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Economia

Criticar o Pix é como dizer que criar saneamento prejudica o caminhão-pipa; confira a resposta do governo

O governo dos Estados Unidos justificou a aplicação de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros com base em um relatório da investigação da Seção 301, alegando práticas comerciais injustas do Brasil em seis áreas. Em resposta, membros do alto escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva contestaram ponto a ponto os argumentos, qualificando a decisão como política, sem fundamentos técnicos e incompatível com os dados apresentados durante as negociações. A tarifa começa a valer em 22 de julho.

O documento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) reúne críticas ao Brasil nas áreas de serviços de pagamento eletrônico (Pix), tarifas consideradas desleais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e comércio digital.

No mesmo dia em que os EUA anunciaram a tarifa, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nas redes sociais que Lula não negociou com “boa-fé” e colocou “o próprio ego” acima da conclusão de um acordo, declaração que também foi contestada pelo governo brasileiro.

Pix

Argumento dos EUA: O USTR alega que o Banco Central favorece o Pix em comparação com empresas americanas de meios de pagamento, como operadoras de cartão de crédito, atuando ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema. Também afirmam que o modelo é discriminatório e injusto.

Resposta do Brasil: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, garantiu que o Pix continuará gratuito, seguro e acessível a todas as instituições financeiras. Ele ressaltou que o sistema não prejudicou empresas americanas e que desde sua criação, o mercado de cartões cresceu cerca de 150%. Galípolo comparou a crítica à alegação de que “implantar saneamento básico prejudicaria a receita do caminhão-pipa”. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o Pix é uma infraestrutura pública disponível para todos os participantes do mercado.

Tarifas consideradas desleais

Argumento dos EUA: Washington alega que o Brasil concede tarifas preferenciais a parceiros como México e Índia, enquanto mantém alíquotas mais altas para produtos americanos.

Resposta do Brasil: O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão americana como uma “interferência externa indevida” e salientou que os próprios dados dos EUA indicam superávit comercial na relação com o Brasil. O governo brasileiro informou que 76% das importações americanas entram no país sem imposto e que a alíquota média efetiva é de apenas 3,1%.

Desmatamento ilegal

Argumento dos EUA: O relatório aponta falhas do Brasil na aplicação da legislação ambiental e indica que o desmatamento ilegal beneficiaria a produção agrícola nacional em detrimento dos produtores americanos.

Resposta do Brasil: O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, considerou as acusações sem base técnica e informou que o desmatamento na Amazônia caiu cerca de 50% nos últimos três anos. Ele também negou a alegação de concorrência desleal na madeira, explicando que o Brasil representa apenas 0,65% do mercado internacional e produz madeira de tipo diferente da usada pela indústria americana. Mauro Vieira confirmou que as críticas ambientais não refletem a realidade.

Etanol

Argumento dos EUA: O USTR afirma que o Brasil abandonou uma política de reciprocidade tarifária em 2017, adotando condições menos favoráveis ao etanol americano.

Resposta do Brasil: O governo reafirmou que as justificativas apresentadas na investigação desconsideraram os argumentos técnicos fornecidos durante as negociações e afirmou que seguirá buscando uma solução por meio do diálogo com as autoridades americanas.

Propriedade intelectual

Argumento dos EUA: Washington acusa o Brasil de combater insuficientemente a pirataria, citando a Rua 25 de Março como exemplo, além de criticar a demora na concessão de patentes.

Resposta do Brasil: O governo afirmou que as conclusões da investigação não condizem com a realidade, destacando a apresentação de duas defesas formais durante o processo. Mauro Vieira declarou que os argumentos dos EUA não possuem respaldo técnico e qualificou a investigação como unilateral.

Combate à corrupção

Argumento dos EUA: O relatório sustenta que o Brasil aplica de forma insuficiente medidas anticorrupção, citando decisões relacionadas à Operação Lava Jato e acordos de leniência.

Resposta do Brasil: O governo rejeitou a inclusão do tema na investigação comercial, classificando a decisão americana como motivada por interesses políticos. Mauro Vieira afirmou que a investigação é unilateral e que a decisão teve conotação política, tentando interferir no Poder Judiciário brasileiro.

Comércio digital

Argumento dos EUA: O USTR acusa tribunais brasileiros de ordenarem a remoção de conteúdo em plataformas digitais americanas e de restringirem a atuação dessas empresas.

Resposta do Brasil: Em nota oficial, o governo considerou as alegações contra a regulação das plataformas digitais como infundadas, rebatendo as conclusões da investigação baseada na Seção 301. Paralelamente, o governo pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), ampliar mercados para as exportações brasileiras e avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Negociação de má-fé

Crítica dos EUA: O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou em redes sociais que Lula não negociou com boa-fé e colocou interesses pessoais acima da conclusão de um acordo.

Resposta do Brasil: O chanceler Mauro Vieira considerou as declarações inaceitáveis e ofensivas, ressaltando que o Brasil realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades americanas desde março de 2025. Segundo ele, a investigação da Seção 301 é unilateral e a decisão de aplicar tarifas desconsiderou as informações apresentadas pelo governo brasileiro.

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Economia

Fmi alerta sobre alta prolongada dos preços

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (6), que a alta contínua dos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, impulsionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, está durando mais tempo do que o esperado.

Os valores globais de diversas matérias-primas permanecem elevados por vários anos, inicialmente devido às interrupções nas cadeias de suprimentos causadas pela pandemia de covid-19 e, posteriormente, pelas guerras na Ucrânia e no Irã.

“Os preços dos itens essenciais, em comparação com outros produtos, continuam subindo há mais de um ano (…) e estão persistentemente altos”, disse o FMI em uma publicação em seu blog.

“Como consequência, as pessoas enfrentam não apenas um aumento temporário no custo de alimentos e energia, mas também uma redução prolongada no poder de compra desses produtos básicos em relação a outros bens”.

Os salários estão tendo dificuldades para acompanhar essas contínuas pressões inflacionárias.

O conflito no Irã, iniciado em fevereiro deste ano, elevou a inflação global e levou o FMI a ajustar para cima sua previsão do índice, que deve alcançar 4,7% mundialmente em 2026, contra 4,1% no ano anterior.

O FMI planeja divulgar na próxima semana a parte principal da atualização de seu relatório ‘Perspectivas da Economia Mundial’, com novas projeções para o crescimento e inflação globais.

O fundo ressaltou que os impactos dos chamados choques de oferta vão além de apenas alguns meses de inflação elevada, indicando que as consequências são profundas e de longo prazo.

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Economia

Ibovespa ajusta e opera em torno de 205 mil pontos

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O Ibovespa iniciou a terça-feira, dia 6, com leve alta de 0,01%, atingindo 206.924,61 pontos, chegando a alcançar a máxima de 209.522,60 pontos com um incremento de 1,26%, porém não sustentou esses níveis. Pouco tempo depois, o índice virou para queda, atingindo mínimas e caindo abaixo dos 205 mil pontos.

Esse ajuste pode ser atribuído em parte à correção após a forte alta registrada no dia anterior, influenciada pelos resultados do primeiro turno das eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, espera-se que, se eleito, o senador do PL possa adotar uma política menos expansionista.

“Trata-se de um ajuste às médias móveis, mas o movimento estrutural do Ibovespa permanece de alta”, comenta Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. “Se eleito, há a possibilidade de que Flávio Bolsonaro implemente uma política focada na retomada do superávit primário do país, o que poderia reduzir os juros e facilitar o custo de capital para as empresas”, acrescenta.

Além disso, o índice sofre com a queda de aproximadamente 2% no preço do petróleo no mercado internacional, influenciado por sinais de aumento nas exportações da commodity do Oriente Médio, em um contexto de agenda econômica fraca, tanto nacional quanto internacionalmente. Enquanto isso, em Nova York, os índices das bolsas registram avanços, impulsionados pela percepção de menor pressão inflacionária, em parte decorrente da queda consecutiva do preço do petróleo.

Na segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, atingindo o recorde de 206.911,89 pontos, após alcançar uma máxima de 209.605,70 pontos.

Mesmo com o avanço no dia anterior, o banco Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria um aumento de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.

O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, fechando a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de cortes na taxa Selic nos meses de novembro e dezembro de 2026 e em 2027. As operações nesta terça-feira continuam nessas linhas.

“A curva de juros demonstra quanto o país paga pela desconfiança em relação às suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui”, afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a queda do dólar frente ao real indica vendas significativas nas mesas institucionais da moeda americana, sugerindo entrada de capital estrangeiro no Brasil. “Isso pressiona o dólar para baixo.”

Os investidores agora aguardam pesquisas eleitorais que serão divulgadas na quinta-feira, relacionadas ao segundo turno.

O foco está também no Senado, com a possível abertura das discussões sobre o fim da escala 6×1, conforme opinião do economista sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultora. No entanto, ele ressalta que, segundo reportagens na imprensa, existem dúvidas sobre o avanço dessa pauta neste momento.

Às 11h26, o Ibovespa registrava queda de 0,82%, com 205.376,46 pontos, variando entre mínima de 204.832,36 pontos e máxima de 209.522,60 pontos (+1,26%). Entre os papéis de maior destaque, a Vale recuava 1,81%, enquanto Petrobras tinha perdas entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No setor bancário, apenas Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7% ON e +2,43% PN) apresentavam valorização. O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%), enquanto a maior alta ficou com Azzas (+5,14%).

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Economia

BNDES financia R$ 21,8 milhões para digitalizar Unipac

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 21,8 milhões para impulsionar a digitalização da Unipac, uma empresa do Grupo Jacto especializada na transformação de polímeros. Este investimento tem como objetivo substituir vários processos manuais por alternativas digitais, incluindo a coleta de dados em tempo real e o uso de ferramentas avançadas de análise.

Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão utilizados para implementar tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e manufatura aditiva na sede em Pompéia (SP) e nas unidades em Paulínia (SP), Limeira (SP), Maracanaú (CE) e Uberaba (MG). No setor de compras, modelos de IA serão empregados para prever tendências de mercado e otimizar a gestão de contratos.

José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou que “o projeto engloba investimentos em digitalização, automação e análise de dados, aplicados em sistemas de produção, inspeção de peças, planejamento de estoques e fabricação de moldes, resultando em redução de custos e aumento da produtividade”.

Para o planejamento de vendas e operações, a Unipac contará com uma plataforma de gestão digital aprimorada por IA, visando melhorar a precisão na previsão da demanda e, assim, tornar mais eficiente a coordenação entre compra, venda, logística e manufatura.

O BNDES informou ainda que será instalado um sistema automático de inspeção visual para identificar defeitos nas peças durante a produção de embalagens. Essa verificação será feita por câmeras de alta resolução auxiliadas por ferramentas de IA, com o objetivo de alcançar a meta de “zero defeitos” em relação a problemas visuais nos produtos.

Além disso, será desenvolvido um conjunto integrado de sistemas inteligentes de manufatura para coletar, processar e armazenar dados de produção em tempo real. Os modelos de IA irão analisar esses dados para detectar padrões, anomalias e oportunidades de melhoria, permitindo um monitoramento rigoroso da produção e a criação de alertas automáticos para as equipes operacionais, reduzindo desperdícios e defeitos.

A manufatura aditiva será empregada para inovar um dos processos tradicionais de fabricação de moldes em Pompéia, São Paulo, com equipamentos capazes de produzir peças metálicas com alta precisão.

Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac, afirmou que “a transformação digital representa uma capacidade avançada que sustenta nossa estratégia centrada no cliente, fundamentada em três pilares principais: relacionamento duradouro, decisões baseadas em dados e profundo conhecimento dos clientes. Esta parceria com o BNDES acelera nossos investimentos contínuos em tecnologia e desenvolvimento humano, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do nosso negócio”.

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