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PT retira da resolução proposta sobre ministério exclusivo de segurança por divergências internas
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu retirar da sua proposta oficial, que será discutida no Diretório Nacional no próximo sábado, a defesa da criação de um ministério exclusivo para cuidar da segurança pública. Esta decisão surgiu devido a conflitos internos, especialmente com o governo, embora o assunto possa ser revisitado na plataforma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026.
Na primeira versão do texto, que tratava da crise na segurança pública frente ao crescimento das facções criminosas, havia um trecho que apoiava a ideia de um ministério dedicado apenas à segurança. O documento dizia que o Brasil necessita de um Ministério da Segurança Pública com uma política nacional focada em inteligência, combate aos recursos financeiros do crime organizado e proteção das comunidades.
No entanto, o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e outros secretários da pasta são contrários à divisão do ministério, alegando que isso poderia enfraquecer o combate ao crime organizado. Por exemplo, a Polícia Federal poderia deixar de estar ligada diretamente ao Ministério da Justiça.
Após muito debate, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), liderada por Lula, retirou esse trecho do texto. A segurança pública continua sendo destacada como uma questão nacional muito importante, mas o documento agora sugere uma política integrada sem mencionar a criação de um ministério separado.
No sábado, durante o lançamento do 8º Congresso Nacional do PT, que ocorrerá em abril de 2026 em Brasília, o presidente do partido, Edinho Silva, afirmou que o tema da segurança precisa ser discutido de forma aprofundada, considerando a visão do PT como um partido humanista e de esquerda.
O texto do PT também comenta a escolha do senador Flávio Bolsonaro como candidato presidencial pelo partido Republicanos, feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão não está incluída na resolução oficial, mas ainda pode ser adicionada por meio de emendas. O deputado Jilmar Tatto considerou essa escolha um sinal de divisão no centro-direita, o que poderia beneficiar a reeleição de Lula.
Além disso, o PT critica duramente o governador Tarcísio de Freitas, chamando-o de principal defensor de políticas neoliberais e de privatizações, e faz críticas ao chamado Centrão e à prática das emendas parlamentares, afirmando que o governo sofre chantagem e extorsão política que fragilizam o orçamento público.
O documento ainda menciona que o controle financeiro pelo orçamento secreto distorce prioridades nacionais, enfraquece o poder do Executivo e impede a implementação de políticas públicas importantes, favorecendo interesses políticos imediatistas.
Por fim, o PT defende a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e propõe a criação de um marco legal para proteger os trabalhadores que usam plataformas digitais, sugerindo a responsabilização das empresas pelo uso da inteligência artificial e a criação de um sistema público de dados, embora sem muitos detalhes sobre seu funcionamento.