Economia
Btg lança banco no Peru e amplia serviços na América Latina
O banco BTG Pactual anunciou nesta terça-feira que obteve da Superintendência de Banca, Seguros e AFP (SBS), órgão regulador do sistema financeiro peruano, a autorização para operar como banco no Peru. A nova instituição será denominada Banco BTG Pactual Perú S.A.
Segundo comunicado do banco do André Esteves, o processo teve início em julho de 2025. Com a licença concedida, a fase regulatória está finalizada e a preparação para o início das atividades será iniciada em breve.
“Estamos fortalecendo nossa presença na América Latina, e essa autorização para atuar no Peru é um passo importante nessa direção. Esta iniciativa demonstra nosso compromisso duradouro com o país e reflete anos de avanços em tecnologia, novos produtos e expansão geográfica. Essa evolução nos possibilita oferecer uma plataforma mais abrangente aos clientes, unindo conhecimento local, tecnologia e a dimensão do BTG Pactual na região”, destacou em comunicado o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti.
A operação do banco será focada em clientes corporativos, grandes empresas e investidores institucionais. O BTG já atua no Peru há mais de 14 anos como banco de investimento, corretora e gestor de recursos. O capital inicial da nova instituição será de 100 milhões de dólares.
Com essa licença, o BTG poderá ampliar a oferta de serviços corporativos, de tesouraria e banco de investimento no país, complementando as soluções já disponíveis para os clientes e fortalecendo sua plataforma regional.
Estratégia Internacional
A criação do banco peruano integra a estratégia de internacionalização do BTG Pactual, presente em importantes centros financeiros das Américas, Europa e Ásia. Na América Latina, o BTG adquiriu as operações do HSBC no Uruguai em julho de 2025 por 175 milhões de dólares, tendo iniciado as atividades no país em 2026 após aprovação regulatória.
No Chile, o banco opera com serviços de investimento e gestão de patrimônio para clientes de alta renda. Também possui atividades de investimento e serviços corporativos na Colômbia e atua como corretora na Argentina e México.
Nos Estados Unidos, o BTG expandiu sua presença ao adquirir em 2024 o M.Y. Safra Bank, com atuação em private banking, hipotecas e crédito geral. Em 2024, o banco também comprou o FIS Privatbank, em Luxemburgo, além de manter filiais em Madrid, Lisboa e Londres, e escritórios em Riad, na Arábia Saudita, e na China, onde foca no mercado de commodities.
Este ano, diversas instituições financeiras brasileiras como Nubank, Itaú e XP também vêm ampliando suas operações internacionalmente, especialmente nos Estados Unidos. Conforme especialistas, essa movimentação acompanha a internacionalização do patrimônio de clientes de alta renda brasileiros e latino-americanos.
De acordo com analistas, essa estratégia diminui a dependência do ciclo econômico, político e cambial brasileiro e proporciona uma experiência em moeda forte para clientes que vivem ou dividem suas finanças entre Brasil e EUA.
“Ao oferecer produtos e serviços nos EUA, os bancos brasileiros evitam que clientes de alta renda migrem para grandes bancos globais como JPMorgan ou Morgan Stanley”, explica o professor de mercado financeiro da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), George Sales.
Economia
Fmi alerta sobre alta prolongada dos preços
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (6), que a alta contínua dos preços de produtos essenciais, como alimentos e energia, impulsionada pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, está durando mais tempo do que o esperado.
Os valores globais de diversas matérias-primas permanecem elevados por vários anos, inicialmente devido às interrupções nas cadeias de suprimentos causadas pela pandemia de covid-19 e, posteriormente, pelas guerras na Ucrânia e no Irã.
“Os preços dos itens essenciais, em comparação com outros produtos, continuam subindo há mais de um ano (…) e estão persistentemente altos”, disse o FMI em uma publicação em seu blog.
“Como consequência, as pessoas enfrentam não apenas um aumento temporário no custo de alimentos e energia, mas também uma redução prolongada no poder de compra desses produtos básicos em relação a outros bens”.
Os salários estão tendo dificuldades para acompanhar essas contínuas pressões inflacionárias.
O conflito no Irã, iniciado em fevereiro deste ano, elevou a inflação global e levou o FMI a ajustar para cima sua previsão do índice, que deve alcançar 4,7% mundialmente em 2026, contra 4,1% no ano anterior.
O FMI planeja divulgar na próxima semana a parte principal da atualização de seu relatório ‘Perspectivas da Economia Mundial’, com novas projeções para o crescimento e inflação globais.
O fundo ressaltou que os impactos dos chamados choques de oferta vão além de apenas alguns meses de inflação elevada, indicando que as consequências são profundas e de longo prazo.
Economia
Ibovespa ajusta e opera em torno de 205 mil pontos
O Ibovespa iniciou a terça-feira, dia 6, com leve alta de 0,01%, atingindo 206.924,61 pontos, chegando a alcançar a máxima de 209.522,60 pontos com um incremento de 1,26%, porém não sustentou esses níveis. Pouco tempo depois, o índice virou para queda, atingindo mínimas e caindo abaixo dos 205 mil pontos.
Esse ajuste pode ser atribuído em parte à correção após a forte alta registrada no dia anterior, influenciada pelos resultados do primeiro turno das eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, espera-se que, se eleito, o senador do PL possa adotar uma política menos expansionista.
“Trata-se de um ajuste às médias móveis, mas o movimento estrutural do Ibovespa permanece de alta”, comenta Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. “Se eleito, há a possibilidade de que Flávio Bolsonaro implemente uma política focada na retomada do superávit primário do país, o que poderia reduzir os juros e facilitar o custo de capital para as empresas”, acrescenta.
Além disso, o índice sofre com a queda de aproximadamente 2% no preço do petróleo no mercado internacional, influenciado por sinais de aumento nas exportações da commodity do Oriente Médio, em um contexto de agenda econômica fraca, tanto nacional quanto internacionalmente. Enquanto isso, em Nova York, os índices das bolsas registram avanços, impulsionados pela percepção de menor pressão inflacionária, em parte decorrente da queda consecutiva do preço do petróleo.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou com alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, atingindo o recorde de 206.911,89 pontos, após alcançar uma máxima de 209.605,70 pontos.
Mesmo com o avanço no dia anterior, o banco Morgan Stanley projeta que o Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria um aumento de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.
O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, fechando a R$ 5,0018, enquanto os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de cortes na taxa Selic nos meses de novembro e dezembro de 2026 e em 2027. As operações nesta terça-feira continuam nessas linhas.
“A curva de juros demonstra quanto o país paga pela desconfiança em relação às suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui”, afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a queda do dólar frente ao real indica vendas significativas nas mesas institucionais da moeda americana, sugerindo entrada de capital estrangeiro no Brasil. “Isso pressiona o dólar para baixo.”
Os investidores agora aguardam pesquisas eleitorais que serão divulgadas na quinta-feira, relacionadas ao segundo turno.
O foco está também no Senado, com a possível abertura das discussões sobre o fim da escala 6×1, conforme opinião do economista sênior Silvio Campos Neto, da Tendências Consultora. No entanto, ele ressalta que, segundo reportagens na imprensa, existem dúvidas sobre o avanço dessa pauta neste momento.
Às 11h26, o Ibovespa registrava queda de 0,82%, com 205.376,46 pontos, variando entre mínima de 204.832,36 pontos e máxima de 209.522,60 pontos (+1,26%). Entre os papéis de maior destaque, a Vale recuava 1,81%, enquanto Petrobras tinha perdas entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No setor bancário, apenas Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7% ON e +2,43% PN) apresentavam valorização. O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%), enquanto a maior alta ficou com Azzas (+5,14%).
Economia
BNDES financia R$ 21,8 milhões para digitalizar Unipac
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 21,8 milhões para impulsionar a digitalização da Unipac, uma empresa do Grupo Jacto especializada na transformação de polímeros. Este investimento tem como objetivo substituir vários processos manuais por alternativas digitais, incluindo a coleta de dados em tempo real e o uso de ferramentas avançadas de análise.
Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão utilizados para implementar tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e manufatura aditiva na sede em Pompéia (SP) e nas unidades em Paulínia (SP), Limeira (SP), Maracanaú (CE) e Uberaba (MG). No setor de compras, modelos de IA serão empregados para prever tendências de mercado e otimizar a gestão de contratos.
José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou que “o projeto engloba investimentos em digitalização, automação e análise de dados, aplicados em sistemas de produção, inspeção de peças, planejamento de estoques e fabricação de moldes, resultando em redução de custos e aumento da produtividade”.
Para o planejamento de vendas e operações, a Unipac contará com uma plataforma de gestão digital aprimorada por IA, visando melhorar a precisão na previsão da demanda e, assim, tornar mais eficiente a coordenação entre compra, venda, logística e manufatura.
O BNDES informou ainda que será instalado um sistema automático de inspeção visual para identificar defeitos nas peças durante a produção de embalagens. Essa verificação será feita por câmeras de alta resolução auxiliadas por ferramentas de IA, com o objetivo de alcançar a meta de “zero defeitos” em relação a problemas visuais nos produtos.
Além disso, será desenvolvido um conjunto integrado de sistemas inteligentes de manufatura para coletar, processar e armazenar dados de produção em tempo real. Os modelos de IA irão analisar esses dados para detectar padrões, anomalias e oportunidades de melhoria, permitindo um monitoramento rigoroso da produção e a criação de alertas automáticos para as equipes operacionais, reduzindo desperdícios e defeitos.
A manufatura aditiva será empregada para inovar um dos processos tradicionais de fabricação de moldes em Pompéia, São Paulo, com equipamentos capazes de produzir peças metálicas com alta precisão.
Gabriel Gonçalves, presidente da Unipac, afirmou que “a transformação digital representa uma capacidade avançada que sustenta nossa estratégia centrada no cliente, fundamentada em três pilares principais: relacionamento duradouro, decisões baseadas em dados e profundo conhecimento dos clientes. Esta parceria com o BNDES acelera nossos investimentos contínuos em tecnologia e desenvolvimento humano, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do nosso negócio”.
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