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Raquel Lyra lidera com 49% dos votos válidos, João Campos segue com 48%

A pesquisa Datafolha, realizada a pedido da TV Globo e da Folha de S.Paulo, mostra que a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) alcança 49% dos votos válidos, enquanto o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), obteve 48%. Os outros candidatos, Ivan Moraes (Psol) e Renan Hallais (Missão), registram 1% cada, e os demais não pontuaram.

Divulgado na noite de sábado (3), este é o último levantamento antes do primeiro turno, que acontece amanhã. A metodologia de votos válidos empregada exclui os votos brancos e nulos, seguindo o critério do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A pesquisa ouviu 1.650 eleitores de Pernambuco com idade a partir de 16 anos, entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado sob o protocolo PE-02404/2026 no site da Justiça Eleitoral.

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Santa Cruz do Capibaribe é o único município de Pernambuco onde Flávio Bolsonaro superou Lula no primeiro turno

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Santa Cruz do Capibaribe, localizada na região do Agreste em Pernambuco, destacou-se por ser a única cidade do estado onde o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), obteve mais votos do que Lula (PT) neste domingo (4), durante o primeiro turno das eleições.

Flávio Bolsonaro alcançou 52,71% dos votos válidos, somando 28.844 votos na cidade do Agreste. Por sua vez, Lula teve 40,11%, com um total de 21.949 votos. No panorama estadual, o petista venceu com 63,39%, enquanto seu adversário recebeu 31,09% dos votos.

Nas eleições de 2022, Santa Cruz do Capibaribe também foi a única cidade de Pernambuco onde Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro, derrotou Lula. Naquele ano, porém, o petista foi reeleito presidente da República pela terceira vez.

Segunda Etapa da Eleição

No segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuam na disputa pelo cargo máximo do país. Ambos foram os candidatos mais votados no primeiro turno, cujo resultado foi divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio Bolsonaro terminou a apuração na liderança, com 44,85% dos votos válidos, totalizando 55.499.853 votos. Lula ficou em segundo lugar, com 44,7%, o que representa a mesma quantidade de votos.

A definição do presidente da República ocorrerá no segundo turno, marcado para 25 de outubro, necessário quando nenhum dos candidatos obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno.

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Flávio Bolsonaro e seu desafio a Lula na política brasileira

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Flávio Bolsonaro (PL-RJ) herdou o sobrenome influente e o capital político do pai, embora não detenha o mesmo prestígio que levou Jair Bolsonaro a impulsionar a direita no Brasil. Este senador, de perfil discreto, está pronto para enfrentar de igual para igual o experiente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Com 45 anos, o senador pouco era conhecido nacionalmente antes de seu pai, detido por tentativa de golpe, indicá-lo como candidato à Presidência.

Antes disso, não mostrava interesse em seguir a carreira política de seu pai.

Apesar de uma campanha discreta e incluíndo uma investigação por suspeita de corrupção, a marca Bolsonaro foi suficiente para posicioná-lo em empate técnico nas pesquisas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É difícil comparar o filho ao pai”, reconheceu Flávio em evento no Rio de Janeiro.

Ele afirma que seu pai sempre será sua orientação, mas se apresenta como um Bolsonaro com postura “mais moderada”.

O seu semblante calmo difere não apenas do temperamento explosivo de Jair Bolsonaro, mas também de outros líderes de direita na região, como o argentino Javier Milei.

Muitos eleitores veem seu vínculo familiar como um motivo para apoiá-lo.

“Queria ter o Jair nas urnas. Como não tem, voto no Flávio”, afirmou Marco Antonio da Rosa, estudante de direito, em um evento de campanha no Rio.

Lágrimas e fé

Nascido no Rio de Janeiro, Flávio é o filho mais velho do ex-presidente e se assemelha fisicamente a ele.

Ele costuma usar terno e óculos, mas durante a campanha vestiu frequentemente a camisa da Seleção Brasileira, assim como o pai.

Em vídeos, emociona-se ao falar da prisão domiciliar do pai e defende-se contra o que chama de perseguição judicial.

Jair Bolsonaro cumpre pena de mais de 27 anos por planejar um golpe, após perder por pouco as eleições de 2022 para Lula.

Formado em Direito, Flávio iniciou sua carreira política como deputado estadual pelo Rio aos 21 anos e tornou-se senador aos 37.

Em vídeo gravado em sua casa, sua esposa Fernanda, dentista, brinca dizendo que o tornou mais dócil que o pai.

Pai de duas filhas, cultiva a imagem de homem devoto, com o slogan “vem com fé”.

Recentemente, enfrentou boatos falsos sobre querer retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, muito venerada pelos católicos.

Ligação com banqueiro e conflitos familiares

Durante a campanha, sua investigação por suspeita de corrupção relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, biografia do pai, veio à tona. O financiamento envolvia Daniel Vorcaro, banqueiro preso por fraude.

Inicialmente, negou contato ou viagens com Vorcaro, depois admitiu ambas as acusações.

Também teve atrito com sua madrasta, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, que o acusou publicamente de humilhação, mas posteriormente aceitou um pedido de desculpas.

Quando era deputado estadual, foi acusado de participar de esquema para embolsar parte de salários de assessores, mas o caso foi arquivado.

Relações internacionais e imagem pública

Orgulha-se de relação próxima com o ex-presidente americano Donald Trump, aliado de seu pai, após reunião na Casa Branca.

Elogia as políticas de segurança de Nayib Bukele em El Salvador, criticadas por defensores dos direitos humanos, e promete construir “muitas prisões”.

Em vídeos com inteligência artificial, apresenta-se como um salvador do Brasil, enfrentando traficantes.

O analista político Thomas Traumann aponta que Flávio é mais afável e simpático que o pai, mas igualmente de direita.

Flávio anuncia que, se vencer as eleições presidenciais, não disputará um segundo mandato consecutivo.

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Lula na disputa pelo tempo na liderança da esquerda

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Sem camisa e suando sobre sua esteira, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre. Quase com 81 anos, ele quer mostrar que ainda tem energia para continuar como presidente do Brasil.

“Não podemos controlar o giro da Terra para que os anos não passem”, reflexiona Lula, com sua voz rouca, em vídeos em que compartilha sua rotina de exercícios nas redes sociais.

Depois de 12 anos no comando, o líder popular, transformado em estadista, luta por um quarto mandato no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Flávio Bolsonaro liderou Lula no primeiro turno por pouco mais de dois pontos percentuais.

O representante da esquerda superou derrotas eleitorais, prisão (580 dias entre 2018 e 2019) e o estigma de uma condenação por corrupção que, anulada por questões processuais, ainda é usada pela direita para chamá-lo de “ladrão”.

Também enfrentou problemas de saúde, incluindo uma queda no banheiro no fim de 2024 que causou uma hemorragia cerebral. Seu médico alertou que “o pior poderia acontecer”.

Após tratar um câncer de pele, ele passou a usar um chapéu panamá para cobrir seus cabelos, antes escuros e volumosos, hoje brancos e ralos, assim como sua barba.

Mesmo assim, insiste: está em melhor forma do que quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2002. Sonha em “viver até os 120 anos”.

Uma trajetória marcante

Em sua recente campanha, Lula não perde a chance de relembrar sua história, descrita como “épica” por seu amigo e ex-ministro Fernando Haddad (PT).

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em uma família pobre de agricultores em Caetés, Pernambuco.

A fuga da fome levou sua família a se mudar para São Paulo. Começou a trabalhar como operário aos 14 anos – chegou a perder um dedo em uma fábrica – e se tornou líder sindical, conduzindo grandes greves durante a ditadura militar nos anos 70.

Após três tentativas frustradas, assumiu a presidência em 2003.

Reeleito em 2006, deixou o cargo com alta popularidade devido a programas sociais financiados pelo boom das commodities.

Na esfera internacional, era visto como líder do Sul Global e defensor do multilateralismo.

No entanto, escândalos de corrupção marcaram seu governo e intensificaram a polarização no país.

Desafios atuais

Em 2022, Lula venceu por pouco o então presidente Jair Bolsonaro. Este último foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, ao tentar impedir a posse de Lula.

Retornando ao governo, o veterano líder do PT se mostrou inicialmente deslocado em um Brasil profundamente polarizado e marcado pela desinformação.

Simbolizando essa diferença, ele vive sem celular, enquanto a maioria dos brasileiros está conectada.

É reconhecido por restaurar políticas sociais enfraquecidas e frear a destruição da Amazônia.

Seu terceiro mandato tem sido visto como repetitivo, com poucas novidades, assim como sua campanha para um quarto período.

Recentemente, declarou que não quer ser lembrado apenas como “o presidente do Bolsa Família” – seu programa social mais emblemático, com mais de 20 anos.

Mais uma batalha

Por que o ícone da esquerda insiste em mais uma disputa? Lula, que não incentivou herdeiros políticos, afirma desejar impedir que a extrema direita volte a “destruir” o país.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, quer virar a página: “Quem vê o Lula não vê futuro”.

Um diplomata contou à AFP, sob anonimato, estar impressionado com a disposição do presidente: “Ele está em plena forma”.

Lula atribui parte dessa energia a sua terceira esposa, Rosângela da Silva, a “Janja”. Feminista de 60 anos, ela é presença constante e influência forte no setor progressista.

Se perder, Lula deixará o cargo discretamente. Mas seu lugar na história está garantido: nenhum presidente eleito democraticamente governou o Brasil por tanto tempo.

Em julho de 2024, diante da imprensa internacional, afirmou no Palácio da Alvorada: “Não há ninguém neste país com mais experiência presidencial do que eu”.

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