Economia
Crescimento de MEIs em Pernambuco chega a 17% no ano
Pernambuco registrou a criação de 78,2 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) de janeiro a julho de 2026, representando um aumento de 17% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Mapa de Empresas do governo federal. Isso eleva o número total de MEIs ativos no estado para 401.471.
Segundo Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, esse crescimento está ligado, entre outros motivos, à facilidade de formalização que o MEI proporciona, permitindo ao trabalhador obter CNPJ, emitir notas fiscais e acessar serviços financeiros exclusivos.
“O MEI serve como um primeiro passo para a formalização de muitas atividades econômicas. Quando observamos um crescimento tão significativo, indica que mais pessoas estão profissionalizando suas atividades individuais. A partir disso, surgem novas demandas de gestão, organização financeira e planejamento para garantir a sustentabilidade desses negócios”, comentou ele.
A maior parte das novas inscrições está concentrada na capital, com 19.652 MEIs abertos no Recife entre janeiro e julho, o que corresponde a cerca de 25% das formalizações no estado. Jaboatão dos Guararapes e Caruaru aparecem na sequência, com 8.667 e 5.392 novos registros respectivamente. Juntos, esses três municípios representam quase 43% das novas formalizações em Pernambuco nesse período.
O número de encerramentos de MEIs também cresceu, porém em ritmo menor que as aberturas. Foram extintos 40.749 MEIs no estado entre janeiro e julho de 2026, contra 36.192 no mesmo período do ano anterior, um aumento de 12,6%. Assim, Pernambuco registrou um saldo positivo de 37.474 MEIs no período.
Artur destacou: “Após a formalização, o desafio é transformar o registro em um negócio sustentável, exigindo que o empreendedor monitore receitas e despesas, controle o fluxo de caixa, separe finanças pessoais das empresariais e planeje o capital necessário para manter as operações. Esses cuidados são cruciais em negócios onde o próprio empreendedor desempenha a maioria das funções administrativas.”
Setor varejista impulsiona crescimento
O comércio varejista representa um importante elo entre o perfil dos pequenos empreendedores e a economia do estado. Para Artur, a forte presença desse setor evidencia a necessidade de uma gestão financeira próxima do dia a dia do negócio.
“O pequeno comerciante lida diariamente com vendas, reposição de estoque, pagamento a fornecedores e formação de preços. Ter clareza sobre o fluxo de caixa e a necessidade de capital de giro é essencial para manter a operação e aproveitar oportunidades de expansão”, explicou.
No Sicredi, a carteira de crédito para empresas varejistas em Pernambuco alcançou R$ 69,30 milhões em julho de 2026, um aumento de 38,5% em 12 meses. Para Artur, a relação próxima com os empreendedores distingue o modelo cooperativo de crédito.
“A cooperativa busca entender a realidade de cada empreendedor e oferecer soluções que atendam ao momento atual do negócio, desde serviços financeiros e orientação para organizar o caixa até opções de crédito e investimentos, sempre considerando a capacidade financeira e os objetivos da empresa. O objetivo é construir uma parceria duradoura que acompanhe o crescimento do negócio”, concluiu.
Economia
Petrobras evita reajustes diários no preço do diesel, diz Magda
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou nesta quinta-feira que a empresa não pretende realizar reajustes diários no preço do óleo diesel nas refinarias. A declaração veio após o anúncio do ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, indicando a manutenção por mais 30 dias da subvenção econômica ao combustível, no valor de R$ 2,12 por litro.
A dirigente explicou que a Petrobras considera confortável o cenário atual dos preços enquanto as cotações do petróleo caírem. Dessa forma, a empresa não tomará decisões imediatas sobre reajustes, preferindo analisar as condições a cada 15 dias.
O desconto concedido pelo Tesouro para manter o diesel com preços mais baixos tem sido uma ferramenta para conter os impactos econômicos do conflito internacional no Oriente Médio, que envolve os EUA, Israel e Irã. Essa política de subsídios também possibilitou que a Petrobras realizasse ajustes nos preços, equilibrando-os com os valores internacionais quando necessário.
Bruno Moretti anunciou a prorrogação da subvenção, que totaliza R$ 2,12 por litro, combinando os valores anteriores de R$ 1,12 e o novo desconto de R$ 1 por litro. Essa estratégia visa manter o equilíbrio entre os preços domésticos e externos do diesel, situação importante para evitar prejuízos nas operações de importação realizadas tanto pela Petrobras quanto por importadores privados.
A presidente destacou a volatilidade do mercado internacional de petróleo, mencionando que o preço oscila frequentemente devido a declarações e acontecimentos nos EUA. Por isso, reforçou que a empresa não reagirá às flutuações diárias, evitando políticas que possam prejudicar a participação da Petrobras no mercado nacional.
Magda também comentou sobre os efeitos da política de preços de paridade internacional (PPI), aplicada durante gestões anteriores, ressaltando que a empresa perdeu participação de mercado ao seguir essa política com rígida frequência de reajustes.
Sobre a produção nacional, a executiva enfatizou a meta da Petrobras de alcançar a autossuficiência no diesel, aumentar a capacidade de produção para suprir toda a demanda interna e reduzir a dependência das importações, atualmente em cerca de 30% do consumo do país.
Embora o aumento da capacidade de refino seja uma solução de longo prazo, a presidente tranquilizou quanto ao abastecimento no curto prazo, informando que as importações para o mês de outubro já estão asseguradas. Ela também minimizou preocupações sobre possíveis restrições dos EUA às exportações de diesel, citando declarações oficiais que desmentem rumores nesse sentido.
Por fim, Magda Chambriard mencionou que, caso haja restrições americanas às exportações, a Petrobras poderá diversificar suas importações, aumentando o volume adquirido de refinadores da Índia, país que já responde por cerca de 15% das importações brasileiras de diesel.
Economia
Banco Central alerta sobre crédito excessivo e planeja ações
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, informou que a instituição está atenta à oferta de crédito considerada excessiva ou abusiva. Para conter essa situação, o Banco Central irá implementar gradualmente um conjunto de medidas para restringir essa prática, além de promover medidas que aumentem o entendimento dos consumidores sobre suas escolhas na hora de solicitar empréstimos.
— Em termos de estabilidade financeira, a preocupação é com a oferta de crédito que pode ser agressiva ou abusiva. As ações não dependem da fase do ciclo econômico — explicou ele durante entrevista coletiva.
Galípolo destacou que tais medidas devem focar nas linhas de crédito com maior risco e custo elevado, normalmente concedidas sem garantias. Ele observou que a inadimplência no cartão de crédito alcança 65%, indicando um problema estrutural nessa modalidade, que é uma consequência histórica no Brasil, semelhante ao cheque pré-datado.
Além disso, conforme o presidente do Banco Central, o órgão está avaliando mecanismos que introduzam dificuldades propositais na experiência do cliente ao contratar crédito, para que o consumidor possa refletir com mais calma antes de tomar uma decisão.
— Por isso mencionei ações para aumentar a consciência, ao incorporar ‘atritos’ na jornada do cliente, auxiliando na prevenção e no combate ao crédito abusivo e excessivo. Estamos estudando essas iniciativas com atenção — afirmou. — Muitas vezes, a forma como o cliente interage com o serviço financeiro tem grande influência na escolha da linha de crédito.
Quanto a exemplos internacionais, Galípolo apontou que há diversas abordagens. Alguns países exigem que pessoas em situação de endividamento severo ou vulnerabilidade autorizem previamente a oferta de crédito, aumentando sua conscientização. Em Singapura, por exemplo, o Banco Central define critérios para quem pode receber cartão de crédito, garantindo maior controle e proteção ao consumidor.
Economia
Galípolo diz que economia desacelera, mas BC mantém cautela
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a desaceleração da atividade econômica brasileira tem se tornado mais evidente nos dados recentes. No entanto, ele ressaltou que o Banco Central (BC) não deve agir de forma impulsiva na definição da política de juros.
Atualmente, a taxa Selic está em 13,75%, depois de cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Para as próximas reuniões, o BC não indicou mudanças nos planos referentes aos juros.
— Conforme surgem novos dados, avançamos na compreensão do processo de desaceleração. Apesar disso, este BC mantém equilíbrio e não se deixa levar por emoções para evitar grandes flutuações — explicou Galípolo em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária.
O Banco Central e o mercado mostram evidências cada vez mais claras de que o processo de desaceleração está consolidado, o que pode ajudar a equilibrar a relação entre oferta e demanda e levar a inflação para a meta prevista.
Essa postura mais reservada do BC se deve à grande incerteza quanto ao cenário futuro, especialmente considerando a continuação do conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis.
Galípolo também destacou que analistas, através do Questionário Pré-Copom, apontam sinais mais claros de desaceleração econômica junto a um aumento das preocupações com choques de oferta, incluindo efeitos climáticos como o El Niño, que podem prejudicar a produtividade das lavouras de milho e arroz.
— Em meio a tanta incerteza, precisamos ser humildes na interpretação dos dados, que continuam sendo nosso guia, mas devem ser analisados com cautela. Não podemos basear decisões em previsões imprecisas — afirmou.
Na última quinta-feira, o BC revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, de 2,0% para 1,8%, e estimou o PIB de 2027 em 1,4%.
Essa revisão se justifica por uma composição menos favorável do PIB do segundo trimestre, de 0,5%, com menor contribuição do consumo das famílias e de setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Além disso, o BC prevê que essa tendência de desaceleração continuará no terceiro trimestre, como parte de um quadro mais amplo de perda de ritmo iniciado no final de 2024, influenciado pelo ciclo de aperto monetário.
O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, ponderou, no entanto, que neste momento não há previsão de uma recessão relevante para 2027.
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