Mundo
Racha na Suprema Corte dos EUA se aprofunda com decisão sobre Donald Trump
Conservadores são maioria no tribunal; juízes liberais criticam abertamente decisões controversas

Prédio da Suprema Corte dos EUA em Washington
20/05/2024REUTERS/Evelyn Hockstein
As divisões da Suprema Corte dos EUA aprofundaram-se ao longo dos últimos nove meses. Nesta semana, a situação ficou ainda pior com uma decisão impulsionada pela sua maioria conservadora, concedendo ao ex-presidente Donald Trump imunidade parcial pelas ações tomadas enquanto o republicano estava no cargo.
Nessa formação atual, a corte restringiu a capacidade do governo dos EUA de regular a indústria – na sequência de ações recentes em que revogaram os direitos ao aborto, expandiram os direitos às armas e rejeitaram admissões universitárias baseadas em cotas raciais – revelou fraturas ideológicas que refletem uma nação profundamente dividida.
Essas e outras decisões moveram a lei americana acentuadamente para a direita.
A juíza liberal Sonia Sotomayor acusou os seus colegas conservadores de abraçarem uma perigosa expansão dos poderes presidenciais ao decidir que Trump, que agora procura regressar à Casa Branca, está imune de acusação por alguns dos seus esforços para anular a derrota nas eleições de 2020, o que levou ao Ataque ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021.
Trump é o primeiro ex-presidente dos EUA a ser acusado criminalmente e o primeiro a ser condenado. Ele é agora o adversário republicano do presidente democrata Joe Biden nas eleições de 5 de novembro nos EUA, uma revanche da disputa de quatro anos atrás.
“A relação entre o presidente e as pessoas que ele serve mudou irrevogavelmente”, escreveu Sotomayor em divergência, acompanhada pelos colegas juízes liberais Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson. “Em cada uso do poder oficial, o presidente é agora um rei acima da lei”.
O presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, parte da maioria conservadora fortalecida pelos três nomeados por Trump, na sua decisão acusou os liberais de “promoverem o medo com base em hipóteses extremas”.
O professor da Escola de Direito de Harvard, Mark Tushnet, disse que este mandato intensificou a divisão ideológica no principal órgão judicial dos EUA.
“A divisão entre conservadores e progressistas, que existia antes deste mandato, parece-me ter endurecido um pouco, embora não esteja completamente calcificada”, disse Tushnet. “O rancor, que novamente podia ser visto antes deste mandato, parece-me ter aumentado”.
Opinião pública
A posição do tribunal nas sondagens de opinião pública dividiu-se em linhas partidárias.
Antes da decisão de junho de 2022 que pôs fim ao reconhecimento pelo tribunal do direito constitucional da mulher ao aborto, a maioria dos republicanos e democratas via o tribunal com bons olhos, de acordo com uma sondagem Reuters/Ipsos. Desde então, os democratas azedaram, enquanto a aprovação republicana aumentou.
Em dezembro de 2021, 57% dos respondentes – incluindo 57% dos Democratas e 55% dos Republicanos – expressaram uma opinião favorável do tribunal. Uma pesquisa no mês passado revelou que a aprovação dos democratas caiu para 22%, com a aprovação dos republicanos subindo para 69%. Isso colocou a aprovação geral em 41%.
Um esforço contínuo dos democratas no Congresso para a reforma ética do Supremo Tribunal fez poucos progressos neste mandato, mesmo quando os juízes conservadores enfrentaram um novo escrutínio para ações fora do tribunal.
O juiz Samuel Alito, por exemplo, tinha hasteadas em duas de suas casas bandeiras ligadas ao movimento de 6 de janeiro. Já o juiz Clarence Thomas não divulgou férias de luxo que aceitou de um amigo bilionário.
Alito disse que foi sua esposa quem hasteou as bandeiras. Thomas disse que considerava as viagens um tipo de hospitalidade pessoal trocada regularmente entre amigos.
‘Hubis judicial’
Outra decisão decidida em linhas ideológicas desferiu um grande golpe na semana passada ao poder regulador federal ao anular um precedente de 1984 que levou a uma doutrina jurídica conhecida como “deferência Chevron”, que apelava aos juízes para darem deferência às agências federais na interpretação das leis que administram. .
Kagan disse que o tribunal elevou seu poder sobre os outros dois poderes do governo dos EUA – executivo e legislativo.
“Uma regra de humildade judicial dá lugar a uma regra de arrogância judicial”, escreveu Kagan. “Nos últimos anos, este tribunal muitas vezes tomou para si a autoridade de tomada de decisão que o Congresso atribuiu às agências”.
Os liberais do tribunal expressaram o seu descontentamento para além das suas dissidências escritas.
“Há dias em que cheguei ao meu escritório após o anúncio de um caso, fechei a porta e chorei”, disse Sotomayor durante comentários em maio na Universidade de Harvard. “E provavelmente haverá mais.”
Nem todas as discussões bruscas dentro do tribunal ocorreram na divisão entre conservadores e liberais.
O tribunal decidiu por 6 votos a 3 no mês passado permitir – por enquanto – a realização de abortos em Idaho quando mulheres grávidas enfrentam emergências médicas. Mas os juízes dispensaram a questão controversa sem realmente decidirem a disputa legal subjacente.
Alito, Thomas e o colega conservador Neil Gorsuch foram os dissidentes.
“Aparentemente, o tribunal simplesmente perdeu a vontade de decidir a questão fácil, mas emocional e altamente politizada, que o caso apresenta. Isso é lamentável”, disse Alito.
Jennifer Mascott, professora de direito da Universidade Católica, disse que dissidentes amargos têm uma longa história no Supremo Tribunal. Ela apontou casos em que este termo “vão contra a narrativa” de que o tribunal está ideologicamente dividido ou se opõe reflexivamente ao “estado administrativo” regulador.
Mascott citou a decisão do tribunal por 7-2, de autoria de Thomas, que manteve o mecanismo de financiamento do Consumer Financial Protection Bureau, entregando uma vitória à administração de Biden e um revés aos críticos conservadores da agência.
Mas outros especialistas jurídicos disseram que este termo será lembrado por decisões que minaram o poder regulador federal e aumentaram enormemente os poderes presidenciais, com escasso apoio dos liberais do tribunal.
“Em outras circunstâncias, o fracasso do presidente do Supremo Tribunal Roberts em atrair pelo menos um progressista para o seu lado no caso da imunidade presidencial seria considerado um grave fracasso de liderança”, disse Tushnet. “Seu tom ao responder às dissidências, que é mais elevado do que me parece necessário, pode decorrer em parte dessa frustração.”
Mundo
Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos
A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.
Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.
Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.
Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.
A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.
Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.
Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.
As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.
O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.
Mundo
Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul
Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.
“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.
A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.
Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.
O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.
“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.
Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.
Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.
O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.
No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.
Mundo
Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.
Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.
“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.
As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.
“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.
A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.
Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.
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