Economia
MP que mexe em PIS/Cofins é potencialmente inflacionária, diz economista
Medida que compensa perdas fiscais da União com a desoneração da folha de pagamentos foi apresentada pelo Ministério da Fazenda na semana passada

Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos. Créditos CNN Brasil
A Medida Provisória (MP) 1227/24, da compensação à desoneração da folha de pagamento, apresentada pelo Ministério da Fazenda na semana passada, pode mexer com os preços no país à medida que atrapalha o desempenho das empresas, defende Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos.
“À medida que se mexe em algo já estabelecido, a medida afeta o resultado e o desempenho das empresas. Quando uma empresa hoje faz compra de um insumo para produzir um bem, ela tem um crédito de pouco mais de 9% de PIS/Cofins. Uma das medidas propostas limita para pouco menos de 4%”, disse em entrevista à CNN neste domingo (9).
“O resultado é que, muito provavelmente, teremos problemas também de preços. Essa medida é potencialmente inflacionária, porque teremos, pelos meus cálculos, alta nos preços dos combustíveis, como gasolina, óleo diesel”, diz.
O especialista explica que, nosso atual sistema tributário, prevê o que os tributaristas chamam de compensações cruzadas. “A empresa pode pegar esse valor de Pis/Cofins para compensar, por exemplo, Imposto de Renda, ou contribuição da previdência. “Empresas não terão mais esse expediente, do jeito que está na MP. Consequentemente, alguns setores serão mais prejudicados”, diz.
Entre os setores mais prejudicados, ele cita o agronegócio, que tem grande representatividade dentro do segmento exportador. “O setor exportador é muito importante para a economia. A gente tem que fazer uma balança comercial pujante, como vem acontecendo. E o agro tem grande peso no PIB. Só no primeiro trimestre, contribuiu com 11%”.
A insegurança gerada pelo atual cenário fiscal, destaca o economista, vem sendo visto no dólar e na bolsa. “O dólar vem se mostrando estressado nesses últimos dias, acima de R$ 5,30. A Bolsa de Valores brasileira é a pior do mundo este ano”.
Veja a entrevista completa aqui.
Ainda que possa surtir efeito positivo nos cofres públicos no curto prazo, o aumento da carga tributária de grandes empresas pode atrasar o crescimento econômido do país, sugere estudo “Tributação sobre Grandes Empresas – Distorções, armadilhas e a realidade”, coordenado pelo pesquisador Samuel Pessôa, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
Segundo o texto, apesar de ser “fácil” taxar grandes empresas, o plano pode “agravar a tendência de discriminação dos custos tributários e de conformidade com base no tamanho das empresas”, como acontece em toda a América Latina.
“Há farta evidência, na literatura recente de desenvolvimento econômico, que esse tipo de discriminação reduz a produtividade das economias, comprometendo a capacidade de crescimento em médio e longo prazos”, diz o documento.
Economia
Impactados pelo El Niño receberão crédito especial de R$ 64 milhões
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (22) uma Medida Provisória (MP) que libera um crédito especial de R$ 64 milhões para ajudar a diminuir os efeitos do fenômeno El Niño no Brasil.
As comunidades que dependem da agricultura familiar e tiveram sua produção prejudicada estão entre as principais beneficiadas por esses recursos.
Do valor total, R$ 40 milhões serão destinados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para a compra e distribuição de alimentos da agricultura familiar através do Programa de Aquisição de Alimentos.
Os outros R$ 24 milhões serão enviados à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para ações emergenciais que envolvem o fornecimento de alimentos, água potável e outros itens essenciais em terras indígenas.
Sobre o El Niño
O governo também lançou uma plataforma dedicada ao El Niño, que reúne dados oficiais sobre o fenômeno, os impactos previstos para cada região do país e as principais ações de preparação e resposta.
A página oferece ainda orientações para estados, municípios e população, assim como informações sobre monitoramento, prevenção de desastres, suporte às áreas vulneráveis e medidas adotadas pelo Governo Federal para minimizar os efeitos do El Niño.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aumento da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, o que altera a circulação atmosférica e causa variações irregulares nas chuvas. Esse fenômeno provoca secas nas regiões Norte e Nordeste, atrasos nas precipitações no Centro-Oeste e Sudeste, e enchentes na região Sul do Brasil.
Economia
Ibovespa sobe aos 187 mil pontos com petróleo em queda após falas de Trump
A redução dos preços do petróleo tem aliviado a pressão sobre a inflação global, o que animou os investidores e impulsionou o Ibovespa para um fechamento positivo de 0,44%, alcançando 187.422,92 pontos, próximo à máxima do dia, 187.671,74 pontos. O volume financeiro movimentado foi de R$ 22 bilhões e, no acumulado de setembro, o índice já registra alta de 5,64%, e no ano, de 16,3%.
O petróleo registrou sua quinta queda consecutiva, despencando para abaixo dos US$ 100, com o barril Brent cotado a US$ 99,25, queda de 1,09%. Essa redução estimula os investidores a optarem por ativos de maior risco, pois o preço mais baixo do barril reduz preocupações com a inflação e diminui a expectativa de aumento expressivo dos juros, principalmente nos Estados Unidos.
Esse movimento ocorreu em paralelo às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou haver um fluxo maior de petróleo no Golfo Pérsico e destacou uma reunião produtiva da delegação americana na Assembleia Geral da ONU com representantes do Irã. Na reta final do pregão, o presidente norte-americano declarou que o Irã “vai fazer algo de bom”.
Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group, explica que a possibilidade de um acordo de curto prazo promovido por Trump para aliviar os preços do petróleo empolga o mercado. Um petróleo abaixo de US$ 80 contribui para reduzir o prêmio das Treasuries, mantendo o título de 10 anos abaixo de 5%. Entre US$ 80 e US$ 90 o cenário se mantém equilibrado, mas acima de US$ 100, o impacto é inflacionário, pressionando as taxas de juros americanas e aumentando a possibilidade de uma política monetária mais rígida.
No cenário interno, os investidores permanecem atentos às novidades no campo eleitoral, aguardando pesquisas que possam confirmar, ou não, o crescimento nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). Atualmente, ele está em empate técnico com o presidente Lula (PT) nas pesquisas, e a expectativa de uma alternância no poder e uma política fiscal mais rigorosa têm estimulado maior apetite por risco na renda variável.
Matheus Spiess, economista e estrategista da Empiricus, ressalta que o mercado ainda espera um desfecho para o conflito entre EUA e Irã. Se houver negociações que levem à normalização das relações no Oriente Médio ou surgirem pesquisas eleitorais que indiquem uma maior probabilidade de ajuste fiscal, o cenário pode favorecer a bolsa. Até lá, é esperado que os movimentos sejam mais cautelosos.
Economia
Compras internacionais disparam após fim da taxa das blusinhas, afirma Abit
As encomendas internacionais de pequeno porte em sites de comércio eletrônico aumentaram significativamente após o término da “taxa das blusinhas”, nome dado ao imposto aplicado sobre importações de até US$ 50. Enquanto nos quatro primeiros meses do ano a média era de 15,4 milhões de encomendas, esse número subiu para 20 milhões em maio, logo após a suspensão do imposto. Em junho, o volume subiu para 28 milhões, estabilizando-se acima de 26 milhões nos meses de julho e agosto.
O imposto de importação de 20% para compras internacionais até US$ 50 foi eliminado em maio graças a uma medida provisória aprovada pelo Congresso e convertida em lei em setembro.
Em termos financeiros, o valor das compras saltou de uma média de US$ 308 milhões entre janeiro e abril para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes. Esses dados foram obtidos a partir do programa Remessa Conforme, desenvolvido para combater a evasão fiscal nas importações, conduzido pela Abit, entidade representativa da indústria do vestuário.
Esse setor está entre os mais impactados pela entrada de concorrentes estrangeiros, especialmente chineses, por meio de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.
Somente no mês passado, foram declaradas 26,5 milhões de remessas internacionais, um aumento de 74% em comparação com as 15,2 milhões registradas em agosto de 2025. Em valores, as compras passaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, representando um crescimento de 79% em um ano.
A Abit destaca o crescimento das importações após o fim da taxa das blusinhas, ressaltando a necessidade de garantir tratamento tributário e regulatório equivalente para produtos nacionais e importados. A entidade argumenta que a indústria nacional enfrenta concorrência desigual, pois mercadorias importadas em remessas de até US$ 50 têm vantagens fiscais e não passam pelos mesmos critérios trabalhistas, ambientais, sanitários e de segurança.
“Essa disparidade tem um custo alto. O aumento das importações, aliado ao crescimento das compras convencionais e à queda do mercado interno, tem provocado redução na produção, demissões e adiamento ou revisão de investimentos”, comenta a Abit.
A associação cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a julho, indicando queda de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
“Não é justo conceder vantagens ao produto estrangeiro que não são asseguradas aos fabricantes e empregadores brasileiros”, destaca a Abit. A entidade alerta que, enquanto outras grandes economias intensificam a fiscalização sobre plataformas internacionais e adotam medidas para proteger suas bases produtivas, o Brasil segue em direção oposta.
“Estamos criando um cenário onde frequentemente é mais vantajoso importar do que produzir localmente. Isso resulta em transferência de investimentos, renda, arrecadação e empregos para o exterior”, conclui a posição da Abit.
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