Brasil
Brasil conta com 596,3 mil fundações e associações sem fins lucrativos em 2023, revela IBGE
Em 2023, o Brasil possuía 596,3 mil unidades de Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil), conforme dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Este grupo de organizações cresceu 4% em relação ao ano anterior, acrescentando 23 mil novas entidades em apenas 12 meses. Dentre elas, mais de um terço, que corresponde a 210,7 mil (35,3% do total), são associações religiosas; 89,5 mil (15%) focam em cultura e lazer; 80,3 mil (13,5%) atuam no desenvolvimento e defesa de direitos; 69,5 mil (11,7%) são associações patronais e profissionais; 54 mil (9%) realizam assistência social; 28,9 mil (4,8%) se dedicam à educação e pesquisa; 5,5 mil (0,9%) trabalham com meio ambiente e proteção animal; 626 (0,1%) promovem habitação; e 49,1 mil (8,2%) abrangem outras finalidades institucionais.
A região Sudeste concentra a maior parte dessas instituições com 43,2%, seguida pelo Nordeste com 22% e Sul com 19,5%.
O número de trabalhadores assalariados nestas organizações apresentou um crescimento de 3,3% em 2023, com 87 mil novas vagas formais, somando um total de 2,7 milhões de funcionários. A remuneração média mensal paga por essas entidades foi de 2,8 salários mínimos, equivalente a R$ 3.630,71, representando um aumento de 5,4% em comparação ao ano anterior.
As mulheres compõem 68,9% do quadro de pessoal empregado nestas entidades, porém recebem, em média, 81% do salário recebido pelos homens. Em 2023, 85,6% das fundações privadas e associações sem fins lucrativos, isso é, 510,6 mil delas, não tinham empregados registrados formalmente.
O setor de Educação e Pesquisa, embora constitua apenas 4,8% do total das entidades, emprega 27,7% dos trabalhadores vinculados às Fasfil.
Brasil
Genro de falsa vidente é preso suspeito de causar morte de Sabine Boghici, herdeira de marchand
A Polícia Civil deteve preventivamente na tarde da segunda-feira Rafael Maia Cardoso, apontado como suspeito de incentivar, instigar ou ajudar no falecimento de Sabine Coll Boghici, filha do marchand Jean Boghici.
A prisão foi efetuada por agentes da 9ª DP (Catete), no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, cumprindo mandado da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital. Essa ação ocorre após a retomada das investigações sobre a morte de Sabine, conforme divulgado em setembro do ano passado, quando a mãe da vítima, Geneviève Boghici, contestou o veredito inicial de suicídio e apresentou evidências que apontam para a possibilidade de indução ao ato.
Conforme a polícia, as investigações começaram após o falecimento de Sabine em 14 de setembro de 2023, considerado inicialmente um caso de suicídio.
Durante o inquérito, foram reunidos depoimentos, vídeos e análises periciais que indicam maus-tratos constantes, agressões físicas, sofrimento psicológico intenso e restrição de liberdade sofridos pela herdeira. Esses fatos trouxeram o indiciamento de Rafael e geraram o pedido de prisão preventiva, que foi aceito pela Justiça.
Reabertura do Caso
A prisão marca um novo capítulo na investigação, que foi reaberta após a contestação da mãe de Sabine sobre a conclusão do suicídio. Ela defende que a filha possa ter sido levada ou incentivada a cometer o ato.
Sabine Coll Boghici, filha do marchand Jean Boghici — um dos maiores colecionadores e negociantes de arte do país — ficou conhecida em 2022 ao ser presa ao lado da falsa vidente Rosa Stanesco Nicolau, condenada por participação em um esquema que aplicou um golpe milionário contra Geneviève. A quadrilha convenceu a idosa da necessidade de trabalhos espirituais para salvar Sabine, obtendo dinheiro e obras valiosas. O prejuízo foi estimado em R$ 725 milhões.
Após conseguir habeas corpus, Sabine passou a viver em um apartamento na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, junto com Catarina das Graças Stanesco, filha da falsa vidente, Rafael Maia Cardoso, companheiro de Catarina, e uma criança adotada.
Relatos de Violência
Testemunhas declararam que, meses antes da morte, Sabine vivia em condições precárias e sofria violência constante. Vizinhos ouviram gritos e pedidos de ajuda. Em um episódio, um morador flagrou Sabine presa na varanda clamando por socorro e a Catarina se recusava a abrir a porta. A polícia foi chamada diversas vezes, mas não conseguiu acessar o imóvel, pois os moradores alegavam que tudo estava normal.
Sabine apresentava hematomas, roupas desgastadas e sinais de desorientação, confirmados por imagens das câmeras de segurança.
Na véspera do falecimento, testemunhas ouviram Sabine dizer que não aguentava mais apanhar, e ouviram Catarina responder que a violência continuaria até sua mãe sair da prisão.
Outra testemunha relatou que uma diarista que tentou ajudar acabou atacada, com Catarina puxando Sabine pelos cabelos e esfregando seu rosto em fezes e urina de cães. Em outra ocasião, Sabine tentou se jogar da janela, porém foi impedida por uma amiga e por Rafael.
Morte e Novas Ações Investigativas
Sabine caiu do quarto andar em 14 de setembro de 2023. Naquele dia, Catarina, Rafael e outro familiar haviam saído do apartamento menos de uma hora antes. Funcionários do condomínio encontraram a vítima viva porém desorientada.
O laudo indicou um apartamento desordenado, com fezes espalhadas e o quarto em condições precárias. Foi encontrada uma carta atribuída a Sabine, dirigida a Rosa Stanesco.
Em maio de 2024, o responsável pelo caso na 15ª DP (Gávea) solicitou a prisão de Catarina e Rafael pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado, mas o Ministério Público arquivou o pedido na época.
Por solicitação da defesa de Geneviève Boghici, as investigações foram reabertas para apurar a possibilidade de indução ao suicídio qualificado pelo resultado morte. A mãe de Sabine também pediu a exumação do corpo para analisar a hipótese de envenenamento.
Brasil
Guia simples e inteligência artificial para evitar propaganda enganosa
Empresas e consumidores têm agora acesso a um guia online gratuito para comunicação transparente, que orienta sobre práticas responsáveis em divulgação socioambiental e governança. Uma inteligência artificial (IA) também foi desenvolvida para tirar dúvidas sobre o assunto.
Este guia foi criado pela Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar (Pace), uma ação do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) – Rede Brasil. O manual traz critérios práticos para ajudar as organizações a comunicar suas iniciativas de ESG (ambiental, social e governança).
Ana Urquiza, gerente de Comunicação e Sustentabilidade Corporativa do Pacto Global da ONU, comenta que esta ferramenta inclui checklists e metodologias úteis para diferentes profissionais, como conselhos administrativos, marketing, comunicação, sustentabilidade, conformidade jurídica, entre outros.
O conceito de anti-washing vem do termo em inglês greenwashing, criado nos anos 80 para descrever ações ambientais enganosas, e hoje abrange também práticas falsas em áreas sociais e de governança.
Este manual está disponível no site do Pacto Global – Rede Brasil.
Inteligência Artificial
Ellen Bileski, diretora executiva da Ecomunica e cocriadora das ferramentas, explica que o objetivo é dar confiança às equipes de comunicação para divulgar ações ESG de forma segura, superando o receio de ser alvo de críticas infundadas.
A inteligência artificial foi treinada com o conteúdo do manual e também com documentos importantes como os do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, o Global Reporting Initiative (GRI) e o International Sustainability Standards Board (ISSB), que são referências globais em sustentabilidade.
O assistente está disponível dentro do ChatGPT e pode ajudar na revisão de textos institucionais, criação de campanhas, análise de riscos e suporte à comunicação ESG.
Ellen Bileski destaca que escolheram a plataforma ChatGPT justamente por ser acessível e amplamente usada, tornando a inteligência artificial disponível para todos.
Consumidores também podem usar a ferramenta para verificar a veracidade de campanhas publicitárias.
Ana Urquiza enfatiza que esses recursos foram estruturados com base nos três pilares da Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar: ética, comprovação e envolvimento.
As empresas são orientadas a divulgar informações éticas, baseadas em evidências claras e de maneira transparente, garantindo que a comunidade possa verificar a coerência entre discurso e prática.
Brasil
Influenciadora Nick Frazão é presa por roubo e agressão, já teve ligação com gangue
A detenção da influenciadora digital Nicolly Evangelista do Carmo, de 34 anos, conhecida nas redes sociais como Nick Frazão, na última segunda-feira, reaviva um histórico policial que data de 2011.
Ao longo dos últimos quinze anos, ela enfrentou prisões e inquéritos por furtos, participação em quadrilha, rufianismo — que consiste em explorar a prostituição alheia — e roubos com arma branca. Essa trajetória contrasta fortemente com a imagem que construía para seus mais de 100 mil seguidores, ostentando viagens para destinos como as Maldivas e Paris, além de apresentar um podcast.
Uma longa lista de antecedentes
Os registros mais antigos associam Nicolly, então conhecida como Marlon Evangelista do Carmo antes de sua transição, a um flagrante por furto contra um turista em Copacabana, ocorrido em 2011.
Em 2013, ela foi mencionada em investigação da 5ª Delegacia de Polícia (Mem de Sá) como integrante de uma quadrilha que agia nos arredores dos Arcos da Lapa, atacando e roubando pessoas com estiletes.
Na época, uma reportagem detalhou o caso de um estudante de 21 anos que foi brutalmente agredido com 100 pontos no rosto e corpo após tentar recuperar seu celular roubado. Nick, então chamada de Nicolly Frazão, e outra integrante estavam foragidas, e a polícia já mapeava o modus operandi da quadrilha, especialmente ativa nas madrugadas de quinta a sábado.
Em 2014, passou a ser investigada por rufianismo e favorecimento à prostituição, sendo presa em Guarulhos (SP) com base em um mandado expedido no Rio de Janeiro.
O processo culminou em sua condenação em 2019, após um roubo igualmente violento na Avenida Mem de Sá que deixou uma vítima hospitalizada com ferimentos no rosto causados por um estilete. A sentença final fixou a pena em 8 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão em regime fechado, conforme mandado da 29ª Vara Criminal da Capital.
Em 2023, uma vítima relatou à polícia ter sido perseguida e ameaçada por Nicolly em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, onde ela era conhecida como “dona da prostituição de travestis”. A vítima informou ainda ter sido atacada com spray de pimenta e proibida de frequentar o calçadão do bairro.
No ano seguinte, Nicolly foi presa pela Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme) por um caso de roubo que foi arquivado posteriormente.
Vida de ostentação e podcast
Nas redes sociais, Nicolly mostrava um estilo de vida luxuoso destoando de sua ficha criminal. Seu perfil oficial, com 103 mil seguidores e 39 publicações, exibia relatos de viagens ao Brasil, Dubai, França, Reino Unido e Ilhas Maldivas e informava que sua conta já fora derrubada três vezes.
Ela também apresentava o podcast PodTmais+, com 23,9 mil seguidores, descrito como um espaço para conversas inspiradoras, provocativas e divertidas, incluindo um quadro picante chamado “Cospe ou Engole”.
Fotos fixadas exibem Nicolly em cenários sofisticados, como as Maldivas com biquínis e acessórios de grife, e uma imagem na Torre Eiffel, em Paris.
Publicações recentes celebram a marca de 100 mil seguidores e mostram encontros com amigas, ensaios fotográficos, maquiagem refinada, roupas elegantes, joias e presença em camarotes exclusivos.
Sobre a prisão recente
Policiais civis da 17ª DP (São Cristóvão), com apoio da 28ª DP (Praça Seca) e da 44ª DP (Inhaúma), cumpriram um mandado de prisão temporária contra Nicolly nesta segunda-feira, seguindo denúncia de uma vítima que contratou um programa na Rua Ceará, mas desistiu ao perceber uma situação divergente do combinado.
O homem foi levado a um Hyundai Creta azul, agredido, teve seu cordão de ouro avaliado em aproximadamente R$ 14 mil roubado e foi forçado a sair do veículo. A vítima reconheceu Nicolly por fotografia e por seu perfil nas redes sociais.
No endereço em Paciência, os policiais apreenderam o carro, que apresentava características semelhantes a casos investigados pela 17ª DP, além de um bastão de beisebol com estampa da Barbie, bastão retrátil, spray de pimenta e uma faca. As semelhanças foram notadas também em outro inquérito sobre roubos na região da Quinta da Boa Vista.
A prisão temporária, válida por cinco dias, foi determinada pelo plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio, em razão da suspeita de roubo. Trata-se de um procedimento distinto da condenação por roubo em 2019, que já havia motivado sua detenção em 2024.
A reportagem entrou em contato com a defesa da influenciadora, que até o momento não se manifestou sobre o caso.
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