Esporte
Talibã liberta jovem afegã presa por administrar academia de taekwondo para meninas
Khadija Ahmadzada, uma jovem de 22 anos do Afeganistão que gerenciava uma academia de taekwondo para garotas, foi liberada após ficar 13 dias detida, confirmou nesta sexta-feira (23) um porta-voz da Suprema Corte do Talibã.
A prisão de Khadija Ahmadzada ocorreu devido a supostas violações das normas para academias femininas, segundo declaração de um representante do Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, em entrevista à BBC.
Desde a retomada do governo pelo Talibã em 2021, espaços esportivos permanecem fechados para as mulheres, que só poderão voltar a frequentá-los quando as autoridades garantirem um ambiente seguro conforme a interpretação rigorosa da lei islâmica.
Até o início de 2026, nenhuma dessas academias foi reaberta e as mulheres continuam proibidas de participar de competições esportivas. Essas restrições compõem um conjunto de medidas que limitam direitos fundamentais, como o acesso à educação, ao trabalho e à independência, além da imposição de códigos rigorosos de vestimenta.
Khadija Ahmadzada, residente próxima à cidade de Herat, foi presa junto a outras pessoas após fiscais identificarem irregularidades nas atividades da academia, conforme informado pelo ministério. Entre as infrações estavam o uso inadequado do hijab, a reprodução de música e a presença mista de gêneros no local.
A jovem recebeu advertências antes de ser sentenciada a 13 dias de prisão. Posteriormente, o caso foi examinado pela Suprema Corte, que ordenou sua soltura na quinta-feira (23). Detalhes sobre sua situação atual não foram divulgados oficialmente.
A detenção gerou grande repercussão nas redes sociais e chamou a atenção de Richard Bennett, relator especial da ONU para direitos humanos no Afeganistão, que solicitou publicamente a liberação imediata da jovem.