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Polarização domina a disputa presidencial no Brasil

O cenário político no Brasil é marcado por uma forte polarização, com a corrida para a Presidência da República focada principalmente entre o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essas candidaturas concentram a maior parte das intenções de voto, limitando as chances para outras alternativas.

As recentes pesquisas mostram empate técnico entre os dois candidatos, com margens estreitas nas projeções tanto para o primeiro turno quanto para um possível segundo turno.

Apesar desse equilíbrio, o professor de ciência política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Elton Gomes, aponta que as campanhas não têm apresentado propostas concretas.

“Até agora, a campanha reflete uma degradação das instituições brasileiras e um esvaziamento do debate público como poucas vezes visto na história do país. A polarização se baseia na identificação com líderes carismáticos e evita um debate substantivo, focando-se em um dogmatismo negativo”, explica ele.

A cientista política Priscila Lapa destaca que questões externas e controvérsias têm se destacado durante a disputa.

“Há uma relação com o Supremo Tribunal Federal e a presença de atores de fora da política, como Daniel Vorcaro. Além disso, tem o envolvimento dos Estados Unidos, com movimentações orquestradas para criar um clima de insegurança no processo eleitoral”, detalha.

Desafios dos candidatos

Lula e Flávio enfrentam o desafio de superar a alta rejeição apontada pelas pesquisas recentes. Segundo Gomes, isso se deve à forma como os eleitores se relacionam com os candidatos.

“Esta eleição não é uma escolha entre alternativas políticas divergentes, mas sim uma disputa de caráter quase ontológico, onde o eleitorado se identifica de forma pessoal e tribal com esses líderes populistas”, analisa.

Priscila ressalta que há desgaste em torno das duas candidaturas.

“Os eleitores comparam o que foi um governo bolsonarista e um governo lulista, o que traz rejeições a ambos. Existe medo real de que o adversário venha a governar”, diz.

Essa polarização intensa poderia abrir espaço para uma terceira via, mas Elton observa que os candidatos de centro não possuem a mesma base popular nem capacidade de mobilização dos líderes principais.

Priscila complementa que o eleitor não aposta em alternativas que não demonstrem potencial de vitória.

“Terceiras vias não avançam apenas pela falta de propostas, mas porque o eleitor não confia que possam impedir a vitória do adversário”, conclui.

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Economia

A conta da inteligência artificial no mercado de crédito

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Há um movimento paradoxal no mercado de inteligência artificial que revela como a corrida pela IA já começa a impactar outros setores econômicos. Enquanto líderes das principais empresas de tecnologia expressam suas preocupações sobre a rapidez do avanço tecnológico e seus riscos, estas mesmas companhias intensificam investimentos e buscam recursos no mercado financeiro para expandir a infraestrutura de IA sem precedentes.

Essa aparente contradição é, na verdade, uma tensão. Alertar para os riscos da inteligência artificial não significa defender a paralisação do seu desenvolvimento. O desafio está em equilibrar o ritmo dos investimentos e da competição com a cautela que tais líderes defendem publicamente.

Em 26 de agosto, Bill Gates, cofundador da Microsoft, publicou um artigo alertando que a tecnologia evolui mais rápido do que governos e sociedade conseguem gerir os impactos no emprego e na segurança. Em setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, também pediu maior controle sobre o ritmo tecnológico, argumentando que a IA acelera inclusive por ajudar na criação de novos sistemas. Essa proposta recebeu apoio de nomes como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind.

Enquanto cresce o debate sobre o controle da tecnologia, aumenta a pressão por financiá-la. A corrida das grandes empresas de tecnologia para captar recursos destinados à IA já impacta o mercado global de crédito. Uma reportagem do Financial Times indica que o volume de emissões das hyperscalers faz outros tomadores de recursos planejarem suas operações para evitar concorrer pelos investidores simultaneamente.

Gestoras reservam capital para grandes emissões de companhias como Amazon e Oracle, o que pode reduzir a disponibilidade de recursos para empresas de outros setores e governos em determinados períodos, forçando o adiamento de operações ou o encurtamento de prazos.

Os números ilustram essa disputa: dados do Goldman Sachs mostram que empresas relacionadas à IA receberam cerca de US$ 500 bilhões em financiamentos acumulados até 2026. Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle responderam por cerca de US$ 200 bilhões desse total. A projeção é que essas empresas emitam mais de US$ 1 trilhão em dívidas nos próximos anos.

Além disso, Google, Amazon, Microsoft e Meta aumentaram suas previsões de investimentos em bens de capital para um total conjunto de US$ 745 bilhões em 2026, mostrando quanto capital será necessário para manter a corrida da IA.

A interdependência entre fabricantes de chips, operadores de data centers, empresas de energia, provedores de nuvem, desenvolvedores de modelos e instituições financeiras cresce, conectando todos pela mesma cadeia de investimentos.

Assim, a discussão sobre inteligência artificial ultrapassa o campo tecnológico. A IA está transformando a produção, o trabalho e o consumo, e a disputa pela sua expansão começa a reorganizar a competição pelo financiamento da economia.

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Notícias

Votar pode mudar tudo

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Domingo, 4 de outubro, é o dia de ir às urnas. Nos últimos meses, embora tenha caminhado menos do que gostaria, tive a oportunidade de ouvir atentamente o sentimento do povo. Na redação e nas ruas, compreendi que fazer política não é um luxo, mas sim uma questão de sobrevivência.

Encontrei de tudo: pessoas irritadas com as campanhas barulhentas e o trânsito intenso; feirantes descrentes, afirmando que “é tudo a mesma coisa”; passageiros no ônibus dizendo “tanto faz”; e no metrô, resmungos como “nada muda”.

Entendi bem o desânimo, mas vi também esperança.

No Morro da Conceição, Zona Norte do Recife, celebraram a diminuição do racionamento de água. Em São Bento do Una, a alegria das mulheres ao verem a governadora Raquel Lyra inaugurar um trecho da Adutora do Agreste era palpável. Pessoas diferentes unidas pela mesma vontade: dignidade.

Mudei o foco para acompanhar a entrega de uma cozinha comunitária em Limoeiro. Já era noite quando homens, mulheres e crianças receberam um prato de cuscuz com galinha guisada — para muitos, a primeira refeição do dia.

Visitei Afogados da Ingazeira e acompanhei o então prefeito João Campos dando os primeiros passos para sua candidatura ao governo.

Em São José do Egito, presenciei a governadora entregando outra cozinha comunitária, quando ainda conquistava força no Sertão.

Em abril, emocionei-me ao entrar no Hospital da Criança no último dia da gestão do João Campos no Recife: uma estrutura ampla, moderna e atendimento digno, mostrando que saúde pública de qualidade é viável. Vibrei com a inauguração dos Parques da Tamarineira e Eduardo Campos.

A disputa política ganhou combustível na Missa do Vaqueiro em Serrita, com Raquel e João lado a lado sob o sol forte e a poeira do Sertão. Estive também em Floresta, na Missa do Vaqueiro, na Corrida da Galinha, São Bento do Una, e passei por Gravatá, Caruaru, Garanhuns e Canhotinho.

Registrei o que pude, e tudo isso permanece vivo em mim.

Vi Raquel Lyra, 47 anos, fazer história como a primeira governadora de Pernambuco, mostrando resiliência e determinação para buscar a reeleição.

Vi João Campos ser reeleito com 78% dos votos — a maior votação da história do Recife — mantendo o entusiasmo em seu trabalho público aos 32 anos, renovando a esperança das pessoas.

E vi, em uma campanha acirrada, o ex-vereador Ivan Moraes, 50 anos, se colocar como uma nova alternativa.

Desde o prato de comida até o hospital, tudo isso foi possível porque alguém tomou uma decisão política. Antes dessa escolha, alguém foi às urnas e votou. Neste domingo, a responsabilidade está em nossas mãos — seja na escolha de quem governará Pernambuco ou a Presidência da República.

Lembrar do Executivo é também reconhecer a importância do Legislativo. Eleger deputados estaduais, federais e senadores comprometidos fortalece a democracia e garante equilíbrio.

Não podemos abrir mão do nosso direito de votar, de tentar novamente. O futuro não é apenas o que acontece conosco: é muitas vezes o resultado do que escolhemos.

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Última jogada dos candidatos ao governo de Pernambuco antes do primeiro turno

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No último dia permitido para a campanha eleitoral nas ruas, os principais concorrentes ao governo de Pernambuco focam suas ações na Região Metropolitana do Recife.

Essa área estratégica será o foco principal dos candidatos, que aumentam seus esforços finais para conquistar votos dos eleitores ainda indecisos ou que podem mudar seu voto.

Este é o momento decisivo para ampliar a mobilização nas ruas, ganhar votos e tentar chegar às urnas com uma liderança construída até os momentos finais da campanha.

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), passará pela capital, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, e encerrará sua agenda em Caruaru, no Agreste. O candidato pelo PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, também visitará Recife e Jaboatão, incluindo Olinda em sua programação.

Comparação das agendas

Raquel Lyra inicia suas atividades às 9h com uma carreata que sai do bairro Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, passando pelo Recife e finalizando no bairro do Pina. Depois, segue para Moreno, onde realizará outra carreata às 13h30.

Às 18h, ela participará do último compromisso em Caruaru, local onde possui uma base política sólida e onde já venceu cinco eleições anteriores, incluindo duas para a Prefeitura e a mais recente para o governo estadual em 2022.

Na sexta-feira, Raquel realizou panfletagem em vários bairros do Recife. Em um cenário de empate técnico com seu principal adversário, ela aposta na comparação com a gestão anterior para conquistar votos.

“O eleitor tem uma decisão importante: escolher uma governadora que trabalha intensamente, que assumiu uma situação difícil e conseguiu garantir investimentos mais expressivos em três anos e meio do que nos oito anos anteriores”, afirmou Raquel Lyra durante ato no bairro da Imbiribeira.

Indecisos em foco

O candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos, inicia o dia de campanha na Zona Norte do Recife, área que governou por dois mandatos antes de assumir a disputa estadual. Sua carreata começará no Córrego do Jenipapo às 9h, seguindo até Olinda.

À tarde, inicia a segunda fase das atividades pela Zona Sul, começando no Jardim Jordão às 15h30 e seguindo para Jaboatão dos Guararapes.

Na sexta-feira, João Campos cumpriu agenda em vários bairros e cidades metropolitanas, encerrando na Zona Oeste do Recife. Em seu discurso, fez um balanço positivo da campanha e direcionou uma mensagem aos eleitores indecisos.

“Entramos na reta final felizes e confiantes, com a melhor campanha e propostas sólidas. Aos indecisos, garantimos dedicação completa para Pernambuco, assim como fizemos pelo Recife”, declarou o candidato.

Importância da Região Metropolitana

A concentração das agendas nesta região não é por acaso. Segundo o cientista político Isaac Luna, é neste local que uma parte significativa dos eleitores indecisos está concentrada.

“Matematicamente, a Região Metropolitana tem peso crucial, e a maior parte dos indecisos está aqui, por isso as campanhas intensificam seus esforços para conquistar esses votos”, explicou Luna.

Ele também destacou que as carreatas em diversos pontos da região geram uma expectativa de vitória, o que ajuda a convencer eleitores pelo volume dos atos.

“Este último ato simboliza a força da candidatura e chama a atenção do eleitor pela última vez, buscando converter votos indecisos ou mudar a decisão de alguns eleitores pela sensação de vitória”, concluiu Isaac Luna.

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