Brasil
Quem é Márcio Canella, deputado estadual do Rio preso em operação da PF
Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella (União Brasil), o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, foi detido na manhã desta quinta-feira durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A operação tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa suspeita de empregar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos.
A carreira política de Márcio Canella teve início em 2012, quando foi eleito vereador em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Em 2014, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2016, foi eleito vice-prefeito do município e, duas anos depois, retornou como deputado estadual. Eventualmente, chegou a ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Em 2024, foi eleito prefeito de Belford Roxo, mas optou por renunciar ao cargo no começo deste ano para tentar uma candidatura ao Senado pelo estado do Rio de Janeiro. Entretanto, em agosto, anunciou nas redes sociais que desistiria da disputa ao Senado e que tentaria reeleição como deputado estadual, afirmando que sua decisão visava manter uma atuação mais próxima da população da Baixada Fluminense.
“Decidimos que a melhor escolha, neste momento, é continuar ao lado daqueles que mais necessitam. Por isso, vou disputar um novo mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro”, declarou em uma publicação nas redes sociais.
Esta não é a primeira vez que Márcio Canella foi preso na mesma operação. Em julho deste ano, ele foi detido em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante a sexta fase da mesma ação da Polícia Federal, quando foi encontrado um fuzil em seu veículo. O deputado afirmou que a arma não era de sua propriedade.
Brasil
PF diz que Canella é líder político e organizador de quadrilha ligada ao Comando Vermelho
A Polícia Federal qualificou o deputado eleito Márcio Canella (União), preso na manhã desta quinta-feira, como um líder político e organizador de alto nível de uma quadrilha associada ao Comando Vermelho. Conforme os investigadores, Canella funcionava como uma ligação entre o governo, uma rede de postos de combustíveis usada para lavagem de dinheiro do crime organizado e os membros do grupo alvo da mais recente fase da Operação Unha e Carne.
Além disso, a PF explicou que a quadrilha envolvendo Canella apresenta uma diversidade econômica e uma estratégia geopolítica que ultrapassam as divisões comuns entre facções. A corporação menciona que o grupo formou conexões operacionais com milícias e o tráfico de drogas para assegurar controle territorial e proteção política.
“A participação de Márcio Canella nesse sistema paramilitar está evidenciada através de ações concretas de favorecimento e cooptação. Um exemplo disso foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por ligações com milícias para cargos de secretários municipais em Belford Roxo”, destacou a Polícia Federal ao solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a autorização para a operação que resultou na prisão de Canella.
A PF também revelou que Canella recebe rendimentos oriundos de crimes praticados pela quadrilha. Foram apreendidos diversos relógios de luxo, dois veículos de alto padrão, seminovos, e duas motocicletas caras, indicando indícios de lavagem de dinheiro conforme as investigações.
Há ainda gravações amplamente divulgadas que mostram um ambiente de cooperação ilícita entre um capitão da Polícia Militar, Alessander Ribeiro Estrella Rosa, e líderes do Comando Vermelho, identificados como Edgar Alves de Andrade (apelido “Doca”) e José Severino da Silva Júnior (apelido “Soró”). Essas gravações evidenciam que o oficial atuava como intermediário das demandas da administração municipal liderada por Márcio Canella.
Brasil
Mortes causadas por chuvas chegam a 21 no Estado de São Paulo em 2026
O Estado de São Paulo contabilizou 21 óbitos decorrentes de temporais desde o começo de 2026. A vítima mais recente foi uma mulher de 47 anos, que faleceu na quarta-feira, 14, após um deslizamento de terra atingir uma casa na Rua Santa Cruz do Monte Castelo, na Brasilândia, zona norte da capital.
De acordo com a Defesa Civil de SP, a mulher ficou soterrada e foi retirada dos escombros por moradores antes da chegada das equipes de resgate. A morte foi confirmada no local. Conforme boletim de ocorrência, a residência deslizou de uma encosta após uma forte chuva que atingiu a área.
O episódio foi registrado no 72º Distrito Policial como morte suspeita, classificada como morte acidental, devido ao desabamento ou desmoronamento.
O incidente ocorreu durante um temporal que causou inundações em várias áreas da capital, deixou 28 carros submersos no Túnel do Vale do Anhangabaú e gerou transtornos no tráfego. A Prefeitura suspendeu o rodízio municipal de veículos na quarta-feira em razão da chuva.
O alerta para tempestades permanece na quinta-feira, 15. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém aviso de perigo, com previsão de precipitação diária de até 100 milímetros, ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo. Na capital paulista, a previsão indica retorno das chuvas entre a tarde e a noite, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE).
Para o fim da primavera e início do verão, o fenômeno El Niño também merece atenção pelas condições climáticas no Brasil. Esse fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, altera os padrões de circulação atmosférica e pode provocar chuvas acima da média em algumas áreas do Sudeste.
Brasil
Amazônia tem menor desmatamento em 41 anos, diz MapBiomas
A Amazônia registrou em 2025 o índice mais baixo de desmatamento dos últimos 41 anos, totalizando 693 mil hectares de área desmatada. Essa informação é parte da Coleção 11 do MapBiomas, que compila dados sobre cobertura do solo e uso da terra no Brasil desde 1985 até 2025.
A maior parte do desmatamento, correspondente a 639 mil hectares, ocorreu em áreas de vegetação primária, onde a natureza permanecia intacta. Foram ainda desmatados 54 mil hectares em vegetação secundária, áreas que já tinham passado por algum tipo de intervenção, mas que ainda conseguiam se regenerar naturalmente.
Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu um total de 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Juntando com as áreas já modificadas pelo ser humano anteriormente, o bioma acumula 74,6 milhões de hectares com influência humana.
Durante esse período, a formação florestal foi a vegetação mais impactada pelo desmatamento, com perdas de 49,7 milhões de hectares, o que representa uma redução de 14,8%.
Impacto da Agropecuária
O estudo indica que a expansão da agropecuária sobre a Amazônia foi intensa nas regiões próximas a áreas protegidas, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e comunidades Quilombolas. Em 2025, essas atividades já ocupavam 30,5% dessas áreas protegidas.
A proximidade das estradas aumenta a pressão sobre essas áreas onde a vegetação autêntica representa 98%. As regiões mais próximas às rodovias são também as mais ocupadas pela agropecuária.
No geral, a agropecuária cobria em 2025 cerca de 15,5% do território amazônico, o que equivale a 65,3 milhões de hectares. Deste total, 50,8 milhões de hectares, ou 12% do bioma, estão ocupados pela pecuária de pastagem, enquanto 8,6 milhões de hectares, representando 2% da área, são utilizados para a agricultura.
Mineração e Infraestrutura
A mineração se expandiu significativamente e ocupava 440 mil hectares em 2025, um aumento substancial em comparação com os 32 mil hectares no início da série histórica, refletindo uma ocupação 14 vezes maior em 41 anos.
Para realizar este estudo, os dados da Coleção 11 do MapBiomas foram cruzados com informações de vias mapeadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e pelo OpenStreetMap.
Considerando também vias que não são parte da malha rodoviária oficial, o total chega a 618 mil km de estradas.
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