Economia
China inicia investigação sobre importação de produto químico da UE
A China começou neste sábado (3) uma investigação antidumping envolvendo a importação de um produto químico comum vindo da União Europeia, poucos dias antes da vinda do representante comercial do bloco para reuniões em Pequim.
Um representante do Ministério do Comércio da China disse que o setor interno pediu a investigação para verificar se o produto p-nitrotolueno, importado a preços baixos da UE, está saturando o mercado chinês e causando prejuízos à produção local e às operações. Esse composto químico é usado na fabricação de corantes, medicamentos e pesticidas.
As tensões comerciais entre China e União Europeia podem evoluir para uma disputa comercial mais intensa. Enquanto isso, o grupo de 27 países tenta proteger suas indústrias contra o grande volume de exportações chinesas que são consideradas favorecidas por subsídios governamentais.
A China nega que a competitividade de suas empresas dependa de apoio estatal e ameaça tomar medidas de retaliação.
Maros Sefcovic, comissário de Comércio da UE, e o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, vão realizar um encontro importante na quinta-feira para tentar evitar o agravamento do conflito.
Economia
G7 libera 325 milhões de barris das reservas estratégicas
Cerca de 325 milhões de barris de petróleo e derivados foram retirados das reservas estratégicas desde março, representando 80% do compromisso feito pelo G7 naquele mês, informou a Agência Internacional de Energia (AIE) neste sábado (3).
Esse anúncio segue a declaração do G7, na sexta-feira, sobre uma nova liberação conjunta de 100 milhões de barris.
O grupo não detalhou se essa quantidade contempla os 75 milhões de barris pendentes do compromisso de 11 de março ou se eleva o total para 500 milhões de barris.
“Já foram liberados cerca de 325 milhões de barris da ação conjunta anunciada pela AIE em 11 de março, que corresponde a 80% dos 400 milhões de barris inicialmente prometidos”, afirmou a agência em comunicado.
Em março, a AIE ressaltou que seus países-membros tinham à disposição mais de 1,2 bilhão de barris em reservas emergenciais, além de cerca de 600 milhões de barris guardados pela indústria conforme obrigações governamentais.
Essas reservas estratégicas foram criadas em 1974, na sequência da crise energética provocada pela guerra do Yom Kippur, para garantir resposta rápida a eventuais interrupções no fornecimento.
Atualmente, o suprimento de energia enfrenta desafios por dois motivos.
- Primeiro, as exportações de petróleo dos países do Golfo foram impactadas pelo bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel.
- Segundo, instalações energéticas na Rússia estão sendo atacadas pela Ucrânia numa tentativa de dificultar as operações militares de Moscou.
Mesmo com refinarias de outras regiões operando em alta capacidade, os preços dos combustíveis subiram significativamente em vários mercados, inclusive nos Estados Unidos, que é exportador líquido tanto de petróleo quanto de seus derivados.
Economia
Preço do limão segue alto na entressafra
Mesmo durante a entressafra, o preço do limão permanece elevado para os consumidores, acima da média histórica. Isso ocorre principalmente devido à redução na produção, com produtores cobrando valores maiores para compensar as dificuldades enfrentadas na colheita.
Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), explicou à Agência Brasil que “o limão apresenta alta volatilidade nos preços, diferente de outras culturas. Atualmente, enfrentamos um período delicado, com chuvas atípicas que prejudicaram a floração no início do ano”.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que na região do cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço médio pago ao produtor pelo limão tahiti na caixa de 27,2 kg subiu de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho, chegando a R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4%. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o valor em agosto deste ano foi 71% maior.
O preço no atacado, no maior entreposto do país, a Ceagesp em São Paulo, teve um aumento de 374%, saindo de R$ 1,82 por quilo em maio para R$ 8,62 no auge em setembro. Na CeasaMinas, na Grande Belo Horizonte, a alta foi de 240%, de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo período.
Segundo a Conab, a dinâmica do mercado do limão normalmente apresenta pico da safra em janeiro e fevereiro, seguida de uma queda na produção entre março e abril, mantendo-se estável até o início da entressafra no final de maio, que se estende até meados de setembro, quando começa a nova safra.
O aumento nos preços neste ano ocorreu devido à redução da oferta no começo da entressafra, provocada pelo excesso de chuvas que comprometeu a qualidade e quantidade das frutas disponíveis e afetou a formação da próxima safra. A umidade elevada e os dias nublados fizeram com que as frutas fossem mais claras, dificultando a colheita.
Além disso, a demanda interna aumentou com as altas temperaturas em agosto e setembro, em meio à competição pelo limão entre o mercado nacional e externo, que exporta cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa.
A florada principal para a segunda metade do ano, ocorrida em julho, também foi prejudicada pelas chuvas intensas em regiões produtoras como Matão e Bebedouro, onde 68% da produção está concentrada. A produção relevante só deve ocorrer a partir de meados de novembro, segundo a Conab.
O excesso de chuvas afetou ainda o pegamento dos frutos das floradas anteriores, reduzindo a quantidade de limões que normalmente aliviaria a escassez de setembro e outubro.
A previsão é que os preços retornem à normalidade com a chegada da nova safra no final do ano. Na última semana, os valores na Ceagesp começaram a cair, mas ainda é cedo para confirmar essa tendência.
Renato Garcia Ribeiro também comentou que o principal impacto foi na produção e que as condições climáticas continuam desafiadoras, podendo afetar o próximo ano.
Especialistas alertam para o risco que o fenômeno El Niño forte no início de 2027 pode causar, com aumento de calor e déficit hídrico, estressando as plantas e comprometendo a floração da primavera e verão.
Até o momento, a Conab avaliou que o El Niño teve impacto baixo na produção deste ano. Durante julho, quando as chuvas e ventos atípicos afetaram a florada, o fenômeno ainda era de baixa intensidade, não sendo a principal causa das alterações no mercado, mas possivelmente contribuindo para o cenário atual.
Economia
A conta da inteligência artificial no mercado de crédito
Há um movimento paradoxal no mercado de inteligência artificial que revela como a corrida pela IA já começa a impactar outros setores econômicos. Enquanto líderes das principais empresas de tecnologia expressam suas preocupações sobre a rapidez do avanço tecnológico e seus riscos, estas mesmas companhias intensificam investimentos e buscam recursos no mercado financeiro para expandir a infraestrutura de IA sem precedentes.
Essa aparente contradição é, na verdade, uma tensão. Alertar para os riscos da inteligência artificial não significa defender a paralisação do seu desenvolvimento. O desafio está em equilibrar o ritmo dos investimentos e da competição com a cautela que tais líderes defendem publicamente.
Em 26 de agosto, Bill Gates, cofundador da Microsoft, publicou um artigo alertando que a tecnologia evolui mais rápido do que governos e sociedade conseguem gerir os impactos no emprego e na segurança. Em setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, também pediu maior controle sobre o ritmo tecnológico, argumentando que a IA acelera inclusive por ajudar na criação de novos sistemas. Essa proposta recebeu apoio de nomes como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind.
Enquanto cresce o debate sobre o controle da tecnologia, aumenta a pressão por financiá-la. A corrida das grandes empresas de tecnologia para captar recursos destinados à IA já impacta o mercado global de crédito. Uma reportagem do Financial Times indica que o volume de emissões das hyperscalers faz outros tomadores de recursos planejarem suas operações para evitar concorrer pelos investidores simultaneamente.
Gestoras reservam capital para grandes emissões de companhias como Amazon e Oracle, o que pode reduzir a disponibilidade de recursos para empresas de outros setores e governos em determinados períodos, forçando o adiamento de operações ou o encurtamento de prazos.
Os números ilustram essa disputa: dados do Goldman Sachs mostram que empresas relacionadas à IA receberam cerca de US$ 500 bilhões em financiamentos acumulados até 2026. Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle responderam por cerca de US$ 200 bilhões desse total. A projeção é que essas empresas emitam mais de US$ 1 trilhão em dívidas nos próximos anos.
Além disso, Google, Amazon, Microsoft e Meta aumentaram suas previsões de investimentos em bens de capital para um total conjunto de US$ 745 bilhões em 2026, mostrando quanto capital será necessário para manter a corrida da IA.
A interdependência entre fabricantes de chips, operadores de data centers, empresas de energia, provedores de nuvem, desenvolvedores de modelos e instituições financeiras cresce, conectando todos pela mesma cadeia de investimentos.
Assim, a discussão sobre inteligência artificial ultrapassa o campo tecnológico. A IA está transformando a produção, o trabalho e o consumo, e a disputa pela sua expansão começa a reorganizar a competição pelo financiamento da economia.
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