Mundo
Promotores pedem julgamento da Air France por acidente fatal em 2009
A Procuradoria alega que a companhia aérea “foi negligente e imprudente” por não ter orientado seus pilotos sobre o procedimento em caso de anomalias

Voo AF447: Fuselagem do avião acidentado da Air France, que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, em 2009, e caiu no oceano Atlântico após congelamento de equipamento seguido de falha humana, matando 228 pessoas que estavam a bordo (Evaristo Sa/AFP)
Paris — Promotores franceses querem que a Air France seja julgada pelo acidente fatal de 2009 envolvendo o voo AF447, entre Rio de Janeiro e Paris, que causou a morte de 228 passageiros e tripulantes de 34 nacionalidades, disse uma fonte judicial da França nesta quarta-feira.
A Procuradoria considera que a companhia aérea “foi negligente e imprudente” por não ter fornecido aos seus pilotos informações suficientes sobre o procedimento a ser adotado em caso de anomalias relacionadas às sondas que permitem controlar a velocidade da aeronave, após vários incidentes do mesmo tipo nos meses que antecederam o desastre, de acordo com sua recomendação datada de 12 de julho.
Investigadores franceses apontaram que os pilotos do AF447 cometeram equívocos ao fazer a leitura na perda de velocidade de sensores que estavam bloqueados pelo gelo devido a uma tempestade, o que provocou uma perda de sustentação.
Por outro lado, estima que não há acusações fortes suficientes contra a fabricante da aeronave para um julgamento. A fonte judicial acrescentou que os promotores não incluíram a Airbus em seu pedido de julgamento pelo acidente.
Cabe agora aos juízes de instrução decidir se vão seguir essas requisições e ordenar um julgamento apenas para a companhia aérea.
Nessa batalha judicial, que está em andamento há mais de dez anos, as duas empresas foram indiciadas em 2011 por “homicídios culposos”.
O acidente
O avião, um Airbus A330, caiu no oceano Atlântico após decolar do Rio na noite do dia 31 de maio, devido a uma perda de sustentação aerodinâmica. Uma formação de gelo em pleno voo nas sondas pitot levou a uma interrupção das medições de velocidade do Airbus A330 e desorientou os pilotos até que o avião parasse.
As duas caixas-pretas do AF447 foram resgatadas após quase dois anos submersas a 3.900 metros de profundidade no local onde a aeronave afundou.
A investigação provocou uma verdadeira batalha entre especialistas para estabelecer as responsabilidades na queda da aeronave. As partes civis pressionam para que a Airbus e a Air France sejam julgadas.
Em 2012, a primeira expertise apontou para erros da tripulação, problemas técnicos e falta de informações dos pilotos no caso de congelamento das sonda, apesar dos incidentes anteriores relatados à Airbus.
A fabricante pediu então uma segunda expertise, que se concentrou principalmente numa “reação inadequada da tripulação” e nas deficiências da Air France.
Considerando este segundo relatório muito favorável à Airbus, parentes das vítimas e a companhia aérea atacaram a contra-expertise perante a Corte de Apelação de Paris, que ordenou sua anulação e a reabertura da investigação.
A última contra-expertise, apresentada em dezembro de 2017, voltou a provocar indignação das partes civis. Os especialistas reafirmaram que a “causa direta” do acidente “resultou de ações inadequadas em pilotagem manual” da tripulação e tendeu a poupar a Airbus.
Com AFP e Reuters*
Mundo
Irã rejeita conversas com EUA após anúncio de Trump sobre novas negociações
O governo do Irã esclareceu que não está envolvido em negociações com os Estados Unidos, contrariando declarações do presidente Donald Trump, que havia comunicado o início de novas conversações na segunda-feira (3) com o objetivo de encerrar um conflito que já dura seis meses.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou em uma coletiva que as conversas atuais são mantidas apenas com Omã, visando assegurar a passagem pelo estratégico Estreito de Ormuz, ponto crítico para o trânsito comercial e energético.
A tensão entre Washington e Teerã persiste desde 28 de fevereiro, após ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Apesar de períodos temporários de calma favorecidos por negociações diplomáticas, o conflito ressurgiu com maior intensidade no mês passado, elevando o risco de confrontos ainda mais severos.
Após ameaças de ataques agressivos proferidas por Trump, que considerava inclusive atingir instalações energéticas, o presidente americano recuou ao anunciar que um acordo estava em discussão, optando por retomar o diálogo.
Entretanto, o governo iraniano negou qualquer negociação direta com os Estados Unidos, destacando que as conversas são apenas com Omã para a definição de uma nova rota segura no Estreito de Ormuz, uma passagem vital para comércio global de petróleo e gás.
“Estamos trabalhando para concluir um entendimento que respeite os direitos soberanos de todas as nações envolvidas, assegurando nossos interesses e a segurança regional”, explicou o porta-voz iraniano.
Este estrito controle regional é uma das maiores barreiras para o fim das hostilidades, já que o Irã fechou o corredor tradicional e disparou contra embarcações comerciais que tentaram atravessar o local até então livre.
O presidente Trump declarou que as negociações focarão na situação do Estreito e na possível desnuclearização do Irã. O republicano enfatizou que o conflito inicial buscava conter o suposto programa nuclear militar iraniano, enquanto Teerã mantém que suas atividades nucleares são exclusivamente civis.
Trump também revelou que países aliados na região, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar, solicitaram o adiamento dos ataques, que foram apontados como “os maiores desde a Segunda Guerra Mundial”.
Autoridades iranianas negam que tenham informado os Estados Unidos para evitar ataques contra si.
Apesar dos anúncios anteriores de acordos iminentes que fracassaram, inclusive com a tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, o controle sobre a rota permanece fortificado pelo Irã.
O preço internacional do petróleo reagiu negativamente, caindo mais de 5% na manhã seguinte ao anúncio das negociações.
O deputado iraniano Hassan Qashqavi, representante da Comissão de Segurança Nacional, ressaltou que mediadores tentam reviver um memorando de entendimento firmado em junho, que serviria como base para futuras negociações mais amplas, especialmente sobre o uso do Estreito.
“O ponto crucial deste momento é a questão do Estreito de Ormuz, e existe um intercâmbio de opiniões sobre isso”, afirmou Qashqavi.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian usou a rede social X para enfatizar o esforço para garantir que o inimigo honre os compromissos assumidos, aumentando a segurança nacional, regional e de seus aliados.
Mundo
Ataques ucranianos causam seis mortes na Rússia e Crimeia
A ofensiva ucraniana resultou em seis fatalidades e deixou numerosos feridos na península da Crimeia, atualmente sob controle da Rússia, e na região de Krasnodar, no sul da Rússia, locais populares no período de verão, conforme informaram as autoridades russas nesta segunda-feira (3).
Segundo o chefe das autoridades locais nomeadas por Moscou, Sergei Aksionov, em mensagem no Telegram, “O adversário realizou um ataque noturno contra a República da Crimeia. Infelizmente, houve vítimas: três civis perderam a vida e há feridos”.
Outras três pessoas morreram devido à queda de destroços de um drone em uma localidade da região de Krasnodar, vizinha à Crimeia, no sul da Rússia.
O governador regional, Veniamin Kondratiev, informou que o ataque também causou 13 feridos, entre eles crianças, e expressou pesar pela tragédia. Segundo ele, as ações hostis atingiram estruturas civis.
Mais de quatro anos após o início da invasão russa à Ucrânia, os confrontos têm se intensificado nos últimos meses em ambos os lados da linha de frente, resultando em um aumento significativo no número de vítimas civis.
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Encceja 2026: alunos podem acessar guia de redação
Os participantes do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2026 já têm disponível a Cartilha do Participante – Redação no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A prova ocorrerá em 23 de agosto, coincidente com a parte objetiva do exame regular no Brasil.
A cartilha explica as cinco habilidades avaliadas na redação, orienta sobre o processo de correção e destaca situações que podem causar nota zero.
O documento descreve o método de avaliação das redações, que são analisadas por pelo menos dois corretores independentes, e, caso haja divergência significativa nas notas, uma terceira correção é realizada.
A redação deve ser um texto dissertativo-argumentativo escrito em português, com no mínimo cinco linhas, que trate do tema proposto na prova.
Recomenda-se que o candidato utilize a folha de rascunho para planejar e revisar seu texto antes de transcrever para a folha de redação definitiva.
A prova de redação é uma parte relevante da área de conhecimento de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes e Educação Física.
Para ser aprovado nessa área, o candidato precisa alcançar uma pontuação igual ou superior a 5 pontos na redação (que tem nota máxima de 10) e também atingir um mínimo de 100 pontos nas questões objetivas correspondentes.
O objetivo do guia é fornecer ao participante uma visão clara dos critérios de avaliação da redação, com exemplos práticos e explicações resumidas.
É importante destacar o uso da folha de rascunho para organizar as ideias e ajudar a preencher as 25 linhas exigidas na folha oficial de redação.
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