Brasil
PF e Gaeco deflagram operação para desarticular quadrilha que movimentou R$ 700 milhões com drogas e lavagem de dinheiro
Ao todo, operação ‘Alcateia’ dá cumprimento a 26 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão. Líderes do grupo atuam em Ribeirão Preto (SP) e com criminosos de ao menos seis estados, apontam investigações.

Polícia Federal e o Gaeco deflagraram operação contra quadrilha suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro — Foto: Polícia Federal
A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto (SP) deflagraram na manhã desta terça-feira (12) uma operação contra uma quadrilha suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em cinco anos, o grupo teria movimentado cerca de R$ 700 milhões com os crimes.
Ao todo, os agentes deram cumprimento a 26 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão. Carros de luxo, drogas, relógios, armas e quantias em dinheiro estão entre as apreensões. Até a publicação desta reportagem, os locais das ações não haviam sido divulgados.
De acordo com a PF, as investigações identificaram 59 integrantes da quadrilha, sendo que os líderes do grupo atuam em Ribeirão Preto e mantêm contatos com outros criminosos de pelo menos seis estados.

Carros de luxo foram apreendidos durante operação da Polícia Federal de Ribeirão Preto contra o tráfico de drogas — Foto: Polícia Federal
Ainda segundo a Polícia Federal, a maior parte da quantia em dinheiro movimentada é resultado da venda de cocaína. Os lucros eram direcionados para empresas de fachada.
A operação, chamada de ‘Alcateia’, também resultou, além das prisões e buscas, na apreensão de propriedades, veículos e ativos financeiros registrados em nome dos suspeitos, das empresas deles e de terceiros utilizados como intermediários para lavar o dinheiro.
A PF informou que divulgará outras informações sobre a operação em uma coletiva de imprensa às 10h30 desta terça-feira.
Brasil
Metade das escolas no Brasil proíbe celular
Metade das escolas no Brasil (51%) não permite que estudantes levem seus celulares para as instituições de ensino, conforme revela a pesquisa TIC Educação 2025, que avalia o acesso e o uso de tecnologias digitais em escolas públicas e privadas pelo país. Além disso, 40% das escolas possuem regras específicas para o armazenamento desses aparelhos.
Entre essas instituições, 24% exigem que os alunos guardem seus celulares em bolsos ou em objetos pessoais, como mochilas ou estojos, enquanto 16% afirmam que os dispositivos devem ser deixados em locais designados pela escola, como armários ou caixas. Cerca de 9% das escolas não responderam ou não aplicam normas relacionadas ao uso do celular.
Observando apenas o Ensino Médio, 31% das escolas proíbem a entrada dos celulares, sendo esse o índice mais baixo de proibição entre os níveis de ensino.
O estudo também destaca que a discussão sobre o impacto do uso tecnológico no bem-estar dos estudantes está presente em 80% das reuniões entre pais e professores, marcando um aumento de 18 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Uso pedagógico dos celulares
O uso do celular como ferramenta educacional é mais frequente entre estudantes do Ensino Médio e em regiões como Norte (37%), Nordeste (36%) e áreas rurais (37%), onde o acesso a computadores é mais limitado. Os dados indicam que, no Brasil, o celular é mais utilizado como substituto do computador do que como uma ferramenta com metodologia específica para seu uso.
Também chama atenção que somente 23% das escolas têm equipamentos para aulas de robótica e 22% possuem recursos para atividades práticas de aprendizado, sendo que escolas estaduais tem acesso quase três vezes maior a esses recursos (38%) do que escolas municipais (13%).
Quanto à inteligência artificial, a pesquisa revela que 53% dos gestores já aplicam essa tecnologia na administração escolar e 37% das escolas autorizam que alunos utilizem IA em suas atividades, porém apenas 22% das instituições possuem orientações formais para esse uso.
A coleta dos dados ocorreu de agosto de 2025 a abril de 2026, com 2.404 escolas entrevistadas, sendo 1.555 urbanas e 849 rurais.
Brasil
Genro de falsa vidente é preso suspeito de causar morte de Sabine Boghici, herdeira de marchand
A Polícia Civil deteve preventivamente na tarde da segunda-feira Rafael Maia Cardoso, apontado como suspeito de incentivar, instigar ou ajudar no falecimento de Sabine Coll Boghici, filha do marchand Jean Boghici.
A prisão foi efetuada por agentes da 9ª DP (Catete), no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, cumprindo mandado da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital. Essa ação ocorre após a retomada das investigações sobre a morte de Sabine, conforme divulgado em setembro do ano passado, quando a mãe da vítima, Geneviève Boghici, contestou o veredito inicial de suicídio e apresentou evidências que apontam para a possibilidade de indução ao ato.
Conforme a polícia, as investigações começaram após o falecimento de Sabine em 14 de setembro de 2023, considerado inicialmente um caso de suicídio.
Durante o inquérito, foram reunidos depoimentos, vídeos e análises periciais que indicam maus-tratos constantes, agressões físicas, sofrimento psicológico intenso e restrição de liberdade sofridos pela herdeira. Esses fatos trouxeram o indiciamento de Rafael e geraram o pedido de prisão preventiva, que foi aceito pela Justiça.
Reabertura do Caso
A prisão marca um novo capítulo na investigação, que foi reaberta após a contestação da mãe de Sabine sobre a conclusão do suicídio. Ela defende que a filha possa ter sido levada ou incentivada a cometer o ato.
Sabine Coll Boghici, filha do marchand Jean Boghici — um dos maiores colecionadores e negociantes de arte do país — ficou conhecida em 2022 ao ser presa ao lado da falsa vidente Rosa Stanesco Nicolau, condenada por participação em um esquema que aplicou um golpe milionário contra Geneviève. A quadrilha convenceu a idosa da necessidade de trabalhos espirituais para salvar Sabine, obtendo dinheiro e obras valiosas. O prejuízo foi estimado em R$ 725 milhões.
Após conseguir habeas corpus, Sabine passou a viver em um apartamento na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, junto com Catarina das Graças Stanesco, filha da falsa vidente, Rafael Maia Cardoso, companheiro de Catarina, e uma criança adotada.
Relatos de Violência
Testemunhas declararam que, meses antes da morte, Sabine vivia em condições precárias e sofria violência constante. Vizinhos ouviram gritos e pedidos de ajuda. Em um episódio, um morador flagrou Sabine presa na varanda clamando por socorro e a Catarina se recusava a abrir a porta. A polícia foi chamada diversas vezes, mas não conseguiu acessar o imóvel, pois os moradores alegavam que tudo estava normal.
Sabine apresentava hematomas, roupas desgastadas e sinais de desorientação, confirmados por imagens das câmeras de segurança.
Na véspera do falecimento, testemunhas ouviram Sabine dizer que não aguentava mais apanhar, e ouviram Catarina responder que a violência continuaria até sua mãe sair da prisão.
Outra testemunha relatou que uma diarista que tentou ajudar acabou atacada, com Catarina puxando Sabine pelos cabelos e esfregando seu rosto em fezes e urina de cães. Em outra ocasião, Sabine tentou se jogar da janela, porém foi impedida por uma amiga e por Rafael.
Morte e Novas Ações Investigativas
Sabine caiu do quarto andar em 14 de setembro de 2023. Naquele dia, Catarina, Rafael e outro familiar haviam saído do apartamento menos de uma hora antes. Funcionários do condomínio encontraram a vítima viva porém desorientada.
O laudo indicou um apartamento desordenado, com fezes espalhadas e o quarto em condições precárias. Foi encontrada uma carta atribuída a Sabine, dirigida a Rosa Stanesco.
Em maio de 2024, o responsável pelo caso na 15ª DP (Gávea) solicitou a prisão de Catarina e Rafael pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado, mas o Ministério Público arquivou o pedido na época.
Por solicitação da defesa de Geneviève Boghici, as investigações foram reabertas para apurar a possibilidade de indução ao suicídio qualificado pelo resultado morte. A mãe de Sabine também pediu a exumação do corpo para analisar a hipótese de envenenamento.
Brasil
Guia simples e inteligência artificial para evitar propaganda enganosa
Empresas e consumidores têm agora acesso a um guia online gratuito para comunicação transparente, que orienta sobre práticas responsáveis em divulgação socioambiental e governança. Uma inteligência artificial (IA) também foi desenvolvida para tirar dúvidas sobre o assunto.
Este guia foi criado pela Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar (Pace), uma ação do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) – Rede Brasil. O manual traz critérios práticos para ajudar as organizações a comunicar suas iniciativas de ESG (ambiental, social e governança).
Ana Urquiza, gerente de Comunicação e Sustentabilidade Corporativa do Pacto Global da ONU, comenta que esta ferramenta inclui checklists e metodologias úteis para diferentes profissionais, como conselhos administrativos, marketing, comunicação, sustentabilidade, conformidade jurídica, entre outros.
O conceito de anti-washing vem do termo em inglês greenwashing, criado nos anos 80 para descrever ações ambientais enganosas, e hoje abrange também práticas falsas em áreas sociais e de governança.
Este manual está disponível no site do Pacto Global – Rede Brasil.
Inteligência Artificial
Ellen Bileski, diretora executiva da Ecomunica e cocriadora das ferramentas, explica que o objetivo é dar confiança às equipes de comunicação para divulgar ações ESG de forma segura, superando o receio de ser alvo de críticas infundadas.
A inteligência artificial foi treinada com o conteúdo do manual e também com documentos importantes como os do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, o Global Reporting Initiative (GRI) e o International Sustainability Standards Board (ISSB), que são referências globais em sustentabilidade.
O assistente está disponível dentro do ChatGPT e pode ajudar na revisão de textos institucionais, criação de campanhas, análise de riscos e suporte à comunicação ESG.
Ellen Bileski destaca que escolheram a plataforma ChatGPT justamente por ser acessível e amplamente usada, tornando a inteligência artificial disponível para todos.
Consumidores também podem usar a ferramenta para verificar a veracidade de campanhas publicitárias.
Ana Urquiza enfatiza que esses recursos foram estruturados com base nos três pilares da Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar: ética, comprovação e envolvimento.
As empresas são orientadas a divulgar informações éticas, baseadas em evidências claras e de maneira transparente, garantindo que a comunidade possa verificar a coerência entre discurso e prática.
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