Mundo
Moradores de Gaza vivem em prédios que correm risco de cair
Na cidade de Gaza, Heba Arafat caminha com cuidado pelo chão desnivelado de seu apartamento, pois os ataques israelenses danificaram as fundações do edifício, deixando-o perigosamente inclinado.
Como muitos outros habitantes da Faixa de Gaza, essa mulher de 47 anos escolheu voltar para uma residência prejudicada pela guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, conflito durante o qual a região palestina foi fortemente bombardeada.
“Não temos outra opção senão morar aqui; não há para onde ir. Todas as casas foram destruídas, o solo devastado, não restou nada para nós”, lamenta Heba.
Ela, junto com seu esposo e seis filhas, deixou a área no ponto mais crítico da guerra iniciada em outubro de 2023 com o ataque inesperado do Hamas contra Israel.
Depois do cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, que diminuiu, mas não acabou totalmente, os bombardeios israelenses, ela retornou. Encontrou o térreo de seu prédio de quatro andares, onde vivem atualmente 30 pessoas, desabado, dano que ela atribui a uma operação terrestre israelense.
Como acontece na maioria dos edifícios, as explosões destruíram as janelas; lençóis foram usados nas molduras para preservar um pouco de privacidade.
Segundo a ONU, até outubro de 2025, 84% da infraestrutura da Faixa de Gaza tinha sido destruída ou seriamente danificada, e 2.000 edifícios estavam em risco real de desabamento, conforme relatório da Defesa Civil de Gaza, entidade humanitária subordinada ao Hamas.
Recentemente, 21 pessoas, entre elas 12 crianças, perderam a vida na Cidade de Gaza devido ao colapso de um prédio de seis andares. As autoridades locais afirmam que o prédio foi alvo de múltiplos ataques durante o conflito, informação negada por Israel.
“Estamos com muito medo desde que soubemos dos desmoronamentos. O perigo é ainda maior do que pensávamos”, comenta Heba Arafat, manifestando sua preocupação. “Mas para onde poderíamos ir? Tememos que paredes ou telhados possam cair sobre nós, por isso nos encolhemos ainda mais”, acrescenta.
Ameaça à vida
Autoridades municipais na Cidade de Gaza patrulham as ruas para identificar e reportar prédios em situação crítica.
“Esses edifícios representam um risco concreto à segurança de quem está abrigado neles, assim como a vida de moradores próximos e dos deslocados”, ressalta Hosni Muhanna, porta-voz da prefeitura.
Mesmo assim, “milhares de deslocados são obrigados a procurar proteção nesses prédios quase a ponto de ruir”, reconhece, “para escapar das condições precárias dos campos de refugiados, expostos ao calor e frio extremos”.
Grandes acampamentos foram montados para abrigar a maioria da população desalojada, porém, a qualidade de vida nestes locais, incluindo questões de higiene, é muito ruim.
Como a economia local está paralisada, muitos habitantes dependem da ajuda internacional, que enfrenta diversos obstáculos impostos por Israel.
Essas restrições bloqueiam a entrada de equipamentos necessários à reconstrução, sob justificativa de possível uso militar, apesar da clara necessidade apontada pela população e organizações não governamentais.
Máquinas para construção, essenciais para remoção de escombros, peças de reposição e lubrificantes indispensáveis ao funcionamento, estão entre os itens bloqueados, conforme relatado por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.
As negociações para um acordo de paz estão paralisadas há meses, atrasando os esforços de reconstrução previstos.
As necessidades são imensas: uma avaliação conjunta das Nações Unidas, Banco Mundial e União Europeia, publicada em abril, calcula um custo superior a 69 bilhões de dólares (equivalente a 357 bilhões de reais) para os próximos dez anos.
Mundo
EUA e China criam canal direto para tratar incidentes com IA
Estados Unidos e China vão estabelecer um canal direto para comunicar-se sobre casos envolvendo inteligência artificial (IA), anunciou a Casa Branca nesta sexta-feira (25).
Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se reuniram em uma cúpula dedicada aos desafios da inteligência artificial, uma tecnologia que desperta preocupação até entre seus próprios criadores pelo perigo de que escape ao controle.
As duas nações acordaram criar o “Diálogo Estados Unidos-China sobre Superinteligência (SI)” para compartilhar visões sobre os potenciais riscos e vantagens da IA, além de firmar o compromisso de ativar um “canal bilateral de comunicação” para lidar com incidentes relacionados, segundo comunicado da Casa Branca.
De acordo com Washington, os líderes decidiram utilizar o termo superinteligência (SI) em vez de inteligência artificial (IA). A próxima reunião está agendada para novembro.
Antes do encontro, Trump destacou sua preferência por manter a inteligência artificial “do jeito que está”, referindo-se ao andamento das pesquisas nessa área.
Xi Jinping adotou uma postura mais conciliadora, afirmando que Estados Unidos e China devem preservar uma relação sem disputas ou confrontos, e que a inteligência artificial deve continuar sob o controle humano.
Mundo
OpenAI admite erro na divulgação de imagens dos usuários do ChatGPT
OpenAI confirmou nesta sexta-feira (25) que suas ferramentas de inteligência artificial (IA) publicaram inadvertidamente 53 imagens enviadas ao ChatGPT, afetando diretamente os dados de seus próprios usuários.
A empresa explicou que links para essas imagens, embora não estivessem acessíveis publicamente nos mecanismos de busca, foram acidentalmente divulgados em sites de hospedagem na web. A maior parte desses conteúdos já foi removida com o auxílio dos provedores, e a remoção completa está em progresso, conforme comunicado pela companhia sediada em São Francisco.
Essas imagens provinham de contas que tinham autorizado o uso de seus dados para aprimorar os modelos da OpenAI. Antes da utilização, as imagens passaram por um filtro de confidencialidade e, de acordo com a empresa, não é mais possível associá-las aos usuários originais.
A divulgação foi causada por agentes automatizados, programas de computador baseados em modelos de IA que executam tarefas de forma autônoma. Alguns desses agentes transmitiram dados de treinamento para plataformas externas; a maior parte desses dados não continha informações de usuários específicos.
Este evento ocorreu antes de uma intensificação das medidas de segurança no ambiente de pesquisa da OpenAI, implementadas em agosto, após uma série de incidentes semelhantes. A companhia está realizando uma análise detalhada das atividades anteriores desses agentes, processo este que deverá levar varios meses.
Entre os portais afetados estão sites de governos, universidades, agências públicas e outras instituições.
Mundo
Irã apresenta plano aos EUA para reabrir Estreito de Ormuz em uma semana
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou nesta sexta-feira (25) que o país entregou aos Estados Unidos uma proposta para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz para navegação em até sete dias.
Na última terça-feira, Araghchi se reuniu com o representante americano Steve Witkoff e já havia apresentado as condições para encerrar o conflito e desbloquear essa rota crucial para o transporte de hidrocarbonetos.
“O Irã comunicou aos Estados Unidos, através do Catar, um plano prático para um prazo de sete dias. Se as exigências forem atendidas, o estreito será liberado e o tráfego marítimo regular será restaurado em uma semana”, afirmou na sede da ONU em Nova York.
“A decisão agora está nas mãos dos Estados Unidos. O Irã não aceita coerção, ameaças ou intimidação. O país não cederá seus direitos soberanos devido a pressões”, ressaltou.
Reportagens indicam que a proposta inclui o fim de todos os confrontos no Oriente Médio durante sete dias, incluindo no Líbano.
De acordo com essas reportagens, também está prevista a liberação de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares (R$ 62 bilhões), além da suspensão das sanções contra o petróleo do Irã e o término do bloqueio naval americano contra o país.
No sétimo dia da trégua, o Irã permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em entrevista exclusiva à AFP na terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, também destacou a cessação dos conflitos no Iêmen como parte das condições iranianas.
O presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram em junho um acordo para encerrar o conflito, reabrir o Estreito de Ormuz e posteriormente iniciar negociações sobre o delicado tema do programa nuclear do Irã.
No entanto, o texto tem sido interpretado de formas distintas pelos dois lados, o que resultou na retomada dos confrontos no Estreito de Ormuz.
O Irã exige que os navios obtenham autorização para atravessar o estreito, alegando motivos de segurança e soberania.
Navios que não seguem essa exigência têm sido frequentemente atacados, enquanto os Estados Unidos realizam bombardeios ocasionais na costa iraniana.
Pezeshkian declarou no X nesta sexta-feira que o país deseja retornar ao acordo estabelecido em junho, dias depois de afirmar durante a Assembleia da ONU que não se submeterá às exigências de Washington.
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