Mundo
Aliados pedem que Trump foque na inflação, imigração e criminalidade em debate
Conselheiros esperam que ex-presidente não desvie atenção para discursos inflamados e retórica agressiva

Ex-presidente dos EUA Donald Trump
02/04/2024REUTERS/Rebecca Cook
Diante um debate que pode definir a corrida presidencial e um adversário que passou muito mais tempo se preparando, a equipe de Donald Trump está agora tentando desviar a atenção do ex-presidente para questões práticas, em vez das queixas que têm ocupado a sua mente nos últimos quatro anos.
Conselheiros e aliados de Trump encorajaram-no a se concentrar intensamente na economia, na criminalidade e na inflação durante o debate de quinta-feira (27), citando números de pesquisa que refletem que ele tem vantagem nestas questões, disseram à CNN fontes familiarizadas com as conversas.
“Essas são as questões que prejudicam as pessoas e que precisam ser abordadas”, disse o conselheiro sênior de Trump, Jason Miller, durante uma ligação na terça-feira (25) com repórteres, citando a recente inflação recorde, crimes cometidos por migrantes sem documentação e a forma como o presidente Joe Biden lidou com a fronteira dos EUA com o México.
Alguns destes aliados também incentivam Trump a pintar o cenário internacional sob Biden como caótico e a se concentrar na guerra de dois anos na Ucrânia e nos combates entre Israel e o Hamas como exemplos.
“Isso não é mais teórico”, disse o deputado Mike Waltz, aliado de Trump, à CNN News Central, quando questionado sobre o que espera ouvir do ex-presidente durante o debate. “A vida era assim sob a administração Trump – economicamente com a inflação, em relação à fronteira com a segurança, em termos de crime e do mundo… Basta olhar para o Oriente Médio… Veremos o contraste e o contraste ficará claro”.
Fontes próximas ao ex-presidente dizem que, embora Trump esteja ciente da gravidade do debate de quinta-feira e da importância de passar uma mensagem, eles reconheceram sua propensão a desviar para discursos longos e fora do assunto, o que deixa a possibilidade de que eles possam ter consequências para administrar na sexta-feira (28) de manhã.
Os conselheiros de Trump, que voltaram a examinar os debates do ex-presidente com Biden em 2020, também estão cientes de que a sua abordagem agressiva no primeiro confronto desse ciclo pode ter falhado com os telespectadores. Nesse debate, Trump atacou repetidamente Biden e falou consistentemente sobre ele, bem como antagonizou os moderadores. Seus números nas pesquisas caíram logo após o evento.
O próprio Trump reconheceu isso numa entrevista ao Washington Examiner publicada na segunda-feira (23)
“Fui muito agressivo no primeiro”, disse Trump. “No segundo, eu estava diferente e fui muito bem. Foi um pouco injusto porque, no segundo, já havia muitos votos. Então provavelmente vou dar uma olhada na cena da época. É como uma luta. Depende de qual é a situação.”
Os aliados de Trump também procuraram controlar a narrativa em torno do debate, alimentando especulações em torno de várias histórias, no que algumas pessoas próximas do ex-presidente descreveram como esforços para desviar a atenção e antecipar-se a discussões menos saborosas envolvendo Trump.
Isso inclui conversas sobre se Trump pode antecipar o seu cronograma para anunciar o seu companheiro de chapa antes ou na Convenção Nacional Republicana no próximo mês e, em vez disso, anunciar a sua escolha para vice-presidente já esta semana.
Vários conselheiros seniores de Trump disseram à CNN que não há planos formais para o ex-presidente fazer tal anúncio esta semana; O gerente de campanha de Trump, Chris LaCivita, rejeitou um rumor especulando isso. No entanto, reservaram repetidamente o direito de Trump mudar potencialmente de ideias e anunciar a sua decisão no debate ou no seu comício na Virgínia no dia seguinte.
O jogo das expectativas
As numerosas sessões políticas e conversas com conselheiros de Trump também abordaram como responder a questões específicas, incluindo sobre o aborto e a proteção da democracia americana – particularmente os acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021 – mas também como voltar às questões centrais consideradas como os seus pontos fortes contra Biden.
Antes da semana de debate, Trump minimizou a importância da preparação. Embora Biden tenha se acomodado em Camp David com conselheiros, Trump fez campanha no sábado (22) e participou de vários eventos de arrecadação de fundos – e adorou comparar abordagens. No seu comício na Filadélfia no fim de semana passado, Trump brincou que Biden tinha “ido para uma cabana de madeira para estudar, se preparar, não, ele não fez isso, ele está dormindo agora”.
Mas com o confronto de quinta-feira entrando em foco, a urgência de preparar Trump assumiu um novo tom. Embora a sua equipa raramente utilize a palavra “preparação” ao discutir a sua estratégia de debate, o próprio ex-presidente argumentou que a preparação para o debate foi tediosa.
“É muito difícil se preparar”, disse Trump ao Washington Examiner. “Você precisa saber essas coisas depois de anos fazendo isso. E conheço todos os líderes e sei o que sei. É amplamente baseado no bom senso. O bom senso é não permitir que milhões de pessoas entrem em nosso país se você não tem ideia de onde elas são. … Não sei, acho que debater é mais uma atitude do que qualquer outra coisa.”
Os aliados de Trump esperam que ele se concentre menos na atitude e mais nas mensagens de quinta-feira. Muitos aliados próximos de Trump queixaram-se originalmente da falta de plateia presencial durante o debate, argumentando que provavelmente seria difícil para Trump ganhar impulso, uma vez que normalmente se alimenta da energia de uma multidão. No entanto, nos últimos dias, alguns argumentaram que zombar da multidão não é necessariamente útil, observando que a ausência de apoiadores pode tornar mais fácil para Trump manter o foco na sua mensagem e não mergulhar no que ele vê como uma retórica que agrada ao público.
“No momento em que Biden lhe disse ‘cale a boca, cara’ [durante o debate de 2020], eu sabia que perderíamos a eleição”, disse um aliado de Trump à CNN, e acrescentou que as regras que determinam que os microfones serão silenciados neste debate podem ajudar a evitar outro confronto semelhante.
Trump, porém, lamentou que não terá uma plateia de quem ouvir as dicas. As regras de debate acordadas por ambas as campanhas não permitiam audiência em estúdio.
“Você não tem um público para ler. Para mim, o público é mais fácil porque está contando o que está acontecendo, indiretamente, com aplausos ou sem aplausos. Esta sala é estéril e morta, o que eu acho que é o que eles querem”, disse Trump ao Examiner.
Os conselheiros e aliados de Trump entraram na semana do debate tentando moderar as expectativas, retratando Biden como um oponente formidável – e atacando a cobertura do debate pela mídia, o formato com o qual sua equipe concordou e os moderadores da CNN. A mensagem é familiar – o sistema é fraudado, diz Trump, juntamente com seus conselheiros e aliados, um argumento que ele usou no tribunal, na campanha e no rescaldo da eleição de 2020 – e prepara a mesa para uma escapar caso o ex-presidente não apresente resultados no palco do debate.
Grande parte da mudança nas mensagens ocorreu depois que a equipe descobriu que Biden estava planejando passar uma semana inteira em Camp David como parte de seu campo de treinamento de debate – uma constatação que um conselheiro de Trump descreveu como um ponto de virada em seus planos para tentar elevar o padrão sobre o desempenho de Biden.
Os principais substitutos de Trump, incluindo dois dos seus principais candidatos à vice-presidência, o senador de Ohio JD Vance e o governador da Dakota do Norte, Doug Burgum, aproveitaram as ondas de rádio esta semana para fazer exatamente isso.
“Quando precisar, ele pode intervir”, disse Burgum no programa State of the Union da CNN no domingo (23), rejeitando o que chamou de “um esforço real da equipe de Biden para tentar reduzir as expectativas”.
Miller disse aos repórteres na terça-feira: “Sabemos que quando se trata de grandes eventos, quando se trata de debates, quando se trata do State of the Union, coisas dessa natureza, que terão Joe Biden com a armadura completa. Ele estará pronto. Ele tem uma certa memória muscular que entra em ação por estar fazendo isso há 50 anos.”
Até o ex-presidente, que muitas vezes zomba de Biden durante seus comícios, chamando-o de incompetente, mudou de postura na semana passada.
“Presumo que ele será um debatedor digno”, disse Trump ao podcast “The All-In”. “Não quero subestimá-lo.”
No entanto, isso não se estendeu ao seu comício na Filadélfia no fim de semana passado, quando Trump deu a entender que Biden precisaria de ajuda para se “levantar” para o debate.
Não há provas de que Biden tenha ou planeje tomar medicamentos para melhorar o desempenho, e a campanha de Biden criticou duramente tais acusações.
Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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Mundo
Sétimo suspeito preso por incidente perto de base militar britânica usada pelos Estados Unidos
A polícia antiterrorismo do Reino Unido deteve nesta terça-feira (6) o sétimo suspeito relacionado a um incidente ocorrido no final de setembro próximo à base militar de Fairford, no sudoeste da Inglaterra, que é utilizada pelo Exército dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos retiraram as aeronaves que estavam estacionadas na base após o anúncio do então presidente Donald Trump de que a medida foi tomada devido a supostas ameaças ligadas ao Irã.
Um jovem britânico, de 22 anos, foi detido no centro de Londres sob suspeita de planejar atos terroristas, segundo comunicado oficial da polícia britânica. Além disso, foram realizadas buscas em uma residência próxima.
Cinco homens, todos britânicos, foram presos no local do incidente no dia 27 de setembro. Um sexto suspeito, com dupla nacionalidade britânica e iraniana, foi detido em 1º de outubro.
Os seis primeiros detidos, todos com aproximadamente vinte anos, foram liberados sob fiança, o que gerou desaprovação do presidente Donald Trump.
A polícia foi acionada nas proximidades da base de Fairford após receber informações sobre três veículos suspeitos estacionados perto do aeródromo usado pelo Exército dos Estados Unidos na operação contra o Irã.
Em revista nos veículos, não foram encontrados explosivos, mas uma grande quantidade de gasolina foi apreendida.
Vicki Evans, coordenadora no combate ao terrorismo, afirmou que as equipes continuam investigando várias linhas para esclarecer o ocorrido na base de Fairford.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, declarou na semana passada que há fortes evidências que apontam para o envolvimento do Irã no incidente.
As autoridades de Teerã negaram veementemente qualquer ligação com os suspeitos detidos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram a retirada de seus bombardeiros estratégicos B-1 da base de Fairford.
Donald Trump afirmou na segunda-feira que havia ameaças e que os bombardeiros foram realocados para uma área próxima, sem grande distância.
O presidente adicionou que as autoridades americanas conhecem os responsáveis pelas ameaças, os quais estariam vinculados ao Irã.
Mundo
Ataque com faca mata aluna e fere sete em escola de Istambul
Uma adolescente tirou a vida de uma aluna e feriu outras sete nesta terça-feira (6) em um ataque com faca em uma escola localizada em Istambul, conforme informado pelo ministro turco da Educação, Yusuf Tekin.
“Perdemos uma das alunas” no incidente ocorrido pela manhã em uma escola no bairro Basaksehir, na região noroeste da cidade, declarou o ministro.
A polícia identificou a suspeita, uma jovem de 15 anos.
Segundo o Ministério do Interior da Turquia, uma das vítimas, Eslem Sare Bulut, faleceu apesar dos esforços médicos, enquanto as outras sete continuam hospitalizadas.
O governador de Istambul, Davut Gul, explicou que a agressora atacou indiscriminadamente e entrou na escola vestida com o uniforme escolar.
“Ela reside no mesmo bairro, porém frequenta outra escola”, acrescentou.
Este ano, o país foi impactado por dois ataques fatais em escolas ocorridos consecutivamente em abril.
Um deles envolveu um adolescente de 14 anos em Kahramanmaras, no sul da Turquia, que assassinou um professor e nove alunos de 10 e 11 anos antes de ser morto no local. Este ataque, considerado o mais grave em ambiente escolar no país, resultou na destituição do vice-ministro da Educação.
O outro evento ocorreu na província de Sanliurfa, no sudeste, um dia antes, quando um ex-aluno disparou contra pessoas na escola, ferindo 16, antes de cometer suicídio.
No mês passado, um jovem abriu fogo próximo a uma escola no oeste do país, ferindo 11 estudantes, três gravemente, antes de ser detido.
Mundo
Trump sugere sacrificar Los Angeles ou San Diego em conflito com Irã; autoridades reagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a possível destruição de Los Angeles ou San Diego em um ataque durante o conflito com o Irã seria um sacrifício aceitável para garantir a segurança do país. A declaração foi feita na segunda-feira, 5, durante um comício em Grand Island, Nebraska.
Comentando sobre os impactos econômicos causados pela guerra, Trump disse que os americanos enfrentariam apenas um custo “pequeno” para manter a proteção nacional. Logo depois, mencionou diretamente as duas cidades na Califórnia.
“Eles poderiam destruir uma das cidades. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, afirmou o presidente. Ele ainda acrescentou que o conflito está perto do fim e que a guerra se encerraria “de um jeito ou de outro”.
As declarações geraram uma reação rápida na Califórnia. O governador Gavin Newsom criticou a postura do presidente e condenou o fato de mencionar cidades do Estado como possíveis alvos estrangeiros.
“Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos deveriam ‘acabar com’ Los Angeles e San Diego”, publicou Newsom em suas redes sociais, classificando o presidente como “perturbado e perigoso”.
A crítica de Newsom está ligada à mobilização de tropas federais em Los Angeles durante protestos envolvendo políticas de imigração. O governador é um dos maiores opositores do presidente no Estado e já confrontou o governo federal sobre a presença militar.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também rejeitou a declaração. Segundo ela, as palavras do presidente podem colocar a cidade em perigo. “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro ataque Los Angeles. Suas falas contra nossa cidade são perigosas e podem comprometer nossa segurança”, declarou.
Trump já havia afirmado que os efeitos econômicos da guerra, como a elevação dos preços de combustíveis e produtos, seriam necessários para proteger os EUA. Na segunda-feira, ele reforçou que os custos internos do conflito seriam mínimos e que a situação estava praticamente resolvida.
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