Mundo
Com proibição de Biden, imigrantes enfrentam nova realidade na fronteira
Nova regra estabelece limite diário para processamento de requerentes de asilo

Um agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos conduz Jessica León e sua filha para uma van em San Diego, Califórnia, EUA
4/6/2024 REUTERS/Daniel Trotta
Jessica León, imigrante do Equador solicitando asilo, escalou um muro fronteiriço na terça-feira (4) com a filha de três anos, pisando em solo norte-americano em San Diego, Califórnia, poucas horas antes de uma nova proibição a pedidos de asilo entrar em vigor.
Ela e outra dúzia de imigrantes de Guatemala, Colômbia e Vietnã que escalaram o muro imediatamente se entregarem aos agentes de fronteira dos EUA. Eles foram orientados a andar para um lugar conhecido como Whiskey 8 — uma faixa empoeirada de território norte-americano entre dois muros de fronteira, um dividindo os EUA do México e o segundo, um obstáculo mais imponente, alguns metros mais ao norte.
O local de detenção a céu aberto tornou-se símbolo de um processo caótico de asilo dos EUA que, segundo o presidente norte-americano, Joe Biden, precisa desesperadamente ser reformado.
Em um abrangente decreto anunciado na terça-feira, Biden implementou uma proibição a pedidos de asilos que permite que autoridades de imigração dos EUA rapidamente deportem imigrantes que cruzarem ilegalmente a fronteira para seus países de origem ou de volta para o México.
Ativistas de imigração criticaram a decisão de Biden, dizendo que ela espelha ações duras do seu antecessor republicano, o ex-presidente Donald Trump. Ambos se enfrentarão novamente na eleição norte-americana de 5 de novembro
A União Americana pelas Liberdades Civis disse que planeja entrar com um processo contra as medidas de Biden.
León e sua filha chegaram apenas horas antes da política entrar em vigor, à 0h01, no horário da costa leste dos EUA, de quarta-feira (5), ou 21h01 de terça-feira em San Diego.
Alguns imigrantes requerentes de asilo chegam sozinhos ao Whiskey 8. Outros que foram detidos pela Patrulha de Fronteira em outros lugares entre os dois muros são levados ao local ou orientados a andar até lá para posterior processamento.
Ainda não se sabia ao certo na quarta-feira por quanto tempo a rotina do Whiskey 8 continuará. Trabalhadores humanitários disseram que um grupo de 85 imigrantes se reuniu no local na manhã de quarta-feira, apesar da proibição ter entrado em vigor.
Assim como muitos que estavam na fila em Tijuana, México, esperando para cruzar a fronteira na terça-feira, os imigrantes que se inscreverem para um posto de entrada legal por meio de um aplicativo governamental no celular ainda poderão entrar.
“Estou completamente sozinha”
Tendo gastado seus últimos 3.000 dólares em uma jornada de um mês por terra do Equador, León, uma faxineira de 28 anos, disse que quer uma vida melhor para sua filha.
“Estou completamente sozinha com ela”, disse, olhando para a filha e chorando durante uma breve entrevista conduzida entre os pilares de uma cerca fronteiriça com nove metros de altura.
No Whiskey 8, assim batizado pela Patrulha de Fronteira, as pessoas têm acesso a trabalhadores humanitários, advogados de imigração e jornalistas que podem se reunir do outro lado. Os pilares do muro são espaçados o suficiente para que se possa conversar, entregar comida e água ou carregar o celular, mas próximos demais para um ser humano passar entre eles.
Questionada por que deixou sua casa na cidade andina de Cuenca, León mencionou o clima criminoso — “eles matam, eles roubam, eles extorquem”.
Mundo
Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos
A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.
Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.
Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.
Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.
A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.
Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.
Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.
As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.
O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.
Mundo
Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul
Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.
“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.
A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.
Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.
O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.
“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.
Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.
Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.
O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.
No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.
Mundo
Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.
Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.
“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.
As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.
“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.
A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.
Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.
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