Brasil
Edinho conversa com Kassab e Marcos sobre segundo turno
O presidente do PT, Edinho Silva, informou nesta terça-feira (6) que manteve diálogo com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e com o líder do Republicanos, Marcos Pereira, para discutir a posição dos seus partidos no segundo turno das eleições.
De acordo com Edinho, Kassab indicou que o PSD adotará uma postura neutra, porém, deixou aberta a possibilidade de negociar com lideranças regionais do partido para buscar apoio.
O presidente do PT destacou que o Republicanos ainda não definiu seu posicionamento, mas também sinalizou abertura para conversas em nível regional. O partido tem como líder o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Edinho mencionou ainda interlocução com os partidos União Brasil, PP e Avante. Revelou que o ex-ministro do Esporte, André Fufuca (PP) — senador eleito — afirmou que, apesar do PP apoiar Flávio no segundo turno, continuará empenhado na campanha de Lula. Edinho também citou a senadora eleita Teresa Surita (MDB), que declarou apoio ao presidente da República, e informou que há conversas em andamento com o Avante.
Edinho anunciou uma reunião para o dia seguinte (7), reunindo os congressistas atuais e eleitos do PT e de partidos aliados.
Ele também afirmou que os senadores Camilo Santana, Rui Costa e Jaques Wagner deverão integrar a coordenação da campanha. Além disso, defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin assuma um papel mais atuante na coordenação.
Edinho fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que ele está atuando contra uma proposta de emenda constitucional que visa acabar com a escala de trabalho 6×1. Também declarou que o sistema judiciário atual não atende aos interesses da população brasileira e necessita de reformas urgentes.
Brasil
Enem 2026: um mês para o início das provas
A um mês do início do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes e educadores das escolas públicas e cursos preparatórios estão concentrando esforços na revisão dos conteúdos já estudados, ao invés de iniciar novos temas.
Rafaela de Araújo Caldas, 17 anos, aluna do 3º ano em uma escola pública no Gama, Distrito Federal, prepara-se para o Enem pela primeira vez com o sonho de entrar em um curso superior na área de computação. Com o apoio dos pais, ela equilibra as aulas regulares com as atividades do cursinho online, respeitando seus limites físicos e emocionais.
Ela dedica atenção especial ao formato da prova e à redação. Para esta última, utiliza repertórios sugeridos pelo cursinho, avaliando cuidadosamente o que é mais adequado para o tema que será proposto.
A redação do Enem exige a produção de um texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, em norma culta da língua portuguesa. A proposta demanda que o participante defenda seu ponto de vista sobre temas com abordagens sociais, científicas, culturais ou políticas.
Para orientar os candidatos, o Ministério da Educação (MEC) oferece uma cartilha detalhando o formato da redação e os critérios de avaliação.
Diogo Andrade, professor de Português e Espanhol no Centro de Ensino Médio 1 do Gama, conhecido como CG, destaca a importância da preparação final com simulados e resolução de questões das edições anteriores do Enem, focando nos conteúdos de maior incidência histórica.
O professor conta que a escola organiza avaliações bimestrais multidisciplinares que simulam as condições reais do exame, incluindo a aplicação em salas diferentes, preenchimento do gabarito com caneta preta e avaliação rigorosa da redação pelos docentes.
Uma inovação da escola é a produção de uma série de podcasts educativos abordando temas relevantes para o exame, tais como filosofia, questões raciais e latinidade, facilitando o aprendizado fora da sala de aula.
Sobre a redação, Diogo Andrade alerta para os riscos do uso de textos prontos encontrados na internet, pois os avaliadores do Inep conseguem identificar quando o candidato domina o tema ou apenas reproduz fórmulas prontas.
Para as questões objetivas, ele recomenda evitar deixar respostas em branco, porém também alerta contra o chute aleatório. O Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), que considera o padrão e coerência das respostas para a nota final.
A escola ainda planeja a realização de aulas de revisão próximas às datas do exame para fortalecer a preparação.
Gabriel Queiroz, de 18 anos, que fez o Enem como treineiro no ano anterior, está dedicado a aproveitar os recursos oferecidos pelo CG para garantir um bom desempenho este ano. O estudante dedica 8 a 9 horas diárias ao estudo, com videoaulas e resolução de questões, priorizando o controle emocional para enfrentar a prova extensa.
O objetivo de Gabriel é ingressar no curso de licenciatura em língua portuguesa, área pela qual tem grande paixão desde a infância e deseja contribuir para a educação dos outros.
Os participantes do Enem podem acessar todas as instruções oficiais, conteúdos explicativos e cronogramas do exame no site oficial desenvolvido pelo Ministério da Educação para auxiliar na preparação.
Brasil
Perdas nas margens dos rios do Cerrado chegam a 13,9 milhões de hectares
O bioma Cerrado sofreu uma redução de 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizados em até 500 metros das margens de rios e outros corpos d’água entre 1985 e 2025. Essa área, equivalente ao tamanho do estado do Amapá, corresponde a 26,9% da vegetação convertida em outras utilizações durante esse período.
Dados da MapBiomas, provenientes da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso do solo no Brasil, revelam os impactos dessa redução.
Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e membro da equipe Cerrado do MapBiomas, a diminuição da vegetação perto dos rios pode comprometer a qualidade e a disponibilidade de água, além de deixar a paisagem mais suscetível a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas. “A vegetação ribeirinha ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e impedir que sedimentos alcancem os cursos d’água”, explica.
Redução nas principais bacias hidrográficas do Cerrado
Entre as seis grandes bacias hidrográficas de origem no Cerrado, a do Alto Tocantins sofreu a maior perda de vegetação nativa às margens dos rios, com 2,9 milhões de hectares desmatados em 41 anos. A Bacia do Araguaia também teve redução significativa, com 2,7 milhões de hectares perdidos. Juntas, elas representam 41% da vegetação nativa desaparecida numa faixa de 500 metros dos cursos d’água do bioma.
Dados gerais sobre a vegetação do Cerrado
No período analisado, o Cerrado registrou uma perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o que representa uma diminuição de 34%. Considerando toda a perda histórica, o bioma acumula redução de 49,6% de sua cobertura original em 2025.
Dentre os tipos vegetacionais, a formação savânica foi a mais afetada, com queda de 41% (equivalente a 34 milhões de hectares). A formação florestal apresentou perda de 25%, cerca de 12,8 milhões de hectares, enquanto a vegetação campestre diminuiu 39%, com 3,6 milhões de hectares a menos.
A maior parte da vegetação nativa deu lugar à expansão da agropecuária, que passou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do antigo Cerrado em 2025. Deste total, 29,7 milhões de hectares são destinados à agricultura, e 53,9 milhões à pecuária.
Impactos regionais e preservação
Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal tiveram mais da metade de seus territórios naturais convertidos, juntando-se a São Paulo, que já tinha apenas 24,1% do Cerrado original no início da série histórica. Esses estados são Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco.
Por outro lado, territórios que mantiveram a cobertura nativa em mais de 50% incluem Piauí (78,2%), Rondônia (76,5%) e Maranhão (67,4%). Os estados do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — preservam juntos 47,7% da vegetação remanescente do Cerrado em 2025.
Entre os municípios, 301 perderam o predomínio da vegetação nativa, e 227 deles têm menos de 20% de sua área de Cerrado original preservada. A agropecuária passou a predominar em 61% das áreas municipais do Cerrado em 2025, frente a 41% em 1985.
A maior parte da perda de vegetação nativa (77,7%) ocorreu em áreas privadas. Nas áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda ao longo de 41 anos foi de 13,9%.
Brasil
Primeiro piloto brasileiro a dar volta ao mundo solo de avião conta sua viagem e desafios
Alex Frota, empresário natural de Fortaleza (CE), realizou uma jornada única ao se tornar o primeiro brasileiro a completar uma volta ao mundo pilotando sozinho um avião monomotor experimental. Foram 182 dias, 297 horas de voo, 77 mil quilômetros, passando por 33 países e cinco continentes.
A aventura começou em 15 de março e terminou em 12 de setembro deste ano, com o pouso em sua cidade natal, onde foi recebido pela família. Durante o percurso, Alex enfrentou desde o frio extremo da Groenlândia, com temperaturas de até -22 graus Celsius, até o calor intenso do Oriente Médio, chegando a mais de 50 graus Celsius. A viagem incluiu desafios técnicos, como falhas elétricas, vazamentos de combustível e problemas na estrutura da aeronave em várias etapas.
O trajeto exigiu planejamento rigoroso: mais de dois anos de estudo para definir rotas, aeroportos compatíveis para pousos e abastecimentos. O avião utilizado foi um monomotor RV-10 da Van’s Aircraft, que teve autonomia aumentada de 4 horas e meia para até 15 horas de voo devido a adaptações feitas pelo piloto.
Alex destacou a importância do apoio recebido pelas redes sociais, onde seu projeto ‘Frotas Pelo Mundo’ alcançou mais de 109 mil seguidores no Instagram, proporcionando mensagens motivadoras que foram fundamentais nos momentos de dificuldade.
Além dos desafios naturais e técnicos, a burocracia representou um obstáculo significativo, especialmente nas Filipinas, onde a liberação para continuar a viagem demorou mais de uma semana, exigindo negociações diplomáticas. A comunicação com a família também foi um aspecto cuidado, com a ajuda de uma conexão via Starlink que permitiu manter contato mesmo em áreas remotas.
Depois dessa experiência intensa, Alex afirmou que não pretende repetir a viagem, considerando-a muito complexa e desafiadora. Seu foco agora está em compartilhar suas experiências por meio de palestras pelo Brasil, abordando temas como aviação, planejamento de viagem, gerenciamento de crises e superação de obstáculos.
O próximo passo de Alex Frota é realizar o “Giro pelo Brasil”, uma série de voos e palestras em diversas cidades que já contrataram suas apresentações, promovendo sua paixão pela aviação e inspirando outros com sua história.
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