Cultura
Mostra do Filme Marginal no Rio exibe 8 produções de Pernambuco
Entre os dias 15 e 24 de outubro, o Rio de Janeiro sedia a 6ª edição da Mostra do Filme Marginal, apresentando uma seleção especial de oito produções pernambucanas. Sob o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, o evento traz reflexões sobre os desafios ambientais atuais por meio das artes cinematográficas.
Pernambuco marca presença com oito obras, incluindo um longa-metragem que aborda os impactos da instalação de um parque eólico na vida dos habitantes das cidades de Saloá e Paranatama. No total, a mostra exibe 123 filmes nacionais e internacionais, todos com entrada gratuita e em diversos pontos da capital fluminense. A programação é rica e diversificada, englobando gêneros como ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.
Produções Pernambucanas em Destaque
O longa No Caminho Encontrei o Vento, filmado em Saloá e Paranatama, é uma ficção de 70 minutos que aborda temas como energia renovável, ancestralidade e memória. A trama gira em torno de Pedro, um homem que enfrenta conflitos pessoais enquanto lida com a herança recebida de seu pai.
Outro destaque é o curta documentário Os Arcos Dourados de Olinda, de 24 minutos, dirigido por Douglas Henrique. O filme, que conta a história da cidade de Olinda ser a primeira no mundo a falir um McDonald’s, foi selecionado para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027 na categoria Melhor Documentário Curta-Metragem.
Além desses, a mostra inclui o documentário Ouriçada, os curtas de ficção Retrato Falado e Reversível, ambos explorando temas como moradia, negritude e terror psicológico envolvendo questões sociais;
Outras Produções e Temáticas
Documentários como Os Ursos e Nós, Dynamite Som, o Futuro é Lamento Negro e a ficção Amargo também compõem a lista, abordando tradições culturais, racismo estrutural, memória e a crise ambiental.
Destaques e Curadoria
A 6ª Mostra do Filme Marginal será inaugurada com a exibição nacional do documentário Retorno a Fukushima, dirigido pelo belga Thomas Licata. A programação destaca ainda produções indígenas dirigidas por mulheres, e nomes relevantes da direção nacional, como Leonardo Martinelli e Alberto Sena.
O evento, criado em 2017, tem a missão de promover o cinema independente e visibilidade para narrativas periféricas e críticas, atuando como um espaço de reflexão e diálogo sobre temáticas muitas vezes marginalizadas.
Informações do Evento
- Período: 15 a 24 de outubro de 2026
- Local: Diversos pontos na cidade do Rio de Janeiro
- Entrada: Gratuita
A Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa da Corpo Fechado, apoiada pelo Pró-Carioca Audiovisual e pelo programa nacional de fomento à cultura Aldir Blanc.
Cultura
Paolla Oliveira enfrenta ataques após revelar voto e ganha apoio de famosos
Paolla Oliveira utilizou suas redes sociais na última quarta-feira, 14, para mostrar mensagens negativas que recebeu após declarar seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um post no Instagram, ela compartilhou comentários ofensivos sobre sua aparência e inteligência, além de insultos relacionados à sua posição política.
No seu desabafo, a atriz ressaltou que alguns homens mudaram o tom das mensagens depois que ela tornou pública sua escolha eleitoral. De acordo com Paolla, os mesmos perfis que antes enviavam comentários de cunho sexual passaram a atacá-la após ela expor suas opiniões.
“Bastou eu falar do meu voto para surgir isso. O estranho é que esses mesmos homens, na mensagem anterior, me tratavam como um objeto: ‘delícia’, ‘gostosa’, ‘era dentro’. Aí eu falo o que penso e eles respondem assim”, contou.
A artista deixou claro que está aberta a críticas e ao diálogo, mas que não aceita que divergências políticas sejam usadas para justificar ataques pessoais.
“Minhas opiniões podem ser discutidas, minhas escolhas podem ser contestadas. Mas ofensa não é argumento”, afirmou.
Paolla Oliveira ainda explicou que seu voto reflete o que defende diariamente: “Com a liberdade de escolher, com o respeito à vida das pessoas e com a possibilidade de viver com dignidade. Sei que muitos direitos ainda não são garantidos para todos. Isso também guia minha decisão”.
Paolla Oliveira denuncia machismo contra mulheres que falam
Ao comentar os ataques, Paolla relacionou os ataques às dificuldades que mulheres enfrentam ao expressar suas opiniões em diferentes contextos.
“Se fazem isso comigo, que sou conhecida e tenho milhões vendo, imagina o que ouve a mulher que dá opinião em um almoço de família, no trabalho ou em grupos próximos. Este post é também para ela”, afirmou.
A atriz defendeu a autonomia das mulheres no voto e destacou que essa deve ser uma decisão individual, sem pressão de terceiros.
“E para lembrar: o seu voto é seu. Não é do seu marido, do seu pai, do seu chefe. Quem decide é você”, escreveu.
Na semana anterior, a atriz já havia declarado que pretende votar em Lula no segundo turno, marcado para o dia 25, e incentivou a participação nas eleições, alertando sobre votos brancos, nulos e abstenções.
Celebridades apoiam a atriz
A publicação alcançou comentários de artistas que mostraram solidariedade e elogiaram a postura da atriz.
A atriz Monica Iozzi comentou: “Obrigada por isso, querida!”.
Claudia Souto, autora da novela Quem Ama Cuida da TV Globo, destacou qualidades pessoais e profissionais de Paolla: “Você é uma das melhores pessoas que conheço, solidária, generosa e preocupada com todos nós! Continuo admirando seu posicionamento, seu talento e sua força. Musa!”.
O ator Reynaldo Gianecchini também deixou seu apoio: “Maravilhosa. Sempre aprecio seus posicionamentos. Falar com inteligência é tudo!”.
Cultura
Teatro do Parque homenageia os 100 anos de Moacir Santos
O Teatro do Parque, localizado no Centro do Recife, será palco neste domingo (18) do espetáculo “Canto e Encanto Pernambuco – Ouro Negro: 100 Anos de Moacir Santos”, realizado em homenagem ao centenário do renomado compositor, maestro e arranjador pernambucano.
A apresentação começa às 16h e celebra o legado do artista, amplamente reconhecido por sua contribuição significativa à música brasileira e mundial. O evento é promovido pelo Núcleo Musical Irmã Scheilla (Numis), vinculado à Fraternidade Espírita Francisco Peixoto Lins – Peixotinho, e faz parte do projeto Canto e Encanto Pernambuco.
Há nove anos, essa iniciativa tem levado ao público apresentações que valorizam a cultura e os artistas de Pernambuco.
Os ingressos para o espetáculo estão disponíveis na plataforma Sympla, onde o público pode conferir as opções de entrada e as informações relativas à apresentação.
A programação enfatiza a obra de Moacir Santos, caracterizada pela fusão de ritmos afro-brasileiros, influências do sertão nordestino e elementos do jazz.
Esta combinação de estilos resultou numa identidade musical única, que ultrapassou barreiras e ganhou reconhecimento internacional.
“Comemorar o centenário de Moacir Santos é reconhecer a genialidade de um artista pernambucano que transformou suas raízes em uma linguagem musical célebre no mundo todo”, destaca a coordenadora do Numis, Terezinha de Jesus.
Segundo a gestora, a homenagem tem também o propósito de aproximar as novas gerações da obra do maestro e ressaltar o papel da música como instrumento de educação e mudança social.
Trajetória e reconhecimento
Nascido no sertão de Pernambuco, Moacir Santos enfrentou desafios socioeconômicos na infância e construiu uma carreira destacada como instrumentista, compositor, maestro e educador.
Com habilidade em saxofone, clarinete e violão, tornou-se o primeiro arranjador negro da Rádio Nacional, em um contexto musical permeado por desigualdades raciais.
Em 1965, lançou o álbum Coisas, pelo selo Forma, que é considerado um marco da música instrumental brasileira.
A obra inovou ao mesclar ritmos afro-brasileiros com a sonoridade das grandes orquestras de jazz, influenciando músicos como Baden Powell, João Donato, Sérgio Mendes, Nara Leão e Roberto Menescal.
O maestro também recebeu reconhecimento de Vinicius de Moraes, que lhe dedicou a canção Samba da Bênção. Na letra, o poeta eternizou a importância do músico com os versos: “A bênção, maestro Moacir Santos, que és plural, és muitos”.
Cultura
Pesquisa Premiada sobre o Carnaval de Recife e Olinda
Maria Paula Maciel, pesquisadora pernambucana, transformou uma lembrança pessoal em um estudo reconhecido com prêmio em São Paulo. Ela escolheu o Carnaval do Recife e Olinda como tema central de sua pesquisa, iniciando com uma foto dela ainda bebê, no colo do pai, durante a festa em 1998.
Seu trabalho intitulado “Pelas ruas, eu vou: o carnaval nas cidades do Recife e Olinda como lieu de mémoire urbano” rendeu o Prêmio Quati de Melhor Dissertação de Mestrado em Humanidades. A premiação ocorreu em 3 de setembro no Auditório Azul da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).
O ponto de partida
Autodeclarada recifense e orgulhosa de Pernambuco, Maria Paula buscava explicar o apelo do maior Carnaval em linha reta da América Latina para quem está fora do estado. Desde a graduação em Comunicação Social na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), ela investigava o desfile popular.
Em 2023, sua mudança para São Paulo gerou nova perspectiva. Para Maria Paula, era um desafio traduzir toda a intensidade do Carnaval pernambucano para quem não vive em Pernambuco. A solução veio com o mestrado em filosofia no Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais, focando na festa carnavalesca, espaço urbano, identidade e memória coletiva.
Identidade cultural
Em entrevista à Folha de Pernambuco, Maria Paula explicou sua escolha: “É comum estudarmos nossa própria cultura”.
A foto dela bebê no colo do pai durante o Carnaval, mostrada pela mãe, simboliza a formação da identidade da pesquisadora.
“Nossa identidade é como percebemos o mundo. Minhas análises da sociedade são influenciadas pela visão do Carnaval”, destacou Maria Paula.
Vivência dos foliões
Para a pesquisa, Maria Paula passou seis semanas no Recife entrevistando pessoas e revisitando suas memórias. Ela frequentou sedes de blocos carnavalescos e acompanhou o cotidiano dos participantes, mostrando que a coletividade está presente na experiência individual.
Ela interagiu com o Bloco das Flores, a Pitombeira dos Quatro Cantos, a Escola de Frevo do Recife, além de artistas plásticos e criadores de conteúdo como Léo Cavalcanti, conhecido como “Anfitrião de Pernambuco”.
O Prêmio Quati, promovido pela Comissão de Pós-Graduação da EACH, reconhece as melhores teses e dissertações defendidas na unidade. Na sua segunda edição, o prêmio avaliou trabalhos finalizados em 2025 nas áreas de Humanidades, Ciências da Vida, Ciências Exatas e Tecnológicas, e Interdisciplinar.
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