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Anistia, grandes empresas de tecnologia e lei Magnitsky: glossário dos temas da política em 2025
Matheus Tupina
São Paulo, SP
Em 2025, a política brasileira enfrentou vários desafios, incluindo conflitos entre os poderes da República, mudanças nas lideranças da Câmara dos Deputados, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), além do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe.
Dentre os temas mais comentados, estão a sobretaxa aplicada pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, o escândalo de compra de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e redes sociais.
O ano também contou com investigações sobre emendas parlamentares, benefícios extras a servidores, reforma do sistema eleitoral e proteção a autoridades nacionais.
A seguir, confira os principais termos, personagens e assuntos que marcaram a política brasileira em 2025:
Abin paralela
Estrutura dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) usada para monitorar jornalistas e opositores de Jair Bolsonaro durante seu mandato, espalhar desinformação e proteger os filhos do ex-presidente. A agência era liderada por Alexandre Ramagem, que foi indiciado pela operação.
Alexandre de Moraes
Ministro do STF e principal responsável pelos processos relacionados à tentativa de golpe. Moraes foi alvo de críticas de bolsonaristas e sofreu sanções junto com sua esposa pela Lei Magnitsky, mas essas punições foram retiradas no final do ano.
Alexandre Ramagem
Deputado federal e ex-chefe da Abin, condenado a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista. Fugiu para os Estados Unidos antes de cumprir a pena e teve seu mandato cassado na Câmara.
Andreson de Oliveira Gonçalves
Principal alvo da investigação chamada Operação Sisammes, que apura venda de decisões judiciais no STJ. Encontrava-se preso desde novembro por suspeitas de manipulação dentro do tribunal superior.
Anistia
Proposta defendida por grupos bolsonaristas para evitar punições a envolvidos em atos antidemocráticos relacionados às eleições de 2022. A ideia não avançou devido à resistência de outros grupos políticos.
Banco Master
Banco que foi fechado pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal, envolvendo seu dono, Daniel Vorcaro, que tem laços com políticos e tentou vender o banco, causando polêmica política.
Big Techs
Termo para as grandes empresas de tecnologia, como Google e Meta. O STF decidiu que essas empresas são responsáveis pelo conteúdo publicado em suas plataformas.
Carla Zambelli
Ex-deputada federal ligada ao bolsonarismo, condenada a 10 anos de prisão por invasão de sistemas governamentais e perseguição. Fugiu para a Itália, está presa e aguarda extradição.
Cartão de vacina
Inquérito que investigou possíveis fraudes nos cartões de vacinação contra Covid-19 do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas foi arquivado por falta de provas.
COP30
Conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Belém, com participação ativa do presidente Lula e reações políticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Crise do Pix
Desinformação relacionada a uma norma que ampliava a fiscalização de operações financeiras, gerando boatos sobre taxação do Pix, o que impactou negativamente a popularidade do governo.
Davi Alcolumbre
Presidente do Senado e figura chave nas negociações entre Legislativo e Executivo. Recentemente, teve desentendimentos com o Planalto durante indicações judiciais.
Donald Trump
Presidente dos EUA que impôs tarifas altas sobre produtos brasileiros. Após negociações, várias sanções foram removidas, e manteve relações cordiais com o presidente Lula.
Dosimetria
Termo jurídico que define a pena de réus. Projetos para reduzir penas de envolvidos na tentativa de golpe foram discutidos, beneficiando principalmente o ex-presidente Bolsonaro, mas encontram resistência no Senado.
Edson Fachin
Ministro do STF e presidente da corte até setembro, que defendeu esforços de moderação e ética para magistrados.
Eduardo Bolsonaro
Deputado federal e filho do ex-presidente, envolvido em lobby nos EUA para punir autoridades brasileiras, tentando reduzir a pressão sobre seu pai, que foi preso.
Emendas parlamentares
Verbas que deputados e senadores destinam no orçamento, frequentemente usadas como moeda de troca entre Executivo e Legislativo, atualmente alvo de investigações por falta de transparência.
Flávio Bolsonaro
Senador e filho mais velho de Jair Bolsonaro, pré-candidato à presidência em 2026, mas enfrenta pressões para desistir da disputa.
Hugo Motta
Presidente da Câmara dos Deputados, enfrenta dificuldades para manter apoio político e pauta temas controversos como a anistia e a cassação de parlamentares.
Impeachment
Processo para afastar autoridades públicas por crimes de responsabilidade. Decisões judiciais recentes limitaram pedidos de impeachment contra ministros do STF, gerando debates sobre novas leis.
Imposto de renda
Tributo sobre ganhos financeiros, que teve alterações com isenção para rendas até R$5.000, sendo um tema importante para as eleições de 2026.
INSS
Instituto que administra aposentadorias e auxílios, atualmente investigado por descontos irregulares em benefícios.
IOF
Imposto sobre operações financeiras, cuja tentativa de aumento gerou resistência no Congresso e terminou com a revogação do decreto.
Jair Bolsonaro
Ex-presidente condenado por tentar manter-se no poder ilegalmente após as eleições de 2022, encontra-se preso e enfrenta vários processos judiciais.
Jorge Messias
Advogado-geral da União e indicado para ministro do STF, enfrenta resistência no Senado para sua nomeação.
Lei Magnitsky
Lei americana usada contra violações de direitos humanos e corrupção, aplicou sanções a Alexandre de Moraes e sua esposa, revogadas em dezembro.
Luís Roberto Barroso
Ex-presidente do STF que presidiu o tribunal durante o julgamento da trama golpista e se aposentou em 2025.
Luiz Fux
Ministro do STF, conhecido por posições divergentes de Alexandre de Moraes em casos relacionados ao golpe e pela absolvição do ex-presidente Bolsonaro em alguns processos.
Lula
Presidente da República que enfrentou crises no início do ano, mas recuperou apoio após medidas contra tarifas americanas e sanções a autoridades brasileiras.
Marco Civil da Internet
Lei que regula a internet no Brasil, parte de sua regulamentação foi considerada inconstitucional, e o STF reforçou a responsabilidade das big techs sobre os conteúdos publicados.
Mauro Cid
Militar condenado pelo envolvimento na trama golpista que colaborou com as investigações em troca de pena reduzida.
Missão
Novo partido político registrado em 2025, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), pretende lançar candidatos nas futuras eleições.
Papuda
Presídio de Brasília conhecido por abrigar presos políticos e envolvidos em escândalos, incluindo aliados do ex-presidente Bolsonaro.
PEC da Blindagem
Proposta que visava proteger parlamentares de investigações, rejeitada após forte reação popular e rejeição no Senado.
Penduricalhos
Benefícios extras concedidos a servidores públicos que ultrapassam o teto salarial permitido, gerando debates sobre reforma administrativa.
PGR
Procuradoria-Geral da República, liderada por Paulo Gonet, que enfrenta oposição de bolsonaristas por sua atuação contra a trama golpista.
PL
Partido Liberal, ligado a Jair Bolsonaro, buscou anistia para o ex-presidente e lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
PSD
Partido Social Democrático, com influência em governos estaduais e alinhamento tanto com Lula quanto com Tarcísio de Freitas.
PSDB
Partido Social Democracia Brasileira, enfrentando desafios internos e aliados, mas animado pela volta de Ciro Gomes.
PT
Partido dos Trabalhadores, focado na reeleição de Lula e expansão da base política.
Reforma ministerial
Troca de ministros no governo, sem mudanças significativas, com nomes como Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann em posições estratégicas.
Rodrigo Pacheco
Senador e ex-presidente do Senado, disputado politicamente, cogitado para candidatura ao governo de Minas Gerais.
Segurança pública
Questão central nas discussões para 2026, com propostas legislativas em debate e grandes operações policiais no Rio de Janeiro.
STF
Supremo Tribunal Federal desempenhou papel chave em julgamentos importantes e foi foco de debates sobre ética e influência política.
Tarcísio de Freitas
Governador de São Paulo, cotado para presidência em 2026, porém enfrenta resistência da família Bolsonaro.
Tarifaço
Medida dos EUA que adicionou altas tarifas sobre produtos brasileiros, fruto de lobby de filhos de Bolsonaro, depois parcialmente revertida.
TSE
Tribunal Superior Eleitoral responsável por garantir a segurança e organização das eleições, presidido pela ministra Cármen Lúcia.
Trama golpista
Tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder após derrota eleitoral, que resultou em condenações severas.
União Progressista
Federação entre partidos com a maior bancada do Congresso, que enfrenta divergências internas e crises políticas.
Voto distrital misto
Sistema eleitoral proposto que mistura votação por candidato e por partido, visando maior ligação entre eleitores e deputados.
Notícias
Gravidez diminui oportunidades e autonomia de meninas revela estudo
A gravidez na infância ou adolescência resultou na suspensão dos estudos para seis em cada dez (61%) jovens entrevistadas pela organização não governamental Plan Brasil. Intitulado Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil, o levantamento está disponível no site da entidade.
A pesquisa envolveu mais de 1,5 mil mulheres na faixa dos 19 aos 29 anos, de todas as regiões do Brasil, comparando dois grupos: aquelas que ficaram grávidas na infância ou adolescência e as que não passaram por essa experiência.
No grupo que não engravidou precocemente, o percentual de abandono escolar é de 33%.
Segundo a CEO da Plan Brasil, Cynthia Betti, a gravidez precoce marca um ponto decisivo que amplia desigualdades já existentes antes da gestação.
“Os dados indicam que essas meninas enfrentam obstáculos consecutivos na educação, saúde, mercado de trabalho e no acesso a direitos básicos”, explicou.
Oito em cada dez mulheres entrevistadas (83%) afirmaram que já deixaram um emprego ou perderam oportunidades profissionais para cuidar dos filhos.
A pesquisa revela que, mesmo com contextos semelhantes, jovens que engravidaram na infância ou adolescência colecionam maiores desvantagens ao longo da vida.
Além disso, 73% delas relataram ter sofrido discriminação por causa da gravidez, seja em casa, na escola ou em serviços de saúde.
O preconceito aparece frequentemente nos relatos, com julgamentos sobre sua capacidade intelectual, moral e profissional.
Casamento na adolescência
O estudo também destaca que 59% das jovens que tiveram filhos antes dos 19 anos passaram a morar em casamento ou união logo após a primeira gestação.
Verificou-se ainda um aumento de 19 pontos percentuais na probabilidade de casamento antes dos 16 anos nesse grupo.
Entre as jovens que engravidaram antes dos 14 anos, metade (50%) não teve acesso à interrupção legal da gravidez nos serviços de saúde.
De acordo com a legislação brasileira, toda gravidez em menores de 14 anos é considerada resultado de estupro de vulnerável.
Conforme Cynthia, essas jovens não perderam apenas empregos ou anos escolares, mas a capacidade de escolher seus próprios futuros no momento em que mais precisavam de autonomia.
“Mudar essa realidade requer implementação, monitoramento e financiamento de políticas públicas integradas voltadas à prevenção, não ações isoladas. Ouvir essas histórias permite transformar estatísticas em compromissos públicos”, avaliou.
Recomendações
O estudo sugere medidas como garantir educação sexual baseada em direitos, facilitar o acesso a métodos contraceptivos, e universalizar creches com horários compatíveis com estudo e trabalho.
Também são fundamentais o combate à violência obstétrica e à coerção contraceptiva, além de políticas de primeiro emprego específicas para jovens mães.
Brasil
Gravidez diminui chances e independência de meninas, aponta estudo
A gravidez na infância ou adolescência interrompeu os estudos de 61% das jovens pesquisadas pela organização não governamental Plan Brasil. Intitulado Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil, o estudo está disponível no site da entidade.
A pesquisa consultou mais de 1.500 mulheres entre 19 e 29 anos de todas as regiões do Brasil, comparando dois grupos: aquelas que tiveram gravidez na infância ou adolescência e as que não tiveram essa experiência.
No grupo das que não engravidaram jovens, o percentual de interrupção dos estudos é de 33%.
Cynthia Betti, CEO da Plan Brasil, destaca que a gravidez nessa fase da vida intensifica desigualdades já existentes antes da gestação.
“Os dados evidenciam que essas meninas enfrentam obstáculos acumulados na educação, saúde, mercado de trabalho e no exercício dos direitos básicos”, afirmou.
Oito em cada dez entrevistadas (83%) relatam ter abandonado um emprego ou perdido alguma oportunidade profissional para cuidar dos filhos.
Mesmo partindo de contextos semelhantes, as jovens que engravidaram na infância ou adolescência enfrentam desvantagens significativas ao longo da vida.
O estudo indica que 73% das entrevistadas já sofreram discriminação por causa da gravidez, seja em ambiente familiar, escolar ou em serviços de saúde.
O preconceito surge frequentemente nos depoimentos, com julgamentos sobre sua capacidade intelectual, moral e profissional.
Casamento na adolescência
A pesquisa também aponta que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união logo após a primeira gestação.
Registra-se um aumento de 19 pontos percentuais na chance de casamento antes dos 16 anos entre essas jovens.
Entre as que engravidaram antes dos 14 anos, metade (50%) não teve acesso à interrupção legal da gestação nos serviços de saúde.
Segundo a legislação brasileira, toda gravidez em menores de 14 anos é considerada resultado de estupro de vulnerável.
Cynthia ressalta que essas jovens não perderam apenas um emprego ou um ano de estudo, mas sim a possibilidade de escolher seus próprios caminhos no momento em que mais precisavam de autonomia.
“Transformar essa realidade requer a implementação, acompanhamento e financiamento de políticas públicas integradas e focadas na prevenção, ao invés de ações isoladas. Ouvir essas experiências transforma estatísticas em compromisso social”, avaliou.
Recomendações
O estudo sugere várias medidas, incluindo a promoção da educação sexual baseada em direitos, acesso facilitado a métodos contraceptivos, e a universalização de creches com horários que atendam às rotinas de estudo e trabalho.
Destaque ainda para a necessidade de combater a violência obstétrica, coerção contraceptiva e implementar políticas de inserção no mercado de trabalho direcionadas às jovens mães.
Economia
Múcio defende no TCU aumento do etanol na gasolina para 32%
O ministro da Defesa, José Múcio, declarou nesta terça-feira (4) que terá um encontro com o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), para discutir a dúvida sobre a validade das normas necessárias para aprovar o aumento da porcentagem de etanol misturada à gasolina, que passou de 30% para 32%, decisão esta tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho.
A análise realizada no TCU questiona se todos os critérios técnicos e regulatórios foram cumpridos para a elevação obrigatória da concentração de etanol anidro na gasolina.
Entre as questões destacadas estão a suficiência dos testes efetuados e os possíveis efeitos da medida em motores e outros aparelhos.
Múcio garantiu que irá defender, perante a Corte, que o histórico de aumentos progressivos da participação de biocombustíveis na matriz energética do país mostra a segurança e a efetividade da iniciativa.
“Estamos analisando as razões do questionamento na Corte. O biocombustível é um produto nacional, desenvolvido por brasileiros, e muitas vezes criamos dificuldades desnecessárias. Já foram realizadas experiências que comprovaram sua viabilidade. Quando a medida é aplicada, porque já há experiência prévia, ela funciona. Muitos técnicos estão envolvidos nisso e essa não é uma novidade”, afirmou o ministro ao falar com jornalistas após evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
Múcio também ressaltou que há disposição positiva por parte do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para manter o índice da mistura. “O ministro de Minas e Energia está empenhado em que essa proporção aumente e que possa continuar crescendo até o final do ano.”
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