 foi um dos temas da cúpula. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou antes da chegada de Xi que o acordo foi fechado, mas válido apenas até 10 de janeiro.
Xi comemorou o “acordo”, conforme informou a agência Xinhua, sem dar mais detalhes.
Especialistas dizem que isso ajuda Trump a administrar as eleições de meio de mandato previstas para novembro.
Alguns integrantes do governo americano pretendem estabilizar as relações temporariamente, enquanto buscam reduzir a vulnerabilidade dos EUA perante Pequim, comenta Jared Mondschein, diretor de pesquisa do Centro de Estudos dos Estados Unidos na Universidade de Sydney.
Porém, Mondschein não acredita em mudanças profundas ou duradouras na rivalidade estratégica entre os países.
“Os chineses esperavam uma extensão maior da trégua, mas também são realistas”, conclui Dylan Loh.
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