Brasil
Trabalhador poderá ter duas folgas semanais se for eliminada a escala 6×1
O Senado vota nesta quarta-feira a proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6×1 e reduz a carga horária máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
A votação acontece a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, e é vista como um ponto favorável para a campanha de Lula.
Por se tratar de uma PEC, são necessários dois turnos de votação. A gestão Lula deseja concluir ambos os turnos ainda nesta quarta.
Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro buscavam postergar a segunda votação para após a eleição, a aprovação não altera imediatamente as regras. O texto precisa ser promulgado pelo Congresso e passar por um período de transição de 14 meses. Abaixo estão os principais pontos e o processo legislativo.
O que será votado?
A PEC, já aprovada na Câmara em maio, chega ao Senado para votação sem alterações. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta em 2 de setembro, rejeitando as emendas apresentadas.
São necessárias cinco sessões de debate antes do primeiro turno; a quinta está prevista para hoje, seguida da votação final.
Para aprovação, a PEC precisa de 49 votos (três quintos dos senadores) em cada turno e um pedido de calendário especial para permitir o segundo turno no mesmo dia também será votado.
Principais mudanças propostas
- Redução da jornada: de 44 para 40 horas semanais, com até 8 horas diárias. Pode haver compensações por acordos coletivos.
- Duas folgas semanais: o descanso remunerado passa a ser de dois dias, um deles preferencialmente domingo, substituindo a escala 6×1 pela 5×2.
- Sem redução salarial: o texto proíbe qualquer diminuição de salário, mesmo para contratos vigentes.
- Regimes especiais: futuras leis poderão criar regras específicas para jornadas de certas atividades, sempre respeitando os limites constitucionais. As folgas podem ser compensadas desde que a média mensal seja de dois dias de descanso por semana.
Quem está excluído das novas regras?
Empregados com nível superior e ganhos acima de 2,5 vezes o teto do INSS (cerca de R$ 21.188,87) continuam fora, mantendo direito às duas folgas. Servidores públicos federais, estaduais, distritais e municipais também não são afetados.
Etapas após aprovação
Se aprovada no primeiro turno, a proposta seguirá para o segundo, com pelo menos 49 votos necessários. Um possível requerimento para acelerar o calendário pode permitir votação dupla hoje.
Em caso de aprovação em ambos os turnos, a PEC será promulgada por uma sessão conjunta do Congresso, sem necessidade de sanção presidencial.
E se houver alterações ou rejeição?
Qualquer mudança retornaria à Câmara para nova votação. Apenas ajustes de redação simples não exigem nova análise.
Se rejeitada em qualquer turno, a proposta será arquivada e continuarão valendo as regras atuais.
Quando as mudanças serão aplicadas?
- Dois meses após a publicação da emenda: adoção da escala 5×2 e redução da jornada para 42 horas semanais, com cláusulas contrárias em acordos coletivos perdendo validade.
- Quatroze meses após a publicação: a jornada cai para 40 horas semanais.
Micro e pequenas empresas
A PEC não estabelece regras específicas para microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas. Uma legislação futura poderá definir transições específicas, condicionadas à preservação dos empregos.
Grupos empresariais pediam que se discutissem com mais profundidade os impactos da mudança. Flávio Bolsonaro, ao declarar seu voto, afirmou que, se eleito, o governo deveria compensar financeiramente as empresas afetadas pela alteração.