Conecte Conosco

Economia

Exportação de petróleo do Brasil para Ásia mais que dobra com guerra no Irã e tarifas americanas

As exportações de petróleo cru brasileiro apresentaram um crescimento de 11,4% até o momento neste ano, alcançando 51,1 milhões de toneladas. Quatro países asiáticos destacaram-se ao aumentar consideravelmente sua demanda pelo óleo nacional.

Este avanço, que já vinha ganhando força nos anos anteriores, foi acelerado pelo conflito no Oriente Médio. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil (Mdic), Indonésia foi o país que mais expandiu suas compras do petróleo brasileiro, registrando um aumento de 157% na primeira metade do ano.

Índia foi a segunda maior compradora, com alta de 132%. A China, maior parceiro comercial do Brasil e principal comprador do petróleo nacional, aumentou suas importações em 41%, totalizando 27,9 milhões de toneladas neste período, representando 54% de todo óleo exportado pelo país.

Cingapura também ampliou suas aquisições em 28%, atingindo 1,5 milhão de toneladas no primeiro semestre. As vendas do combustível para esses quatro países alcançaram US$ 18,7 bilhões entre janeiro e junho, um crescimento de 72% comparado ao mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela alta dos preços da commodity.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, comenta que o crescimento das exportações brasileiras para a Ásia resulta da expansão da produção nacional, da busca dos países asiáticos por fornecedores diversificados e do papel crescente da Índia como mercado importador, sem diminuir a importância da China.

Com o aumento do preço do barril devido à restrição de oferta, o valor exportado do petróleo cru subiu 28%, alcançando US$ 27,9 bilhões no primeiro semestre de 2026. O óleo cru foi o segundo produto mais exportado em valor na balança comercial brasileira, totalizando US$ 15,1 bilhões, ficando atrás apenas da soja, com US$ 20,2 bilhões.

Perspectivas de crescimento

Segundo Hamad Hussain, analista de commodities da consultoria inglesa Capital Economics, este movimento tende a se intensificar, pois boa parte da oferta adicional da produção brasileira será destinada a compradores asiáticos, onde a demanda por petróleo cresce mais rapidamente que na Europa e nos EUA.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indicam que, em maio, o Brasil produziu 5,6 milhões de barris por dia, contra 4,7 milhões um ano antes. A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que o consumo asiático de petróleo subirá de 38,9 milhões de barris por dia em 2025 para 40,7 milhões em 2030, com a Índia liderando esse crescimento.

Países como Mianmar e Filipinas também mostraram um novo interesse pelo petróleo brasileiro, importando quantidades significativas em 2026 após longos períodos sem adquirir o produto.

Fatores geopolíticos e econômicos

O conflito no Golfo Pérsico, região que abastecia 40% do petróleo consumido pelos asiáticos, e as tarifas impostas pelos Estados Unidos impulsionaram os países da Ásia a diversificar seus fornecedores. Conforme avalia Bruno Cordeiro, analista da StoneX, este cenário ampliou a importância do mercado asiático para as exportações brasileiras.

Além disso, as compras dos EUA caíram 42,8% no primeiro semestre, sendo superados pela Índia como segundo maior destino do petróleo brasileiro. As tarifas americanas criam um ambiente regulatório incerto, incentivando os produtores brasileiros a buscar contratos estáveis e previsíveis na Ásia e Europa.

Crescimento na Europa

O aumento das exportações brasileiras não se limitou à Ásia. França e Itália também ampliaram significativamente suas importações de petróleo cru brasileiro. A França quase triplicou suas compras, com acréscimo de 180%, enquanto a Itália registrou alta próxima a 50%.

Pedro Rodrigues atribui o crescimento comercial com a Europa a fatores como condições de mercado, demanda das refinarias e fluxos de comércio internacional.

De acordo com a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, o forte crescimento das exportações contribuiu para um superávit recorde da balança comercial brasileira em junho, que atingiu US$ 8,8 bilhões, o maior valor para este mês registrado até hoje.

Publicidade
Clique aqui para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Feira Multimodal Nordeste 2026 cresce 30% e amplia estrutura

Por

A terceira edição da Multimodal Nordeste 2026, um dos eventos mais importantes para os setores de transporte, logística, tecnologia e comércio exterior no Brasil, expandiu sua área em cerca de 30% em comparação ao ano anterior.

Realizada de 4 a 6 de agosto no Recife Expo Center, o evento contará com a participação de mais de 140 expositores e espera receber cerca de nove mil visitantes de todo o país. Nesta edição, uma das novidades é uma nova área logo na entrada, onde caminhões, empilhadeiras e contêineres recebem os visitantes, proporcionando uma experiência imersiva no mundo da logística.

A Multimodal Nordeste tem o objetivo de reunir fabricantes, transportadoras, operadores logísticos, empresas de tecnologia, comércio exterior, armazenamento, equipamentos, serviços e soluções para toda a cadeia produtiva. O evento favorece o networking, lançamentos e oportunidades comerciais.

Carol Baía, diretora da Insight Feiras & Negócios, ressalta: “A cada edição, o interesse das empresas em participar cresce. Reunimos expositores de vários segmentos da logística, criando um ambiente favorecedor para negócios, prospecção de clientes e fortalecimento de parcerias. Os visitantes encontram soluções completas, tendências e fornecedores estratégicos em um só local, fazendo da feira uma plataforma eficiente para ampliar a atuação no mercado.”

Realizada em Recife, que tem localização estratégica para atender o Norte e Nordeste, a feira facilita o acesso de empresários e profissionais da região. Além da exposição, o evento contará com conteúdo especializado, sessões de relacionamento, área exclusiva para compradores VIP e o Conecta Multimodal, espaço dedicado a palestras e debates sobre inovação, tendências e desafios logísticos.

Tatiana Menezes, diretora da Insight Feiras & Negócios, comenta: “Desde a primeira edição, buscamos proporcionar uma experiência diferenciada. Começamos com metade do pavilhão, ocupamos o pavilhão inteiro na segunda edição e agora ampliamos novamente em 30%, além de criar uma nova área na frente do Recife Expo Center que aproxima ainda mais os visitantes do setor. Nosso compromisso é inovar continuamente para entregar um evento relevante, moderno e alinhado às transformações logísticas.”

Organizada pela Insight Feiras & Negócios, a Multimodal Nordeste reúne empresas, operadores, transportadoras, indústria, varejo e especialistas para discutir tendências, inovação e oportunidades para o desenvolvimento da logística e infraestrutura no Nordeste. O evento conta com patrocínio do BNB, apoio dos Correios Log+ e NEQ, além de apoio institucional de diversas entidades regionais.

Continuar Lendo

Economia

Romeu Zema apoia privatizar todas as empresas públicas em sabatina

Por

O candidato do partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, declarou nesta terça-feira, 4, que não se preocupa em governar apenas um mandato desde que possa implementar as mudanças que acredita serem essenciais para o Brasil. Entre as principais propostas do ex-governador de Minas Gerais estão a privatização completa das empresas estatais, além de reformas administrativa e previdenciária e a revisão dos programas sociais.

Zema destacou que a posse de um presidente com credibilidade poderia reduzir as expectativas em relação à taxa básica de juros. Ele defende que a Selic seja ajustada para cerca de 6% ao ano, o que, segundo ele, ajudaria a diminuir os gastos públicos relacionados ao pagamento da dívida.

“Não me importo em exercer a presidência por um único mandato para realizar o que é preciso”, afirmou. O candidato frisou que a prioridade deve ser o equilíbrio fiscal, ressaltando que os juros altos têm sido prejudiciais às famílias e ao setor produtivo. “Essa taxa de juros está prejudicando famílias e empresas no Brasil: há recordes de falências e endividamento”, enfatizou.

Ele pretende agir em quatro áreas principais. A primeira é um extenso programa de desestatização. “Privatizar tudo. Para mim não existem exceções. Correios, tudo. Não há o que não deva ser privatizado”, ressaltou. Segundo Zema, o governo deve se concentrar em segurança pública, saúde e educação, ao invés de atuar como empresa.

A segunda proposta se refere a uma reforma administrativa que, nas palavras do candidato, visa dar maior eficiência ao Estado. Também anunciou que apresentará uma nova proposta para a reforma da Previdência, pois considera que as mudanças aprovadas em 2019 são insuficientes diante do aumento da longevidade da população.

Por último, ele pretende revisar os programas sociais. Defende a continuidade do Bolsa Família, mas aponta problemas de fraudes e beneficiários que rejeitam oportunidades de emprego e retomada dos estudos.

“Precisamos do Bolsa Família, porém há muitas fraudes e beneficiários que recusam ofertas de trabalho e não concluem o ensino fundamental e médio. Eu vou fazer uma revisão disso”, declarou.

Essas declarações foram feitas durante uma sabatina organizada pela G4 Hub e pelo portal O Antagonista, em São Paulo, que contou com a presença de outros candidatos à Presidência, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o influenciador Renan Santos (Missão). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não compareceu.

Continuar Lendo

Economia

Ibge Ajusta Queda da Produção Industrial em Maio Para 0,9%

Por

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou os dados da produção industrial referente ao mês de maio de 2026, indicando uma queda mais acentuada de 0,9%, em comparação com a retração inicial de 0,2% registrada anteriormente no mês de abril ante março, a alta foi revisada de 0,7% para 1,2%.

Em relação aos outros meses, o desempenho foi reavaliado: em março houve estabilidade (0%) ante alta inicial de 0,3%, fevereiro apresentou leve recuo de 1% contra um crescimento prévio de 1,1%, e janeiro também sofreu uma pequena revisão de 2,2% para 2,1%.

A produção de bens de capital teve ajustes, caindo 0,2% em abril, contra 0,1% informado inicialmente, e em janeiro, a taxa foi reduzida de 2,9% para 2,8%. Bens intermediários também apresentaram revisões negativas em maio, caindo 0,5%, além de ajustes nos meses anteriores com pequenas variações para baixo.

No segmento de bens de consumo duráveis, a taxa de maio foi suavemente reduzida de 3,6% para 3,5%, enquanto abril registrou uma queda maior, de -3,1% para -3,3%. Já os bens de consumo semi e não duráveis tiveram uma queda mais significativa, com a taxa de maio revisada para -1,5%, considerando também ajustes em outros meses.

Essas informações são provenientes da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física divulgada na terça-feira, dia 4, refletindo a atualização dos índices de produção industrial no Brasil.

Continuar Lendo

Trending