Notícias
Empresa Recife S.A.
Andreas Reckwitz afirma que as cidades criativas são locais onde signos e experiências vitais se manifestam de forma harmoniosa.
As cidades são como poemas, construídos por aglomerações urbanas formadas ao longo de processos históricos. No século XX, as cidades funcionavam como unidades claras, com funções específicas: habitar, transportar, circular e se divertir. Essas cidades vinham em duas versões: a europeia, que se estendia horizontalmente, como a parisiense idealizada por Le Corbusier; e a norte-americana, que se desenvolvia verticalmente, conforme o projeto de Frank Lloyd Wright.
Com o avanço para o século XXI, o conceito de cidade funcional deu lugar ao conceito de cidade criativa. Esse novo modelo une produção econômica, valores culturais e patrimônio histórico. Assim, as cidades criativas mantêm sua relação com o passado enquanto planejam o futuro, por meio da transformação cultural do setor terciário moderno. Isso implica uma economia que integra arte e história, adaptando o PIB de serviços a um modelo tecnológico e cultural (conforme Andreas Reckwitz, "La Invención de la Creatividad", Berlim, 2012).
Essas cidades passam a ser centros de serviços especializados, valorizando suas vocações culturais. São cidades criativas focadas em tecnologia, gastronomia, comércio, moda, cinema, esportes e literatura. Tornam-se símbolos e repositórios de saberes, refletindo a criatividade local.
No entanto, o desafio é o baixo investimento e a limitada capacidade fiscal, pois os recursos orçamentários municipais são majoritariamente destinados a pagar pessoal e manter serviços essenciais. Obras de conservação urbana são frequentemente proteladas, como a contenção de encostas, limpeza de canais e requalificação urbana. A situação do Recife assemelha-se à de outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, que enfrentam dificuldades para melhorar sua infraestrutura.
Investimentos em novos projetos dependem de operações de crédito com limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, restringindo as possibilidades de transformação econômica urbana tanto pela modesta receita própria quanto pelos limites prudenciais de endividamento.
A solução sugerida é usar a criatividade institucional para aumentar o potencial de investimento, associando capitais públicos e privados para financiar projetos com retorno econômico em áreas estratégicas do Recife. Isso inclui apoio a empresas do Porto Digital, cooperação em empreendimentos turísticos, investimentos em saúde e gestão ambiental, especialmente nas áreas litorâneas e fluviais.
A proposta é criar uma empresa de participação de capitais, a Empresa Recife S.A., que reúna investidores e empresas interessadas em crescer junto com a cidade, financiando projetos econômicos através de uma estrutura público-privada. O objetivo é expandir negócios no Porto Digital, requalificar áreas urbanas degradadas, restaurar o centro da cidade, recuperar o patrimônio histórico e fomentar um ambiente favorável à imaginação e à criatividade.
Afinal, viver na cidade é uma experiência rica, e a cidade é verdadeiramente um poema que se renova a cada passo.
Economia
Governo planeja R$ 750 mi para manter programa de reforma de casas
O Ministério das Cidades encaminhou uma solicitação à equipe econômica para disponibilizar um aporte financeiro de R$ 750 milhões destinado a um fundo habitacional. O objetivo é garantir a continuidade da linha de crédito para reformas residenciais após o mês de agosto, considerando o período eleitoral que se aproxima. O programa Reforma Casa Brasil é uma iniciativa considerada essencial na agenda positiva do governo Lula para este ano eleitoral.
Fontes do Executivo informam que a questão está sendo avaliada e que a decisão também será influenciada por uma análise dos riscos jurídicos envolvidos no eventual aporte.
Iniciado em 2025, o programa oferece condições de juros reduzidos para financiamentos que cobrem despesas com materiais de construção, serviços relacionados, bem como projetos e acompanhamento técnico por arquitetos e engenheiros.
Em outubro do ano anterior, ao anunciar a nova linha de crédito, o governo declarou que o orçamento total para o programa seria de R$ 40 bilhões, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Social seriam destinados a famílias com renda de até R$ 9.600. Outros R$ 10 bilhões viriam da Caixa Econômica Federal.
Originalmente, o Fundo Garantidor da Habitação Popular (FGHab) tinha a responsabilidade de garantir os financiamentos para famílias com renda de até R$ 9.600. Entretanto, uma portaria publicada em maio deste ano pelo Ministério das Cidades modificou as regras para que o FGHab também assegure todos os empréstimos do Reforma Casa Brasil.
Em um ofício encaminhado recentemente ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, o Ministério das Cidades comunicou que o fundo dispõe atualmente de capacidade para garantir até R$ 3,3 bilhões em financiamentos. Esse valor seria suficiente para o funcionamento do programa apenas até o mês de agosto.
“Espera-se que o FGHab deixe, ainda em agosto, de conseguir assegurar os créditos concedidos, o que inviabilizaria a continuidade do programa nos termos atuais, justamente em um momento que a população busca mais intensamente esses recursos para viabilizar reformas, ampliações e melhorias em suas residências”, justifica o Ministério das Cidades.
Contudo, a pasta ressalta que não é possível precisar o tempo exato que o aporte de R$ 750 milhões garantiria a manutenção da iniciativa.
“Esse montante permitiria, de forma emergencial, evitar a interrupção do programa, enquanto se estruturam alternativas”, afirma o documento.
Até julho de 2025, foram financiados aproximadamente R$ 3 bilhões, e de acordo com o ritmo atual, o programa deve alcançar R$ 7 bilhões até o final do ano, correspondendo a 17,5% da meta inicialmente prevista.
O Ministério das Cidades também destaca que ainda há R$ 10,7 bilhões empenhados no orçamento de 2025, com possibilidade de aporte adicional do Fundo Social para assegurar a continuidade dos financiamentos.
“Diante disso, solicitamos o pronto auxílio deste ministério para viabilizar o aporte de recursos necessários e disponíveis no FGHab, de maneira imediata, a fim de evitar a suspensão do Reforma Casa Brasil”, conclui o ofício.
Esporte
Uefa ameaça processar Fifa por plano de Infantino e crise na entidade se aprofunda
A crise envolvendo Gianni Infantino ganhou um novo episódio nesta terça-feira. A Uefa avisou que pode tomar ações legais contra a Fifa devido a um plano, depois abandonado, de vender participação nos direitos comerciais das suas principais competições a investidores privados.
Ao mesmo tempo, a Federação Inglesa de Futebol (FA) também pode retirar o apoio que tinha dado à candidatura do presidente suíço para um novo mandato na Fifa.
De acordo com o jornal britânico The Telegraph, a Uefa enviou uma carta a Infantino informando que está considerando “ações judiciais, arbitragem e/ou denúncias regulatórias” relacionadas ao projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa criada para gerenciar torneios como a Copa do Mundo, que poderia receber investimentos privados.
Além da ameaça de ir à Justiça, a entidade europeia pediu que a Fifa mantenha todos os documentos ligados ao projeto. O pedido inclui e-mails, mensagens em aplicativos como WhatsApp, Signal, Microsoft Teams e Slack, mensagens de texto, registros de reuniões e quaisquer outros documentos envolvendo dirigentes da Fifa, confederações, associações nacionais, patrocinadores, emissoras e entidades financeiras.
A Uefa destacou que essa preservação deve ocorrer mesmo que vá contra as políticas internas de arquivamento da Fifa e pediu que Infantino confirme, no prazo de cinco dias úteis, que tomou medidas para evitar a exclusão de qualquer material relacionado.
O plano da Fifa previa a criação da Fifa Forward Enterprise, empresa que gerenciaria os direitos comerciais das competições principais. A ideia era vender cerca de 20% da empresa para investidores privados, o que poderia gerar até US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 22,8 bilhões).
No entanto, essa ideia foi abandonada na última sexta após forte oposição de confederações continentais e federações nacionais. Antes disso, Infantino mandou uma carta às 211 associações filiadas prometendo repassar US$ 40 milhões para cada uma caso apoiassem o plano. A primeira parcela prevista era de US$ 20 milhões, condicionada à aprovação das federações até 19 de setembro.
O grupo de investidores era liderado pela Thrive Eternal, uma empresa dos Estados Unidos de capital de risco fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pressão política aumenta
A ameaça da Uefa amplia o isolamento político de Infantino. No último sábado, tanto a confederação europeia quanto a Concacaf declararam publicamente que perderam a confiança na liderança do presidente da Fifa por causa dessa situação.
Na segunda-feira, a Federação Galesa de Futebol tornou-se a primeira associação nacional a retirar oficialmente o apoio à candidatura de Infantino para o mandato 2027-2031. A expectativa é que a Federação Inglesa prossiga da mesma forma, aumentando a pressão sobre o dirigente suíço.
Segundo a BBC, dirigentes da Uefa estão se mobilizando para reunir os votos necessários entre os membros do Conselho da Fifa para convocar uma reunião extraordinária da entidade. De acordo com o estatuto, são necessários 19 dos 37 votos do Conselho para pedir a convocação da reunião, que poderia discutir um pedido formal de renúncia de Infantino.
Notícias
Gigantes da tecnologia anunciam ações para frear fake news diante da pressão do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem exigido que grandes empresas de tecnologia adotem medidas concretas para enfrentar os desafios da desinformação que podem comprometer o processo eleitoral brasileiro.
Até o dia 16, as plataformas deverão apresentar à Corte os seus “planos de conformidade” para as eleições de 2026, um passo crucial para prevenir crimes eleitorais no ambiente digital e aumentar a transparência dessas empresas.
Desde 2018, o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais cresceu significativamente, evidenciado pela vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja campanha esteve fortemente ligada às redes. Na eleição de 2022, o ministro Alexandre de Moraes, que liderava o TSE, adotou medidas rigorosas, como a remoção de publicações e o bloqueio de perfis que ameaçassem o processo democrático. Atualmente, o presidente do tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, enfrenta pressão para implementar ações que evitem abusos eleitorais via tecnologias.
Os planos de conformidade, instituídos em resolução no início de março e conduzidos por Kássio, exigem que as plataformas determinem como vão impedir o uso de robôs para disseminar desinformação sobre a integridade das eleições.
Também são estipuladas diretrizes relacionadas à transparência e integridade na promoção de conteúdos políticos, incluindo o cumprimento de ordens judiciais eleitorais, moderação proativa de informações falsas facilmente verificáveis e a gestão ética de sistemas de inteligência artificial. Essas regras impactam provedores com mais de 5 milhões de usuários ativos mensais no Brasil.
Além disso, as plataformas devem garantir mecanismos para evitar que tecnologias de IA e chatbots produzam conteúdos que favoreçam candidatos ou induzam o voto, bem como impedir a geração de material sexual envolvendo candidatas.
Para a diretora do InternetLab, Heloisa Massaro, esses planos representam um avanço importante para a transparência e fiscalização das obrigações das plataformas.
No entanto, algumas propostas iniciais foram suavizadas na versão final da resolução, reduzindo o papel do presidente do TSE na supervisão e detalhamento das equipes responsáveis pelas respostas judiciais. A coordenadora do Aláfia Lab e pesquisadora da USP, Liz Nóbrega, aponta que a falta de detalhes pode tornar os planos genéricos e menos efetivos, destacando a necessidade de participação da sociedade civil para o acompanhamento dessas medidas.
Outro ponto crítico é que os relatórios finais serão apresentados somente após as eleições, limitando a possibilidade de ajustes e monitoramento em tempo real durante o processo eleitoral.
Os memorandos firmados em colaboração entre o TSE e as empresas Meta, X, Telegram, ByteDance (TikTok), Joyo Tecnologia (Kwai), LinkedIn e Google incluem acesso ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), que permite a análise de denúncias sobre conteúdos falsos ou descontextualizados com potencial de prejudicar as eleições.
Diferentemente dos pleitos anteriores, as grandes empresas tecnológicas agora têm obrigação de analisar notificações extrajudiciais e atuar de imediato contra conteúdos que violem as regras eleitorais e crimes relacionados ao Estado Democrático de Direito, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da interlocução constante com o TSE, as empresas participarão de treinamentos para servidores eleitorais, partidos políticos, checadores de fatos e pesquisadores, com foco na prevenção da desinformação e na promoção de boas práticas no uso das plataformas durante as eleições.
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