Brasil
São Paulo teve grande terremoto há 2,5 milhões de anos, diz estudo

(SP) ( Fabio Vieira/FotoRua/Getty Images)
Feições geológicas encontradas no subsolo do centro da capital paulista indicam que a região registrou um terremoto de grande magnitude há pelo menos 2,5 milhões de anos – bem pouco tempo do ponto de vista geológico. Um trabalho recente, publicado por pesquisadores da USP e da Universidade Federal do ABC, é o primeiro a documentar registros de abalos sísmicos de magnitude tão alta na região. Os tremores podem ter sido causados pela queda de um meteorito ou por atividade tectônica.
Publicado na Sedimentary Geology, o estudo revela que pelo menos um grande terremoto ocorreu na região, alcançando uma magnitude de, no mínimo, 6 graus na escala Richter – o suficiente para destruir boa parte do centro da cidade, se ocorresse nos dias de hoje. Os pesquisadores não sabem exatamente o que pode ter causado um terremoto tão intenso, mas uma das principais suspeitas é de que tenha sido a queda de um meteorito.
De fato, existe uma cratera na zona sul da cidade, a cerca de 40 km do centro, com 3,6 km de diâmetro e 450 m de profundidade, a Cratera Colônia, que passou muito tempo despercebida. Ela está coberta por sedimentos que formam uma planície. Os bairros de Colônia e Vargem Grande foram erguidos na região. Só na década de 1960 imagens aéreas e de satélite revelaram a cratera. Pela análise das bordas e dos sedimentos de seu fundo, é possível dizer que ela foi causada pela queda de um meteorito.
Atividade tectônica
A outra hipótese levantada pelos pesquisadores é de que o terremoto tenha sido causado por atividade tectônica. O Brasil está localizado bem no centro da Placa Sul-Americana e, por isso mesmo, os abalos sísmicos são raros por aqui. Terremotos são muito mais frequentes em regiões onde placas diferentes se encontram, pois há risco de choque entre elas. Porém, alertam os cientistas, tremores podem ocorrer em outras áreas pela simples movimentação das placas.
Se foi essa movimentação que causou os abalos sísmicos, existe um risco, ainda que remoto, de isso acontecer novamente na região. “Caso a gente consiga provar que não há relação entre o tremor e a Cratera Colônia, a única opção que nos restaria seria um terremoto de origem tectônica”, disse o geólogo Maurício Guerreiro dos Santos, da Universidade Federal do ABC, um dos autores do estudo. “Não seria algo inédito, isso ocorre com alguma frequência, embora seja mais comum nas bordas das placas tectônicas. Se um terremoto desses ocorresse hoje seria uma catástrofe completa, as construções de São Paulo não são feitas para esse tipo de ocorrência”, disse.
“Os grandes terremotos, em geral, ocorrem na plataforma continental, a 2 mil km de distância, e quando chegam aqui é com tremores muito fracos”, afirmou o geólogo Renato Henrique Pinto, do Instituto de Geociências da USP, que também assina o estudo. “A queda do meteorito faz mais sentido tanto do ponto de vista geológico, quanto da estratigrafia.”
Isolamento na pandemia
Os pesquisadores decidiram pesquisar o subsolo da cidade quando se viram no isolamento forçado pela pandemia de covid-19, em 2020. Estudar o subsolo paulistano não é uma tarefa simples, por causa da pavimentação e das construções, Os geólogos buscaram afloramentos de rochas no próprio câmpus da USP e também em praças no centro. O tipo de rocha encontrado é típico de regiões em que houve tremores de grande magnitude. Os pesquisadores também usaram os levantamentos do subsolo feitos pelo Metrô.
“Precisamos preservar esses afloramentos”, afirmou Renato Henrique Pinto. “Se forem cimentados, ninguém nunca mais vai poder ver. Então escrevi um projeto, para montarmos um roteiro de visitação e, se conseguirmos verba, fazer uma datação.”
Brasil
Gravidez diminui chances e independência de meninas, aponta estudo
A gravidez na infância ou adolescência interrompeu os estudos de 61% das jovens pesquisadas pela organização não governamental Plan Brasil. Intitulado Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil, o estudo está disponível no site da entidade.
A pesquisa consultou mais de 1.500 mulheres entre 19 e 29 anos de todas as regiões do Brasil, comparando dois grupos: aquelas que tiveram gravidez na infância ou adolescência e as que não tiveram essa experiência.
No grupo das que não engravidaram jovens, o percentual de interrupção dos estudos é de 33%.
Cynthia Betti, CEO da Plan Brasil, destaca que a gravidez nessa fase da vida intensifica desigualdades já existentes antes da gestação.
“Os dados evidenciam que essas meninas enfrentam obstáculos acumulados na educação, saúde, mercado de trabalho e no exercício dos direitos básicos”, afirmou.
Oito em cada dez entrevistadas (83%) relatam ter abandonado um emprego ou perdido alguma oportunidade profissional para cuidar dos filhos.
Mesmo partindo de contextos semelhantes, as jovens que engravidaram na infância ou adolescência enfrentam desvantagens significativas ao longo da vida.
O estudo indica que 73% das entrevistadas já sofreram discriminação por causa da gravidez, seja em ambiente familiar, escolar ou em serviços de saúde.
O preconceito surge frequentemente nos depoimentos, com julgamentos sobre sua capacidade intelectual, moral e profissional.
Casamento na adolescência
A pesquisa também aponta que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união logo após a primeira gestação.
Registra-se um aumento de 19 pontos percentuais na chance de casamento antes dos 16 anos entre essas jovens.
Entre as que engravidaram antes dos 14 anos, metade (50%) não teve acesso à interrupção legal da gestação nos serviços de saúde.
Segundo a legislação brasileira, toda gravidez em menores de 14 anos é considerada resultado de estupro de vulnerável.
Cynthia ressalta que essas jovens não perderam apenas um emprego ou um ano de estudo, mas sim a possibilidade de escolher seus próprios caminhos no momento em que mais precisavam de autonomia.
“Transformar essa realidade requer a implementação, acompanhamento e financiamento de políticas públicas integradas e focadas na prevenção, ao invés de ações isoladas. Ouvir essas experiências transforma estatísticas em compromisso social”, avaliou.
Recomendações
O estudo sugere várias medidas, incluindo a promoção da educação sexual baseada em direitos, acesso facilitado a métodos contraceptivos, e a universalização de creches com horários que atendam às rotinas de estudo e trabalho.
Destaque ainda para a necessidade de combater a violência obstétrica, coerção contraceptiva e implementar políticas de inserção no mercado de trabalho direcionadas às jovens mães.
Brasil
SUS amplia para 100 mil teleatendimentos mensais para dependência de apostas
O Sistema Único de Saúde (SUS) expandiu o serviço de teleatendimento para até 100 mil atendimentos por mês, destinados a pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas online. A medida entrou em vigor nesta terça-feira (4).
Desde que o serviço foi lançado em março, a média mensal era de 600 teleatendimentos. Segundo o Ministério da Saúde, essa ampliação se fez necessária devido ao aumento na demanda.
O atendimento é disponibilizado pelo aplicativo Meu SUS Digital, em colaboração com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Oferecendo suporte de maneira remota, confidencial e acolhedora, o serviço proporciona orientação e acompanhamento especializado, funcionando como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
Dados do ministério mostram que mais de 1 milhão de pessoas usaram a ferramenta de autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas, por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pelo Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.
Os registros indicam que 35% dessas pessoas pediram a autoexclusão devido à perda do controle sobre suas apostas.
Sinais de alerta para o vício em apostas
- Alterações no padrão de sono, alimentação ou estado emocional;
- Mentir para familiares e amigos sobre o envolvimento com apostas;
- Sentimentos de vergonha e culpa relacionados ao jogo;
- Ansiedade, irritabilidade e inquietação quando não estão apostando;
- Uso do jogo para enfrentar o estresse ou frustrações;
- Dificuldade em reduzir ou parar de apostar;
- Impacto negativo nas relações pessoais e profissionais;
- Aumento do consumo de álcool e outras substâncias;
- Descontrole financeiro causado pelos gastos com apostas.
Fatores que aumentam o risco
- Início precoce em jogos de aposta;
- Facilidade no acesso a plataformas de jogos online;
- Busca por escape emocional ou para fugir de problemas;
- Presença de transtornos mentais como depressão e ansiedade;
- Impulsividade e desejo por recompensas imediatas;
- Influência social e cultural que glamoriza o ato de apostar;
- Isolamento social e sensação de solidão;
- Fragilidades sociais e econômicas.
Brasil
Carlos Palacios é investigado por suspeita de tráfico no Chile
O atacante Carlos Palacios, que jogou no Internacional e no Vasco durante sua carreira no futebol brasileiro, está sendo investigado pela Justiça do Chile em uma ação contra uma possível rede de tráfico de drogas.
Embora o jogador actualmente no Boca Juniors não tenha sido formalmente acusado, as autoridades estão examinando a ligação entre um carro e uma propriedade associados a ele dentro do contexto da investigação.
O caso veio à tona após a prisão de Sebastián Guerra Soto, sogro de Palacios, apontado como um dos líderes da organização criminosa conhecida como “Los Pájaros” pela Promotoria Metropolitana Sul.
Na operação, foram confiscados mais de uma tonelada de drogas, armas, veículos e dinheiro em espécie, avaliados em aproximadamente 18 bilhões de pesos chilenos (quase R$ 99 milhões).
Guerra Soto foi capturado enquanto dirigia um Mercedes-Benz registrado no nome do jogador, veículo que as autoridades suspeitam ter sido utilizado no transporte de entorpecentes.
Além disso, durante uma busca em um imóvel alugado pela filha de Guerra Soto, a polícia encontrou drogas e armamentos. A residência supostamente era financiada por Carlos Palacios.
A apuração acontece em um momento difícil para o atacante chileno, que está se recuperando de uma lesão no músculo adutor, problema que o afastou das últimas partidas do Boca Juniors, incluindo os playoffs da Copa Sul-Americana contra o O’Higgins.
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