Brasil
Greve dos ônibus de SP: Sindicato dos motoristas adia paralisação prevista para esta sexta-feira
O adiamento da greve ocorre após os motoristas e as empresas de ônibus de São Paulo concordarem, em audiência na Justiça do Trabalho, que vão reabrir as negociações de reajuste salarial

(Roberto Parizotti/Fotos Públicas)
O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SMTTrusp) aprovou por unanimidade o adiamento da greve que estava marcada para ocorrer nesta sexta-feira, 7. A decisão foi anunciada em assembleia realizada nesta manhã de quinta-feira, 6.

Motoristas e cobradores aprovam suspensão da greve por unanimidade em Assembleia Geral no Sindicato (Sindicato dos motoristas de ônibus/Divulgação)
Motoristas querem reajuste real no salário
Os trabalhadores pedem reajuste de 3,69% pelo IPCA (inflação oficial), mais 5% de aumento real e reposição das perdas salariais na pandemia na ordem de 2,46%, indíce calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As empresas ofereceram 2,77% e composição pelo Salariômetro de setembro.
O sindicato também pede a ampliação na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), um reajuste do valor do tíquete para R$ 38, uma cesta básica com produtos de qualidade e o fim do termo “similar”.
A categoria quer também um reajuste de 17% no seguro de vida, garantindo cobertura de dez salários mínimos conforme a Lei nº 12.619 (lei do motorista), melhorias nos convênios médico e odontológico, uma jornada de trabalho de 7 horas efetivamente trabalhadas (6h30 mais 30 minutos para descanso e refeição) ou 6 horas trabalhadas com 1 hora remunerada, auxílio funeral com revisão dos valores, e um cartão para uso em casos de necessidade.
Brasil
IA e vídeos falsos são a maior ameaça à democracia
Vídeos falsos gerados por inteligência artificial e informações de baixa qualidade ultrapassaram as fake news tradicionais, tornando-se a principal ameaça digital para as eleições e a democracia.
Essa é a conclusão do Guia Internet, Democracia e Eleições, divulgado nesta terça-feira (22) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O Guia aponta uma mudança significativa entre 2018, data da primeira edição, e o atual ciclo eleitoral. Enquanto antes os canais principais para disseminação eram redes abertas como o Facebook, hoje remetem mais as redes fechadas, como o WhatsApp, que se tornaram o principal meio de propagação.
Os especialistas do CGI.br também identificaram que a desinformação está distribuída por diversas plataformas ao mesmo tempo.
O documento destaca: “Em relação ao formato, o vídeo se tornou o principal meio, frequentemente acompanhado por um texto curto que legitima e ancora a falsa narrativa”. Por isso, a desinformação é considerada um dos maiores riscos globais por entidades como o Fórum Econômico Mundial, já em 2025.
Considerando esse contexto, a internet como meio de informação, entretenimento e comunicação é cada vez mais crucial para as disputas democráticas.
Ferramentas recentes, como as inteligências artificiais generativas, tiveram seu primeiro uso no ciclo eleitoral de 2022, mas espera-se que em 2024 seu impacto seja maior, combinadas a meios de propagação que segmentam perfis específicos de usuários e estruturas de roteiro mais complexas, com maior aparência de veracidade.
“Hoje, as plataformas digitais são fundamentais na forma como os brasileiros obtêm informações sobre acontecimentos no mundo, no país e nas cidades onde vivem”, afirma a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
Renata ressalta que são empresas privadas guiadas por objetivos econômicos, não pelo interesse público.
“Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e os efeitos gerados sobre o debate público é essencial para fortalecer a integridade da informação e a democracia. Explicar esses processos é um dos objetivos do guia.”
Disponível no site do CGI.br, a publicação aborda temas como o funcionamento dos sistemas de recomendação, o impacto da IA generativa nas eleições e o funcionamento de ferramentas avançadas como deepfakes e modelos de linguagem conversacional.
Também traz diretrizes para o combate institucional contra a desinformação e orientações para que os cidadãos não sejam vítimas nem disseminadores de conteúdo falso ou enganoso.
Além de analisar as redes de comunicação, o estudo destaca o papel dos comunicadores dessas mídias, os influenciadores.
Reconhece seu destaque, mas alerta para a diferença crucial em relação ao jornalismo: eles não seguem um código de ética, não respondem institucionalmente pela veracidade ou por erros, inclusive deliberados, no que divulgam.
Alerta
Segundo os estudos do CGI.br, a maior preocupação com as deepfakes é seu realismo e precisão.
Como esse tipo de conteúdo enganoso é constantemente aperfeiçoado, tem potencial para enganar até eleitores mais experientes na avaliação de informações.
Esse tipo de material pode aumentar a desconfiança generalizada em relação a qualquer informação, inclusive às verdadeiras.
“A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribui para esse cenário, fazendo com que crenças pessoais prevaleçam sobre a verificação dos fatos”, alerta o guia.
Outro desafio dessa desconfiança é que as pessoas tendem a consumir cada vez mais conteúdos que reforcem suas próprias opiniões.
“Ao enfrentarem informações contrárias às suas crenças, tendem a rejeitá-las — fenômeno conhecido como racionalidade motivada. Isso pode intensificar o reforço ideológico”, enfatiza o estudo.
Brasil
Cury prevê privatização de estatais ineficientes e promete reduzir gastos públicos
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) declarou nesta terça-feira (22) que as estatais que não apresentarem melhoria após um “choque de gestão” poderão ser privatizadas. Em entrevista concedida à revista Veja, Cury também destacou a necessidade de revisar cargos indicados politicamente e garantiu que os servidores públicos de carreira serão mantidos.
“As estatais que não conseguirem se ajustar passarão por privatização”, disse o candidato.
Ele afirmou que os servidores concursados serão preservados, porém, destacou a importância de oferecer treinamento e uma melhor estrutura para aprimorar os serviços públicos. Além disso, ressaltou a necessidade de revisar os aproximadamente 50 mil cargos escolhidos por políticos para definir quais são realmente essenciais.
“Os servidores de carreira serão mantidos, por serem concursados. Temos cerca de 50 mil cargos nomeados politicamente, e precisamos identificar quais devem ser mantidos”, explicou.
Cury também reforçou a importância de um ajuste fiscal abrangente, com corte de despesas, combate à corrupção e à evasão fiscal, além de auditorias nas contas públicas.
“É fundamental adotar responsabilidade fiscal rigorosa, reduzir desperdícios, combater corrupção e sonegação, realizar auditorias e enxugar tudo que for possível”, afirmou.
Quanto à política monetária, Cury criticou o alto nível da taxa de juros no Brasil, que impacta negativamente o agronegócio, comércio, indústria e as famílias. Embora isso, defendeu a independência do Banco Central.
“Sem dúvida, o Banco Central deve ser totalmente independente, porém, os juros elevados têm sufocado de forma grave o setor agrícola, o comércio, a indústria e as famílias brasileiras”, declarou.
Brasil
Irmã de Sicário recua e diz que negócios com Vorcaro eram legais
A irmã de Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como o Sicário do banqueiro Daniel Vorcaro, revelou em depoimento à Polícia Federal que enviou mensagens ameaçadoras à família do banqueiro devido a um estado emocional abalado. Ela também afirmou que só encontrou documentos referentes a negócios legais entre eles, principalmente no setor imobiliário.
Em junho, o Estadão divulgou que Joana Mourão havia dito em conversas que tinha provas suficientes para acabar com a família de Vorcaro e anular acordos de delação premiada. No entanto, durante o depoimento, ela minimizou essas declarações.
O depoimento foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pela defesa do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, acompanhado de uma carta na qual ele se diz injustiçado e nega crimes. A defesa apresentou o depoimento para demonstrar que Henrique Vorcaro mantinha apenas negócios legais com Mourão e associados, sem envolvimento em ameaças ou atos ilegais.
Joana Mourão disse que, após a prisão do Sicário, ele a orientou a ligar para Henrique Vorcaro alegando uma dívida financeira. O Sicário faleceu no hospital depois de um incidente considerado tentativa de suicídio em sua cela na PF, em março do ano passado.
De acordo com o depoimento gravado em vídeo, Joana afirmou que ao acessar o iCloud do irmão, viu contratos imobiliários entre ele e Henrique Vorcaro e percebeu que o irmão tinha valores a receber dele.
Ela explicou que suas ameaças anteriores se deram por seu estado emocional fragilizado e que o material que viu referia-se a contratos legítimos, negando a existência de qualquer crime relacionado ao conteúdo acessado.
Joana Mourão também mencionou que a relação entre Daniel Vorcaro e seu irmão era antiga, tendo estudado juntos por volta dos 12 anos de idade.
Ela comentou que encontrou um celular antigo em casa, ligado à conta iCloud do irmão, e ao ligá-lo, teve acesso a documentos que mostravam participações imobiliárias legais entre Phillipi e Henrique Vorcaro.
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