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México escolherá juízes da Suprema Corte por voto popular em eleições neste domingo

Em caso único no mundo, país renovará 2.600 cargos do Judiciário por meio de voto direto da população, entre os quais os da Suprema Corte. Medida foi aprovada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, acusada de autoritarismo. Críticos apontam risco de baixa participação e infiltração do crime organizado.

 

 

Por Luisa Belchior, g1

Os mexicanos irão às urnas neste domingo (1º) em um pleito inédito e polêmico: pela primeira vez no mundo, todos os juízes de um país — incluídos os da Suprema Corte — serão eleitos por voto popular.

O México fará suas primeiras eleições judiciais, previstas em uma reforma constitucional do governo aprovada no ano passado que gerou uma onda de protestos de boa parte de juristas. Os críticos apontam o risco de candidatos despreparados, chances de os cartéis se infiltrarem de forma direta no poder público e ameaças à democracia.

 

“Essa votação é o marco do começo do fim da democracia no México”, disse ao g1 a professora de Relações Internacionais da ESPM Natália Fingermman.

Com a reforma, magistrados não precisam mais passar por concursos públicos ou, no caso da Suprema Corte, serem indicados pelo chefe de governo. Bastará convencer eleitores ainda confusos com o pleito e que devem faltar em massa à votação — o principal instituto de pesquisas do México espera que o comparecimento não passe dos 15%.

A situação não tem precedentes no mundo. A Bolívia fez eleições populares para juízes em 2011, 2017 e 2024, mas a medida está limitada à Suprema Corte. A iniciativa do México inclui todos os magistrados do país.

Uma vez cumpridos os requisitos, os candidatos saíram às ruas nos últimos meses fazendo campanha por conta própria — ao contrário das eleições para presidente e o Legislativo, não há fundos eleitorais, e os partidos políticos não podem se manifestarpublicamente a favor de um candidato.

Por isso, foi comum ver ministros atuais da Suprema Corte montando e fazendo seu próprio comício e juízes já em exercício ou juristas que estão na corrida entregando panfletos a moradores locais em feiras de rua e portas de escola.

 

A ministra da Suprema Corte do México Lenia Brates em comício para as eleições judiciais, em 28 de maio de 2025. — Foto: Fernando Llano/ AP

A ministra da Suprema Corte do México Lenia Brates em comício para as eleições judiciais, em 28 de maio de 2025. — Foto: Fernando Llano/ AP

Também pesou contra os candidatos o pouco tempo que o Tribunal Eleitoral deu para a campanha — o que foi visto no país como uma manobra de Claudia Sheinbaum para aproveitar o momento de boa popularidade.

Sheinbaum tem uma aprovação atual de quase 80% da população — alavancada ainda mais por sua elogiada reação diante do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump –, o que a tornou uma das líderes em exercício mais populares do mundo atualmente. Uma pesquisa da Pew Research Center de março deste ano mostra que 66% aprovam as eleições, dos quais 31% veementemente.

“A Sheinbaum aproveitou esse momento de alta popularidade para aprovar rápido essa reforma e fazer as eleições”, disse a professora Natália Fingermman. “Ela fez um cálculo político: sua popularidade pode despencar, mas a manutenção e ampliação do poder de seu partido vai continuar”.

 

Com o pouco tempo e a quantidade de candidatos, eleitores entrevistados pela imprensa mexicana têm mostradoconfusão e até desconhecimento total sobre a eleição. Por isso, outro grande obstáculo do pleito deve ser a baixa participação nas urnas — a presidente do Instituto Nacional Eleitoral (INE), Guadalupe Taddei, estima a participação eleitoral nas eleições judiciais entre 8% e 15% do eleitorado.

Onda de críticas

Críticos da proposta — incluindo as principais associações de magistrados e boa parte dos juristas — acham que as eleições judiciais são um recurso para o Morena, sigla de esquerda de Sheinbaum e López Obrador, aumentar o controle do poder.

O governo nega e diz tratar-se de uma forma de democratizar o sistema judiciário. Mas a decisão pela reforma foi proposta pelo ex-presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, depois de uma série de sentenças da Suprema Corte mexicana bloqueando reformas e propostas do seu governo.

A reforma constitucional passou pelo Congresso, onde o partido do ex-presidente, o Morena, e sua base têm maioria. E foi promulgada por Sheinbaum, sucessora e aliada de Obrador.

As críticas também apontam outro problema do pleito judicial: uma possível queda na qualidade de juízes que antes tinham de passar por um concurso público e que agora serão escolhidos por seus currais eleitorais para julgar um leque amplo de casos que vão desde questões familiares até crimes cometidos pelos poderosos cartéis do país.

Um dos candidatos a juiz, por exemplo, é o ex-advogado de El Chapo, como é conhecido o chefe de um dos maiores cartéis da América Latina.

“Vai ser uma legalização do crime organizado dentro do Estado”, disse a professora Natália Fingermann. “Com certeza, teremos um antes e depois no México. Essas eleições serão o momento em que o México deixou de ser uma democracia“.

“Sheinbaum e López Obrador se apresentavam como governos mais progressistas. E agora parece que eles estão apontando para outro caminho, mais autoritário, e isso pode alterar as alianças na América Latina. É um problema para o Brasil, por exemplo, porque o México deixaria de ser um aliado”.

 

A associação mexicana de juízes e desembargadores local acusou Sheinbaum de pré-selecionar os candidatos de interesse de seu partido.

“Os mexicanos não votarão em pessoas treinadas pela experiência e por rigorosos processos de seleção (…), mas sim em pessoas pré-selecionadas e apoiadas pelo Morena, pelo governo e pelo crime organizado“, afirmou a associação.

“Longe de democratizar o país, caminhamos para um governo autoritário”, disse o ex-juiz mexicano Carlos Soto.

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Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos

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A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.

Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.

Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.

Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.

A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.

Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.

Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.

O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.

As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.

No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.

Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.

O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.

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Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul

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Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.

“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.

A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.

Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.

O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.

“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.

Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.

Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.

O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.

No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.

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Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.

Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.

“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.

As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.

“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.

A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.

A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.

Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.

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