Mundo
Crianças migrantes nos EUA sem advogado enfrentam risco de deportação
Um bebê de apenas um ano dá seus primeiros passos inseguros dentro de um tribunal de imigração na Louisiana, nos Estados Unidos. Ele brinca com um brinquedo que quase atinge o promotor presente. O juiz solicitou à mãe, de 17 anos, que solicite asilo para ambos, já que são menores e, sem a assistência de um advogado, estão vulneráveis à deportação.
Em 2025, a administração do então presidente americano Donald Trump tentou eliminar os fundos que o Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) destinava para uma rede nacional de organizações que, há anos, oferecem suporte jurídico a menores migrantes desacompanhados.
Esses menores chegaram aos Estados Unidos sozinhos ou tiveram seus pais detidos por agentes de imigração e estão atualmente em abrigos ou sob custódia do governo.
Após um processo judicial movido por várias entidades afetadas, a tentativa foi suspensa por uma juíza federal, que determinou a continuidade dos serviços, garantidos por uma lei de 2008.
Desafios e conflitos
Meses mais tarde, o governo não efetuou os pagamentos devidos e, em julho de 2026, deixou expirar o contrato com o Acacia Center for Justice, que coordenava cerca de cem organizações.
Roxana Avila-Cimpeanu, vice-diretora do Projeto Florence, que presta auxílio a migrantes em processos de deportação, detalhou à AFP as dificuldades enfrentadas frente ao governo Trump.
No fim de 2025, o governo condicionou a liberação dos recursos à entrega de informações confidenciais sobre os menores assistidos pela rede, que totalizavam aproximadamente 20.000 crianças. “E nós não aceitamos isso”, reforçou.
Posteriormente, o governo propôs que os casos fossem entregues ao Burke Law Group, fundado por uma advogada que trabalhou no primeiro mandato presidido por Trump, porém a empresa desistiu do contrato.
Ainda tentaram repassar a responsabilidade à Our Rescue, organização criada por Tim Ballard, ex-agente de Segurança Interna, cuja atuação inspirou o filme “Som da Liberdade”. Ballard também atuou como assessor do governo Trump no combate ao tráfico sexual infantil. Atualmente, o diretor-executivo da instituição é Derek Benner, ex-funcionário da imigração. O contrato foi suspenso após questionamentos no Congresso.
Legisladores democratas escreveram ao Departamento de Saúde, responsável pelo ORR, afirmando que a proteção legal das crianças não pode ser usada para interesses políticos e demonstrando grande apreensão quanto à entrega da defesa dessas crianças a entidades claramente despreparadas para tal tarefa.
Impacto na defesa das crianças
Avila-Cimpeanu avalia que as ações visam dificultar a defesa legal dos menores, num contexto de plano governamental de deportações em larga escala.
“Tenho trabalhado nessa área há uma década e este é o período mais crítico que já vi, devido ao ataque coordenado do governo contra as crianças, usando diferentes setores para alcançar o objetivo de deportar o maior número possível o mais rápido possível”, declarou.
Sobre a presença das crianças nos tribunais, Avila-Cimpeanu relata o caso do bebê de um ano que esteve em audiência acompanhado pela mãe, ambos sem representação legal.
“O bebê se movimentava por todo o tribunal, brincando e chorando, enquanto a mãe tentava gerir a situação e a audiência ao mesmo tempo”, contou.
É comum que menores desacompanhados compareçam aos tribunais, o que reforça a necessidade de advogados que compreendam as particularidades do processo e, muitas vezes, falem o idioma dos assistidos. Em 2018, chegou a ocorrer um caso envolvendo um bebê de poucos meses.
“Imaginem que tivemos que argumentar que o bebê negava as acusações e queria partir voluntariamente. É algo absurdo, mas faz parte do procedimento”, relatou.
Recentemente, a CNN reportou que 25 crianças migrantes, muitas sem assistência jurídica, participaram de audiências em um tribunal no Texas.
Assistência emergencial
Em nota à AFP, o ORR informou que, em agosto, transferiu recursos para o restante do ano ao Comitê Americano para Refugiados e Imigrantes (USCRI), que está presente em todas as audiências e ampliou seus serviços para oferecer orientação jurídica, consultas legais e representação direta aos menores.
Bilal Askaryar, diretor de comunicação do Acacia, comentou que o USCRI é uma organização pequena, com cerca de cinquenta advogados, frente aos 800 da rede anterior.
“Não se trata apenas de um contrato ou disputa entre organizações e governo, mas sim da proteção de 20.000 crianças que buscam segurança nos Estados Unidos”, concluiu.
Mundo
Irã afirma que não existe solução militar para conflito no Oriente Médio
O Irã afirmou neste domingo (4) que a guerra no Oriente Médio não poderá ser resolvida por meio de ações militares, enquanto as negociações entre as partes enfrentam dificuldades.
O ponto mais crítico de disputa é o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo e gás do Golfo.
“Se nossos adversários optarem por confrontos militares novamente, nossa resposta será ainda mais forte do que antes e nos defenderemos com determinação”, declarou Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, durante uma reunião com embaixadores estrangeiros.
“Não há solução militar, nem nenhuma resolução baseada em novas sanções,” ele acrescentou. “Somente negociações justas e equilibradas poderão encerrar o conflito,” enfatizou.
Washington e Teerã concordaram em junho com um memorando de entendimento, mas os recentes ataques iranianos contra navios em Ormuz levaram ao aumento das operações militares americanas.
Representantes de ambos os lados conversaram na última semana à margem da Assembleia Geral da ONU.
Teerã apresentou sete condições para a reabertura do estreito, incluindo cessar-fogo na região, desbloqueio de seus recursos financeiros no exterior, suspensão das sanções contra seu setor petrolífero e o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA.
O ex-presidente Donald Trump rejeitou a proposta, mas deixou aberta a possibilidade tanto para o diálogo quanto para novas ações militares.
De acordo com a agência estatal Irna, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que os Estados Unidos já manifestaram “sua posição” sobre a oferta iraniana, que está agora sendo avaliada.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, declarou que a última contraproposta americana está “em consonância com suas anteriores propostas sobre assuntos nucleares”.
A guerra resultou em longas filas nos postos de combustível do Irã.
Nesse cenário, a Presidência anunciou que o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, renunciou ao cargo, sendo substituído temporariamente pelo diretor-geral da Companhia Nacional de Petróleo do Irã, Hamid Bovard.
Mundo
Israel mata diretor de ONG turca em ataque em Gaza
O exército de Israel anunciou no domingo (4) que realizou um ataque que resultou na morte do diretor de uma organização turca, acusando-o de ser parte da ala armada do Hamas.
Nas primeiras horas do domingo, as Forças de Defesa de Israel (FDI) efetuaram um ataque na região de Khan Yunis, na Faixa de Gaza, eliminando o terrorista Saqr Nabil Musa Qaisi, que integrava a força de elite Nukhba do grupo Hamas, segundo comunicado do exército.
Qaisi comandava a ONG turca Deniz Feneri, que se apresenta como uma entidade de ajuda humanitária, porém, de acordo com Israel, possui ligações estreitas com líderes do Hamas e autoridades da cúpula turca.
Horas antes, um hospital em Deir al Balah havia confirmado a morte de Qaisi, durante um ataque a um veículo no sul da Faixa de Gaza.
O exército israelense alegou que o diretor da ONG utilizava sua posição para recrutar terroristas regularmente, qualificando tal ação como um uso cínico de recursos humanitários, embora não tenha apresentado provas dessa acusação.
O conflito em Gaza começou após o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, que resultou na morte de 1.221 pessoas, conforme dados oficiais israelenses compilados pela AFP.
Israel respondeu com uma ampla ofensiva na Faixa de Gaza, onde mais de 74.200 pessoas já perderam a vida, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob controle do Hamas, número que também é confirmado pela ONU.
Mundo
Musk vai mudar nome da SpacexAI para SpacexSI após Trump adotar termo superinteligência
O CEO da SpaceX, Elon Musk, anunciou no domingo (4) que irá alterar o nome da divisão de inteligência artificial da empresa, SpaceXAI, para SpaceXSI, em homenagem ao termo “superinteligência” recentemente adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Sim, faremos essa alteração”, respondeu Musk em resposta a um usuário no X que questionou sobre a possibilidade da mudança.
Trump vem incentivando o uso do termo superinteligência ao invés de inteligência artificial (IA). Em uma declaração durante a Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, o presidente pediu que os documentos oficiais dos EUA abandonem o termo ‘IA’.
“A partir de agora, todos os documentos oficiais dos Estados Unidos, e espero que também no mundo, usarão o termo muito mais adequado ‘super’ em vez de ‘artificial’. Por isso, é superinteligência”, declarou.
Essa mudança acontece após Musk e outros líderes de grandes empresas de tecnologia firmarem um acordo voluntário com o governo Trump para fortalecer os controles e auditorias sobre sistemas de inteligência artificial.
O acordo inclui a implementação de mecanismos internos de supervisão, auditorias externas independentes e a criação de comitês dentro dos conselhos das empresas para avaliar os riscos associados.
Trump tem enfatizado a importância de acelerar a inovação tecnológica nos EUA, evitando restrições que poderiam prejudicar a liderança americana na competição tecnológica global, especialmente em relação à China.
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