Saúde
Teste do Pezinho: o que é, para que serve e quando deve ser feito
Também conhecido como triagem neonatal, o exame é importante para detectar precocemente doenças que podem comprometer o desenvolvimento e qualidade de vida de bebês recém-nascidos

O teste do pezinho, ou triagem neonatal, é capaz de detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas, endócrinas e infecciosas em bebês recém-nascidos
Mike Kemp/GettyImages
O teste do pezinho, também conhecido como triagem neonatal, é um exame capaz de detectar precocemente uma série de doenças genéticas e metabólicas. O teste faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) e deve ser realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê, segundo recomendação do Ministério da Saúde.
Para que serve o teste do pezinho?
Segundo Thaísa Lucktemberg, biomédica e supervisora do Setor Neonatal do DB Diagnósticos, o teste do pezinho serve para detectar doenças que, muitas vezes, são assintomáticas nos primeiros dias de vida.
“Com apenas um pouquinho do sangue do bebê, é possível prevenir complicações graves, identificando doenças que poderiam causar atrasos no desenvolvimento, internações prolongadas e tratamentos de alta complexidade que seriam necessários caso as doenças fossem diagnosticadas tardiamente”, diz.
Quais doenças podem ser detectadas pelo teste do pezinho?
Entre as doenças que podem ser detectadas pela triagem neonatal estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a doença falciforme, aminoacidopatias, a fibrose cística, a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase.
Qual é a importância do teste do pezinho?
A importância da realização do teste do pezinho é detectar doenças graves ainda no início da vida. Uma delas é a fenilcetonúria, uma condição em que o organismo não consegue metabolizar um aminoácido chamado fenilalanina. Se não tratada, essa doença pode levar a danos cerebrais. Com o diagnóstico precoce, é possível iniciar uma dieta especial para a criança já que a substância está presente em diversos alimentos ricos em proteínas, como carnes, ovos e leite.
Outro exemplo é a atrofia muscular espinhal (AME), uma das doenças que será incorporada no exame no SUS na última fase de ampliação do teste do pezinho. Essa é uma doença neuromuscular progressiva que pode levar à morte, principalmente nos casos em que o início dos sintomas é precoce, devido ao comprometimento respiratório e da deglutição.
O diagnóstico da AME pelo Teste do Pezinho é primordial, do ponto de vista de Juliana Gurgel Giannetti, neurologista infantil, presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.
“O melhor tratamento para a AME é aquele iniciado mais rápido. Essa é a diferença crucial da ampliação da triagem neonatal, porque essas crianças passariam pela consulta com o pediatra ou neurologista infantil e não seria identificado nenhum sinal da doença. Então, quando retornasse ao médico, já poderiam apresentar fraqueza, dificuldade para mamar ou respirar”, explica.
Quando e onde o teste do pezinho deve ser feito?
O teste do pezinho deve ser colhido em todos os recém-nascidos entre o 3º e o 5º dia de vida. Geralmente, o exame é realizado ainda na maternidade, mas caso o bebê receba alta antes da coleta do teste, ele pode ser encaminhado às Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência para colher o exame.
Segundo a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial (SBPC/ML), os recém-nascidos prematuros também podem realizar o teste. No entanto, poderá haver uma convocação para uma nova coleta entre a 2ª e a 6ª semana de vida, dependendo da imaturidade e dos procedimentos que o prematuro precisou realizar na unidade neonatal.
No Brasil, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) oferece o teste do pezinho de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS), contemplando mais de 50 doenças em algumas regiões do país. Na rede particular, é possível encontrar outras versões desse teste, que diferem entre si quanto às técnicas utilizadas e ao número e grupo de doenças a serem analisadas.
Como o teste é feito?
O teste do pezinho é feito colhendo uma pequena amostra de sangue do pé do recém-nascido — e essa é a origem do seu nome popular — em papel filtro específico. Essa amostra é levada para análise em laboratório, que poderá identificar a presença ou não de doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas.
“É compreensível que os pais fiquem aflitos, mas o exame é feito sempre por profissionais experientes que executam tudo com precisão e rapidez. Com uma agulha muito fina, chamada lanceta, algumas gotinhas de sangue são coletadas do calcanhar do bebê e absorvidas por um papel especial. O exame é feito nesse local porque nele estão presentes muitos vasos sanguíneos, o que facilita o acesso ao sangue do bebê”, explica Lucktemberg.
Notícias
Anvisa bloqueia venda ilegal de insulina e tirzepatida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A medida foi oficializada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União.
Segundo comunicado da Anvisa, a empresa distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir a devida Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE), em descumprimento às normas sanitárias vigentes.
Uma inspeção da vigilância sanitária de Petrópolis (RJ) realizada no início de setembro revelou que a empresa não opera no endereço registrado e que não possui licença sanitária naquele local.
A Agência Brasil tentou contato com a Costa Mar Comércio Licitatório Ltda., sem sucesso até a data de publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Peptídeos
A resolução também interditou a venda de diversos peptídeos sem registro, comercializados por meio do site indicado pela Anvisa.
Peptídeos são moléculas produzidas pelo corpo humano que desempenham diversas funções, podendo atuar como hormônios ou na regulação de processos biológicos, como cicatrização e resposta imunológica.
Recentemente, um hormônio peptídeo específico ganhou destaque: o glucagon-1 (GLP-1), produzido naturalmente pelo organismo e responsável pelo controle da saciedade e dos níveis de açúcar no sangue.
Duas substâncias que imitam o efeito do GLP-1 surgiram como tratamentos para diabetes e obesidade: a tirzepatida e a semaglutida, popularmente chamadas de canetas para emagrecimento.
Conforme a Anvisa, os produtos vendidos no site mencionado, sem registro, estão proibidos de serem comercializados, fabricados, distribuídos, promovidos, transportados ou utilizados. A restrição vale para pessoas físicas, jurídicas e meios de comunicação.
A proibição alcança também peptídeos sem notificação ou cadastro na Anvisa, fabricados por empresas desconhecidas e disponíveis no mercado online.
Lista de produtos proibidos para apreensão:
- BPC157 & TB500 40 mg – Alluvi Healthcare
- NAD+ 1000 mg – Synedica Labs
- Tirzegen 60 mg Tirzepatida – Oxygen Pharm
- Retagen 40 mg Retatrutide – Oxygen Pharm
- Glow GHK-CU 70 mg – Alluvi Healthcare
- Retatrutide 40 mg – Alluvi Healthcare
Recolhimento de medicamentos
A Anvisa também determinou a suspensão da venda, distribuição e uso do lote JNYJ1201 do antibiótico Imaavy – 300 mg, após comunicação da empresa Janssen – Cilag Farmacêutica sobre um recolhimento voluntário do produto.
Segundo a fabricante, existe a possibilidade de presença de partículas de vidro nos frascos deste lote.
Além disso, a agência ordenou o recolhimento do lote 0000207107 do medicamento Lizbi – 2 mg/ml, produzido pela Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A..
Foi constatada uma falha na qualidade relacionada à perda de esterilidade da solução, decorrente da integridade comprometida da embalagem primária.
A Agência Brasil entrou em contato com a Halex Istar Indústria Farmacêutica S.A. e aguarda uma resposta.
Notícias
Nobel de Medicina 2026 promete avanços no estudo do cérebro
Karl Deisseroth, pesquisador dos Estados Unidos que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, é um psiquiatra, neurocientista e engenheiro de bioprocessos com mais de vinte anos dedicados a desvendar os segredos do cérebro.
Este professor da Universidade de Stanford falou à AFP sobre o Nobel concedido na segunda-feira (5) por sua pesquisa em optogenética — uma técnica que combina luz e genética — compartilhado com os cientistas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.
O grupo foi premiado “pela descoberta de um interruptor molecular para as células nervosas”, declarou o Comitê do Nobel.
Qual é o diferencial do método?
“Este é um objetivo buscado há muito tempo pela neurociência, pois o cérebro é extremamente complexo, com bilhões de células lado a lado desempenhando funções muito distintas”, explicou Deisseroth à AFP.
“Precisávamos de uma maneira de identificar essas células, controlar uma sem afetar as outras. A solução encontrada foi usar algo que normalmente elas não respondem: a luz, e tornar apenas algumas células sensíveis à luz”.
“Assim, temos uma forma eficaz de ser específico.”
Como essa descoberta impacta a psiquiatria?
Com a luz, os cientistas podem ativar ou desativar circuitos neurais específicos no cérebro. Também identificaram circuitos que controlam memórias, emoções e comportamentos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
“Ao contrário da maioria das áreas médicas, a psiquiatria não tem um modelo claro das diferenças biológicas”, disse Deisseroth.
“Na cardiologia, por exemplo, podemos analisar a insuficiência cardíaca como uma falha na bomba que é o coração, quantificando seu desempenho.”
“No cérebro, não temos essa medida objetiva. Isso sempre foi um desafio na psiquiatria, mas a optogenética ajuda a determinar quais células estão superativas ou subativas, guiando os tratamentos de forma mais precisa.”
Há possibilidades de tratamentos?
“Ao identificar as células envolvidas, podemos testar medicamentos mais eficazes e reduzir as incertezas nos ensaios clínicos”, falou Deisseroth.
“Isso é muito promissor. Já há grandes estudos clínicos avançando para fases finais, focados em tratamentos baseados na optogenética para autismo e esquizofrenia, com resultados animadores.”
Quais seriam os benefícios para os pacientes?
“Por exemplo, no autismo, os tratamentos atuais para irritabilidade — comportamento agressivo e descontrole — são antipsicóticos fortes, que causam efeitos colaterais como ganho de peso e sedação, mas ainda são usados devido à falta de opções.”
“Agora, estão sendo testados medicamentos não antipsicóticos para essa condição, que são totalmente diferentes.”
Deisseroth também comentou sobre a doença de Parkinson.
“O Parkinson envolve a morte dos neurônios dopaminérgicos, que influenciam várias funções como movimento, motivação, vômito e lactação.”
“Os medicamentos atuais afetam todos esses sistemas, criando problemas. Com a optogenética, esperamos desenvolver tratamentos que atuem especificamente no movimento, principal sintoma da doença.”
Qual o impacto para a neurotecnologia?
“As interfaces cérebro-computador hoje usam principalmente eletricidade para captar e estimular a atividade cerebral.”
“Os métodos ópticos poderiam oferecer uma nova forma de comunicação, usando luz em vez de eletricidade. Porém, essa aplicação ainda está distante e precisará de mais desenvolvimento.”
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Anvisa autoriza novo remédio para tratar doença de Fabry
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Fabry. O remédio Elfabrio, que é o nome comercial da alfapegunigalsidase, é indicado para adultos que necessitam de terapia de reposição enzimática (TRE) por um longo período.
Essa doença rara é genética e lisossômica, causada pela falta da enzima α-galactosidase A, o que provoca o acúmulo da substância globotriaosilceramida (Gb3) em vários órgãos e tecidos do corpo.
Entre os sintomas da doença de Fabry estão problemas renais, doenças cardíacas, distúrbios cerebrovasculares, neuropatia periférica, perda de sensibilidade, problemas auditivos, lesões características na pele chamadas angioqueratomas, e sintomas gastrointestinais como diarreia e dores abdominais.
Elfabrio age substituindo a enzima que falta no organismo, a alfagalactosidase, ajudando a quebrar essa substância acumulada e facilitando sua eliminação. Isso contribui para evitar o avanço dos danos cardíacos e da insuficiência renal. O medicamento é fornecido em frascos de 10 ml em forma de solução estéril para diluição e é administrado através de infusão intravenosa, conforme explicou a Anvisa.
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