Economia
Efeito Lula: 92% das ações do Ibovespa fecham semana em alta
Principal índice da B3 sobe 3% na semana pós-eleições, com investidores aguardando próximos passos do novo governo

Painel de cotações da B3: definição do cenário eleitoral fortalece bolsa (Germano Lüders/Exame)
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou a primeira semana pós-eleições em alta de 3,16%. No último domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi eleito como o novo presidente do país.
O fim das incertezas eleitorais abriu as portas para uma semana de tendência positiva generalizada na bolsa. Entre as 92 ações do índice, 85 registraram alta nesta semana.“De maneira muito similar ao que aconteceu depois do primeiro turno, tivemos um movimento de alta sistêmico com a definição de Lula eleito junto a um Congresso de direita, o que indica um futuro governo mais centrista”, avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus.
Spiess destaca, ainda, a força do investidor estrangeiro. No dia 31, logo após as eleições, o estrangeiro entrou com R$ 1,89 bilhão na bolsa brasileira.
“Não é um juízo político, mas o estrangeiro prefere o Lula. Grandes fundos retiram restrições de investimentos e voltam a olhar o Brasil com bons olhos. É algo que pode trazer um fluxo interessante de investimento”, argumenta.
Vale lembrar que o índice teve bom desempenho mesmo com um dia a menos de pregão na semana devido ao feriado de Finados, na quarta-feira. O feriado, a propósito, foi marcado por um dia de turbulência no exterior com o anúncio de uma nova alta de juros nos Estados Unidos, que impactou o Ibovespa apenas marginalmente.
“O índice teve um desempenho melhor que as principais bolsas internacionais na semana”, completa. Para as próximas semanas, no entanto, o cenário pode ser mais desafiador, com investidores atentos aos próximos passos de Lula na área econômica. Os maiores pontos de atenção são o anúncio da equipe de ministros e qual deve ser a âncora fiscal da nova gestão petista.
Como as eleições impactaram as ações
A avaliação dos analistas é de que o índice foi contagiado de forma positiva pelas eleições.
A exceção fica com a Petrobras, que perdeu R$ 54 bilhões em valor de mercado na semana de vitória de Lula, com investidores temerosos sobre o futuro da estatal. O último ruído neste sentido derrubou os papéis da petroleira em mais de 5% hoje, com questionamentos sobre o pagamento de dividendos bilionários aos acionistas.
Além da estatal, apenas Alpargatas, Rumo, Hypera, Suzano e JBS fecharam a semana em queda. Vale lembrar que até o mesmo o Banco do Brasil, que caiu 4% no pregão pós-eleições, se recuperou junto à tendência geral de recuperação do mercado.
Na ponta oposta, as ações do chamado “kit Lula” fecharam a semana em alta, com destaque para os setores de turismo, varejo, educação e construção.
“Gestores estão comprando papéis de educação e construção imaginando um reavivamento de políticas como o Fies, Minha Casa Minha Vida, isso tudo ajuda”, argumenta Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.
Cruz avalia que, no setor de turismo, houve também uma leitura específica de que a vitória de Lula poderia dar força à demanda de classes mais baixas por viagens, o que, somado à queda de 4,6% do dólar na semana, impulsionou os papéis de Gol e CVC para altas superiores a 14%.
O topo do pódio, no entanto, ficou com a petroleira 3R Petroleum e a varejista São Martinho, que subiram em torno de 15%. No caso da 3R, a empresa conseguiu aproveitar a forte alta do petróleo na semana, movimento que passou batido pela Petrobras, imersa em risco político.
Economia
Fmi alerta sobre alta prolongada dos preços
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (6), que a alta contínua dos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, impulsionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, está durando mais tempo do que o esperado.
Os valores globais de diversas matérias-primas permanecem elevados por vários anos, inicialmente devido às interrupções nas cadeias de suprimentos causadas pela pandemia de covid-19 e, posteriormente, pelas guerras na Ucrânia e no Irã.
“Os preços dos itens essenciais, em comparação com outros produtos, continuam subindo há mais de um ano (…) e estão persistentemente altos”, disse o FMI em uma publicação em seu blog.
“Como consequência, as pessoas enfrentam não apenas um aumento temporário no custo de alimentos e energia, mas também uma redução prolongada no poder de compra desses produtos básicos em relação a outros bens”.
Os salários estão tendo dificuldades para acompanhar essas contínuas pressões inflacionárias.
O conflito no Irã, iniciado em fevereiro deste ano, elevou a inflação global e levou o FMI a ajustar para cima sua previsão do índice, que deve alcançar 4,7% mundialmente em 2026, contra 4,1% no ano anterior.
O FMI planeja divulgar na próxima semana a parte principal da atualização de seu relatório ‘Perspectivas da Economia Mundial’, com novas projeções para o crescimento e inflação globais.
O fundo ressaltou que os impactos dos chamados choques de oferta vão além de apenas alguns meses de inflação elevada, indicando que as consequências são profundas e de longo prazo.
Economia
Ibovespa ajusta e opera em torno de 205 mil pontos
O Ibovespa iniciou a terça-feira, dia 6, com leve alta de 0,01%, atingindo 206.924,61 pontos, chegando a alcançar a máxima de 209.522,60 pontos com um incremento de 1,26%, porém não sustentou esses níveis. Pouco tempo depois, o índice virou para queda, atingindo mínimas e caindo abaixo dos 205 mil pontos.
Esse ajuste pode ser atribuído em parte à correção após a forte alta registrada no dia anterior, influenciada pelos resultados do primeiro turno das eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, espera-se que, se eleito, o senador do PL possa adotar uma política menos expansionista.
“Trata-se de um ajuste às médias móveis, mas o movimento estrutural do Ibovespa permanece de alta”, comenta Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. “Se eleito, há a possibilidade de que Flávio Bolsonaro implemente uma política focada na retomada do superávit primário do país, o que poderia reduzir os juros e facilitar o custo de capital para as empresas”, acrescenta.
Além disso, o índice sofre com a queda de aproximadamente 2% no preço do petróleo no mercado internacional, influenciado por sinais de aumento nas exportações da commodity do Oriente Médio, em um contexto de agenda econômica fraca, tanto nacional quanto internacionalmente. Enquanto isso, em Nova York, os índices das bolsas registram avanços, impulsionados pela percepção de menor pressão inflacionária, em parte decorrente da queda consecutiva do preço do petróleo.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, atingindo o recorde de 206.911,89 pontos, após alcançar uma máxima de 209.605,70 pontos.
Mesmo com o avanço no dia anterior, o banco Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria um aumento de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.
O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, fechando a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de cortes na taxa Selic nos meses de novembro e dezembro de 2026 e em 2027. As operações nesta terça-feira continuam nessas linhas.
“A curva de juros demonstra quanto o país paga pela desconfiança em relação às suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui”, afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a queda do dólar frente ao real indica vendas significativas nas mesas institucionais da moeda americana, sugerindo entrada de capital estrangeiro no Brasil. “Isso pressiona o dólar para baixo.”
Os investidores agora aguardam pesquisas eleitorais que serão divulgadas na quinta-feira, relacionadas ao segundo turno.
O foco está também no Senado, com a possível abertura das discussões sobre o fim da escala 6×1, conforme opinião do economista sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultora. No entanto, ele ressalta que, segundo reportagens na imprensa, existem dúvidas sobre o avanço dessa pauta neste momento.
Às 11h26, o Ibovespa registrava queda de 0,82%, com 205.376,46 pontos, variando entre mínima de 204.832,36 pontos e máxima de 209.522,60 pontos (+1,26%). Entre os papéis de maior destaque, a Vale recuava 1,81%, enquanto Petrobras tinha perdas entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No setor bancário, apenas Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7% ON e +2,43% PN) apresentavam valorização. O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%), enquanto a maior alta ficou com Azzas (+5,14%).
Economia
BNDES financia R$ 21,8 milhões para digitalizar Unipac
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 21,8 milhões para impulsionar a digitalização da Unipac, uma empresa do Grupo Jacto especializada na transformação de polímeros. Este investimento tem como objetivo substituir vários processos manuais por alternativas digitais, incluindo a coleta de dados em tempo real e o uso de ferramentas avançadas de análise.
Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão utilizados para implementar tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e manufatura aditiva na sede em Pompéia (SP) e nas unidades em Paulínia (SP), Limeira (SP), Maracanaú (CE) e Uberaba (MG). No setor de compras, modelos de IA serão empregados para prever tendências de mercado e otimizar a gestão de contratos.
José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou que “o projeto engloba investimentos em digitalização, automação e análise de dados, aplicados em sistemas de produção, inspeção de peças, planejamento de estoques e fabricação de moldes, resultando em redução de custos e aumento da produtividade”.
Para o planejamento de vendas e operações, a Unipac contará com uma plataforma de gestão digital aprimorada por IA, visando melhorar a precisão na previsão da demanda e, assim, tornar mais eficiente a coordenação entre compra, venda, logística e manufatura.
O BNDES informou ainda que será instalado um sistema automático de inspeção visual para identificar defeitos nas peças durante a produção de embalagens. Essa verificação será feita por câmeras de alta resolução auxiliadas por ferramentas de IA, com o objetivo de alcançar a meta de “zero defeitos” em relação a problemas visuais nos produtos.
Além disso, será desenvolvido um conjunto integrado de sistemas inteligentes de manufatura para coletar, processar e armazenar dados de produção em tempo real. Os modelos de IA irão analisar esses dados para detectar padrões, anomalias e oportunidades de melhoria, permitindo um monitoramento rigoroso da produção e a criação de alertas automáticos para as equipes operacionais, reduzindo desperdícios e defeitos.
A manufatura aditiva será empregada para inovar um dos processos tradicionais de fabricação de moldes em Pompéia, São Paulo, com equipamentos capazes de produzir peças metálicas com alta precisão.
Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac, afirmou que “a transformação digital representa uma capacidade avançada que sustenta nossa estratégia centrada no cliente, fundamentada em três pilares principais: relacionamento duradouro, decisões baseadas em dados e profundo conhecimento dos clientes. Esta parceria com o BNDES acelera nossos investimentos contínuos em tecnologia e desenvolvimento humano, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do nosso negócio”.
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