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Lula sanciona lei de Alcolumbre, Senado sem participação do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sancionar nesta terça-feira uma lei criada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), porém o senador não deverá estar presente no evento.

Fontes do Palácio do Planalto e aliados do parlamentar afirmam que ele foi convidado, mas não participará.

Lula e Alcolumbre estão afastados desde que o Senado rejeitou Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal em abril, causando uma derrota significativa ao presidente.

Desde então, não houve encontro ou conversa entre os dois, e Alcolumbre interrompeu sua participação em eventos ao lado de Lula. Atualmente, o senador está em Brasília.

O último evento no qual Alcolumbre marcou presença no Palácio do Planalto foi a posse do ministro José Guimarães (PT) para a Secretaria de Relações Institucionais, órgão responsável pela articulação entre Executivo e Congresso, em 14 de abril.

Em eventos institucionais seguintes, Lula e Alcolumbre apenas trocaram cumprimentos rapidamente, sem reuniões formais, inclusive na posse do ministro Kassio Nunes Marques à presidência do Tribunal Superior Eleitoral, onde aplaudiram a Messias, exceto Alcolumbre.

Na cerimônia de posse do ministro Odair Cunha no Tribunal de Contas da União, os dois se encontraram brevemente em uma sala reservada, com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo.

Aliados do presidente defendem que os dois se encontrem para resolver divergências e facilitar a aprovação de projetos importantes no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição que propõe o fim do regime de trabalho 6×1 e a PEC de Segurança Pública.

Alcolumbre sinalizou a necessidade de diálogo para avançar nas pautas, mas alguns aliados preferem adiar o encontro até depois das eleições de outubro.

O presidente da Câmara acompanhará a cerimônia de sanção desta terça em Brasília.

A lei a ser sancionada estabelece critérios para a admissibilidade de recursos especiais no Supremo Tribunal de Justiça, limitando ações e definindo parâmetros claros de relevância para análise dessas demandas.

O texto atualiza o Código Civil para atender a uma alteração constitucional de 2022, trazendo novas regras para o funcionamento do sistema jurídico.

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Economia

Governo coleta dados sobre igualdade salarial entre homens e mulheres

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Desde segunda-feira (3), empresas com 100 ou mais funcionários têm o prazo para atualizar informações que serão utilizadas na criação do 6º Relatório de Transparência Salarial e Critérios de Remuneração.

Esses dados devem ser enviados até 31 de agosto através da área do empregador no Portal Emprega Brasil.

Este relatório, previsto na Lei da Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023), tem o propósito de aumentar a transparência em relação às disparidades salariais e remuneratórias entre mulheres e homens nas organizações.

A legislação obriga empresas com 100 ou mais empregados a adotarem medidas que assegurem essa igualdade, incluindo transparência nos salários, mecanismos de supervisão e canais seguros para denúncias de discriminação.

Desenvolvido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o relatório coleta dados do eSocial além de informações adicionais fornecidas pelos empregadores.

Entre os dados fornecidos pelas empresas estão critérios para remuneração e promoções, existência de plano de carreira e salários, incentivos para contratação de mulheres, além de ações voltadas ao apoio da parentalidade e da diversidade.

As informações são analisadas para comparar salários, remunerações e a presença de homens e mulheres nos diferentes cargos dentro das empresas.

Se forem detectadas desigualdades salariais baseadas no gênero, a empresa poderá ser solicitada a apresentar um plano para corrigir essas diferenças.

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Economia

Banco Mundial recomenda uso de IA para melhorar a gestão em países em desenvolvimento

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O Banco Mundial (BM) incentivou os países em desenvolvimento nesta terça-feira (4) a adotarem tecnologias de inteligência artificial (IA) para fortalecer a gestão pública, alertando que aqueles que não o fizerem poderão ficar em desvantagem.

“A IA representa uma oportunidade crucial para as economias emergentes, que devem aproveitá-la”, afirmou Indermit Gill, economista-chefe do Grupo Banco Mundial, durante a divulgação do Relatório Anual sobre Desenvolvimento Mundial.

Ele destacou que não é necessário utilizar modelos complexos ou grandes centros de dados para obter benefícios, recomendando a adaptação de tecnologias de IA acessíveis às condições locais para gerar melhorias nos setores de saúde, educação, justiça e agricultura.

Modelos avançados de IA, principalmente desenvolvidos nos Estados Unidos e na China, têm a capacidade de processar grandes volumes de dados rapidamente e automatizar diversas tarefas, embora demandem centros de dados que consomem muita energia e água, o que pode agravar a crise climática.

“As economias em desenvolvimento enfrentam seu pior desempenho médio em crescimento das últimas três décadas”, disse um comunicado do BM que acompanhou o relatório.

“A IA tem o potencial de melhorar significativamente esse cenário antes do final desta década, oferecendo benefícios concretos à população”.

O relatório exorta os países a investirem em IA para expandir serviços essenciais como saúde, justiça, educação e agricultura, alcançando em dez anos avanços que poderiam levar até cem anos para serem conseguidos de outra forma.

“O tempo para agir corretamente é curto”, comentou Gaurav Nayyar, diretor responsável pelo relatório.

O documento apresenta exemplos reais do uso da IA na gestão pública, como o aumento dos exames para detecção de diabetes em Bangladesh e a redução dos custos agrícolas na Índia por meio de previsões climáticas mais precisas.

No entanto, o Banco Mundial alerta que a IA pode aumentar as desigualdades entre e dentro dos países, concentrar o poder econômico, enfraquecer a confiança nas instituições públicas e gerar novos riscos para a segurança, os direitos humanos e a coesão social.

Além disso, pode impedir a mobilidade social ao eliminar empregos da classe média a longo prazo.

Vale mencionar que o relatório foi elaborado com o auxílio de diversas ferramentas de inteligência artificial, incluindo OpenAI, DeepSeek, Google e Anthropic, segundo nota de transparência.

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Mundo

Crise diária em Cuba exige soluções criativas

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Os cubanos historicamente têm mostrado muita resiliência e criatividade para lidar com as dificuldades, encontrando soluções improváveis, mas essa constante adaptação tem um elevado custo psicológico em meio à maior crise vista na ilha em décadas.

No coração de Centro Habana, Mayumis Núñez passa as noites deitada numa cama improvisada em frente ao antigo edifício onde viveu por muitos anos.

Há três semanas, uma parte do prédio centenário desabou, tornando o local inabitável. Desde então, Mayumis não tem outro lugar para dormir.

Dormir ao ar livre a deixa extremamente cansada, mas o que mais lhe perturba é a incerteza sobre quando essa situação terminará.

“Imagine não conseguir descansar, passar de um dia para o outro sem alívio”, diz Mayumis Núñez, 44 anos.

Cada manhã, ela sobe até o que restou do apartamento para tomar banho — se houver água suficiente apesar dos frequentes apagões —, trocar de roupa e se preparar para o trabalho.

Para muitos cubanos, garantir água, comida, transporte e até uma noite inteira de sono no calor sufocante do verão tem se tornado um desafio diário. Desde que Washington aplicou um bloqueio ao fornecimento de petróleo para Havana em janeiro, as condições de vida se agravaram consideravelmente.

Além das dificuldades materiais, muitas pessoas relatam um sentimento de esgotamento por tentar resolver as situações diárias repetidas vezes, sem energia para pensar no futuro.

Estresse acumulado e esgotamento

No hospital Calixto García, em Havana, onde há anos funciona uma clínica especializada em tratamento de estresse, os médicos têm notado os reflexos da crise nas consultas.

Grupos formados por estudantes, aposentados e profissionais compartilham há meses as mesmas preocupações: apagões frequentes, dinheiro escasso, familiares migrados e planos adiados.

Dentre eles está Claudia Sifredo, estudante de pedagogia de 29 anos, que suspendeu projetos pessoais, como sair da casa dos pais, um sonho hoje difícil de realizar.

“Tudo está confuso… a situação atual traz tanto estresse e incerteza que nem sabemos como encarar o dia a dia”, explica.

Para lidar, ela conta que a terapia tem ajudado a focar no que pode controlar. “Preciso aprender a conviver com esse ambiente que não posso mudar agora.”

Para Tania Peón, diretora de Saúde Mental de Havana, uma grande parte da população vive hoje em estado constante de alerta.

“As pessoas gastam energia tentando resolver necessidades básicas”, explica.

Esse esforço contínuo se torna uma sobrecarga. “É estresse sobre estresse”, destaca.

As famílias tentam encontrar formas de enfrentar a escassez, mas o nível de exaustão é muito alto.

Jovens também têm demonstrado preocupação crescente, fase de vida habitualmente marcada por construção de projetos e expectativas.

“Vimos aumento nos comportamentos suicidas entre adolescentes neste semestre”, alerta Peón, destacando que, embora não seja apenas resultado da crise, está relacionada ao contexto de pressão e incerteza que muitos jovens enfrentam.

Dificuldades e esperança

Na ilha de cerca de 9,4 milhões de habitantes, sinais de deterioração na saúde mental já eram visíveis antes da recente crise energética.

Estudos de 2025 com adultos indicaram níveis severos de depressão, ansiedade e estresse correlacionados diretamente com apagões prolongados.

Leandro Wanton, um guia turístico de 45 anos desempregado após o colapso do setor, admite que a frustração aparece frequentemente.

“Tem dias que acordo com vontade de explodir”, conta.

Ao lado do companheiro Roberto Ronda, chef de cozinha de 49 anos, tenta manter um pequeno negócio de alimentação em Havana Velha, onde os apagões atrapalham horários e estragam alimentos, tornando os dias imprevisíveis.

“Não há paz nem descanso”, afirma Roberto. “A saúde mental vai se desgastando.”

Ele também se mostra inseguro quanto ao futuro: “é incerto, a não ser que ocorram mudanças radicais no país”.

Em Consolación del Sur, na província de Pinar del Río, cerca de 150 km de Havana, o agricultor Fidel Maqueira passa as noites vigiando seus bois para evitar roubos, enquanto enfrenta apagões, falta de água e de recursos para suas plantações, além do aumento dos preços.

“Estamos vivendo tempos muito difíceis. Estamos à beira de perder a cabeça, não há tranquilidade”, afirma.

Para continuar, ele tenta “não pensar demais nos problemas” e resolver as situações com os poucos recursos disponíveis.

Quando anoitece em Havana, Mayumis Núñez volta a se deitar em frente ao prédio parcialmente destruído.

No dia seguinte, ela repetirá a rotina: subir ao que resta do apartamento, se preparar para o trabalho e tentar resolver os problemas da vida cotidiana.

Assim seguirá, dia após dia, buscando uma forma de sobreviver e dar um jeito nas dificuldades que a persistente crise impõe.

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