Economia
Economia verde pode gerar 20 trilhões de dólares por ano até 2070 e proteger milhões, diz ONU
José Henrique Mariante
Berlim, None (FOLHAPRESS)
Um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira (9) aponta que uma economia verde, focada em combater as mudanças climáticas, pode trazer um retorno econômico de até 20 trilhões de dólares por ano a partir de 2070. Além disso, essa mudança poderia salvar milhões de vidas, protegendo-as da fome, da poluição e de eventos climáticos extremos, além de tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza.
Uma economia limpa e sustentável não é uma escolha, mas uma necessidade urgente. Edgard Gutiérrez-Espeleta, copresidente do estudo Global Environmental Outlook (GEO-7), elaborado por 287 cientistas de 82 países, destaca essa urgência.
O documento foi apresentado na 7ª Assembleia de Meio Ambiente da ONU, realizada esta semana em Nairóbi, no Quênia.
Apesar de acordos como o Acordo de Paris, as emissões de gases que causam o efeito estufa continuam aumentando, com crescimento anual de 1,5% desde 1990, atingindo seu pico em 2024. O planeta tem registrado temperaturas recordes nos últimos anos e eventos climáticos extremos, como incêndios na Europa e enchentes na Ásia.
“A ciência é clara e as soluções são conhecidas. O que falta é coragem para agir com a velocidade e a escala que a situação exige”, afirma Gutiérrez-Espeleta, ex-ministro do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica.
O relatório GEO-7, com 1.222 páginas, destaca cinco prioridades essenciais para enfrentar as mudanças climáticas imediatamente:
- Existe uma crise ambiental que ameaça a segurança, saúde pública, economia e os contratos sociais dos países, devido às mudanças no clima, perda da biodiversidade, degradação do solo e poluição;
- Há uma crise de governança, com políticos priorizando ganhos a curto prazo em detrimento da resiliência futura;
- É necessária uma reforma financeira que direcione recursos de forma correta, eliminando subsídios prejudiciais e reduzindo externalidades negativas;
- Governos e sociedade devem trabalhar unidos, envolvendo empresas, setor financeiro, acadêmicos, sociedade civil e povos indígenas, para garantir transições justas e rápidas;
- A justiça e a equidade são fundamentais: países ricos precisam reduzir consumo e ajudar financeiramente os mais pobres, que por sua vez precisam de apoio para avançar em tecnologias sustentáveis;
Essa transformação exige esforços grandes, complexos e custosos. Mas, segundo o GEO-7, investimentos são necessários; eventos climáticos extremos já têm causado prejuízos de ao menos 143 bilhões de dólares por ano nas últimas duas décadas. Só em 2019, a poluição do ar resultou em perdas de 8,1 trilhões de dólares para a saúde pública global.
A transformação econômica deverá começar a se notar em 2050, com metas como a neutralidade de emissões previstas no Acordo de Paris, crescendo para 20 trilhões de dólares anuais até 2070.
Para isso, o estudo sugere uma mudança na forma de medir o crescimento econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) deve incluir métricas que considerem o bem-estar da sociedade e a preservação dos recursos naturais, além da simples soma de bens e serviços.
“É estranho contabilizar o desmatamento como crescimento do PIB”, explica Gutiérrez-Espeleta. “Precisamos ir além da economia tradicional, incluindo sustentabilidade e vulnerabilidades.”
Essa proposta de novo PIB é defendida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que criou um grupo de especialistas para avançar nessa ideia.
Além disso, o relatório sugere revisar subsídios, impostos e incentivos que favorecem o uso de combustíveis fósseis e práticas insustentáveis em agricultura, pecuária e silvicultura.
“A população mundial cresce e está mais rica, exigindo mais energia, alimentos e materiais, mas de um jeito que prejudica o meio ambiente”, explica Robert Watson, outro líder do estudo.
“Nossos sistemas econômicos, financeiros e políticos não são sustentáveis atualmente”, ressalta, lembrando da necessidade de cooperação entre governo e sociedade civil para mudar essa realidade.
Dois cenários foram testados: um focado em mudanças de comportamento e outro em avanços tecnológicos. Nenhum é suficiente sozinho, é preciso combinar ambos para alcançar a sustentabilidade desejada, junto com inovação e governança eficiente.
Temas como economia circular, uso sustentável de energia e recursos, dietas saudáveis e proteínas alternativas fazem parte desse grande diálogo entre governos e sociedade.
Sobre a dificuldade de discutir o tema em meio ao negacionismo climático e governos populistas, Gutiérrez-Espeleta recorda sua experiência na Costa Rica, onde o meio ambiente virou prioridade nacional, mas reconhece que a mudança é lenta.
“No momento, a maioria dos governos tenta satisfazer demandas por alimentos e energia baratos. Se ajustarmos preços eliminando subsídios e considerando impactos ambientais, os custos aumentarão”, comenta Watson.
“Mas, se continuarmos com práticas insustentáveis, o futuro será sombrio. Governos precisam dialogar com a sociedade para explicar a necessidade dessas decisões.”
“Infelizmente, a humanidade age de forma urgente só quando percebe que está em perigo iminente”, conclui Gutiérrez-Espeleta. “Não queremos chegar a esse ponto, mas a situação está cada vez mais crítica.”
Economia
Fmi alerta sobre alta prolongada dos preços
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (6), que a alta contínua dos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, impulsionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, está durando mais tempo do que o esperado.
Os valores globais de diversas matérias-primas permanecem elevados por vários anos, inicialmente devido às interrupções nas cadeias de suprimentos causadas pela pandemia de covid-19 e, posteriormente, pelas guerras na Ucrânia e no Irã.
“Os preços dos itens essenciais, em comparação com outros produtos, continuam subindo há mais de um ano (…) e estão persistentemente altos”, disse o FMI em uma publicação em seu blog.
“Como consequência, as pessoas enfrentam não apenas um aumento temporário no custo de alimentos e energia, mas também uma redução prolongada no poder de compra desses produtos básicos em relação a outros bens”.
Os salários estão tendo dificuldades para acompanhar essas contínuas pressões inflacionárias.
O conflito no Irã, iniciado em fevereiro deste ano, elevou a inflação global e levou o FMI a ajustar para cima sua previsão do índice, que deve alcançar 4,7% mundialmente em 2026, contra 4,1% no ano anterior.
O FMI planeja divulgar na próxima semana a parte principal da atualização de seu relatório ‘Perspectivas da Economia Mundial’, com novas projeções para o crescimento e inflação globais.
O fundo ressaltou que os impactos dos chamados choques de oferta vão além de apenas alguns meses de inflação elevada, indicando que as consequências são profundas e de longo prazo.
Economia
Ibovespa ajusta e opera em torno de 205 mil pontos
O Ibovespa iniciou a terça-feira, dia 6, com leve alta de 0,01%, atingindo 206.924,61 pontos, chegando a alcançar a máxima de 209.522,60 pontos com um incremento de 1,26%, porém não sustentou esses níveis. Pouco tempo depois, o índice virou para queda, atingindo mínimas e caindo abaixo dos 205 mil pontos.
Esse ajuste pode ser atribuído em parte à correção após a forte alta registrada no dia anterior, influenciada pelos resultados do primeiro turno das eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, espera-se que, se eleito, o senador do PL possa adotar uma política menos expansionista.
“Trata-se de um ajuste às médias móveis, mas o movimento estrutural do Ibovespa permanece de alta”, comenta Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. “Se eleito, há a possibilidade de que Flávio Bolsonaro implemente uma política focada na retomada do superávit primário do país, o que poderia reduzir os juros e facilitar o custo de capital para as empresas”, acrescenta.
Além disso, o índice sofre com a queda de aproximadamente 2% no preço do petróleo no mercado internacional, influenciado por sinais de aumento nas exportações da commodity do Oriente Médio, em um contexto de agenda econômica fraca, tanto nacional quanto internacionalmente. Enquanto isso, em Nova York, os índices das bolsas registram avanços, impulsionados pela percepção de menor pressão inflacionária, em parte decorrente da queda consecutiva do preço do petróleo.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, atingindo o recorde de 206.911,89 pontos, após alcançar uma máxima de 209.605,70 pontos.
Mesmo com o avanço no dia anterior, o banco Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria um aumento de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.
O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, fechando a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de cortes na taxa Selic nos meses de novembro e dezembro de 2026 e em 2027. As operações nesta terça-feira continuam nessas linhas.
“A curva de juros demonstra quanto o país paga pela desconfiança em relação às suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui”, afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a queda do dólar frente ao real indica vendas significativas nas mesas institucionais da moeda americana, sugerindo entrada de capital estrangeiro no Brasil. “Isso pressiona o dólar para baixo.”
Os investidores agora aguardam pesquisas eleitorais que serão divulgadas na quinta-feira, relacionadas ao segundo turno.
O foco está também no Senado, com a possível abertura das discussões sobre o fim da escala 6×1, conforme opinião do economista sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultora. No entanto, ele ressalta que, segundo reportagens na imprensa, existem dúvidas sobre o avanço dessa pauta neste momento.
Às 11h26, o Ibovespa registrava queda de 0,82%, com 205.376,46 pontos, variando entre mínima de 204.832,36 pontos e máxima de 209.522,60 pontos (+1,26%). Entre os papéis de maior destaque, a Vale recuava 1,81%, enquanto Petrobras tinha perdas entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No setor bancário, apenas Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7% ON e +2,43% PN) apresentavam valorização. O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%), enquanto a maior alta ficou com Azzas (+5,14%).
Economia
BNDES financia R$ 21,8 milhões para digitalizar Unipac
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 21,8 milhões para impulsionar a digitalização da Unipac, uma empresa do Grupo Jacto especializada na transformação de polímeros. Este investimento tem como objetivo substituir vários processos manuais por alternativas digitais, incluindo a coleta de dados em tempo real e o uso de ferramentas avançadas de análise.
Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão utilizados para implementar tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e manufatura aditiva na sede em Pompéia (SP) e nas unidades em Paulínia (SP), Limeira (SP), Maracanaú (CE) e Uberaba (MG). No setor de compras, modelos de IA serão empregados para prever tendências de mercado e otimizar a gestão de contratos.
José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou que “o projeto engloba investimentos em digitalização, automação e análise de dados, aplicados em sistemas de produção, inspeção de peças, planejamento de estoques e fabricação de moldes, resultando em redução de custos e aumento da produtividade”.
Para o planejamento de vendas e operações, a Unipac contará com uma plataforma de gestão digital aprimorada por IA, visando melhorar a precisão na previsão da demanda e, assim, tornar mais eficiente a coordenação entre compra, venda, logística e manufatura.
O BNDES informou ainda que será instalado um sistema automático de inspeção visual para identificar defeitos nas peças durante a produção de embalagens. Essa verificação será feita por câmeras de alta resolução auxiliadas por ferramentas de IA, com o objetivo de alcançar a meta de “zero defeitos” em relação a problemas visuais nos produtos.
Além disso, será desenvolvido um conjunto integrado de sistemas inteligentes de manufatura para coletar, processar e armazenar dados de produção em tempo real. Os modelos de IA irão analisar esses dados para detectar padrões, anomalias e oportunidades de melhoria, permitindo um monitoramento rigoroso da produção e a criação de alertas automáticos para as equipes operacionais, reduzindo desperdícios e defeitos.
A manufatura aditiva será empregada para inovar um dos processos tradicionais de fabricação de moldes em Pompéia, São Paulo, com equipamentos capazes de produzir peças metálicas com alta precisão.
Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac, afirmou que “a transformação digital representa uma capacidade avançada que sustenta nossa estratégia centrada no cliente, fundamentada em três pilares principais: relacionamento duradouro, decisões baseadas em dados e profundo conhecimento dos clientes. Esta parceria com o BNDES acelera nossos investimentos contínuos em tecnologia e desenvolvimento humano, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do nosso negócio”.
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